A Polícia tem que acabar

Vou ilustrar apenas alguns motivos do porque a polícia tem que acabar, tentarei ser conciso, mas são tantas as experiências que poderia relatar, impossível não escrever um post maior do que a ficha criminal do Beira Mar, mas vamos tentar.

Cena deprimente 1

Ao lado de uma base policial na Xavier de Toledo (Centro de São Paulo) há vários paraciclos, ontem fui parar minha bike ali, não havia vagas e tive que prendê-la numa grade. Na volta queria tirar uma foto para ilustrar com felicidade o fato de não haver mais vagas, pois anos atrás quando pedimos para instalarem os Paraciclos (e ficavam vazios) muitos diziam que aquilo não tinha serventia alguma, portanto quis tirar uma foto só para registrar como a bicicleta virou realidade de uns anos para cá.

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Logo em seguida um policial se aproximou (de alguma patente que não sei) e perguntou ao outro policial quem havia instalado os Paraciclos ali e o PM disse – “Foi a prefeitura, não temos nada a ver com isso” – então o PM de patente disse – “É bom deixar claro que não somos responsáveis caso alguém roube alguma bicicleta daí” – então retruquei – “Quer dizer que se roubarem minha bicicleta eu não posso contar com a polícia? Serei eu quem tem que ir atrás do ladrão? Para que (quem) vocês servem então?”

O papo se alongou, migrou para aquela história de que eles poderiam ter algo mais importante para fazer, blá, blá, blá. Resumindo fiquei imaginando se a reação deles seria a mesma se o veículo roubado fosse um carro de algum cliente dos restaurantes da Rua Amauri.

Cena deprimente 2

Um amigo tenta prender uma bicicleta em frente a uma base da PM no Largo São Bento, um PM o aborda, proíbe ele de prender a bicicleta, mostra o código de trânsito umas leis falando sobre “pedalar na calçada”, não consegue mostrar a lei que proibiria ele de prender a bike na grade e muda de tática. Pega os documentos dele, faz um puta terrorismo e até o ameaça de prendê-lo por desacato. Esse amigo, uma pessoa super do bem, mas de classe média e que nunca passou pelo drama que vive os jovens da periferia, ficou com medo, não prende a bicicleta e tão pouco tem coragem de fazer uma denuncia contra aquele PM por abuso de autoridade, prefere sair revoltado mas com aquela sensação de Chapolin Colorado.

Cena deprimente 3

Realizando o trajeto alternativo do 3º Desafio Bicicletas ao Mar, pedalando de Taubaté a Ubatuba, depois que vários ciclistas desceram a serra, a polícia sobe e tentar impedir o restante dos ciclistas de descerem. Cheguei lá e fui tentar conversar com os guardas, apesar de termos o direito garantido por lei de trafegar ali, apesar da lei obrigar o estado a nos prover segurança, fui demonstrar para os policiais que estávamos preparados para a descida e até tínhamos estrutura de apoio para problemas, contávamos com dois carros de apoio e uma ambulância, foi quando o PM soltou a pérola.

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“Quer dizer que vocês vieram preparados, prevendo que um acidente iria acontecer?”

Respondi – “Sim, estamos preparados para caso de acidentes, mas se caso ocorra, eu poderei contar com vocês?”

A resposta do PM – “Claro que não, inclusive se algo acontecer você será responsabilizado criminalmente! Por isso anotei seus dados aqui.”

Eu – “Quer dizer que se eu estivesse de carro e sofresse um acidente, aí tudo bem? Vocês iriam me ajudar?”

O PM – “De carro sim, mas se sofrerem um acidente de bicicleta azar o de vocês!”

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Em minha viagem do Projeto Biomas, depois de passar por uma estrada perigosíssima, que não tinha acostamento, onde os motoristas ignoravam o limite de 80 km/h da via, onde por mais de 100 quilômetros não encontrei um Policial Rodoviário fiscalizando a via ou tentando inibir os excessos, fui parado por dois policiais que pela primeira vez na vida, depois de 18 anos (até então) de cicloturismo, me deram uma geral com direito a amassarem meus miojos. Pra encerrar tive que ouvir que eles faziam aquilo para o meu bem (mais detalhes aqui).

