A arte de torcer e distorcer as estatísticas

Recentemente a Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo divulgou um dado falando do aumento no número de acidentes envolvendo ciclistas em todo estado de São Paulo e isso só causou confusão, pois ficou parecendo que andar de bicicleta está mais perigoso, o que não é verdade.

Não dizem por aí que se você espremer bem uma estatística ela dirá exatamente o que você pretende dizer? Isso é verdade, números não são simples de serem explicados em uma lauda de 3 mil caracteres, por isso resolvi escrever esse artigo.

Primeiro vamos aos números que temos, segundo a Secretaria Estadual de Saúde, aumentou o número de acidentes envolvendo ciclistas. Fala do aumento mas não divulga os número completos, apenas parte deles, procurei os dados envolvendo todos os demais modais e não encontrei. Também não há números regionalizados, apenas números totais. O único número que encontrei foi um dado usado pelo Jornal Nacional em uma matéria sobre o assunto (a qual fui entrevistado) e nela informa os números totais de internações no sistema de saúde estadual dos dois últimos anos:

2010 – 3217

2011 – 3400

Um aumento de 183 casos que significa um percentual de 5,6%. Para saber se esse aumento é preocupante, seria necessário termos o número de ciclistas pedalando nos dois anos em todo estado, algo que não temos. Afirmar que esse é um dado realmente preocupante não passa de achismo, não importa se a afirmação vem por parte de nós ciclistas, ou de qualquer instituição. Por se tratar de achismo, jamais deveria ser usado em uma matéria, ainda mais no Diário Oficial.

Mas mesmo assim tentarei fazer uma avaliação, levando em conta que o número de deslocamentos por bicicleta quase dobrou em 10 anos (de 1997 a 2007) segundo a Pesquisa Origem e Destino do Metro (OD) (veja página 35), o que significa um aumento médio de 10% ao ano na região metropolitana de São Paulo, onde temos metade da nossa população do estado. Se levarmos em conta nossa percepção visual, fica claro que ocorreu um aumento substancial de ciclistas nos últimos 5 anos, pelo menos na cidade de São Paulo, o que deve refletir num aumento expressivo na próxima OD. Mas serei conservador e considerarei que o aumento se manteve no mesmo ritmo de 10% ao ano.

Se o número de ciclistas aumentou em 10% e o de acidentes em 5%, significa uma estabilidade ou até mesmo uma redução no número de acidentes, consequentemente uma melhora na sensação de segurança, algo que qualquer ciclista mais antigo consegue notar pedalando por São Paulo. O que deveria ser pauta de estudo é o número qualitativos e não quantitativos, mas até mesmo para o jornalista da Imprensa Oficial, ao que parece, ele esta mais preocupado com a manchete do que com o conteúdo da sua matéria.

Outro dado importante é separar os acidentes em duas categorias, as quedas e colisões. Quedas vou considerar todos os tombos que os ciclistas levam sem a influência de terceiros em veículos motorizados. Já colisões vou considerar quando o acidente envolve um veículo motorizado, nesse caso não importa se o veículo colidiu ou não com o ciclista, mas se ele de alguma forma contribuiu com a queda, seja com uma fina ou um susto por buzina, considero uma colisão.

As colisões são o verdadeiro problema para os ciclistas e devem ser atacados com políticas públicas de proteção ao ciclista, com investimento do poder público em infraestrutura, fiscalização, sinalização e treinamento de motoristas e ciclistas para que eles evitem as colisões. Lembrando que as principais colisões ocorrem nas seguintes situações e nessa ordem:

1º) Cruzamentos:  Nesse caso um dos agentes (ciclista ou motorista) deixa de respeitar a sinalização. Falando do ciclista, sabemos que muitos de nós (me incluo no bolo) nem sempre respeitamos os sinais de trânsito. Punir o ciclista nesse caso não resolveu a situação em nenhum lugar do mundo e a solução foi adaptar o sistema viário a lógica do ciclista, seja criando os Bikebox, a abertura do semáforo para o ciclista, segundo antes do que para os motoristas. Essas são duas ações que o poder público poderia fazer para zerar essas infrações, consequentemente reduzir os riscos das colisões, já que em diversas situações corremos mais risco respeitando a lei do que avançando um sinal aberto para os pedestres por exemplo.

2º) Ultrapassagens: Acidentes nessa situação tem como culpa, única a exclusivamente do motorista, pois a lei diz que o motorista deve manter uma distância de 1,5 metros e reduzir a velocidade ao nos ultrapassar. Nesse caso apenas fiscalização e educação resolvem.

