Conheça a Pantaneira

Nunca fui de dar nomes as minhas bicicletas, mas vamos convir, a minha Two Niner da Caloi merece todas as homenagens possíveis. Sempre gostei de cicloviagens onde o terreno não fosse problema e sempre tive dificuldades para encontrar a bike ideal, mas depois de 18 anos de cicloturismo acho que a encontrei.

Precisava de uma bicicleta que aguentasse os terrenos mais difíceis e que também tivesse um bom desempenho quando precisasse pedalar longas distâncias no asfalto. A Two Niner caiu como uma luva.

A Two Niner é a MTB aro 29 da Caloi, aliás a única empresa brasileira que tem uma 29′ na sua linha.

Falando um pouco de história (refiz esse texto com novas informações que eu consegui com a Renata Falzoni e o Mestre Ogro Odir).

Os aros 26 eram menos comerciais na época, apenas algumas Schwinns antigas usavam. No começo foi testado todos os aros disponíveis no mercado, 700, 28, 24 e 20. Entraram com o 26, segundo esses dois mestres por dois motivos.  Primeiro porque com o 26 havia mais facilidade de peças e quadros para se se modificar pois era tudo adaptado. Outro motivo é que com a tecnologia das rodas de 30 a 40 anos atrás, os aros menores eram mais resistentes, é bem mais fácil quebrar um cabo de vassoura do que meio cabo de vassoura. Levou uns 30 anos para conseguirem fazer aros grandes e resistentes.

No início da produção eles saíram com uma pequena indústria e rolou uma espécie de acordo para que as MTBs saíssem com aro 26, algo que Gary Fisher nunca concordou 100%. E no começo o garfo era rígido.

Esqueçam o que eu falei do pneu, quando ele decidiu fazer as 29’, pois eram mais inteligentes nas trilhas, o pneu nunca foi obstáculo. O problema foi a suspensão, até que uma empresa (ainda descubro o nome) resolveu produzir e assim surgiu de vez as 29’.

Comparando as 26′ diretamente com as 29′, fica claro que o aro menor torna a bicicleta mais fácil de controlá-las em trilhas mais técnicas e também tem um melhor desempenho nas subidas. Além das 26′ terem menos peso, o aro menor sempre vai facilitar as coisas na hora do arranque.

Mas quando falamos de desempenho e velocidade as 29′ são imbatíveis. A dificuldade de manobra que ela possue em relação as 26′ são facilmente compensadas com a habilidade que vem com a prática. Quando estive em Palmas, fui fazer algumas trilhas com a galera da cidade lá e mesmo sem muita prática em trilhas, os acompanhei sem dificuldades. Um ciclista que vinha atrás de mim reparou como eu “atropelava” tudo na trilha, as rodas maiores sentem menos os buracos e pedras soltas do caminho.

Ainda falando em desempenho, reparem que nos campeonatos de MTB, principalmente os de longas distâncias (como o Cape Epic, por exemplo), a maioria do pessoal da Elite usa 29′.

Agora saindo das competições e vindo para o cicloturismo, algo bem mais próximo da nossa realidade. Para uma cicloviagem precisamos de uma bicicleta robusta, que encare qualquer terreno, aguente peso e tenha um bom desempenho quando precisamos de velocidade. Para o meu perfil de cicloturista (sou daqueles que “quanto pior, melhor”), a Two Niner se mostrou quase perfeita.

Outro fator que adorei nessa bicicleta foi a versatilidade. As 29′ não passam de aros 700 com pneus de MTB. Portanto quando eu precisava pedalar em longas distâncias no asfalto, colocava pneus 700x28c e socava a bota. Com os pneus de terra, em trechos planos conseguia manter uma média de até 25 km/h, extremamente alta para cicloturismo. O problema é que pneus de MTB no asfalto se desgastam rapidamente. Já com pneus de asfalto, essa média subia para até 30 km/h, ou seja, a bike voava.

Essa é uma boa bike para quem gosta de trilhas e também quer brincar na estrada de vez em quando, tanto é que pretendo fazer um Audax com ela, mas com pneus slicks.

Falando agora dos componentes (vejam a ficha técnica no site da Caloi), ela tem uma suspensão a Rock Shox Dart 3 de 80 mm. Uma boa suspensão para o que se propõe e resistiu a gambiarra que fizemos para suportar o bagageiro dianteiro. Travava a suspensão no asfalto e deixava bem solta na terra, principalmente nas descidas. Temos que levar em consideração que ainda não há tanta variedade de suspensão para bikes 29′, já que é impossível usar uma de 26′ com um pneu 29′.

Freio a disco mecânico da Avid. Um freio razoável mas para uma bike desse nível e até mesmo para uma cicloviagem, vale a pena investir num freio hidráulico. Além disso como esse modelo de freio só pressiona um lado da pastilha, com o tempo os discos acabaram empenando. Com hidráulico, além dele ter uma forma de acionamento mais precisa, o ciclista faz menos força para acionar e acreditem, numa viagem longa, tudo que você puder fazer para amenizar o esforço das mãos vale a pena. O freio hidráulico aumentaria o preço da bicicleta mas vale o investimento. O problema é que a manutenção dele é mais complicada, portanto o cicloturista, para nunca ficar na mão, terá que fazer um curso de manutenção antes de encarar a estrada.

A relação é Shimano Deore de 27 velocidades. Na coroa temos 44 x 32 x 22 e no cassete 9 velocidades (32 x 11), muito bom para voar nas retas e girar suave nos morros e serras por onde passei. Quase nada a reclamar da relação, mas se pudesse colocava um 48 na coroa e um cassete de 10 velocidades (34 x 11), aí ficaria perfeito.