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Em outra cicloviagem, dessa vez pedalando nas Serras Gaúchas, reparo na passagem de um comboio com dois caminhões, dois carros da receita federal e mais duas viaturas da PM Gaúcha (lá eles chamam de Brigadistas), passaram por mim e pelos amigos cicloturistas canadenses que havia conhecido no dia anterior e que estávamos percorrendo juntos um trecho pelas serras. O comboio estava levando cigarros apreendidos pela receita para serem incinerados no forno de uma fábrica de papel que havíamos passado a pouco, no retorno os carros passam por nós e a viatura do final do comboio para ao nosso lado. Nesse momento descem policiais com armas em punho, com sua truculência usual e mandam a gente colocar as mãos nas cabeças, algo impossível pois estávamos empurrando bikes com 50 quilos em média, numa subida de terra, ou segurávamos as bicicletas ou colocávamos as mãos na cabeça.

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Nem preciso falar que os Canadenses ficaram transparentes (pois eles já eram brancos) todo o terror que haviam colocado a eles quando falaram que viriam ao Brasil estava se consumando naquele momento, até porque jamais eles teriam tal tratamento em sua terra. Estavam sendo agredidos e completamente nas mãos daqueles PMs. No final das contas, mais uma vez a abordagem só serviu para transformar nosso Miojo em sopa de letrinhas e deixar claro que caso a gente tivesse algum problema, jamais poderíamos contar com a polícia. (Mais detalhes clique aqui)

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O Major Lidio da Costa Junior diz “Não nos responsabilizamos mais pelo que vai acontecer” sobre as manifestações em São Paulo contra o aumento das passagens de ônibus. Ele não explica bem o que significa essa frase, mas acho que as próximas cenas explicam o porque.

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No vídeo abaixo um repórter da Carta Capital, que cobria as manifestações contra o aumento das tarifas de ônibus em São Paulo, foi revistado por policiais que encontraram vinagre na sua mochila. Vale lembrar que o Vinagre é algo que alivia os problemas causados pelo gás lacrimogênio.

Os Pms o levaram até o capitão que mandou prendê-lo junto com outros manifestantes. Mais tarde na delegacia, outro PM disse que ele teria sido preso por carregar substância suspeita e que, “depois de perícia”, se constatado que aquilo era realmente vinagre, ele poderia ser liberado.

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O vídeo mostra a tática dos policiais para justificar as agressões gratuitas contra os manifestantes, uma ação com claro intuito de poder mostrar para a mídia o porque das agressões e de que elas não passam de uma retaliação ao “vandalismo” supostamente praticado pelos manifestantes. Para quem não conseguir ver o vídeo, nele mostra um PM quebrando o vidro da própria viatura num momento onde não ocorria qualquer confronto.

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Nesse outro vídeo, manifestantes fazem um coro de “Não a violência” e como respostas eles recebem balas e gás.

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Essa é para fechar com chave de ouro. Para não permitir aglomerações de manifestantes na Paulista, o que impediria o direito e ir e vir do restante da população, o que a PM fez? Fechou a Paulista.

policiaManifestacao

ATENÇÃO ESSA FOTO É UMA MONTAGEM! Vou descrever na legenda o óbvio, pois ao invés de debaterem o tema, tem gente que fica perdendo tempo falando dessa imagem. Não sei quem é o autor da montagem, mas a imagem realmente foi tirada da Globonews enquanto mostravam ao vivo a polícia bloqueando as duas vias da Paulista para o tráfego de carros, mas o texto da chamada era outro e alguém bastante espirituoso fez a montagem que ficou fantástica, por isso coloquei no post. Pois apesar de ser uma montagem, o fato citado na legenda realmente aconteceu.

Aqui o link com um relato de um cidadão que não estava se manifestando, não viu um manifestante sequer na Paulista, mas mesmo assim foi vítima da estupidez da policia e garanto que vão chover relatos parecidos nos comentários ou na internet.

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Essa daqui chegou depois que publiquei o post, uma pessoa registrando da sua casa a ação da polícia quando, de repente, leva um tiro DA POLÍCIA!

Porque não precisamos da polícia?

Quem não sofreu ações violentas e nem se deu ao trabalho de procurar a polícia pois sabia que seria inócuo? Quem não deixou de ir a delegacia registrar um BO só para evitar uma canseira que não daria em nada? Quem não foi demovido de fazer um BO porque o delegado ou escrivão se recusou a fazer? A gente só vai mesmo na delegacia para ter um documento que possa acionar o seguro, mas tem várias seguradoras que nem obrigam mais o cliente a fazer o BO para não causar mais transtornos aos seus clientes, portanto quanto menos a polícia intervir em nossas vidas melhor.

Quem não conhece algum caso onde ocorreu algum furto e por sorte a pessoa tinha contatos na PM e só assim ela foi acionada? Claro que não vou generalizar, há PMs que tem a “polícia no coração”, sonharam em serem policiais para terem o poder de corrigir injustiças, mas esses fazem parte de uma minoria que, ou passa a agir “como a banda toca” ou caem fora da corporação. Quando o Major disse que não se responsabilizaria pelo que iria acontecer ele sabia que nem ele teria controle para dominar uma massa armada e treinada apenas para dar porrada e obviamente sem nenhuma inteligência.

