Conheça o Denis, o motorista de ônibus que pedala

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Como muitos já devem saber, estou produzindo um treinamento para os motoristas de ônibus, treinamento esse que se chamará “Ciclista Convivendo com o Motorista” e ao seu término será doado à prefeitura de São Paulo para que ele seja um treinamento obrigatório a todos os motoristas de ônibus da cidade.

É bom lembrar que esse treinamento não é novidade, em 2009 já havia produzido um treinamento nesses mesmos moldes e graças a uma parceria com a SPTrans, órgão da prefeitura de São Paulo responsável por organizar e regular todo o sistema de transporte de ônibus da nossa cidade, esse curso foi repassado a mais de 30 mil motoristas de ligados ao órgão. Os resultados não poderiam ser melhores, os índices de acidentes fatais envolvendo ciclistas em colisões com ônibus reduziram 70% em dois anos.

Aquele curso foi algo muito pioneiro, foram poucas as referências que encontrei, não apenas no Brasil, mas em todo o mundo e devido ao seu pioneirismo ele precisava de uma boa atualização, até porque eu tinha como objetivo fazer uma nova versão num formato mais nacional, já que muitas foram as cidades que entraram em contato comigo pedindo para que eu levasse esse curso até elas.

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Anos se passaram e agora com apoio do Movimento Conviva da Bradesco Seguros estou tendo condições de montar um novo curso e como fio condutor usarei um vídeo mais que original, pois os “atores” serão motoristas de ônibus que tem algo em comum conosco, eles também pedalam. Ninguém melhor do que alguém que conhece como poucos as duas realidades para mostrar a outros motoristas como evitar um acidente com um ciclista.

Abaixo um vídeo com um pequeno teaser que dará uma ideia de como será esse treinamento que está em plena produção. Até meados de maio devo finalizar a primeira parte dele, mas no vídeo principal vocês não verão apenas o Denis, motorista de ônibus de São Paulo que usa a bicicleta como seu meio de transporte. Viajarei o Brasil e mostrarei outros motoristas de ônibus que também pedalam. Serão diferentes realidades, mas todos com algo em comum receberemos uma aula, não apenas de respeito ao ciclista, mas principalmente de respeito à vida.

Se você quiser que eu leve esse treinamento a prefeitura da sua cidade, mande um email para bicicreteiro@gmail.com, pois assim que o treinamento estiver finalizado terei o maior prazer em compartilhá-lo com todas as prefeituras que se interessarem.

André Pasqualini

A força dos Desafiantes

foto01Uma amiga me dizia “Eu gosto é de gente, não importa cor, sexo, classe social, eu gosto é de gente”. Enquanto algumas pessoas “povofobia”, eu sou o inverso, adoro pessoas que quase sempre vem acompanhada por lindas histórias. O Desafio Bicicletas ao Mar me dá uma enorme possibilidade de conhecer pessoas de realidades tão distintas e a oportunidade de conhecer um pouco mais de suas vidas, o que eu considero uma ótima maneira de conhecermos e avaliarmos nossas vidas e tudo que somos até então.

Vocês não vão cansar de ouvir de mim que pedalar é apenas 20% físico mas 80% cabeça. Condicionamento físico ajuda, mas as maiores barreiras que temos para alcançarmos nossos objetivos são os obstáculos impostos por nossa mente sempre que iremos tentar fazer algo que até então nós (e outras pessoas ao nosso redor) consideravam impossível, cabe a nós alimentarmos essa barreira ou derrubá-las para seguir em frente.

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Anos atrás (acho que em 2009), a CET de São Paulo, para dar maior vazão aos carros, resolveu acabar com um acostamento que havia na Marginal Pinheiros, entre as pontes Morumbi e João Dias. Certa vez contei, durante uma hora, as 18h00 horas da tarde, num dia de chuva, a passagem de 100 ciclistas pelo local. Com a retirada, o que já era difícil passou a ser algo extremamente perigoso. Na busca de uma tentativa de solução já que a prefeitura de São Paulo estava (e ainda está) cagando para a situação do ciclista e pedestre que passam por ali (sequer calçada existe), sabendo que ao lado há um terreno enorme, com quase dois quilômetros de comprimento e uns 20 metros de largura, resolvemos abrir uma trilha no meio do mato para que o ciclista pudesse pedalar e evitar a perigosa marginal, até hoje sem acostamento.

