Foi amor à primeira vista pela Louise

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Esse é um post dedicado às mulheres, principalmente àquelas que ainda são dominadas pelo medo e insegurança de pedalar. E tenho certeza que a história de vida dessa mulher também irá deixar muito marmanjo se perguntando se podem realmente se considerar grandes ciclistas.

Fazendo minhas pesquisas sobre a Transamazônica, rodovia que percorrerei em minha próxima aventura de bicicleta, cai na página da Wikipedia da Rodovia e lá acabei descobrindo que ela foi inaugurada em 1972 com grande divulgação na mídia internacional. Isso atraiu uma gama de aventureiros para explorar a floresta pela rodovia, inclusive ciclistas, sendo que sua primeira travessia de bicicleta foi realizada em 1978. O nome dessa pessoa? Louise Sutherland.

Louise Sutherland é uma Neozelandesa que nasceu em 11 de junho de 1926 e logo cedo se mostrou apaixonada por bicicleta. Não me aprofundei muito na história dela, mas tem informações bacanas a partir da sua página da Wikipedia, fica a sugestão.

Nessas pesquisas tive outra descoberta, Louise escreveu vários livros, inclusive um que se tratava de sua travessia pela Transamazônica, o título em inglês era “The Impossible Ride”, que na sua tradução em português virou “Amazônia, A Viagem Quase Impossível”. Claro que sai como um desesperado atrás desse livro publicado em 1990 em inglês e traduzido pela Totalidade Editora em 1991. Encontrei em um sebo em Pinheiros e corri para comprar, não é que além de encontrar o livro ele ainda estava autografado pela autora!

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Infelizmente as referências de Louise ficarão apenas nos fatos e aventuras que ela descreveu em seus livros, pois em 1994 (ano que realizei minha primeira tentativa de cicloviagem) Louise teve um aneurisma cerebral e venho a falecer. Uma pena que não terei a chance de ouvir dela um pouco das suas aventuras, mas ao menos o destino fez chegar em minhas mãos um livro que ela tocou, não imaginam o quanto isso representa para mim.

Devorei esse livro em 3 dias e que delícia. Falando um pouco da sua viagem, observem a foto abaixo.

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Conseguem imaginar uma “senhora” de 50 anos, com uma bicicleta urbana, aro 700 (ou 27, não dá para saber), com paralamas, um sistema de 6 marchas, algo novo para a época, pedalando sozinho por dentro da Floresta Amazônica? Vocês tem noção de quantas vezes ela ouviu que seria impossível, que ela iria morrer, que jamais chegaria viva no final da rodovia e principalmente que aquilo não era algo impossível para uma mulher?

Mas Louise, uma pessoa séculos luz a frente do seu tempo, ignorou todo terror que colocaram nela e se concentrou apenas no que ela aprendeu com as demais viagens que realizou em sua vida até então. Qualquer cicloturista que já se aventurou sozinho pelas estradas do mundo sabe que na pior das hipóteses, sempre haverá uma boa alma para nos ajudar e que a coisa de perto nunca é tão feia como visto de longe. Claro que ela cometeu erros que hoje consideraríamos bobos, teve ajuda da sorte em alguns momentos, mas nada disso diminui o tamanho do seu feito. Os erros dela são cometidos constantemente por ciclistas iniciantes e até mesmo por experientes, eu mesmo já cometi várias cagadas como ela cometeu.

A Louise surgiu em minha vida num momento que não poderia ser melhor, depois de tanto tempo longe das estradas, em alguns momentos fiquei na dúvida da minha capacidade, tanto é que antecipei a viagem da Amazônia com medo da idade, mas ela fez a 30 anos atrás o mesmo trajeto que farei em breve, em condições bem piores que as atuais. Dos 4 mil quilômetros que ela pedalou, com uma bicicleta completamente inadequada, maior parte desse trajeto foi em terra e lama, hoje são cerca de 1000 quilômetros sem asfalto.

Ela saiu de Belém do Pará, de onde a princípio também sairia, mas como a Rodovia Transamazônica começa na região metropolitana de João Pessoa, resolvi percorrê-la por completo e devo cruzar o caminho de Louise depois de uns dois mil quilômetros pedalados, a partir de então tentarei refazer muitos dos seus passos descritos no livro. Não sou religioso, aliás, sou até cético demais, mas tenho certeza que se houver uma forma de me comunicar com ela, isso acontecerá durante minha viagem.

Fica a sugestão, nesse link aqui é possível encontrar o livro da Louise em alguns sebos espalhados pelo Brasil, mas acho melhor correr, pois a partir do momento que a galera descobrir essa joia, esse livro se esgotará rapidamente.

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E que a linda Louise inspire ainda mais ciclistas como acabou me inspirando e motivando.

André Pasqualini

Tarifa zero não aumenta impostos!

Não precisa ser muito inteligente para sacar que essa conversa de que a tarifa zero irá aumentar os impostos não tem o menor sentido e a resposta é obvia.

Vamos fazer um paralelo com a saúde pública, já imaginaram se a população tivesse que pagar alguma quantia por cada consulta? Não precisa ser um valor muito alto, vamos supor que fossem 10 reais por consulta nos hospitais construídos pela prefeitura. Provavelmente haveriam hospitais particulares com mais e melhores serviços que cobrariam um pouco a mais e com certeza haveriam pessoas a pagarem por esses hospitais, seja para receber um tratamento diferenciado, seja para não se misturar com o povão, ou seja porque o sistema público é ruim mesmo.

Não é isso que acontece com a saúde pública, ela é toda financiada pelo estado, mas mesmo assim há aqueles que não usam o sistema e preferem pagar serviços particulares. Isso não significa que essas pessoas não tem que arcar com o custo do sistema público de saúde, ninguém discute isso, aliás são muitos os que nunca pisaram num hospital público, mas que pedem um por sistema de saúde decente.