3º) Conversões: Outra situação onde a culpa é também exclusiva do motorista, pois a lei diz que ele tem a obrigação de dar preferência, tanto ao ciclista, como aos pedestres ao realizar uma conversão, mais uma situação que apenas a educação aliada com a fiscalização pode minimizar os problemas.

Portanto é aí que nós ciclistas e o Poder Público devemos concentrar forças para agir, no número de colisões e principalmente de mortes de ciclistas e não de “quedas”, o que iremos avaliar agora.

As chances de sequelas graves nas colisões são infinitamente maiores do que nas quedas e elas merecem ser tratadas de forma diferenciada. Basta um dia de pedal na Ciclofaixa para perceber que o número de quedas é enorme, mas as chances de gravidade são mínimas.

Minha namorada, por exemplo, pedala a cerca de seis meses e já sofreu ao menos três quedas. A maior conseqüência que ela teve, além de uns pequenos roxos pelo corpo, foi passar vergonha por ter caído na frente dos outros, longe de alguma de suas quedas tê-la colocado em risco. Eu mesmo durante minha Cicloviagem do Projeto Biomas (que detalho no meu livro A Vida em Ciclos), sofri várias quedas, mas nenhuma sequer colocou tanto eu ou minha viagem em risco.

As quedas fazem parte da vida do ciclista e esse é o principal motivo dos ciclistas profissionais se depilarem. Não fazem isso por estética ou para melhorar a aerodinâmica, mas para acelerar as cicatrizações da pele, já que quedas estão na rotina do ciclista que sempre está pedalando no limite. Eu por exemplo sou bastante peludo (particularmente preferiria não ter pelo nenhum) e quando levo um tombo que me deixa com uma escoriação, trato de retirar com pinça todos os pelos do entorno (ARGH!) do ferimento, para acelerar o processo de cicatrização e evitar infecções. Mas já tem uns 8 anos que não levo uma queda que me deixe com um ralado no corpo por exemplo.

Já um ciclista iniciante está muito propenso a pequenas quedas, algo natural durante essa etapa de ganho de coordenação motora e habilidade. Por isso é recomendável o uso do capacete em crianças. Aliás, o capacete só é obrigatório na Holanda para crianças de até um limite de idade, já que ela, durante esse período de aprendizado está mais exposta ao risco de queda. Por isso que muitos ciclistas recomendam (quando não ordenam) o uso de luvas e capacetes para ciclistas iniciantes. Na minha opinião, usar ou não o capacete deve ser uma opção do ciclista, mas só depois que ele já conhece bem os riscos de pedalar e que não tem mais problemas de coordenação motora sobre a bike.

Por isso que afirmo que quedas, raramente trazem riscos aos ciclistas, isso a própria tão contestada reportagem do Diário Oficial aponta, veja o que diz o mesmo médico que ao final da reportagem em que nos aconselha a só andar em parques:

“Em geral, os traumas são fraturas solucionáveis com tratamento cirúrgico e pouca probabilidade de sequelas”

A matéria ia até bem quando o médico resolveu dar sua opinião. Opinião pode ser respeitada, mas não encarada como a de um especialista e sim de um médico carrocrata que desconhece o que vem a ser o ato de pedalar. Aliás, garanto que se sua opinião fosse perguntada em relação aos acidentes envolvendo motoristas, como muito provavelmente ele também seja um, jamais ele iria aconselhar as pessoas a não dirigirem, mesmo se ele soubesse que o número de internações envolvendo motoristas é maior que os de ciclistas.

Outra pergunta, porque não vemos nenhum médico aconselhando as pessoas a não andarem de moto, ou mesmo a pé, já que as internações de motoqueiros e pedestres são infinitamente superiores as dos ciclistas? A culpa é única e exclusiva da cultura carrocrata que muitos ciclistas tentam mudar. Nada de teorias conspiratórias, de que a indústria automobilística engana o povo, ou que há interesses do governo. A indústria automobilística, como qualquer indústria, quer vender seu produto e vai usar suas verbas de marketing para enaltecer as qualidades e mascarar os problemas dos seus produtos, nada diferente do que qualquer indústria no mundo capitalista.