Chamei um amigo meu que tem um sitio para ir até o local e juntos debatemos a possibilidade de abrir uma trilha num matagal com mais de 1 quilômetro de extensão com uma dessas roçadeiras que vemos por aí. Esse amigo disse achar impossível, seria algo inglório, pois era muito mato, levaríamos muito tempo para abrir uma trilha com umas simples roçadeira e poucas pessoas, desaconselhou veemente e achou que não havia outra opção a não ser enfrentar a fúria dos carros na marginal e aceitar a situação.

Dias depois alugamos esse roçador, juntamos meia dúzia de ciclistas, nos revezamos e em um dia conseguimos abrir a nossa picada. O mais maluco foi passar alguns dias depois no mesmo local e já verificar rastros de pneus de bicicleta no local. Quando publicamos as fotos da nossa ação na lista da Bicicletada, esse amigo que nos desaconselhou a fazer escreveu a seguinte mensagem:

“Não sabendo que era impossível, foi lá e fez…”

Essa frase é atribuída a Jean Cocteau, mas sendo ou não dele, o que importa é que ela cairia muito bem aos nossos bravos Desafiantes que percorreram no dia 10 de março de 2013 a Estrada dos Romeiros pelo terceiro treino dominical que fez parte do 3º DBM. Galera, vocês não tem a noção do quão épico foi vencer esse roteiro pedalando, se pesquisarem na internet sobre pedal na estrada dos romeiros e houver qualquer classificação do trajeto, todos vão dizer que a Estrada dos Romeiros não é para iniciante, que o nível de dificuldade é de médio para “hard”, pesado.

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Até mesmo os Desafiantes que chegaram as 14h00 em Itu, se tivessem percorrido esse trajeto na primeira semana de Desafio, com certeza teriam enormes dificuldades. Já percorri esse trajeto dezenas de vezes e numa delas eu cheguei ao final da estrada combalido, tinha que pedalar até Salto, mas não consegui, foi a única vez que achei que poderia ter um grave problema de saúde depois de um pedal. Cheguei vomitando ao final da estrada, estava fraco e sequer tinha forças para pedalar mais 7 quilômetros até a cidade de Salto, por sorte achei uns chalés ali perto e acabei dormindo num deles para poder me recuperar e retornar no dia seguinte.

Claro que sabia que vocês conseguiriam chegar, estava a todo momento monitorando o pessoal, principalmente a galera lá do fundão, mas é emocionante demais saber também que não foi apenas um pedal superado, cada ciclista que chegou em Itu teve suas vitórias particulares, venceram seus medos, lutaram contra a desconfiança de muitas pessoas que elas amam mas que não acreditaram na sua capacidade. Sei o quanto é difícil ouvir de pessoas que amamos que nossas opções são absurdas, que não iremos conseguir. Pessoas que gostaríamos de ouvir um apoio mas que acabam jogando contra, quando duvidaram da capacidade de vocês.

Quem fala que sou um cara forte está tremendamente enganado, todos nós somos fortes como também todos nós somos fracos. Comparo a força com a alegria, todo mundo a busca, mas alegria é um estado temporário, faz até bem para nós termos nossos momentos de tristeza, melancolia, são esses momentos que nos fazem crescer na busca das soluções.

Com a força é a mesma coisa, nem sempre somos fortes, infelizmente algumas pessoas acabaram desistindo do Desafio pela falta dessa força nos momentos mais críticos que o Desafio lhes impôs mas em nenhum momento dissemos que ele seria fácil. Aliás aqueles que entraram para o Desafio achando que seria um simples passeio, que nos momentos de dificuldades alguém faria esforço por você quebrou a cara. Muito mais do que ensinar e preparar esse pessoal para pedalar, sempre digo que o DBM será muito útil para os Desafios que você irá encontrar em sua vida, mesmo longe da bicicleta.