O que a tarifa zero quer é que o sistema de transporte público seja tratado como é a saúde pública, aliás isso é o que eu sempre defendi. Lembro que numa conversa com o Ex-presidente do Metro, quando ele contava das dificuldades de reduzir o preço do transporte ou mesmo de acelerar a melhora do sistema. Eu disse que a dificuldade existia porque o estado pensa num sistema que tem que se manter por si só. Se pensasse como um serviço essencial, ou como um direito social (como é a saúde), seria muito mais fácil trabalhar para melhorar mais rapidamente o sistema e até mesmo implantar a tarifa zero.

Aliás a ex-prefeita de São Paulo, Luiza Erundina, a mesma que já tentou implantar a tarifa zero em São Paulo, sugeriu a PEC-90 que tem como objetivo transformar o transporte público em um direito social. Segundo nossa constituição, os direitos sociais que temos hoje são a educação, saúde, alimentação, trabalho, moradia, lazer, segurança, previdência social, proteção à maternidade, proteção à infância e assistência aos desamparados. Tudo bem que falhamos na maioria deles, mas isso não impede que o Transporte Público vire um direito social.

Mas mesmo se a lei não virar realidade, se o governo implantasse a tarifa zero, isso jamais significaria aumento de impostos e o motivo é simples. Pois hoje, todo o custo do transporte público é pago por nós e com a tarifa zero ele continuaria sendo pago por nós de uma forma indireta e ainda os custos do sistema como um todo seriam menores.

Tentei encontrar números mais preciso e não achei, aliás a SPTrans poderia colocar em seu site as mesmas planilhas que o Haddad mostrou aos manifestantes para termos tempo e o direito de analisa-las, mas vamos lá. Quando participava do Movimento Nossa São Paulo estimamos que o custo do transporte em São Paulo seria de 10 bilhões por ano. Vi em algumas matérias que segundo a prefeitura de São Paulo o custo anual é de 6,5 bilhões por ano, sendo que desse total a Prefeitura (ou seja, nós) entramos com 1,25 bi de subsídios. Agora de onde vem o dinheiro para pagar o restante? Da tarifa que não deixa de ser um imposto indireto!

Com a tarifa zero, haveria sim um aumento de outros impostos, mas em compensação haveria uma economia já que não pagaríamos mais a tarifa, algo que beneficiaria a maioria da população (quem usa o transporte público). Agora quem fala que é impossível implantar a tarifa zero, nada mais é do que aquelas pessoas que temem ter que pagar a conta do transporte público da empregada. Quando a Veja diz que as contas do município podem aumentar com o subsídio, na verdade eles temem ter que pagar a conta, já que uma das formas de direcionar dinheiro para custear o sistema de transporte público seria com o aumento do IPTU, o que eu considero o imposto mais justo que temos na cidade (quanto maior o imóvel, maior o valor).

Mas há outras formas de fechar essa conta, aumentar o imposto da gasolina e do álcool é um caminho. Hoje para um motorista ir do Jabaquara ao Centro, supondo que seu carro seja a álcool, que faça 8km/litro, ele gastaria 2,4 litros de álcool e seu custo de deslocamento seria em torno de R$4,00. Agora se o mesmo cidadão for de transporte público, gastaria no mínimo R$6,40. Alguém acha isso justo? Aliás são vários os países europeus que cobram altos impostos da gasolina como uma forma de financiar o transporte público e desestimular as pessoas a usarem carros.

Uma alternativa nada absurda é o pedágio urbano e existe a expectativa de que ele poderia arrecadar cerca de 1,267 bi por ano, quase a quantia que a prefeitura já paga de subsídio. Outra forma de arrecadar dinheiro é a instalação de estacionamentos públicos no centro da cidade, fazendo com que o dinheiro gerado por quem insiste em ir de carro ao centro também seja investido em transporte público.

Cobrar a mais das pessoas que trocam o transporte público pelo carro poderia servir como uma espécie de “compensação ambiental” já que o uso do carro traz prejuízos para todos e benefícios só para quem usa. Alguns motoristas irão chiar, não vão se achar no direito de pagar para os outros se locomoverem, em contrapartida outra parcela dos motoristas mais conscientes irão achar justo pagar com seu carro para ter um transporte público melhor, o que significará menos carros nas ruas e menos congestionamentos. Muitos eram contra o pedágio urbano quando implantado em Londres, hoje a maioria aprova. Com certeza o mesmo aconteceria no Brasil.

Ah, é bom lembrar que há um custo enorme para manter esse sistema que foi criado em  nossas cidades para os carros particulares rodarem e sabemos que o dinheiro arrecadado com IPVA é insuficiente para manter esse sistema. Ou seja, a prefeitura pode tirar dinheiro de outras áreas para investir em deslocamento individual privado, mas não pode para investir no transporte público?

Pra encerrar, a prefeitura tem que imediatamente abaixar a tarifa e começar imediatamente a trabalhar numa forma de implantação de um sistema sem a cobrança de tarifa. Alguns estudos dizem que cerca de 20% do valor da tarifa acaba servindo apenas para custear o sistema de cobrança, portanto a tarifa zero traria mais um benefício que seria a redução de gastos do sistema. Se os números que passei estão corretos, o dinheiro que a prefeitura gasta para subsidiar o sistema hoje serve apenas para custear o sistema de cobrança.

Espero que a prefeitura disponibilize o quanto antes essas planilhas para a população poder debater sobre elas, chega de caixas-pretas. Se o prefeito não tem o culhão da Erundina que tentou implantar o transporte público de graça, então que abaixe a tarifa, monte um plano para implantação do sistema sem cobranças e chame a população para votar se quer ou não. Essa é a hora, tudo está nas mãos do prefeito para que ele possa nos provar que realmente é o “novo” e não apenas mais um que só sabe andar como a banda toca, como todos que vieram até então.