Até mesmo nós ciclistas, quando vendemos a bicicleta, acabamos mascarando as dificuldades existentes no ato de pedalar. Claro que sem a sordidez capitalista, mas procuramos minimizar essas dificuldades, pelo menos no início, quando um ciclista iniciante está começando a pedalar. Nosso salvo-conduto é porque temos ciência de que o terror existente na cabeça daqueles que não pedalam está muito longe da realidade que encontramos nas ruas, por isso procuramos apontar os riscos que o ato de pedalar possui conforme o ciclista vá ganhando confiança e segurança para pedalar sozinho.

Já o Poder Público não passa de um reflexo da sociedade e se hoje estão discutindo mobilidade urbana e a bicicleta, fazem isso apenas porque o povo quer, pois há poucos anos atrás, eu tinha uma enorme dificuldade em convencer qualquer pessoa de que a bicicleta era um meio de transporte viável, algo que dificilmente ocorre hoje.

Já disse diversas vezes que vivemos um momento de transição e durante a consolidação dessa nova realidade, do fim da era do carro, haverá muita confusão de informações até que essa nova cultura e forma de enxergar a cidade se consolide.

Nesse caso em específico, o que ocorreu não passou de um mal entendido, da opinião de um médico carrocrata, que desconhece por completo nossa realidade, e de um jornalista do Diário Oficial, possivelmente um concursado, que provavelmente sequer tem alguma ligação político partidária. Seguindo o “manual” que muitos jornalistas infelizmente rezam, teve acesso aos dados superficiais e resolveu escrever uma matéria de três mil caracteres, isso sem se aprofundar na pesquisa. Apenas viu o número, tirou uma conclusão superficial e correu atrás de um pseudo-especialista para confirmar sua tese.

Toda essa percepção, qualquer ciclista minimamente informado, descontaminado de tendências partidárias, conseguirá ter. Agora defender que esse texto reflete a política do Governo Estadual em relação as bicicletas beira ao ridículo, nem seria necessária uma resposta, chega ser uma afronta a minha inteligência e a de muitos ciclistas.

Aliás cuidado, em época de eleições isso é normal ocorrer, portanto é bom avaliar bem as propostas dos políticos sobre o que eles pensam em relação a bicicleta (aqui pode ser um bom começo) e também acreditar que políticos podem mudar de opinião. Um bom exemplo temos no próprio PT, não podemos esquecer que o Chico Macena, um dos maiores defensores da bicicleta que possuímos atualmente, foi presidente da CET na gestão Marta e não fez nada pelos ciclistas na época. Inclusive foi na sua gestão que ocorreu o aumento de velocidade das vias arteriais da cidade, de 60 km/h para 70 km/h, equivoco que tenho certeza que ele mesmo deve se arrepender atualmente.

As pessoas mudam, eu mesmo mudei a minha forma de enxergar a cidade no início do século, apesar de pedalar desde 1993, apenas depois de 2004 passei a ver a bicicleta no contexto de mobilidade urbana e questionar essa Sociedade do Automóvel a qual eu era mais um refém. A mudança que ocorreu comigo, também ocorreu com o Macena (um dos poucos políticos que eu tenho admiração e respeito), com a Soninha e vem ocorrendo em várias pessoas e políticos relevantes, mas ainda não chegou a todos, por isso precisamos de atenção. Não chegou ainda a esse médico ou ao jornalista responsável pela matéria, mas com certeza irá chegar depois de tanta repercussão.

Por fim, só escrevi esse post porque percebi que a repercussão estava tomando um rumo equivocado, precisamos ter mais atenção no que é espalhado pela mídia e principalmente nas opiniões que circulam nas redes sociais. Fazer uso político partidário de uma notícia até dá para aceitar, o que não pode ocorrer é atrelar a isso a desinformação é fazer o jogo sujo que sempre condenamos. Portanto na hora de opinar, que façamos com base em estudo e pesquisa e sem subestimar nossa inteligência.

André Pasqualini

14 thoughts on “A arte de torcer e distorcer as estatísticas

  1. Robson Combat

    André,

    Quando entrei de cabeça neste mundo de ativismo em torno da bicicleta e da mobilidade urbana, cheguei cheio de gás, crendo que todos devíamos seguir as leis de trânsito à risca.

    Com o tempo, com o acesso a mais informações e com o abandono de fato do carro eu percebi que somos criados para conceber a cidade para os carros, não para as pessoas. Isso está tão arraigado em nossa cultura que reproduzimos a frase de marketing “brasileiro adora carro” como se fosse uma herança cultural.

    Hoje mudei bastante meus conceitos: só com o afastamento do carro é que percebi que nós de fato não o possuímos: o carro é que nos possui. Este artigo é bem elucidativo neste ponto: http://revistaepoca.globo.com/ideias/noticia/2011/10/carga-pesada.html.