Independência, aprender com quem podemos contar, até onde podemos ir, descobrir nosso ritmo e limites, trabalhar para superá-los, tudo isso são lições que tentamos passar no Desafio. E quem encara que desistir não é opção são os que mais colhem frutos, tanto no Desafio como na vida, quando as pessoas ao nosso redor percebem o quanto nos empenhamos para fazer algo acontecer, naturalmente começamos a receber ajuda, qualquer cicloturista sabe muito bem o que quero dizer. Todo cicloturista acaba sentindo essa valorização quando esta na estrada, basta ler meu livro para saber quantas foram as pessoas que me ajudaram durante minhas viagens, ajudas que recebi de pessoas desconhecidas que valorizaram meu empenho e esforço, valorização que nem sempre recebia das pessoas que eu amo. Com vocês não é diferente, por mais que algumas pessoas que amamos não nos valorizem, sempre haverá aquele estranho que verá, valorizará seu esforço e não medirá esforços para te ajudar, até porque só o fato de ver sua dedicação acaba lhes dando força para superar as dificuldades que ele está passando no momento. Não tem nada de mais gostoso do que saber que somos fonte de inspiração a alguém.

Não disse a vocês o quão difícil seria esse treino pois sei o quanto a cabeça pode jogar contra num momento como esse, principalmente nessa reta final do Desafio. Desistir sempre será a opção mais fácil, voltar a vida rotineira que todos os Desafiantes (que entenderam o que é o Desafio) vivem questionando, fazer algo que traria conforto as pessoas ao nosso redor, a muitos amigos e familiares que claramente duvidaram da nossa capacidade e até apostaram contra nós. Desistir do Desafio é fácil pois pode parecer ser bom para muita gente ao nosso redor mas nunca será para quem desistiu.

Confesso que quando criei o Desafio, não imaginava que ele teria tanto poder de transformação como o que tenho visto até então e a cada edição do DBM eu me renovo ao receber toda a energia que exala dos “verdinhos” a cada etapa conquistada. Aos que desistiram, que essa derrota te deixe inquieto para que você não se deixe por vencer novamente, ou que pelo menos que não seja sem luta. As dificuldades são diferentes para cada um, mas a sua não é menor nem maior da que os demais. O meu conselho é que aceitem a desistência, absorvam o que aprenderam até então e que descubram onde erraram para saber onde se empenhar no próximo e que as dificuldades de vocês sejam superadas. Saibam que nesse grupo há pessoas em condições e histórias tão complicadas como as suas, mas que perseveraram e não se arrependeram, tem horas que devemos parar de nos lamentar, aceitar o momento de fraqueza e começar a buscar forças, pois ela está aí, só precisamos saber como trabalhá-la.

Para todos os Desafiantes que chegaram a Itu, o que vou dizer é fato, vocês já estão prontos e TODOS chegarão a praia no que depender de vocês. Alguns com mais dificuldades, outros nem tanto, mas todos chegarão e aqui vai meu conselho. Curtam os pedais daqui por diante, vocês já sabem qual seu ritmo e respeite-os, você não precisa pedalar no ritmo dos outros, pois isso pode ser o responsável por câimbras, problemas de saúde e forçar a desistência de alguém que já tem o condicionamento necessário para percorrer o trajeto. Aliás o que me fez passar mal na viagem que citei acima foi o desrespeito a esses limites, portanto trabalhe a cabeça para não apenas chegar, mas chegar bem a cada destino, se concentre no seu pedal e curta muito os últimos dias de DBM.

E nem acabou o 3º DBM e muitos já vieram me perguntar sobre o que fazer quando acabar. Galera, eu preciso descansar e seguir com outros projetos, até tenho algumas Cicloviagens agendadas e qualquer pessoa que vencer o Desafio tem condições de participar delas, tanto da Graciosa como a Serra do Rio do Rastro. Mas vocês já estão prontos, depois do DBM vocês podem se aventurar por aí por conta própria, os amigos que vocês fizeram aqui serão a companhia de vocês nos próximos pedais só ficará em casa no próximo domingão quem assim quiser.