Minha próxima aventura, o Projeto Oceanos

mapa

O que mais me arrependo da Cicloviagem que realizei do Projeto Biomas que acabou virando o o livro A Vida em Ciclos, foi o de não conseguir me entregar a viagem. Estava sempre pensando no meu casamento, na saudades do meu filho, lidando com uma forte depressão e acabava negligenciando a oportunidade de curtir e desbravar melhor por cada lugar que passava.

Foi uma aventura arriscada, me coloquei em diversas situações críticas, tentei contar com minha experiência que “só” parecia ser muita. Antes dessa viagem havia feito apenas duas cicloviagens mais longas de no máximo 15 dias. Raramente eu acampava ou tinha preocupação com dinheiro ou comida. Pedalava por lugares bem habitáveis, parava em restaurantes para comer, dormia em hotéis. Passava alguns perrengues mas nada perto do que estava a enfrentar antes de começar a viagem do Projeto Biomas.

Santa Helena - Mato Grosso

O mais interessante é que sobrevivi a tudo isso, aprendi muito e como sabia que estava perdendo muitas oportunidades de conhecer pessoas e histórias maravilhosas por causa da correria desenfreada que me impus. Prometi, durante a mesma viagem, que em outra oportunidade realizaria uma grande aventura, algo realmente produtivo que iria me marcar por toda vida.

Quando resolvi fazer a viagem do Biomas, minha primeira preocupação foi a de sair logo de São Paulo, como precisava de um roteiro, pensei em continuar minha viagem mais longa, a do Tietê e seguir pedalando até o Pantanal. Só depois que comecei a planejar um roteiro mais óbvio é que percebi que pedalaria até um trecho de Floresta Amazônica e isso me motivou demais.

Quantos brasileiros conhecem a Amazônia? Muito poucos, quase sempre que converso com um estrangeiro, não demora e para vir perguntas sobre a Amazônia. Parece que eles não são bons de geografia, a maioria acha que a floresta fica a umas 3 horas de carro de qualquer lugar do Brasil e ficam espantados por saber que não conhecemos nossa floresta. Mal eles sabem que é mais fácil e mais perto e barato para um Europeu voar até Manaus do que alguém da região sul e sudeste do Brasil ir para lá.

Itauba - Mato Grosso

O trecho de Amazônia que pedalei podemos considerar uma borda, onde a Floresta faz divisa com o Cerrado no Mato Grosso e um pequeno trecho do Pará, tanto é que os paraenses que encontrei nem consideram aquela região como Amazônia de verdade, até porque a maior parte de Amazônia que passei só encontrei cemitério de floresta, pois o pouco de Amazônia do Mato Grosso, tirando as poucas reservas indígenas, já virou tudo pasto ou Cerrado devido as criminosas queimadas que acontecem na Amazônia, seja com a conivência quando não com o estímulo dos governos.

Mesmo assim o pouco de Amazônia que pedalei (cerca de 600 quilômetros) foram mágicos e só me deu mais vontade de voltar para lá. Assim que terminei o Projeto Biomas (onde percorri quatro dos seis biomas brasileiros), fiquei com vontade de realizar uma viagem para cada Bioma do Brasil com  intuito de escrever um livro sobre cada um deles, livros que eu batalharia para serem distribuídos nas escolas e que tivessem um forte caráter didático. Nos meus planos originais, percorreria cada bioma encerrando o projeto justamente com a mais difícil aventura, uma cicloviagem por onde pedalaria pelo coração da Amazônia.

Dois anos se passaram desde a viagem do Projeto Biomas (2011) e os planos mudaram e algo que levei em consideração foi justamente o fator idade. Tinha de 36 para 37 anos durante a viagem do Projeto Biomas, pouco mais do que Lance Armstrong tinha quando conquistou seu último o Tour de France. Tudo bem, ele estava dopado e como provavelmente todos estavam, não dá para tirar por completo o mérito dele, mas 36 anos posso dizer que foi meu auge da forma física, ali eu estava aliando uma experiência de 18 anos de pedal, de conhecimento do meu corpo e um vigor físico invejável. Acredito que se eu fizesse a mesma viagem com meus 26 anos, mesmo com um condicionamento físico espetacular, poderia ter sucumbido no meio da viagem como ocorreu com o Chris Maclandess do livro e filme “Into the Wild” (Na Natureza Selvagem).

Rio Xingu - Mato Grosso

Mas a viagem do Biomas também me mostrou que eu cheguei a uma fase da vida do homem onde a tendência do nosso corpo é enfraquecer, ter mais dificuldade para recuperação e ter uma queda cada vez maior no rendimento. Por isso não quero mais esperar, ao invés de encerrar as seis viagens com a da Amazônia, resolvi começar por meu projeto por ela para aproveitar que ainda consigo tirar muito do meu corpo, algo que não sei se irá ocorrer daqui a dois anos por exemplo.

Comecei já a programar minha maior aventura que a batizei de Projeto Oceanos e minha partida já está quase que com data marcada, será em outubro de 2013. Batizei de Oceanos porque não me limitarei apenas a cruzar a Floresta Amazônica, pretendo sair de Belém do Pará, no Oceano Atlântico e me embrenhar pela Transamazônica até o Acre. De lá parto para outra grande aventura entrando no Peru pela Rodovia Transoceânica.

Depois do Acre serão cerca de 800 quilômetros de Floresta Amazônica até avistar a Cordilheira dos Andes onde terei que enfrentar uma “serrinha”. Serão 70 quilômetros subindo, partindo de um patamar em torno de 400 metros até atingir 4800 metros acima do nível do mar, com certeza a maior altitude que irei pedalar em minha vida.

Depois que chegar lá no alto a estrada termina em Cuzco e meu destino a partir de então será livre. Há alguns lugares que com certeza irei pedalar, um é Machu Pichu, outro é o Deserto do Atacama e provavelmente terminarei minha viagem no Chile irei encontrar o Oceano Pacífico. Acredito que essa viagem deva durar de 4 a 6 meses, ainda não sei o que virá depois, mas vou deixar para pensar nisso quando avistar o Pacífico.