Claro que também temos o problema dos manifestantes que acabam realizando depredações, mas eu já participei de inúmeras manifestações e sei muito bem como as coisas funcionam, tem sempre uns adrenados que só esperam a PM agir para entrar na guerra também, esses são tão estúpidos como os PMs que começam a confusão, mas também são uma minoria (como os bons policiais), que não sabem usar a inteligência e se aproveitam da confusão para descarregar sua adrenalina. Não vou me alongar nos manifestantes, para eles terei um post exclusivo.

Vivemos num sistema onde delegamos ao estado o “Monopólio da Violência”, se alguém me bater, eu não posso revidar, quem tem que fazer isso é o estado usando suas instituições, nesse caso a polícia. Mas a policia está em todos os lugares? A polícia trata todos da mesma forma? Minha sugestão é que a concentração da próxima manifestação do movimento Passe Livre não saia do centro de São Paulo, mas pode sair do Ibirapuera e rume para os Jardins.

Em minhas viagens de bicicleta já passei por diversos lugares onde a delegacia mais próxima estava a mais de 300 quilômetros, isso significa que sem a polícia as pessoas vivem num estado de barbárie? Pelo contrário. Mesmo em locais onde há constantes conflitos, ninguém quer viver numa eterna guerra e a própria comunidade cria suas regras de convivência. Olha que na maioria dos casos que presenciei, essas regras são mais justas do que as regras que vivemos em nossas cidades, não vejo nessas comunidades um “Apartheid” como vejo nos centros urbanos. Claro que cada caso é um caso, há lugares onde uma pessoa com muito poder impõe suas regras nada justas aos demais, mas na maioria dos lugares a sociedade se organiza para viver relativamente em paz, até com mais paz que vivemos em nossas cidades “civilizadas”.

O correto seria termos uma Instituição forte e muito bem treinada para que ela pudesse manter essa ordem. Sabendo que detêm o monopólio da violência, teria que ter um treinamento e aprimoramento constante para poder usá-la apenas quando realmente fosse necessário. Agora me digam, a Polícia é essa Instituição que gostaríamos de delegar esse poder?

Claro que não, agora até os jornalistas que estavam dando apenas atenção as agressões que partiam do lado dos manifestantes, só agora que tomaram muita porrada é que passaram a mostrar o outro lado.

Rodrigo Paiva/Estadão Conteúdo

“Grandes poderes requerem grandes responsabilidades”, até o Homem Aranha nos ensina que não é qualquer pessoa que pode deter o direito do poder, no Brasil vemos a anos o poder ser usado apenas para dominar a população, vimos isso na Ditadura, vemos agora quando os agredidos pela Ditadura que estão no poder tentam defender os seus agressores só porque mudaram de lado (caso do Cardoso e do Dirceu).

É por essas e outras que a polícia tem que acabar, não acredito que uma simples reforma na instituição corrija seus rumos, a merda é tão grande que não tem conserto e se alguém tentar consertar pode até ocorrer outro golpe militar no Brasil, por isso os nossos governantes, ou concordam que a Polícia tem que continuar servindo apenas a poucos (usufruindo dessa benesse), como ocorre hoje, ou aceitam que não tem nenhum controle sobre ela.

Enquanto uma mudança nessa instituição não ocorre, continuarei vivendo minha vida e torcendo para que nunca precise dessa instituição, juro mesmo, espero encontrar bandidos pela frente do que a polícia, pois dos bandidos eu sei como me defender ou lidar, mas da polícia eu tenho realmente medo, pois é uma instituição nada digna do poder que lhe foi atribuído, portanto só quero distância.