Os casais que venceram o Desafio já podem começar a planejar uma Cicloviagem juntos nas próximas férias, dos 30 dias de viagens tradicionais, porque não reservar uns 10 dias para uma Cicloviagem? Já pensou em pedalar nas praias do Nordeste com seu amor? Um roteiro nas Serras Gaúchas? Um pedal nos Andes pela América do Sul? Tem o Circuito Vale Europeu em Santa Catarina, dezenas de rotas de peregrinação pelo Brasil que são maravilhosas para serem feitas de bicicleta, opções não faltam e acredito que num futuro próximo, 30 dias de férias pedalando por aí serão poucos. Portanto o que mais quero ver são fotos e relatos de diferentes lugares do Brasil e do Mundo pedalados pelos verdinhos do DBM.

Pelo menos até o próximo DBM, pois quando estiver rolando o 4º Desafio Bicicletas ao Mar quero reencontrar diversos verdinhos, agora na categoria Master, ajudando novos verdinhos a vencerem seus desafios. Não imaginam o orgulho que eu tenho ao ver ex Desafiantes como a Lívia  o Ricardo, o Nadaleto, o Luisão, que “adotaram” uns verdinhos e estão aí ajudando-os a chegarem lá. Isso é o Desafio, essa é a sua magia, só quem está de fora para imaginar que o Desafio se resume a uma invenção para arrancar dinheiro de ciclistas inexperientes, tem que ser muito pequeno para diminuir algo tão bonito e empolgante da realidade do Desafio Bicicletas ao Mar.

O Desafio nasceu de graça e a necessidade de cobrança partiu por iniciativa dos próprios participantes e só me arrependo de não dar ainda melhores condições a vocês pela falta de grana, mas o Desafio vem evoluindo e muito em breve o dinheiro literalmente não será problema e a cada edição ele estará maior e com mais novidades.

Quando chegamos a Itu encontrei dois ciclistas da cidade que estavam retornando de um pedal pela região. Disseram que encontraram vários verdinhos no portal as 14h00 e acharam legal ver um bom grupo organizado ali. Depois seguiram pedalando e não parava de passar por “verdinhos”, os deixando ainda mais impressionados, isso sem falar os vários carros que me abordaram no trajeto para querer saber o que era aquilo. É uma corrida? Um passeio? Como posso participar? Não tem como algo feito com tanta dedicação e carinho não ser um sucesso, mesmo com tantas adversidades.

Mais uma vez parabéns a todos, como fiquei feliz por encontrá-los em Itu se esbaldando no Bar do Alemão, muitos já voltando para casa, caras destruídas fisicamente mas TODAS com um enorme sorriso estampado, as vezes tenho até vontade de voltar no tempo e reviver momentos como esses que um dia também vivi. Falta muito pouco para vencerem o Desafio e após o dia 24, duvido que a bicicleta saia da vida de algum dos desafiantes novamente e aqueles que desistiram, espero revê-los novamente e ainda mais preparados, principalmente com a cabeça focada em vencer o Desafio, de encará-lo como algo que irá mudar de vez sua vida. Um bom planejamento pessoal junto com muita dedicação é o segredo para fazer parte desse feliz grupo de desafiantes que chegaram a praia.

Semana que vem mais um lindo e puxado Desafio, a Estrada dos Vinhos em São Roque. Amanhã pretendo divulgar o trajeto e a planilha para vocês estudarem o percurso com cuidado e atenção. O trajeto terá muitas bifurcações, quebradinhas, trechos em terra, a atenção a sinalização e o estudo da planilha serão mais que fundamentais, mas garanto que será recompensador. Essa é uma rota totalmente nova, a desbravamos no final do ano passado e poucas foram as pessoas que já percorreram, portanto vocês também serão desbravadores de uma das rotas cicloturísticas mais bonitas que já pedalei no entorno de São Paulo, na minha opinião é ainda mais bela que a Rota Márcia Prado.