Mas e dinheiro?

Investirei o máximo que puder das minhas economias para que eu tenha bons equipamentos que irão ser úteis na viagem me tirando de enrascadas, mas depois que estiver na estrada, farei o possível para tirar da própria natureza o meu sustento, terei muito tempo para estudar cada região que eu passar para saber como poderei me alimentar gastando o mínimo possível enquanto estiver passando por ela. Durante a viagem anotarei todos meus gastos sempre com o objetivo de gastar o mínimo possível.

Com certeza irei atrás de patrocínios e parcerias para viabilizar meu projeto, mas não será uma condição para a viagem, não importa quanto de apoio eu receba, farei a viagem de qualquer forma. Esses meus 20 anos de pedal renderam muitos amigos e contatos, tenho certeza que terei o apoio de muitos nessa jornada. Mas com ou sem patrocínio, da mesma forma que ocorreu durante o Projeto Biomas, sei que poderei contar com a ajuda de vocês, leitores do meu blog, seja com ajuda financeira ou mesmo apoio moral, algo que em diversos momentos foi mais importante do que dinheiro. Até o final desse mês pretendo lançar o projeto oficialmente, então todos poderão me ajudar de alguma forma.

Uma das ideias é realizar uma pré-venda do livro da minha viagem que será vendido em minha loja virtual. Funcionará como um financiamento coletivo só que sem a necessidade de atingir obrigatoriamente a meta para receber a quantia, ou obrigatoriedade do pagamento de taxas para os sites de crowdfunding. Funcionará mais ou menos assim, farei a pré venda do livro por determinado valor, se atingirmos até o final da viagem o número de 1000 livros, terei condições de bancar a viagem e a impressão de uma única edição do livro para quem comprar, então os compradores receberão o livro, seja pessoalmente, em eventos que pretendo realizar quando o livro estiver pronto, ou mesmo por correio. Agora se não atingirmos o número de 1000 livros, esse dinheiro entrará como doação ao projeto.

Com sinceridade, não duvido que atingiremos essa marca de mil livros antes do término da minha viagem.

Mas durante a viagem, minha ideia é fazer pequenos posts diários sobre minha aventura e diversas anotações para meu livro, o detalhe é que todos aqueles que comprarem o pré-livro terão acesso ao arquivo com essas anotações, uma forma de acompanhar com maior riqueza de detalhes a minha aventura e em primeira mão, assim mesmo se não conseguir publicar o livro, os colaboradores terão acesso a informações que não estarão aqui no blog, pelo menos durante a viagem.

Sustentabilidade e Autossuficiência

Quando comecei fazer a viagem do Projeto Biomas tinha a ideia de ser totalmente sustentável, comer o que a natureza me disponibilizasse e principalmente ser autossuficiente em energia, por isso instalei na minha bicicleta um dínamo de roda, uma parafernália que direcionava a energia do dínamo para uma bateria de no-break, além de levar um carregador solar.

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Um aparelho media a quantidade de energia gerada pelo Dinamo, além de lanternas movidas a dínamo e energia solar que não iluminavam nada

Já em São Paulo quebrei a cara com comida, pois só encontrava cana de açúcar na estrada. Meu sistema não carregava a bateria direito e o carregador solar só era bonitinho, pois nunca funcionou conforme o manual alegava funcionar, olha que ele custo 500 reais! Tive que desencanar dessa história de ser totalmente suficiente e acabei tendo que depender da ajuda das pessoas que encontrava pelo caminho para poder recarregar meus equipamentos.

Dessa vez quero fazer algo diferente e bem feito, até porque tenho tempo e experiência para saber o que funciona ou não. Minha bicicleta será um protótipo nada igual ao que temos nas lojas e será bem reforçada para aguentar o peso que irei carregar (em torno de 50 quilos) e que tenha alguma forma com que eu possa captar e armazenar toda energia que puder gerar. Não vou adiantar mais detalhes até porque tenho várias ideias em mente e terei que testar todas até outubro, mas quando minha maluquice estiver funcionando ensinarei aqui no blog todos os detalhes dessa traquitana.

Conectividade

Taquaruçu - Tocantins

A viagem do Biomas durou exatamente 106 dias e escrevi nada menos de 90 posts, sempre que me deslocava escrevia algo e sempre usando o celular. Cada comentário era melhor que o outro, uns se sentiam como Dona Maroca assistindo uma novela, outros se sentiam órfãos ao final da viagem, mas seu verdadeiro diferencial foi a possibilidade das pessoas acompanharem a aventura quase que em tempo real.

Sempre que havia sinal do celular eu parava e atualizava meu blog, mas em diversas situações, como durante a travessia do Pantanal, passei 10 dias sem nenhum sinal de celular e por isso não conseguia atualizar meu blog. Para resolver esse problema, hoje há tecnologia portátil de transmissão de dados via satélite, não é algo barato, mas acredito que será um investimento que valerá a pena, assim poderei atualizar meu blog independente do local que eu estiver.

Além dos posts diários, pretendo também publicar um pequeno vídeo uma vez por semana, ainda preciso estudar essa viabilidade com os sistemas que existem hoje de transmissão de dados via satélite, mas acredito que isso será possível. É bom lembrar que enquanto eu tive uma semana para me preparar para a viagem do Biomas, agora tenho quase 4 meses, mais um ponto ao meu favor.

Agora é trabalho, muito planejamento e encarar logo essa aventura, o trajeto total que devo percorrer desde o início da Transamazônica em João Pessoa, até o Oceano Pacífico, provavelmente em Santiago do Chile serão cerca de 8000 quilômetros, uma expedição que deve levar uns 6 meses.

Enquanto isso irei publicando aqui vários detalhes da minha preparação pois sei que, apesar de encarar esse pedal sozinho, terei a companhia de centenas de amigos virtuais e reais durante toda minha saga.