    Digo tudo isso porque só assim é que pude perceber que poucas pessoas conseguem de fato observar a mobilidade urbana pensando nas pessoas, não nos carros.
    Este artigo deste infeliz médico apenas reproduz a ideia de que a rua é dos carros e as pessoas tem que sair da frente para eles passarem.
    Para mim este é um pensamento do século passado, que vai morrer aos poucos e eu quero ser um agente para contribuir com isso.

    Só queria deixar uma frase no ar para contrapor as “estatísticas” deste senhor: “Existem as mentiras, as mentiras deslavadas e as estatísticas”.

    Grande abraço!
    Robson Combat

  2. saxmozartfaggi

    Eis aqui uma pessoa que luta a anos, não por ciclovias ou ciclofaixas, mas por respeito… Conheci o mundo do blog após ser tirado de uma comunidade que dizia muito sobre a política e os políticos, eu no entanto falava de artes, música e cultura (diziam que eu era louco) sobre ciclovias, já que não há respeito(diziam que eu certamente era louco) eu falava sobre o metrô e meios de transportes… diziam que seria uma uma utopia… passados anos a 1° ciclovia veio, iniciou-se outra e somos mais respeitados, o metrô está para vir, depende do Estado investir e na Cultura em si, estou aguardando a CLM(Centro Livre de Musica) reabrir para dizer que as oficinas voltaram 100%… Sou de São Bernardo do Campo, acredito que possamos conseguir ciclovias, respeito, alias Cidadania. Irá dizer que vivo no Hospital por causa de acidentes? acaso já pesquisou exatamente o número de pessoas que são acidentadas de bicicletas e , quantas fatais? Eu já fiquei na porta do hospital em SBC que recebe pessoas com traumas do tipo… a média é de 1 a cada 15 dias enquanto de moto são 240 a cada 15 dias e carros são 200 a cada 14 dias. Bicicletas acidentam, principalmente crianças nos finais de semana, mas nenhuma quer ir para o hospital… somos mais resistentes e a velha receita, sabão, agua limpar o ferimento, volta a pedalar novamente em seguida.
    Estou na internet desde 2002, convivo com relacionamentos desde 2004 e políticos não ajudam em nada, mas votar nulo ou branco , estará votando em alguém, que eles queiram…
    Entre em meu blog

    Abraços fraternais, Mozart Faggi

  3. marcio

    Sim, nem perca tempo em comparações entre esses comigo, não vamos continuar aqui porque eu não gosto de POLÍTICO, não têm minha confiança essa gente que pula de barco em barco, agora ofende amanhã se beijam e se abraçam. Ingênuo quem se coloca ao lado deles.
    E o que citei aí de ruim e bom foi aleatório, defendendo quem eu ? O escândalos do PT ou os escândalos do PSDB ?
    não, não eu. Em segundo turno tenho votado nulo por absoluta convicção.

    Quem acredita de verdade na bicicleta como meio de transporte por enquanto só quem está pedalando pelas ruas.

    abraço

    1. bicicreteiro

      Cada um acredita na bicicleta como quiser e do jeito que quiser. Pelo menos é assim que eu penso. Não existe regra, se quer acreditar só para tirar proveito, seja lá do que, é problema de cada um, não serei eu a julgar ninguém.

      Mas não concordo com o final da sua frase, pois conheço muitas pessoas que acreditam de verdade na bicicleta como meio de transporte, mas não pedalam. Minha mãe por exemplo.

      Abraço

      1. marcio

        Porra, André, evidente que eu quis dizer os que acreditam de verdade ENTRE AS PESSOAS ENVOLVIDAS, achei que estava implícito, até onde sei sua honrada mãe não está envolvida no processo.

        abraço

  4. marcio

    Ah, mas se eu estivesse aqui atacando A para defender B ou C não seria eu, mas um fake meu.

    André, IMPOSSÍVEL dissociar o que acontece na cidade de São Paulo às práticas da classe política, impossível. Se não gosta de comentar aqui no blog sobre essa interferência nefasta sobre os rumos da cidade, então aqui será a terra de Alice.
    Estamos TODOS submetidos aos mandos e desmandos de QUALQUER partido que esteja porventura no poder. Eles TÊM que LER e OUVIR CRÍTICAS, omitir essas práticas da conversa já é defendê-los, não precisam, eles já têm excelentes advogados quando são levados às barras dos tribunais.
    Estávamos falando de solução. Solução é um Plano de Transportes baseado quase que exclusivamente em TRANSPORTE PÚBLICO de massa, trem, metro e ônibus, e não os remendos sucessivos que vemos, as migalhas como eu disse. Remendos que quando são de vulto contemplam os carros particulares pelas razões que acima.
    Me diga, por exemplo, com sinceridade qual o objetivo de uma Ponte Estaiada da vida ser construída na marginal ? Houve pesquisa origem-destino ? A população pedia ? Foi bom pra cidade ? Foi bom para quem ? Custou quanto aquela solução do nada ?