Pra encerrar, não pensem que não irei dizer nada em relação aquela barbaridade ocorrida na Paulista no domingo de manhã, não quero misturar as estações, não será um inconsequente que vai apagar ou diminuir a conquista de vocês. Duvido que esse “moleque” (com todas as letras) tenha saído de casa com a intenção de matar alguém, mas a merda ocorreu e agora a sociedade tem que discutir o que fazer, eu já tenho minha opinião e deixarei ela clara num post só para esse fim, algo que definitivamente não é o momento.

André Pasqualini

Treino do 3º DBM, Parte 2 – Paranapiacaba, um verdadeiro Desafio aos Verdinhos

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Nosso destino a princípio seria o famoso Solo Sagrado da Guarapiranga, um trajeto mais curto que o do primeiro treino, mas com inclusão das subidas que até então estavam sumidas dos treinos. Como haveria o culto mensal no Solo Sagrado justamente no dia que planejamos o treino, resolvemos mudar nosso rumo e fomos para Paranapiacaba, um trajeto que incluiria muitos trechos de terra trazendo mais dificuldades aos ciclistas, o que valorizaria ainda mais o Desafio.

Corremos então para deixar tudo em ordem, no sábado fizemos a sinalização que percorreu as cidades de Mauá, Ribeirão Pires, Rio Grande da Serra e Paranapiacaba por esse trajeto, tudo no esquema, sinalizado e planilhado, lá fomos nós nos encontrar em Mauá, onde organizamos um café da manhã comunitário aos participantes e lá eles conheceram o maior Bicicletário das Américas.

foto02Foto de Anderson Nadaleto

Antes de sair tive a triste notícia de que todas as placas que colocamos no trecho urbano de Ribeirão Pires haviam sido retiradas. O alerta venho de um dos agentes de trânsito que receberam tal ordem. Ao ver um dos nossos ciclistas com a camiseta do Desafio no trem indo para Mauá ele nos alertou, disse que a ordem partiu do próprio Secretário de Transportes que mandou retirar as placas pois era um evento sem autorização deles.

Claro que eu não tinha expedido nenhum ofício para nenhuma das cidades por onde passaríamos e sabia dos riscos de algum gestor de algumas das cidades mandassem retirar as placas, mas imaginem só a complexidade que é mandar ofícios para todos tantos órgãos só para colocar uma placa que será retirada no dia seguinte? Só nesse evento seriam 4 cidades e mais o DER já que passaríamos pela Rodovia que vai para Paranapiacaba. Pior que só tive a autorização da CPTM as 10h00 da sexta feira, até então sequer poderia divulgar o trajeto. Sem falar no risco que eu sempre correrei de negarem a autorização, daí teria que colocar as placas numa cidade e não em outra, já que em nenhuma hipótese deixaria de promover o pedal já que segundo o art.58 do CTB, nós temos o direito de andar por qualquer via urbana do Brasil sem nenhuma autorização.

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Semana que vem o DBM vai passar novamente por 5 cidades e um trecho de rodovia que, em desrespeito a Lei Estadual 10.095 do Walter Feldman, não incluiu uma Ciclovia junto a rodovia na chegada de Itu, devido a isso terei que mandar os ciclistas acessarem a cidade pelo acostamento do sentido contrário pois é a forma mais segura de ser feita do que usar as alças de acesso e dividir espaço com os carros. Tudo isso só porque a bicicleta mais uma vez foi ignorada pelos gestores públicos. Aliás nem dá para dizer que trafegar pelo acostamento na contramão é uma infração, pois segundo o artigo do CTB citado acima, nenhum veículo motorizado pode trafegar no acostamento, apenas pedestres e ciclistas podem trafegar por ali e em nenhum momento há qualquer informação de que isso tenha que ser no mesmo sentido do fluxo dos carros. Mas até convencer um gestor público com má vontade prefiro não oficiar essas instituições para não correr o risco de algum administrador que não goste de bicicleta tente nos impedir de realizar o pedal.