André Pasqualini

A Polícia tem que acabar

Vou ilustrar apenas alguns motivos do porque a polícia tem que acabar, tentarei ser conciso, mas são tantas as experiências que poderia relatar, impossível não escrever um post maior do que a ficha criminal do Beira Mar, mas vamos tentar.

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Ao lado de uma base policial na Xavier de Toledo (Centro de São Paulo) há vários paraciclos, ontem fui parar minha bike ali, não havia vagas e tive que prendê-la numa grade. Na volta queria tirar uma foto para ilustrar com felicidade o fato de não haver mais vagas, pois anos atrás quando pedimos para instalarem os Paraciclos (e ficavam vazios) muitos diziam que aquilo não tinha serventia alguma, portanto quis tirar uma foto só para registrar como a bicicleta virou realidade de uns anos para cá.

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Logo em seguida um policial se aproximou (de alguma patente que não sei) e perguntou ao outro policial quem havia instalado os Paraciclos ali e o PM disse – “Foi a prefeitura, não temos nada a ver com isso” – então o PM de patente disse – “É bom deixar claro que não somos responsáveis caso alguém roube alguma bicicleta daí” – então retruquei – “Quer dizer que se roubarem minha bicicleta eu não posso contar com a polícia? Serei eu quem tem que ir atrás do ladrão? Para que (quem) vocês servem então?”

O papo se alongou, migrou para aquela história de que eles poderiam ter algo mais importante para fazer, blá, blá, blá. Resumindo fiquei imaginando se a reação deles seria a mesma se o veículo roubado fosse um carro de algum cliente dos restaurantes da Rua Amauri.

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Um amigo tenta prender uma bicicleta em frente a uma base da PM no Largo São Bento, um PM o aborda, proíbe ele de prender a bicicleta, mostra o código de trânsito umas leis falando sobre “pedalar na calçada”, não consegue mostrar a lei que proibiria ele de prender a bike na grade e muda de tática. Pega os documentos dele, faz um puta terrorismo e até o ameaça de prendê-lo por desacato. Esse amigo, uma pessoa super do bem, mas de classe média e que nunca passou pelo drama que vive os jovens da periferia, ficou com medo, não prende a bicicleta e tão pouco tem coragem de fazer uma denuncia contra aquele PM por abuso de autoridade, prefere sair revoltado mas com aquela sensação de Chapolin Colorado.

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Realizando o trajeto alternativo do 3º Desafio Bicicletas ao Mar, pedalando de Taubaté a Ubatuba, depois que vários ciclistas desceram a serra, a polícia sobe e tentar impedir o restante dos ciclistas de descerem. Cheguei lá e fui tentar conversar com os guardas, apesar de termos o direito garantido por lei de trafegar ali, apesar da lei obrigar o estado a nos prover segurança, fui demonstrar para os policiais que estávamos preparados para a descida e até tínhamos estrutura de apoio para problemas, contávamos com dois carros de apoio e uma ambulância, foi quando o PM soltou a pérola.

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“Quer dizer que vocês vieram preparados, prevendo que um acidente iria acontecer?”

Respondi – “Sim, estamos preparados para caso de acidentes, mas se caso ocorra, eu poderei contar com vocês?”

A resposta do PM – “Claro que não, inclusive se algo acontecer você será responsabilizado criminalmente! Por isso anotei seus dados aqui.”

Eu – “Quer dizer que se eu estivesse de carro e sofresse um acidente, aí tudo bem? Vocês iriam me ajudar?”

O PM – “De carro sim, mas se sofrerem um acidente de bicicleta azar o de vocês!”

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Em minha viagem do Projeto Biomas, depois de passar por uma estrada perigosíssima, que não tinha acostamento, onde os motoristas ignoravam o limite de 80 km/h da via, onde por mais de 100 quilômetros não encontrei um Policial Rodoviário fiscalizando a via ou tentando inibir os excessos, fui parado por dois policiais que pela primeira vez na vida, depois de 18 anos (até então) de cicloturismo, me deram uma geral com direito a amassarem meus miojos. Pra encerrar tive que ouvir que eles faziam aquilo para o meu bem (mais detalhes aqui).

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Em outra cicloviagem, dessa vez pedalando nas Serras Gaúchas, reparo na passagem de um comboio com dois caminhões, dois carros da receita federal e mais duas viaturas da PM Gaúcha (lá eles chamam de Brigadistas), passaram por mim e pelos amigos cicloturistas canadenses que havia conhecido no dia anterior e que estávamos percorrendo juntos um trecho pelas serras. O comboio estava levando cigarros apreendidos pela receita para serem incinerados no forno de uma fábrica de papel que havíamos passado a pouco, no retorno os carros passam por nós e a viatura do final do comboio para ao nosso lado. Nesse momento descem policiais com armas em punho, com sua truculência usual e mandam a gente colocar as mãos nas cabeças, algo impossível pois estávamos empurrando bikes com 50 quilos em média, numa subida de terra, ou segurávamos as bicicletas ou colocávamos as mãos na cabeça.

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Nem preciso falar que os Canadenses ficaram transparentes (pois eles já eram brancos) todo o terror que haviam colocado a eles quando falaram que viriam ao Brasil estava se consumando naquele momento, até porque jamais eles teriam tal tratamento em sua terra. Estavam sendo agredidos e completamente nas mãos daqueles PMs. No final das contas, mais uma vez a abordagem só serviu para transformar nosso Miojo em sopa de letrinhas e deixar claro que caso a gente tivesse algum problema, jamais poderíamos contar com a polícia. (Mais detalhes clique aqui)

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O Major Lidio da Costa Junior diz “Não nos responsabilizamos mais pelo que vai acontecer” sobre as manifestações em São Paulo contra o aumento das passagens de ônibus. Ele não explica bem o que significa essa frase, mas acho que as próximas cenas explicam o porque.

