Diario do Pantanal – dia 8 – Maldito areião

Essa minha pedalada pelo Pantanal, de longe é o meu maior desafio, a mais desgastante, apesar de toda beleza que encontrei até agora.

Meu dia começou bem, estava tomando café da manhã e ouvindo a conversa. “Mas a peça do Caminhão não chegou e não consigo ligar”

Daí o outro responde, “Mas você usou a internet?”

(Internet? – pensei)

“Mandei um email mas não responderam ainda…”

(Email?) Então perguntei; “Vocês tem internet aqui?”

“Sim, internet via satélite, se quiser pode usar o micro”

Não pensei duas vezes, consegui subir as fotos desse meu celular mas não consegui subir as fotos do outro pois nem trouxe o cabo dele. Pior que nesse é que estão as melhores fotos.

Consegui ao menos subir um post para avisar que está tudo bem e logo encarei a estradeira. A partir daqui há fazendas num raio de 7 a 15 quilômetros, bem mais fácil e seguro de pedalar.

Saindo da São Sebastião Grande, só precisei cortar o pasto da fazenda para sair na Santa Cruz. Muita trilha com grama, pouco areião e cheguei na fazenda em pouco mais de uma hora, tudo bem trânquilo.

Chegando na fazenda Santa Cruz fui atrás de água, mas não havia ninguém. Fui entrando na fazenda e nada, então fui até o tanque e enchi meu galão de água.

O próximo destino seria a Fazenda Campo Alto, o trajeto foi novamente tranquilo, mais 10 quilômetros e cheguei na fazenda ao meio dia e meia da hora local.

Lá conheci o seu Nelson, capataz da fazenda que estava descansando na rede. Pedi na cara dura água e comida, pois minha comida esta acabando e não quero correr risco nesses dois dias que me restam.

O senhor foi muito gentil, me ofereceu um descanso na sombra e depois me convidou para almoçar uma feijoada maravilhosa feita pela sua senhora que, infelizmente não perguntei o nome.

Ficamos proseando enquanto comia, sua senhora ainda me trouxe água geladinha e até suco para acompanhar a comida que estava tão boa que eu repeti o prato.

E a sua casinha? Bem simples mas linda, me lembrou muito as casinhas tão bem cuidada do Vale Europeu em Santa Catarina. Quem disse que casa humilde não pode ser bonita?

Depois de muito comer, me despedi e fui encarar a estrada. Eram 13h40 no horário local, e como o sol não castigava tanto e, lá fui eu encarar o areião.

E que areião, são 10 kms até a fazenda São Cristovão e logo de cara foram 2 kms sem pedalar, só arrastando a bicicleta. Nem bicho gosta de areião, enquanto nas vazantes, campos e corixos encontro uma cacetada de animais, no areião, no máximo encontro são  buracos de tatu.

Desencanei, comecei a marcar no GPS o próximo ponto e quando chegava nele eu tomava mais água e descansava um pouco. Foi assim, ponto a ponto que cheguei na São Cristovão, com direito a areião até 500 metros da sede.

Aqui fui bem recebido, jantei, ganhei pouso e umas dicas de um caminho mais curto para chegar na Fazenda Recreio. Lá é que faria meu acesso ao rio para tentar um barco até o Jofre, onde começa a estrada Transpantaneira, já em Mato Grosso, que me levará a Cuiabá, encerrando minha saga pelo dificil Alto Pantanal.

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