No dia seguinte ao treino, depois de tentar entrar em contato com a Secretaria de Transportes de Ribeirão Pires, e constatar que o telefone informado no site não funcionava, acabei ligando para outros órgãos e descobri o fax da Secretaria, por sorte acabei falando direto com o Secretário, um tal de Souza (ele não quis me dar seu nome completo, por isso o “tal”).

Tá, eu errei sim ao não tentar contato com a prefeitura e informá-lo que nosso grupo passaria por sua cidade, mas se coloquem em meu lugar. A cidade de Ribeirão Pires, como a maioria das cidades brasileiras ignora o Art. 24 do Código de Trânsito Brasileiro que diz exatamente isso:

Art. 24. Compete aos órgãos e entidades executivos de trânsito dos Municípios, no âmbito de sua circunscrição:

        II – planejar, projetar, regulamentar e operar o trânsito de veículos, de pedestres e de animais, e promover o desenvolvimento da circulação e da segurança de ciclistas;

A cidade não dispõe de um plano cicloviário, lá como na maioria das cidades brasileiras o ciclista é tratado como um cidadão de segunda categoria, é invisível ao poder público e nada na cidade é feito com o intuito de estimular o uso da bicicleta, pelo contrário, todos os viadutos, pontes e as principais avenidas da cidade foram projetadas apenas privilegiando quem tem carro. Cidadão mais humilde que anda de bicicleta e até mesmo os usuários de transporte público, tanto lá como na maioria das nossas cidades são ignorados pelo poder público E ISSO É FATO!

Constatada essa dificuldade, mapeei e sinalizei uma rota sabendo dos riscos delas serem vandalizadas ou arrancadas pelo poder público e diferente das cidades de Mauá, Rio Grande da Serra e Paranapiacaba (nesse caso distrito de Santo André), onde não ocorreu nenhum problema, em Ribeirão Pires retiraram nossas placas. O Secretário em conversa por telefone foi taxativo ao cumprimento das “normas” internas da sua prefeitura e ainda me chamou de irresponsável por não avisar a prefeitura do nosso evento e que cometi um absurdo de “enfiar” 200 ciclistas “em sua cidade” sem que ela estivesse preparada para tal.

Sua declaração só corrobora com minha afirmação de que em sua cidade a bicicleta é tratada como um problema e não uma solução. Se sua cidade fosse preparada para o ciclista, em nenhum momento seria necessário qualquer “operação especial” para nos receber. Garanto que no dia que sua cidade estiver preparada para seus ciclistas cidadãos, 200 ciclistas a mais não trará a necessidade de qualquer operação especial, como ocorre com a cidade de Santos por exemplo, que em dias de Rota Márcia Prado chegam a receber mais de 5 mil ciclistas.

Aliás essa “Bikefobia” só vem de pessoas que desconhecem e desconsideram a bicicleta como um meio de transporte legítimo, como reza o Código de Trânsito Brasileiro. Por isso destaco minha lamentação e pena do ciclista cidadão de Ribeirão Pires, pois com um Secretário de Transporte como esse, que desconhece as leis brasileiras e que prefere punir um ciclista a ajudá-lo, dificilmente a sua realidade irá mudar. Aliás duvido que esse “tal” secretário conheça os problemas que os Ciclistas de Ribeirão Pires enfrentam em seu dia a dia e tenha qualquer plano para minimizar (nem falo em resolver) seus problemas. Aliás duvido que ele use sequer o transporte público, quanto mais andar de bicicleta. Com certeza é mais um daqueles secretários que só usam o carro e que consequentemente acabam trabalhando apenas em pról de uma categoria, as que menos precisam.

Voltando ao caso das placas, em Ribeirão Pires vale a norma e não o bom senso, para ele sou só um invasor que desrespeita a cidade e acha que lá é uma zona, portanto ele fez o correto, usou a máquina pública (consequentemente o dinheiro público) para arrancar a sinalização irregular. Ocorre que acabou fazendo vista grossa para outras sinalizações que estavam no mesmo trajeto. Porque as outras foram mantidas? Esse questionamento eu deixo para o cidadão de Ribeirão Pires. Abaixo a foto de uma das sinalizações que foram ignoradas pela equipe do Secretário, nesse mesmo poste havia uma sinalização nossa, depois divulgo outras fotos de outras sinalizações que foram ignoradas pelo tal secretário.