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No vídeo abaixo um repórter da Carta Capital, que cobria as manifestações contra o aumento das tarifas de ônibus em São Paulo, foi revistado por policiais que encontraram vinagre na sua mochila. Vale lembrar que o Vinagre é algo que alivia os problemas causados pelo gás lacrimogênio.

Os Pms o levaram até o capitão que mandou prendê-lo junto com outros manifestantes. Mais tarde na delegacia, outro PM disse que ele teria sido preso por carregar substância suspeita e que, “depois de perícia”, se constatado que aquilo era realmente vinagre, ele poderia ser liberado.

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O vídeo mostra a tática dos policiais para justificar as agressões gratuitas contra os manifestantes, uma ação com claro intuito de poder mostrar para a mídia o porque das agressões e de que elas não passam de uma retaliação ao “vandalismo” supostamente praticado pelos manifestantes. Para quem não conseguir ver o vídeo, nele mostra um PM quebrando o vidro da própria viatura num momento onde não ocorria qualquer confronto.

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Nesse outro vídeo, manifestantes fazem um coro de “Não a violência” e como respostas eles recebem balas e gás.

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Essa é para fechar com chave de ouro. Para não permitir aglomerações de manifestantes na Paulista, o que impediria o direito e ir e vir do restante da população, o que a PM fez? Fechou a Paulista.

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Aqui o link com um relato de um cidadão que não estava se manifestando, não viu um manifestante sequer na Paulista, mas mesmo assim foi vítima da estupidez da policia e garanto que vão chover relatos parecidos nos comentários ou na internet.

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Essa daqui chegou depois que publiquei o post, uma pessoa registrando da sua casa a ação da polícia quando, de repente, leva um tiro DA POLÍCIA!

Porque não precisamos da polícia?

Quem não sofreu ações violentas e nem se deu ao trabalho de procurar a polícia pois sabia que seria inócuo? Quem não deixou de ir a delegacia registrar um BO só para evitar uma canseira que não daria em nada? Quem não foi demovido de fazer um BO porque o delegado ou escrivão se recusou a fazer? A gente só vai mesmo na delegacia para ter um documento que possa acionar o seguro, mas tem várias seguradoras que nem obrigam mais o cliente a fazer o BO para não causar mais transtornos aos seus clientes, portanto quanto menos a polícia intervir em nossas vidas melhor.

Quem não conhece algum caso onde ocorreu algum furto e por sorte a pessoa tinha contatos na PM e só assim ela foi acionada? Claro que não vou generalizar, há PMs que tem a “polícia no coração”, sonharam em serem policiais para terem o poder de corrigir injustiças, mas esses fazem parte de uma minoria que, ou passa a agir “como a banda toca” ou caem fora da corporação. Quando o Major disse que não se responsabilizaria pelo que iria acontecer ele sabia que nem ele teria controle para dominar uma massa armada e treinada apenas para dar porrada e obviamente sem nenhuma inteligência.

Claro que também temos o problema dos manifestantes que acabam realizando depredações, mas eu já participei de inúmeras manifestações e sei muito bem como as coisas funcionam, tem sempre uns adrenados que só esperam a PM agir para entrar na guerra também, esses são tão estúpidos como os PMs que começam a confusão, mas também são uma minoria (como os bons policiais), que não sabem usar a inteligência e se aproveitam da confusão para descarregar sua adrenalina. Não vou me alongar nos manifestantes, para eles terei um post exclusivo.

Vivemos num sistema onde delegamos ao estado o “Monopólio da Violência”, se alguém me bater, eu não posso revidar, quem tem que fazer isso é o estado usando suas instituições, nesse caso a polícia. Mas a policia está em todos os lugares? A polícia trata todos da mesma forma? Minha sugestão é que a concentração da próxima manifestação do movimento Passe Livre não saia do centro de São Paulo, mas pode sair do Ibirapuera e rume para os Jardins.

Em minhas viagens de bicicleta já passei por diversos lugares onde a delegacia mais próxima estava a mais de 300 quilômetros, isso significa que sem a polícia as pessoas vivem num estado de barbárie? Pelo contrário. Mesmo em locais onde há constantes conflitos, ninguém quer viver numa eterna guerra e a própria comunidade cria suas regras de convivência. Olha que na maioria dos casos que presenciei, essas regras são mais justas do que as regras que vivemos em nossas cidades, não vejo nessas comunidades um “Apartheid” como vejo nos centros urbanos. Claro que cada caso é um caso, há lugares onde uma pessoa com muito poder impõe suas regras nada justas aos demais, mas na maioria dos lugares a sociedade se organiza para viver relativamente em paz, até com mais paz que vivemos em nossas cidades “civilizadas”.

O correto seria termos uma Instituição forte e muito bem treinada para que ela pudesse manter essa ordem. Sabendo que detêm o monopólio da violência, teria que ter um treinamento e aprimoramento constante para poder usá-la apenas quando realmente fosse necessário. Agora me digam, a Polícia é essa Instituição que gostaríamos de delegar esse poder?

Claro que não, agora até os jornalistas que estavam dando apenas atenção as agressões que partiam do lado dos manifestantes, só agora que tomaram muita porrada é que passaram a mostrar o outro lado.

Rodrigo Paiva/Estadão Conteúdo

“Grandes poderes requerem grandes responsabilidades”, até o Homem Aranha nos ensina que não é qualquer pessoa que pode deter o direito do poder, no Brasil vemos a anos o poder ser usado apenas para dominar a população, vimos isso na Ditadura, vemos agora quando os agredidos pela Ditadura que estão no poder tentam defender os seus agressores só porque mudaram de lado (caso do Cardoso e do Dirceu).

É por essas e outras que a polícia tem que acabar, não acredito que uma simples reforma na instituição corrija seus rumos, a merda é tão grande que não tem conserto e se alguém tentar consertar pode até ocorrer outro golpe militar no Brasil, por isso os nossos governantes, ou concordam que a Polícia tem que continuar servindo apenas a poucos (usufruindo dessa benesse), como ocorre hoje, ou aceitam que não tem nenhum controle sobre ela.

