Dias iluminados – Brasil em Ciclos 

O que eram para ser dois foram três dias de descanso na casa dos meus queridos primos que vão deixar saudades. A primeira vez que os visitei tinha menos de dois anos, mas foram tantas visitas e tantas histórias. O carinho que me deram nesses três dias me recuperaram por inteiro, as dores foram embora e sai cheio de energia e saudades de todos vocês.

Antes de sair pesei minha bicicleta e as bagagens, a bike pesou 17 quilos e as bagagens 21, nem tá tão pesado assim, minhas pernas e que não são mais as mesmas.

O sítio dos meus primos fica 3 km longe do centro da cidade de São Miguel Arcanjo, dia 29 de setembro é dia do padroeiro até da nobre a cidade. Apesar de ser batizado, não pratico nenhuma religião, mas adoro igrejas, acho elas lindas, mas só as católicas e as antigas, pois esses templos modernos não vejo graça. Portanto, durante a viagem, vocês vão ver muitas fotos de igrejas como essa aqui.

De São Miguel segui rumo a Capão Bonito, distante 40 km, optei ir pelo caminho antigo, mais tranquilo em relação aos carros, mas com um trecho de 30 km em terra, com esse céu de brigadeiro, não poderia ter feito opção melhor.

Passei ainda por uma plantação de mexerica, mas legal mesmo foi encontrar o Rio Paranapanema, em sua parte alta, próximo da sua nascente, quando ainda não tem toda sua imensidão. São Paulo tem três importantes rios, o Rio Grande que nasce na Serra da Mantiqueira e faz a divisa norte de São Paulo com Minas, o Tietê que nasce na Serra do Mar e corre para o interior e o Paranapanema que também nasce na Serra do Mar e corre em direção ao Rio Paraná, formando boa parte da divisa de São Paulo com o estado do Paraná.

Faltando 4 km para chegar em Capão Bonito, onde iria almoçar, meu pneu traseiro furou, era um furo de defeito da câmara, não havia um agente responsável, consertei o pneu e segui em frente. Almocei as 15h e restavam 30 km até a próxima cidade, Guapiara, o trajeto inteiro em asfalto e se nada desse errado, chegaria de dia na cidade.
Mas claro que algo daria errado, não é que o pneu esvaziou novamente? Lá vai eu sentar no acostamento da estrada, desmontar a roda, procurar o furo e pra minha surpresa, o trouxa aqui não tinha colado o remendo do lado do furo? Olha que o erro foi bizarro, não tinha colado perto da borda do remendo, o furo estava uns dois centímetros fora.

Dessa vez fiz como deve ser feito, além das espátulas, cola, lixa e remendo, também peguei uma caneta e fiz um grande “X”, com o furo bem meio. Assim mesmo lixando bem, o que fez sumir a marca da caneta, bastou me orientar com o X que era maior que o remendo e aplica-lo.

E estrada estava um tapete, com um belo acostamento, o problema é que só metade tá pronto, depois vira uma pista simples, esburacada e perigosa. Faltando 10 km para chegar na cidade, me despedi do sol.

Ainda com o lusco fusco, cheguei em Guapiara e encontrei uma pousadinha bem simples, barata e aconchegante, antes de me preparar para deitar ainda curti um céu lindo e estrelado ao ponto de ver até o centro da Via Láctea, pena que não consigo tirar a foto com esse celular.

Mas o dia rendeu muitas belezas naturais, extremamente agradável, agora é continuar nesse ritmo e se tudo correr bem em dois dias chego a Curitiba.

André Pasqualini

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