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Odeio esse papo de “você de fora”, um bairrismo ridículo que só serve para jogar para uma platéia mais estúpida e bairrista ainda. Mal ele sabe que eu fiz a mesma coisa em São Paulo, que coloquei e tirei a sinalização no nosso primeiro treino sem pedir autorização da Prefeitura daqui e nem por isso considero a cidade onde eu vivo uma zona. Embora eu pretenda, no quarto Desafio definir todos os trajetos com o máximo de antecedência e conseguir autorização de todas as prefeituras e instituições envolvidas, mas para esse DBM irei continuar contando mesmo com a sorte.

O único problema é que, se depender de mim, eu evitarei ao máximo fazer com que o DBM passe novamente por Ribeirão Pires para a tristeza de muitos comerciantes, como uma senhora que disse estar feliz por ter vendido mais de 50 coxinhas aos verdinhos. Me desculpem os cidadãos dessa cidade mas não posso correr riscos e ficar a mercê de alguém que para seguir uma norma, prefere colocar em risco vidas humanas. Aliás quando eu disse que uma pessoa se acidentou, justamente no trecho onde a sinalização foi retirada, fui obrigado a ouvir que a culpa foi minha porque fui um irresponsável por não seguir suas “normas”.

foto04Foto de Rafael Eudes

Então seu secretário, eu tenho por opção lidar com pessoas que valorizam a vida humana antes de qualquer coisa, antes você tivesse me multado por não ter seguido suas normas, juro que faria um esforço e daria um jeito de pagar a multa pois você estaria com toda a razão do mundo. Mas a partir do momento que você colocou em risco vidas humanas só para fazer valer seu poder ditatorial, ou por um puro capricho pessoal, me desculpe mas não consigo considerá-lo uma pessoa digna de qualquer parceria, apoio ou sequer algum diálogo.

Aliás que façam um bom proveito das placas, pois agora sou eu quem não quer correr o risco de encontrar alguém como você em meu caminho e espero que esse episódio sirva para que mude suas atitudes e que faça o senhor pensar duas vezes antes de enfiar os pés pelas mãos. Vá assistir o homem aranha e grave aquela frase “Grandes poderes, grandes responsabilidades”. Não é só porque você está numa situação de poder, significa que você é melhor do que os demais, muito pelo contrário, como um legítimo homem público, você deveria zelar sempre pelas pessoas e JAMAIS colocar alguém em risco com suas atitudes.

Mas nem tudo foram espinhos em nosso treino, nossos verdinhos se deslumbraram com o maravilhoso Bicicletário de Mauá e com sua história, se esbaldaram no nosso café da manhã e seguiram rumo a Paranapiacaba, obrigado Mauá pelo apoio dado.

Depois que cruzamos a Índio Tibiriçá encaramos o trecho em terra, trecho esse que por sorte nossa, o Secretário de Ribeirão Pires “deixou passar” e não retirou as placas. Graças a esse “vacilo” do nobre Secretário, nenhum verdinho se perdeu no trecho em terra e ainda sentiu na pele as dificuldades e a adrenalina de um MTB clássico como vocês podem conferir abaixo no vídeo produzido pelo nosso Guia Pablo Dutra com a impagável narrativa do Sílvio Santos narrando um trecho de downhill.

Chegamos ao trecho urbano de Rio Grande da Serra, lá nosso ponto de encontro foi um caldo de cana ao lado do trevo da cidade. No dia anterior perguntei ao senhor se ele estaria ali e o alertei de que por lá passariam centenas de ciclistas, mais um dos que não se incomodaram nem um pouco com nossa passagem.