André Pasqualini

14 thoughts on “A Polícia tem que acabar

  1. Alisson Lirio

    Quanta bobagem! Então o problema é a polícia militar? Acorda cara! Podem trocar todos os pms do país pelos power rangers e nada mudaria. O buraco é muito mais em baixo. O que precisa de mudança urgente é esse apanhado de leis inúteis do Brasil. É muito fácil criticar nosso trabalho sem conhecer toda a sua complexidade. Coloque-se no lugar de um policial e tente fazer valer a ordem. Nossas leis são tão toscas que ao invés de nos amparar (e à população de bem) nos amarra. Ou seja, não temos a principal ferramenta para nosso trabalho. É como pedir a um padeiro que asse pães somente com um palito de fósforo. Tu parece ser um cara inteligente e como tal deveria saber que a gritante maioria dos pms gostaria da desmilitarização (pra começo de conversa a gente já poderia fazer uma grave, coisa que nos é proibida). Além do mais tu já ouviu falar em violência policial em país de primeiro mundo? Os vagabundos são os mesmos, as técnicas policiais idem. A diferença é que nesses lugares a polícia tem amparo e todo mundo sabe que deve obedecer senão o pau come e a cadeia é certa. Aqui, infelizmente o cara atira na polícia e o juiz manda soltar e você quer que o policial aborde alguém sem portar arma? Estude um pouco mais um assunto antes de discursar sobre ele de forma tão leviana. O problema não é a polícia e sim a lei que ela defende…

    1. André Pasqualini Post author

      Se reparar bem no texto eu deixo claro que na minha opinião, do jeito que é a polícia hoje, seria melhor se ela não existisse. Isso ao menos para uma parcela significativa da população que não recebe nenhuma assistência dessa polícia, quando não é tratada como simples bandidos (como nos exemplos citados no post). Ou a polícia protege todo mundo ou não tem necessidade de existir. Agora se formos discutir o porque a polícia não protege todos “de forma igual”, aí caberia boa parte do seu discurso.

      Minha crítica nesse post tem apenas um alvo, a “Instituição Polícia Militar”, pois como instituição não serve (na minha opinião) para nada e motivos para achar isso não me faltam, mais uma vez os exemplos acima sustentam o meu discurso.

      Também acho que a instituição “Justiça” também não serve para nada pois vai na mesma linha, a justiça só está a serviço de quem tem dinheiro, o resto da população que se foda, mas daí perderíamos o foco do post.

      Podemos discutir as possíveis soluções, daria para termos uma polícia militar mais justa? Acredito que sim, pois ela é uma instituição formada por pessoas e um ótimo exemplo de que mesmo ela sendo militarizada poderia ser melhor do que está vocês encontram bem ao lado de vocês, num adendo da polícia militar que chamamos de Bombeiros. Porque será que os Bombeiros é a instituição que melhor avaliada pela população? Pelo simples fato que eles lutam para preservar a vida e que atendem todos da mesma maneira, seja um mendigo ou um executivo passando mal na rua. Agora me responda, podemos dizer o mesmo da PM?

      Se a Polícia Militar tivesse dentro da instituição o mesmo amor pela corporação e pelo seu trabalho que os Bombeiros tem, mesmo com tantas dificuldades (como as que você citou acima) teríamos uma Polícia Militar com a qual poderíamos nos orgulhar e que faria algum sentido sua existência (repare que não consigo imaginar nossa sociedade sem a Instituição Bombeiros).

      E olha, não leve para o lado pessoal, sei que há muitos policiais com o mesmo amor a profissão ou sensibilidade no trato com a população como os bombeiros, mas vocês estão muito longe de serem maioria, infelizmente.

      André Pasqualini

      1. zanete

        para mim a policia militar ja devia ter acabado faz tempo tem policiais que nao atendem a ocorrencia outros tacam mais fogo na fogueira e quando vao embora se for briga de vizinho piora tudo protege criminoso incrimina os inocentes essa e a policia militar do brasil. so gosta de pegar menininhas novas nao gosta de resolver problema de coroa

  2. Jorge serra

    Tá bom…vamos acabar com a Polícia !!!….
    Por gentileza “me explica uma coisa”…. O que Sr. sugere para colocar no lugar?…Acabar com a “instituição” Polícia resolve?….Esses Policiais não são “pinçados” da sociedade?…Não fazem parte da população?…Poderia me dar algum exemplo de sociedades “dita civilizada” que aboliu com sucesso o “obsoleto” modelo de força repressora chamada Polícia?

    Um país, como o nosso, de gente pacífica e civilizada, de gente politizada, um país de gente honesta, como esse grande exemplo que se chama Brasil, não pode aceitar esses “alienígenas fardados”… Não somos um país de bárbaros e ignorantes, como os noticiários INSISTEM em mostrar, não senhor…
    Esse país NÃO precisa de uma Polícia austera nem de leis mais duras… Somos todos nós pessoas do bem, pacatas e ordeiras…

    1. André Pasqualini Post author

      Do jeito que está vale mais a pena acabar mesmo, melhor cada um cuidar da sua segurança do que deixar na mão de um estado que só trabalha para proteger uma minoria.

      Mas dá para começar acabando com a militarização da polícia e a criação de uma nova instituição mas de caráter civil. Daí basta treinar esses novos policiais para trabalharem mais na inteligência do que na força, só isso já ajudaria bastante. Lembrar que apenas 4 países do mundo tem polícia militar policiando civis e o Brasil é um deles.