    Não, não é só por desconhecimento ou desatualização das tendências mais modernas dos governantes que a cidade prioriza automóveis, infelizmente. O complicado é que você sabe bem disso, eu posso te dizer isso te olhando direto nos olhos.

    É isso, nos vemos pedalando nas ruas, abraço.

    1. bicicreteiro

      O problema Marcio é que você cita exemplos de coisas péssimas que um candidato fez e só cita bons exemplos de outro, sem citar as péssimas ações de que um candidato ou partido realizou e isso não deixa de ser uma defesa, por isso que eu não queria que isso virasse uma discussão partidaria. o que acabou virando.

      Ia escrever mais coisas, fazer até um paralelo nas ações de um ou de outro mas caio fora pois isso é uma discussão interminável.

      Abs

  5. Marcio

    Educação ou Transporte público, duas urgências incontestáveis, legítimas e atrasadíssimas na cidade, já ampliação da Nova Marginal…

    “População” que pede ampliação de marginal é no máximo classe média, Pasqualini, a massa é maioria esmagadora e não tem carro, você sabe disso, não usa aquilo no dia a dia. Essas pessoas que saem toda manhã às 5:00 e se sufocam num ônibus e metro querem sim condições de conforto, inclusive porque estão economicamente muito longe de poder comprar (e sustentar) o primeiro carro inclusive. Outros que não pedem Novas Marginais, mas MANDAM, são os empreiteiros, e é desses que o poder político beija a mão. QUEM PAGA, MANDA. Não fossem as doações de campanha essa cambada não alcançava o poder, daí depois vem a conta, grandes obras.
    Lobby de ciclistas ? Não, fazer um protesto aos gritos um aqui e outro acolá sem nem sequer ser tomado com consideração, ou conseguir pôr notinhas em favor da bicicleta em revistas e jornais é uma questão de BEM COLETIVO (isso não é nem de longe o conceito de lobby*). Nada se compara com as poupudas somas para campanhas que podem determinar quem terá chances de se eleger ou não, ou presentes de casamento (mimos como carros e apartamentos), jatinhos a disposição para voar o Brasil, jantares de grandes “negociações”, etc…

    Não, a população depois das eleições não terá acesso aos corredores e salas das câmaras municipais, assembléias legislativas, câmara dos deputados, paços municipais, palácio de governo ou planalto. Já quem PAGOU a “estadia” deles ali entrará com hora marcada.

    Wikipédia…
    *Lobby (do inglês lobby, ante-sala, corredor[1]) é o nome que se dá à atividade de pressão de grupos, ostensiva ou velada, com o objetivo de interferir diretamente nas decisões do poder público, em especial do Legislativo, em favor de INTERESSES PRIVADOS.[2]
    A palavra lobby tem origem inglesa e significa salão, hall, corredor. Segundo alguns estudiosos, o fato de várias articulações políticas acontecerem nas ante-salas (lobby) de hotéis e congressos, fez nascer a expressão “lobbying” (lobismo) para designar as tentativas de influenciar decisões importantes tomadas pelo poder público, sobretudo aquelas relacionadas a questões legislativas, de acordo com INTERESSES PRIVADOS de alguns grupos ou setores inteiros da sociedade.

    1. bicicreteiro

      Brother, escrevi esse artigo não para fazer crítica partidária e tão pouco para defender esse ou aquele partido. Todos os políticos fizeram coisas boas e ruins, infelizmente no Brasil não temos um partido que sabemos que se se eleito, farão a coisa certa, até porque o conceito de certo ou errado varia de pessoa a pessoa. Um belo exemplo é a Marginal, quando disse que a maioria da população aprovou a Nova Marginal, não falei que foi a classe média, usei uma pesquisa da Nossa São Paulo que apontou que 69% da população (de todas as classes) aprovou a obra e garanto que se você fizer uma pesquisa num busão aqui na Rua Alba, verá que pelo menos metade dos passageiros vão aprovar a obra. Odeio esse resumo a guerra de classes pois sei que o maior problema é a desinformação e o desinteresse, algo que até eu sou acometido a todo momento.