Enquanto uma mudança nessa instituição não ocorre, continuarei vivendo minha vida e torcendo para que nunca precise dessa instituição, juro mesmo, espero encontrar bandidos pela frente do que a polícia, pois dos bandidos eu sei como me defender ou lidar, mas da polícia eu tenho realmente medo, pois é uma instituição nada digna do poder que lhe foi atribuído, portanto só quero distância.

André Pasqualini

Trânsito bate novo recorde na cidade de São Paulo: motoristas protestam

A cidade de São Paulo registrou ontem o recorde de lentidão do ano no período da noite: 201 km por volta das 18h55, segundo a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego). Com a ajuda da chuva, os motoristas disseram ter alcançado os objetivo do protesto e demonstrado sua força à sociedade.

A paralisação, que envolveu diversos setores da sociedade, contou com carreatas de motoristas com destino a diferentes pontos da capital. No dia de amanhã, mais e mais motoristas prometem aderir a paralisação.

Os manifestantes buzinam porém, negam o título de baderneiros: “Estamos criando empregos e fomentando a economia. Além disso, somos apoiados por grandes empresas e temos incentivos ficais” – disse um manifestante à nossa reportagem.

A manifestação, que ocorre todos os dias, é a única atitude que os motoristas dizem poder tomar diante da crise do petróleo e da sociedade do automóvel.

Questionados sobre os problemas ambientais da manifestação, os motoristas disseram não se preocupar com a quantidade de combustível queimado, nem com a natureza ou com a saúde: “Estamos apenas devolvendo, de forma natural, gases que pertenciam à natureza sob outra forma”.

“Temos nosso direito privado!”

A esta grande carreata somam-se fileiras e fileiras de carros e outros veículos motorizados protestando pelo direito privado de se locomover. A proposta deste ato particular é tornar diariamente inviável a locomoção de todas as pessoas – motorizadas ou não.

“Nós queremos mostrar à população que a mobilidade urbana deve ser um direito de poucos” – disse um manifestante. Outro motorista, que a princípio se recusou a abaixar o vidro, exclamou: ‘Se eu não posso, ninguém pode!’.

Para ampliar a “mobilização”, o movimento organizado faz diariamente intervenções midiáticas em diferentes jornais, revistas e canais de televisão, além de possuírem seus próprios dedicados meios de comunicação. Além disso, o governo e a prefeitura estão abertos as reivindicações e firmaram um acordo que garantirá aos manifestantes a estrutura para que as manifestações sejam cada vez maiores, garantindo as condições democráticas do direito a livre manifestação pela imobilidade urbana.

Uma importante liderança do movimento disse que a manifestação cotidiana é o único meio efetivo de afetar toda a população: “É somente através da imobilidade que alcançaremos novas soluções”.

A investigação de nossa reportagem teve acesso a diversos de seus panfletos, onde pode verificar que tais soluções variam entre a venda de carros maiores e mais confortáveis ou menores e mais ágeis. Um perito em mobilidade urbana escreve que “para os manifestantes mais conscientes(sic), a solução mais correta seria a compra de carros blindados ou a utilização de helicópteros.”

da reportagem local. Quarta-feira, 18 de Março de 2009

Esse texto não é meu, foi um insite genial de uma pessoa que não tem a intenção de levar os créditos. Texto antigo, a primeira vez que eu li foi logo depois da inauguração da Ponte Estragada Estaiada da Avenida Águas Espraiadas.

Queria (e vou) escrever algo sobre essa onda de manifestações sobre o transporte público que estamos vivendo, mas por enquanto acredito que esse texto será uma boa resposta a aqueles que resumem a manifestação que está ocorrendo em diversas capitais como coisas de vagabundos.

MOVE ON! De volta com aceleração total!

Dias tensos e muito conturbados vivi nas últimas semanas, mas consegui sobreviver mais uma vez. Tenho um sério problema de depressão, sim, podem acreditar, um cara tão acelerado como eu sofre de depressão. E quando as crises ocorrem elas têm a mesma intensidade dos meus momentos de pura aceleração, como muitos de vocês já devem presenciado ao me ver a mil envolvido em meus projetos. Não vivo constantemente com depressão, foram poucas crises sérias que tive em minha vida, mas quando elas ocorrem, coitado das pessoas a minha volta.

Tem gente que acha que depressão não passa de frescura, coisa de fraco, de vagabundo que não quer trabalhar, infelizmente a maioria das pessoas não sabem lidar com pessoas deprimidas e isso, de forma inconsciente, acaba piorando a situação do deprimido. Algumas pessoas simplesmente ignoram (a maioria) e tratam nossa depressão com desdém, como se fosse sem-vergonhice, já outros, aqueles que mais nos amam, na maioria das vezes não sabem como lidar, não conseguem fazer nada para ajudar e acabam sofrendo junto, em muitos casos se deprimindo também. Já outros te dão umas porradas, fazem você levantar na marra, te tratam com certa brutalidade e tentam te tirar de todas as maneiras daquela situação. Apesar de nada convencional e bastante agressivo, no meu caso, esse foi o método que teve melhores resultados para me tirar da depressão.

Já tive crises seríssimas, numa ocasião eu por muito pouco não cometi o suicídio, isso ocorreu em minha viagem do Projeto Biomas. No dia seguinte ao Natal escrevi esse post “Minha mensagem de Natal”, no meu livro conto detalhes do que ocorreu no dia anterior e acabou motivando esse post, não vou repetir aqui pois é um texto muito longo e pesado, mas digo que graças ao meu filho não fiz uma besteira.

Depressão não tem cura, tem controle e controlá-la tem sido um enorme Desafio para mim, algo que terei que lidar pelo resto de minha vida, pode ser por terapia ou mesmo tratamento clinico, “tarja preta”. Mas eu odeio remédios, sequer cheguei a ir num psiquiatra para ser receitado e espero que nunca eu tenha que ir. Nem tratamento psicológico terapêutico decente consegui fazer ainda, começava e quase sempre parava por causa de grana. A bicicleta tem sido minha melhor terapia, ela me faz ter contato com pessoas e isso, até então, tem sido o único remédio para controlar minha depressão.