      1. Henry

        Concordo com as palavras do bicicreteiro acerca da polícia militar. é uma instituição que deve, sim, acabar. Desmilitarizá-la é imprescindível para que abandonemos de vez a herança maldita da ditadura militar.
        Cabe dizer que a instituição PM brasileira já estava presente nos dias de Colônia com o objetivo de preservar os interesses da elite branca (entenda controle social, apreensão de negros escravizados fugidos). Atualmente, sua função não é muito diferente. Ilude-se quem imagina que a segurança pública é feita pela polícia. Ela procura apenas assegurar os interesses do Estado. Não é segredo algum que ela é seu braço armado.
        Uma pesquisa simples é capaz de demonstrar, inclusive, o perfil daqueles abordados pela PM. Assim como na Colônia, a maioria dos envolvidos com a polícia é negra; jovens negros de bairros pobres.
        A polícia nada mais é do que a garantia truculenta de manter a ordem estabelecida em nome de poucos.
        Um país sério e minimamente decente não tem militares cuidado da segurança pública. Como o próprio André falou, há a polícia civil.
        Achar que só a PM é capaz de manter a segurança pública é ignorar completamente a realidade do país e seus problemas sociais.
        Os discursos inflamados defendendo a PM são resquício da mentalidade distorcida e desprovida de senso propagada nos dias de chumbo.
        Parabéns pelo texto, bicicreteiro!
        Abraço!

  3. João

    Acho que toda forma de radicalismo não é boa.
    Quero ver quando roubarem sua bike se vc não vai chorar.
    E se a foto é montagem, vc nem deveri usar – porque colocou abaixo créditos ao Estadao como se fosse uma imagem genuína.

    1. André Pasqualini Post author

      Primeiro. Minha bicicleta já foi roubada duas vezes. Na primeira vez fizeram o BO, já na segunda sequer quiseram fazer, portanto se minha bike for roubada mais fácil eu pedir para o dono da boca de fumo do local pegar ela de volta do que procurar a polícia.

      Tem um detalhe que não coloquei, são poucos os países onde a polícia militar atua contra os cidadãos, na maioria dos paises a PM atua para policiar o exercito, quem cuida dos cidadãos é a polícia civil e essa separação é extremamente importante, algo que deveria ser debatido no Brasil e infelizmente não é.

      E a única foto montagem é a da Globonews, a do estadão não é e coloquei os créditos pois tirei a foto da reportagem deles. Não escrevi que a foto é uma montagem pois achava que fazendo isso estaria subestimando a capacidade dos leitores pois até uma criança consegue perceber isso, mas farei isso pois infelizmente, ao invés de vocês debaterem o tema, ficam perdendo tempo com um detalhe só para tentar desqualificar o texto. De qualquer forma, montagem ou não, o fato ocorreu e isso é o que importa.

    2. Felipe 'chronos' Prenholato

      O máximo que a polícia vai fazer quando sua bike for roubada, é aceitar o BO e passar um rádio pras viaturas próximas. Essas, nem vão esquentar a cabeça de procurar.

      1. Paulo

        Felipe… registrar boletim de roubo ou furto de bicicleta e algo totalmente inutil. Mesmo que um boletim seja registrado, ninguem vai passar radio algum para ninguem. As unicas comunicacoes que sao passadas via radio sao com relacao a veiculos, pois estes possuem documentacoes e registros diversos, alem de serem facilmente reconhecidos quando avistados. ja as bicicletas se misturam com outras, nao possuem identificacoes e os ciclistas nao sao obrigados a mostrar nenhum tipo de documento que comprove a propriedade da bike.

  4. Bruno

    Só um problema: o texto na imagem da cena 10 é uma montagem grosseira (não é a mesma fonte, não tem a mesma nitidez, etc.). Não invalida o seu ponto, mas é sempre bom tomar cuidado com as “provas” que apresentamos.

    1. André Pasqualini Post author

      Claro que é uma montagem grosseira e nem tenho a intenção de enganar ninguém, só não escrevi na legenda que aquilo era uma montagem pois acredito que meus leitores não são estúpidos e vão sacar esse “detalhe” sem muito esforço. Acontece que tanto a mensagem como o fato ocorreu, na transmissão ao vivo o próprio jornalista disse que para impedir que os manifestantes bloqueassem a Paulista a Tropa de Choque tomou todas as vias. Por isso que usei a imagem, pois apesar de ser uma montagem, ela corresponde a realidade.

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