      Quando escrevi esse artigo foi uma forma de fazer um alerta, vejo muita gente usando suas paixões (e ódios) para condenar essa ou aquela pessoa, mas não vejo ninguém apontando uma direção. E entendo o porque, pois quando fizerem isso cairão em contradição, pois não importa para onde se corra, no final das contas todos os partidos realizam as mesmas práticas que tanto condenam.

      Vocês não me verão aqui fazendo críticas diretas a esse ou aquele, primeiro porque isso mais confunde do que esclarece e segundo porque o dia que tomar um partido (se tomar) detalharei exatamente as minhas razões do porque fiz minha escolha e uma coisa é certa, não serei contraditório.

      Não gosto de ver meu blog sendo usado para defesas partidárias e tão pouco para críticas, seja lá qual for o partido, até porque se eu quisesse fazer isso, o que não me falta é conteúdo. Quero discutir idéias, quero ajudar e dar argumentos para as pessoas pensarem, quero mostrar que mais importante que partido são as pessoas, que pessoas mudam, seja leitores, sejam políticos e a galera só precisa de informação para fazer suas escolhas e é isso que eu sempre pretendo quando escrevo algo no meu blog.

  6. Pingback: política e bicicletas no país dos orcs. | as bicicletas

  7. marcio

    Teoria da Grande Conspiração não diria, mas que todos os governos (exceto em algum grau a Marta que deu um gás nos corredores) até aqui têm enrolado e feito pouco pelo transporte público e menos ainda pela bicicleta, o que tyemos foi só às custas de chute na bunda deles, isso é inegável.
    Já inaugurar pontes e viadutos e ampliar avenidas e marginais para CARROS particulares andarem melhor, isso não precisou chutar a bunda deles, antes o contrário, eles chutam a bunda de quem protestou contra essa obras.
    Também acreditar que quem paga as campanhas deles (e as montadoras estão entre os que têm seus lobistas em todas as esferas, outras são as incorporadoras e construtoras) não faz pressão por facilidades para seus negócios é ingenuidade, Pasqualini. Ou então é não querer falar sobre o assunto.
    O cidadão comum, esse que anda de ônibus, não faz lobby junto aos governos, não empresta jatinhos, não convida para almoços, não presenteia com pacotes turísticos, reforma de casa ou mobílias importadas. Então para os interesses coletivos do cidadão comum restam as migalhas que caem da mesa dos senhores, esses afagos para acalmar a galera da geral.

    Quem quer FAZER FAZ, e se apressa em fazer, o transporte público além de não ser prioridade municipal nem estadual é ainda alvo de máfias que negociam na calada da noite as linhas e setores da cidade, jamais resolvido isso, a Marta peitou e pouco conseguiu.

    Bicicleta agora é hype, então tem uma pressão osmótica forte sobre eles para no mínimo “dizerem” que é importante, daí a pôr num projeto amplo e prazos definidos e cumpridos…Só se fosse uma Grande Obra Viária que vai ligar a Casa do Cara… à Pu.. que o Pa…, aí a verba bilionária sai rapidinho.
    Imagina, mixarias de ciclo-rotas e cilovias, imagina.

    abraço

    1. bicicreteiro

      Marcio, fazer lobby todo mundo faz e todo mundo vai tentar fazer, cada um do seu jeito, até mesmo os ciclistas. Se a Marta fez os buracos na Faria Lima com o dinheiro dos Cepacs (que originalmente iriam para a educação mas sua gestão alterou a lei), ou se o Serra investiu dois bi na Nova marginal, para mim isso nem é tão relevante. Pior é a maioria da população aceitar essas obras, como aceitavam passivamente qualquer grande obra até pouco tempo atrás, como cerca de 69% da população se disse favorável as obras da Marginal Tietê, como a maioria da população achava que corredores de ônibus estragavam a via e até mesmo foram contra eles durante a gestão da Marta por exemplo.

      Político faz o que o povo quer, se o povo pedir a construção de um coliseu em cada um dos parques que temos, esses políticos que estão aí vão construí-los isso e até aprender MMA se necessário.

      Que bom que ao menos eles estão se preocupando e buscando aprender algo sobre a bicicleta, esse é o lado bom do Bike-Hypee faz eu chegar a seguinte conclusão, não que os políticos estão melhores, mas que a população está atenta e aprendendo a fazer política, algo que o brasileiro está longe de saber fazer.

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