Vocês não tem noção da luta que travo todos os dias, sabemos quando estamos deprimidos, sabemos que estamos prejudicando outras pessoas, mas não encontramos uma forma para acabar com aquilo e geralmente quando tentamos algo fazemos besteiras. Sempre me arrependo das coisas que faço quando estou em depressão e jamais faria aquilo se  estivesse em outra situação.

Na depressão é um parto sair da cama, isso quando consigo dormir. Já tem meses que eu não sei o que é dormir direto sem acordar várias vezes durante a noite, desde o final do último DBM (de Taubaté e não da descida da RMP) não consegui até hoje ter uma noite de sono de verdade. Para o deprimido, tudo é 10 vezes mais difícil do que para  outras pessoas, a todo instante você tem que controlar uma força descomunal que tenta puxá-lo para desistir. O abatimento toma conta de você, quando conseguimos desenvolver um pouco, a alegria dura até surgir a primeira complicação, o suficiente para te desanimar e afundá-lo novamente.

Vivemos um constante estado de choro e nem as pessoas que você ama conseguem te tirar da depressão apenas com a presença, infelizmente. Sei o quanto é difícil para elas conviverem com isso pois você também acaba afetando-as em suas vidas, cria problemas que elas não tinham e geralmente a única solução que elas encontram é o afastamento, o que tende a te afundar ainda mais.

Um amigo meu sempre diz que é bom saber que estamos no fundo do poço, pois do fundo a gente não passa. Isso significa que o único caminho a percorrer é o para cima e a tendência é a superação. Dias atrás atingi meu fundo do poço e rapidamente estou começando uma escalada para sair dessa.

A experiência ajuda demais nessas horas, vivo uma situação idêntica a que vivi anos atrás, acredito que até mais dolorosa, pois dessa vez fui pego de surpresa, mas o fato de saber exatamente os sintomas e o que vai acontecer depois que essa fase passar, me mostra o que preciso fazer para superar essa crise. Primeiro nunca chorar sozinho pois chorar sem ninguém por perto é um imã para a cama e a depressão. Mas é bom chorar, portanto faça isso sempre na presença de amigos pois após o desabafo vocês podem brincar, descontrair, contar piada e mudar o foco para tirar qualquer pensamento ruim da sua mente. Posso dizer que foi muito bom saber que tenho tantos amigos, como eles estão sendo fundamentais nesse momento.

Outra coisa é se ocupar, lotar sua agenda de compromissos e tentar não parar um segundo. Da outra vez que passei por isso ainda era programador e apesar de ter um trabalho para fazer, como tinha que ficar sozinho em casa, na primeira dificuldade encontrada desabei. Na casa que morava havia um Puf enorme, do tamanho de um sofá. Fui para ele e fiquei por 3 dias sem sair sequer para ir no banheiro, sem comer, sem beber água. Apenas chorava e tentava dormir. Conseguia dormir por algumas horas, acordava, voltava a chorar e tentava dormir novamente. Não tinha mais a noção de dia e noite, perdi 10 quilos em um mês e acredito que não tive um problema mais sério de saúde porque estava gordinho, ou seja, o urso tinha muita reserva para queimar em seu período de hibernação… :p

Já dessa vez tenho muitas atividades para realizar, estou conseguindo ocupar minha agenda, ver pessoas todos os dias e sei que daqui a poucos dias começa o 4º DBM, o que fará com que eu mergulhe no desafio dos novos ciclistas e consiga superar mais rapidamente tudo isso. Com certeza serei mais ajudado do que ajudarei as pessoas, por isso não vejo a hora do dia 15 chegar. Tem também nossa ong, “Os Bicicreteiros”, temos reunião nessa semana onde colocaremos vários projetos em pauta, aliás vamos começar já a organizar a Campanha Bicicletas de Natal, se você quiser participar, entre no grupo dos Bicicreteiros no Facebook e saiba como.

Desde a viagem do Projeto Biomas tinha em mente realizar o que viria ser a última mega aventura da minha vida. Não porque pretendia morrer nessa viagem, mas porque as próximas cicloviagens não serão tão “roots” como essa, mas em meus planos estava programando realizar essa trip em 2014, antes dos meus 40 anos (agora estou com 39). Quando os novos fatos ocorreram, pensei seriamente em antecipar essa viagem, mas tem algumas coisas ocorrendo e acredito que até o final de semana eu consiga definir meu futuro.

Mas a partir de hoje muitas coisas irão mudar e a maioria para melhor. Esse é o último DBM que irei organizar diretamente, pois o próximo será organizado pelos “Bicicreteiros”, ou seja, vocês vencedores dos Desafios anteriores é quem serão responsáveis pelo DBM daqui por diante e tenho certeza que eles serão melhores dos que já organizei. Esse 4º DBM servirá para montarmos a transição da organização para a Ong, nesse novo formato gostaria que mantivéssemos uma forma de arrecadar valores, que dessa vez serão revertido para projetos da Ong e também abriríamos a possibilidade para aqueles que estão sem condições financeiras de participar, seja como Desafiantes, como Guias ou mesmo Tutores, mas contando com a ajuda de voluntários para praticamente tudo. Aliás isso é algo que eu sempre quis para o DBM, e ficarei muito feliz se esse formato vingar, o DBM é algo muito grande para ser apenas um “negócio”.

MOVE ON! Agora é concentrar no trabalho, ficar dias sem internet foi bastante complicado, minha caixa de mensagens está lotada, vou responder todo mundo e ocupar ao máximo meu tempo. Conto demais com a ajuda de vocês que são o melhor remédio para depressão que existe, melhor do que qualquer tarja preta!

André Pasqualini