A chegada em POA (Porto Alegre)

Antes de começar, não deixem de entrar no Catarse do meu livro e dar uma força, estou contando com a ajuda de vocês.

Saímos no dia 24 do Parque Aparados da Serra onde acampamos, embora fosse proíbido. Peço já desculpas pela transgressão, mas estava ficando tarde e não deixamos nenhum rastro de que passamos por lá.

A minha noite foi péssima, a barraca estava molhada das noites anteriores e como meu pé encosta no extremo da barraca, senti meus dedos congelarem, mesmo com 3 meias. Não entendia o motivo, mas de manhã, percebi que a ponta do saco de dormir molhou só por fora e o frio externo foi o suficiente para quase congelar meus pés. De manhã acendi o fogareiro e fiquei quase meia hora fazendo massagem para meus pés esquentarem e voltarem ao normal.

Dia 24 de junho no Brasil é dia de São João, mas também o dia de Quebec, a Vanessa estava toda feliz, disse que a noite iríamos comemorar, pedalou até com a bandeira de Quebec. Em Quebec é feriado, comemoram també o dia de São João e fazem uma imensa fogueira. Pelo jeito as nossas festas juninas e a festa de Quebec tiveram a mesma origem.

Acordamos com uma forte névoa, mas não demorou para o vento levá-la. O dia estava lindo, nenhuma núvem no céu, a partir desse dia seguiríamos só por asfalto, queríamos muito chegar a Gramado nesse dia, mas o ritmo deles é muito lento devido ao peso que carregam.

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O dinheiro de ambos havía acabado e só conseguímos parar para comprar comida em São Francisco de Paula, a 40 kms de Gramado, já eram mais de 16h00 e teríamos que acampar logo que saíssemos da cidade.

Encontramos uma dessas florestas de pinheiros de reflorestamento, havia uma Simbra (porteira de arame) e achamos um bom local para acampar. Como era dia de festa, queríamos fazer uma fogueira, mas como fazer um fogo controlado para não tacar fogo na floresta?

Primeiro achamos o local da fogueira e limpei a área que estava forrada dos ramos do pinheiro, na verdade acho que são as folhas, mas não parecem nada com as folhas que vemos por aí. Depois cavei um buraco de 30 cm e fizemos o fogo dentro, ficou muito bom. Daí só faltava a cerveja, mas olha no que dá deixar um gringo comprar nossas cervejas…

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Deixei a Itaipava com a Vanessa, a Bavaria com o Bertrand e fiquei com a dor de cabeça, como era apenas uma, não tive problemas. Ainda assamos linguiças, comemos pão com gorgonzola, foi uma bela comemoração, até porque seria nosso último dia de pedal juntos.

No dia seguinte queria chegar em Poá, mas eles iriam até Gramado, pois queriam entrevistar o pessoal que organiza o festival de cinema da cidade. De manhã, sob uma forte neblina, me despedi deles já com saudades, espero ter ajudado-os de alguma forma enquanto pedalamos juntos.

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Segui forte rumo a Gramado, queria passar antes deles no Centro de Informações ao Turista (CIT) da cidade, para adiantar ao pessoal o objetivo dos meus amigos canadenses. A neblina era muito forte, as vezes não via mais do que 10 metros, liguei meu pisca e torci para não termos problemas.

Antes passei por Canela, outra cidade turística da região, mas nem tirei fotos, por causa da neblina não via nem minha canela, quanto mais a cidade. Sete quilômetros a frente já estava em Gramado, fui ao CIT e depois ao banco. Lá uma galera de Caxias deu a dica de almoçar num CTG (Centro de Tradições Gaúchas) da cidade, pois no resto da cidade era tudo caro.

Cheguei lá e o buffet livre era 10 reais, boa comida, com direito a sopa, churrasco e sagu de sobremesa. Ótima dica, vou até procurar uns CTGs em São Paulo para experimentar a comida deles. E quando estiver pedalando por terras gaúchas, vale a pena almoçar nos CTGs.

Durante o almoço fiquei conversando com o pessoal de Caxias e eles me sugeriram pedalar até Nova Petrópolis, de lá descer a serra. Teria algumas subidas até 2 Irmãos e depois seria plano até Poa. São 120 kms de Gramado até Poá, já havia pedalado 40 e precisava escolher a melhor rota, a com menos subidas. São várias, então escolhi a indicada pela galera de Caxias.

Logo que saí de Gramado desci de 900 para 500 metros, então peguei um longo vale. Se ficasse assim até Nova Petrópolis, a 30 km dali, seria perfeito, mas chegando na cidade encarei uma longa subida e cheguei a quase 700 metros.

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Essa foi só a primeira roubada, quando entrei na BR-116, despenquei numa longa serra e ao final estava a 80 metros. Achei o máximo, deveria pegar só alguns morrinhos e depois só reta. Mas olhava a minha frente e via uma grande montanha, procurava um vale, ou um espaço mais baixo para atravessar e não encontrava. Não deu outra, foram 6 quilômetros subindo onde cheguei a mais de 500 metros, como xinguei a galera de Caxias, rs.

Xinguei naquelas, eles não são ciclistas e não conseguem avaliar uma subida de carro, e diferente das serras catarinenses, ou mesmo das paredes que ficam entre a Serra do Mar e o litoral, essa serra a caminho do sul vai diminuindo aos poucos, então num trecho de 60 quilômetros, tem muitas montanhas no caminho e elas vão ficando menores, conforme se aproximam de Porto Alegre.

Depois de Dois Irmãos ainda peguei uma longa subida, eram 17h30, já havia pedalado 110 kms e ainda restavam 50 kms até Poá. Iria pedalar de noite mesmo e como a fome estava apertando, parei numa Lancheria (como os gaúchos chamam as lanchonetes) comi um sanduiche com queijo e uma torrada. Torrada é uma espécie de misto quente no pão de forma, mas turbinado, com alface e ovo, muito comum no Rio Grande do Sul. Claro que a coca não pode faltar.

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Ainda ganhei um café quentinho do seu Nilton, dono da lancheria e segui forte até Poa. Pedalando de noite na BR e claro, apesar da velocidade máxima ser 80 km/h na expressa e 60 km/h na local, poucos eram os carros que andavam dentro dos limites, todo cuidado era pouco.

Pra piorar, peguei um caminho errado e fiquei pedalando num trecho de 5 Km de BR sem acostamento, tendo um muro da linha do trem ao meu lado, sendo que do outro lado do trem havia uma pista mais tranquila. Aqui como em qualquer cidade brasileira, eles ligam o foda-se para o ciclista e o pedestres nas rodovias, então tive apenas que me concentrar no pedal e torcer para nenhum Neis da vida passar por cima de mim.

Sobrevivi e quando ví já estava as margens do Guaíba, cheguei em Poa por volta das 21h00. Fui recebido pela Livia (@bikedrops), ciclista gaúcha que conheço há um bom tempo apenas pela internet, mas finalmente nossa amizade evoluiu do virtual para o real.

Hoje é dia de arrumar as coisas, lavar roupas, dar uma geral na bike antes do retorno e conhecer a cidade, não vou deixar de dar um belo passeio por Porto Alegre e amanhã encerro a viagem com minhas impressões daqui.

2 thoughts on “A chegada em POA (Porto Alegre)

  1. svicente99

    Blz, André. Quanta estória mesmo pra contar! A região de Gramado e Canela é muito bacana. Poderia ter passado mais tempo por lá… Mas é assim mesmo, sempre temos q voltar. Bom retorno!

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