Os pneus que vem nela são Maxxis, 29 x 2.25 que renderam bem na terra e até na areia do Pantanal e do Jalapão. Grudavam bem na subidas, mas temos que levar em consideração que o peso da bagagem ajudava para a roda não tracionar em falso, raras foram as vezes que tive que empurrar e quando isso ocorreu, ou foi por impossibilidade do terreno ou por impossibilidade do ciclista.

Os aros são vzan de parede dupla, não são tops mas são aros bons. Tive problemas com eles na viagem mas vamos convir que quando projetaram a bike, não imaginavam que um maluco iria colocar 50 quilos de bagagem sobre seus aros. Aliás quero até agradecer a galera da Caloi que me enviou uma roda reforçada, com raios trançados, no meio da viagem. Pedalei cerca de 1500 kms com essa roda e não tive mais problemas de raios quebrados.

Falando em robustez, realmente fiquei impressionado com a resistência do seu quadro de alumínio. A bicicleta não é tão leve, pesa uns 14 quilos sem bagagem, de qualquer forma eu não tinha muita dó dela, cansei de girar a mais de 30 km/h na terra batida e mesmo tentando evitar, por diversas vezes ela sofreu fortes impactos.

Coloquei a Two Niner a toda prova e ela encarou muito bem a viagem. Duvido que conseguiria pedalar esses 6.800 kms em 115 dias com uma outra bike tirada da loja sem ter que fazer milhares de transformações. Nessa não fiz praticamente nada, apenas instalei os bagageiros e troquei o cubo dianteiro para um Shimano com Dinamo. Tirando isso, praticamente tirei a bike da loja e coloquei na estrada.

O futuro será das 29′, espero que a Caloi crie uma linha inteira como faz com a linha Elite (26′). Minha dica para quem está começando, vá direto para a 29′ pois essa adaptação pode ser mais complicada para quem já pedala muito com as 26′, sem citar os fatores afetivos. Falo isso para quem quer comprar uma bike para pedalar em trilhas tranquilas, mas como eu, também curte um asfalto e cicloviagens. Nesse caso não tem nem o que discutir, é 29′ na cabeça.

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10 respostas para Conheça a Pantaneira

  1. rafael disse:

    poxa…..review bom da bike….to pensando melhor agora, acho que vou direto para as 29′. abraço.

  2. Grande André.
    Chegou a fazer o Audax com ela? Eu vou participar do 200 em Floripa este fim de semana, comprei pneus 700×38 com o pessoal do Ciclo Urbano, mas ainda não pude testar direito, hoje o tempo mudou, chuva e frio.
    A 29er melhorou e muito o meu pedal, na subida nunca fui grandes coisas, mas o desempenho nas descidas e percursos planos compensam pequenas perdas. O Duro é se livrar de 18 anos pedlando numa 26 e abandonar uma companheira que esta há 16 anos comigo.

    Abrax

    • bicicreteiro disse:

      Não fiz o Audax com ela não, mas cheguei a fazer os 200 k na viagem umas 3 vezes no mínimo, portanto é como se eu fizesse.

      700×38 acho meio largo, eu pedalei com 700×28 e segurou numa boa. Por isso eu digo para quem esta começando ir logo para a 29, para não ter esse tipo de “problema” que você teve.

      Muitos não vão abandonar as 26 mais por fatores emotivos do que por razões técnicas. E longas distâncias a bike é imbatível.

  3. arthur disse:

    e os alforges..o que achou???

  4. Gostei dessa 29′, mas a Caloi ainda peca nos quisitos: não tem tamanho Small, não tem furação superior pro bagageiro, dicas que você poderia levar pra eles…

    Em relação a freio hidráulico te garanto que dá menos manutenção que qualquer disco mecânico, só vai ter o trabalho de trocar pastilhas quando precisa, esses mecânicos é direto raspando no rotor, bem mais complicado de relugar, o hidráulico faz tudo por você, auto se ajusta, e demora muito pra gastar as pastilhas, vale a pena o investimento num hidráulico sem dúvida!

    Abraço!

    • bicicreteiro disse:

      Essa bicicleta é feita para o MTB e não para o Cicloturismo. Aliás é raro uma bike de MTB vir com uma furação para bagageiro. Mas nada impede que eles já deixem a furação como padrão em todas as bicicletas, desde as urbanas (que não tem) quanto as MTBs, até nas de estrada creio ser possível vir com furação.

      Agora sobre o freio hidráulico, é como câmbios internos. Raramente darão problemas e todo cicloturista que se preze tem que manjar de mecânica, ao menos da sua bicicleta.

      A minha próxima bike de cicloturismo terá sim freio hidráulico, sem dúvida.

  5. Rodolfo Rodrigues Puertas disse:

    Olá, belo texto informativo. Muito difícil postar umas fotografias dos seus bagageiros? Como fez as adaptações? Abraço do Puertas

  6. Ari Barbosa disse:

    Esse cubo dínamo cumpre o que promete? Vi pelas fotos que tinha algo parecido com um GPS no guidão, ele estava sendo alimentado pelo dínamo?

  7. Arthur Neto disse:

    Ola, gostaria de saber mais sobre a roda com raios trançados, tem diferença?
    Uso pneus 700×38, peso 98 kilos.
    Obrigado.
    Arthur Neto.

    • bicicreteiro disse:

      olha, os raios trançados foram uma alternativa para eu finalizar a viagem sem quebrar mais raios. Funcionou, mas a roda ficou empenada e já em SP alguns raios quebraram. Vou reformar a bike e colocar raios normais, acho que existe solução melhor do que os raios trançados.

      Abs

      André

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