Tentando salvar a humanidade

Logo na saída de Guapiara, encontro na estrada algo que havia sido rotina na cicloviagem do Projeto Biomas de 2010, mais um animal silvestre atropelado na estrada.

Aquilo sempre faz doer meu coração, a lei obriga os veículos reduzirem a velocidade nessas regiões de mata nativa, mas a maioria deles ignoram essa sinalização e quem paga o preço são esses pequenos animais.

Pedalei pouco mais de 60 km até Apiaí cheguei na cidade por volta das 16h00, até teria condições de pedalar até a cidade de Ribeira, 30 km adiante, mas preferi ficar na cidade pois queria descer a serra com o máximo de luz natural.

Quando acordei no dia seguinte me deparei com uma forte mudança no tempo, o céu cristalino dos dias anteriores deu lugar a muito vento, frio e garoa, deixei as cidade que está a 900 metros de altitude e segui rumo a Ribeira, estava todo “empacotado” com gorro, duas segunda pela, tudo isso para encarar o frio durante minha descida.


Quando cheguei em Ribeira, a pouco mais de 100 metros do nível do mar, apesar de nublado, o clima estava muito mais quente, parece que nem garôa a cidade sofreu, que é margeada pelo imponente Ribeira do Iguape.

A primeira parte, descer a serra, já tinha vencido, agora precisava cruzar o rio é subir a serra. Do outro lado do rio fica a cidade de Adrianópolis, já no estado do Paraná, lá fui eu encarar seus quase 30 quilômetros de subida constante.
De repente noto algo estranho no meio da pista, primeiro achei ser algum lixo sendo levado pelo vento, mas ao me aproximar notei ser um passarinho que tentava se movimentar com muita dificuldade.

Rapidamente parei a bike porque um enorme caminhão vinha pela pista, tentei fazer com que reduzisse mas nem minha presença no meio pista o sensibilizou, então tentei pega-lo com a mão e ele acabou caindo para o canto da pista. Se eu não tivesse parado, provavelmente ele teria virado um filé.
Mas o que fazer com aquele bicho? Não tinha como simplesmente carrega-lo, não conseguia imaginar sequer onde coloca-lo na bicicleta, foi então que lembrei do meu gorro. Como a parte interna estava um pouco molhada pelo suor, virei ele no avesso, ajeitei ele na minha camiseta, próximo ao pescoço, deixei ele parecendo um ninho e coloquei ele ali dentro, com sua cabecinha pra fora.

Segui pedalando e na primeira descida o bichinho tentou pular e por muito pouco na passo por cima dele. Encontrei um homem saindo de cavalo de um sítio na beira da estrada, ele disse que não morava ali, mas pouco adiante havia um senhor que morava. Então dessa vez o coloquei lá no fundo do gorro, ainda próximo ao meu peito e segui pedalando.

Logo encontrei uma casa cheia de cachorros que obviamente saíram correndo atrás de mim na estrada, quando surgiu um senhor tentando impedi-los de me atacar. Perguntei a ele se gostava de passarinho e ele fez um sinal negativo, mas quando mostrei meu filhote, na hora ele se prontificou a cuidar dele.

Que alívio, seu Elias já pegou na mão e começou a fazer carinho em sua cabeça, disse que era um filhote que deve ter caído do ninho. Não sabia dizer que espécie era, mas reparou que estava trocando a plumagem. Me prometeu ficar com o bichinho até ele estar pronto para voar. Não tem como saber quanto tempo esse animal irá sobreviver, mas foi muito bom saber que o tirei daquela morte certa e o ajudei a ter mais um tempo de vida.


Voltei revigorado para a estrada e toca subir montanha acima, foram pelo menos uns 25 quilômetros subindo sem alívio, logo estava na crista da montanha, numa paisagem que mesmo sem sol, era exuberante.

Me disseram que havia um restaurante no km 29, como a grana está curta, no café da manhã fiz dois lanches a mais, o primeiro comi ainda no meio da serra, já o segundo deixei para comer acompanhado de uma coca-cola. Fica a dica, sempre que ficar em uma pousada com café da manhã, faça um lanche a mais pois ele pode ser seu almoço durante o pedal.

Depois de muita subida cheguei na cidade de Tunas do Paraná, pouco mais de setenta quilômetros de Curitiba, agora resta só pedalar de boa e vencer essa dura parte da viagem e chegar ao meu objetivo principal. Bora finalizar logo essa viagem.

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