Adeus Canastra

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Overtraining, deve ser esse o nome da sindrome do pânico de subidas que está me afetando. Achei que elas haviam terminados hoje, já que iria percorrer o Vale da Babilônia mas que nada, muito morro e muita terra pela frente.

As subidas estão sendo um martírio, o pedal simplesmente não rende, elas parecem intermináveis. É o cansaço, o psicológico, a ansiedade, tudo esta colaborando, não vejo a hora de chegar para ter o descanso que minhas pernas tanto pedem.

Quando cheguei na pousada da Vanda, estranhei o comportamento do cachorro dela, ele ficava chorando, me rodeando mas nem dei muita bola. No dia seguinte, enquanto me preparava para sair o cachorro estava todo empolgado. Foi quando a Vanda disse que ele adora ciclistas e toda vez que um aparece na pousada ele vai seguindo o ciclista, teve uma vez que ele só voltou pra casa depois de 3 dias.

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Saí e o Gaucho (o cachorro) saltava de felicidade na minha frente. Mas o danado deve estar com overtrainig também pois não aguentou nem 2 quilômetros.

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O vale é lindo e não demorou para eu encontrar mais umas Araucárias para reforçar o fato que já estou entrando na Mata Atlântica, o quarto bioma do projeto.

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As subidas eram constantes, já desisti de pegar retas planas em Minas, mas para chegar a São João Batista do Gloria teria que encarar mais uma serra, coisa pouca para os padrões mineiros.

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Depois de muitos morros, consegui chegar em São João onde almocei. Depois do almoço dei um tempo na praça onde, após um bate papo com o pessoal, resolvi seguir para Altinópolis.

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Um dos incentivos para mudar meu roteiro foi a possibilidade de passar por um rio onde a galera toma banho. Ao chegar, de cara encontrei sinal de civilização. Porque o ser humano tem essa obsessão de deixar seus rastros por onde passa?

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Entrei na água mas sinceramente fiquei com nojo. Passei por tantos lugares maravilhosos nessa viagem e os mais belos são aqueles que são de difícil acesso, pois infelizmente a maioria do nosso povo não está preparado para desfrutar das nossas belezas naturais. Essa é uma área particular que o dono libera para uso da população. Se eu fosse o dono, ou cobraria a entrada ou simplesmente proibia o acesso das pessoas.

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Segui meu rumo em direção a Altinópolis e a 10 quilômetros da cidade me despedi de vez da Serra da Canastra.

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Pelo meu cronograma, hoje deveria chegar em Pouso Alegre, mas de onde estou são 190 quilômetros no mínimo. O lado bom é que no dia seguinte teria apenas 50 quilômetros de pedal até Paraisópolis.

Portanto saio cedo daqui e vou pedalar o quanto conseguir, quero pedalar, no mínimo 150 kms, assim consigo chegar em Paraisópolis amanhã e encontrar alguns amigos que vão fazer as pernas finais da viagem comigo. Companhia que virá em excelente hora, tomara que eles venham com poucas malas para passar uns alforges para eles, hehe.

2 thoughts on “Adeus Canastra

  1. Alex

    primeiramente quero parabeniza-lo pelo blog, começei a acompanhar por indicação de uma amiga minha a Michele, estou acompanhando sua empreitada desde o ano passado, desejo muita sorte e força pra você nessa reta final de viagem.

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