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Estava lá no fundão e acabei chegando a Paranapiacaba quase as 16h00, com apenas uma hora de descanso antes do nosso retorno até Rio Grande da Serra e foi bonito chegar na cidade e ver aquele mar de verdinhos espalhados pela pequena e linda vila de Paranapiacaba. Quando o relógio marcou 16h00 voltamos ao asfalto e seguimos de volta a Rio Grande da Serra de onde a galera voltou de trem para São Paulo.

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Esse treino foi um dos mais tensos que vivi em todos os DBMs que já participei, mas apesar de tanto perrengue, é bom saber que os acidentados estão bem, que tudo não passou de um grande susto, feliz pois nosso sistema de segurança funcionou de forma bastante satisfatória e mais feliz ainda depois de tantos elogios que recebi dos participantes, vocês tem um poder motivacional incrível, sugiro que vejam esse curto mais incrível vídeo feito pelo Rafael Eudes, um ciclista que já sacou exatamente qual é o espírito do DBM, já dá para ter uma noção do que está por vir até o final do Desafio.

A partir dessa semana passarei a incluir cada vez mais dificuldades nos treinos, nossos verdinhos estão prontos para receber esse “upgrade”. Que venham as montanhas e não quero ver ninguém empurrando suas bicicletas nas ladeiras que estão por vir.

André Pasqualini

Campanha Bicicletas de Natal, a entrega

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Será que sabemos qual o significado do Natal? Eu não sabia, inclusive era um crítico condenando-a como mais uma dessas datas criadas apenas para o comercio vender, mas depois do Natal de 2010, o qual passei sozinho, acampado no Ninho das Águias, no meio da Chapada dos Guimarães, acabei compreendendo o sentido do natal da pior forma possível, com muita dor e sofrimento. Nesse link você encontrará uma mensagem de natal escrita um dia após de ter passado (e sobrevivido) a uma das noites mais complexas de minha vida. Já no livro “A vida em ciclos” narro detalhes do que aconteceu um dia antes e que me motivou a escrever esse texto.

Mas garanto que todo meu sofrimento foi necessário para aprender o significado dessa data, que pode até ter um pouco a ver com o fato da igreja católica se apropriar de uma data cultuada por outra religião e que de certa forma alavancou sua massificação, mas religiões a parte (nem quero entrar nessa discussão), o fato é que quando nos aproximamos dessa data ocorre uma sinergia entre todas as pessoas, independente de religiões.

Consumismo a parte, são muitas as pessoas que estão com pensamentos positivos, preocupadas em presentear alguém querido, apenas pela vontade de fazer essa pessoa feliz. Da mesma forma que um país em guerra, dificilmente consegue se desvencilhar de tanto ódio, quando muitas pessoas ao mesmo tempo pensam em fazer o bem, inevitavelmente acabam contaminando a todos, até mesmo os críticos da data.

Podemos dizer que o estopim dessa campanha se deu em setembro de 2012, logo após realizarmos o 2º Desafio Bicicletas ao Mar, quando um casal que participava do Desafio sofreu um assalto pouco antes de chegar a Santos, assalto esse não realizado por marmanjos com armas de fogo, mas sim por crianças com paus e pedras. Depois desse incidente passei a pensar algo que pudesse minimizar esses riscos, foi quando surgiu a ideia – “Porque não realizarmos uma campanha de doação de bicicletas nessas comunidades?”

Além de doar bicicletas, queria encontrar uma forma de integrar os participantes do Desafio as comunidades no entorno da rota. Não consigo ver como solução um policiamento extensivo, primeira atitude a ser tomada quando ocorre algum ataque de gente pobre a classe média, esse é o tipo de atitude que não resolve o problema e só aumenta a sensação de medo e ódio entre as partes, aumentando o muro que divide a realidade da vida dessas pessoas, que no final das contas, são todas iguais.

A maioria dos participantes do Desafio, são oriundos da classe média e infelizmente alguns confundem simplicidade com miséria. Como a maioria dificilmente tem contato com essas pessoas que moram em comunidades humildes, devido ao desconhecimento dessa realidade, acabam se sentindo ameaçados e intimidados ao passarem por elas. Por outro lado, as pessoas que vivem nessas comunidades acabam vendo essa atitude de medo e desconfiança como arrogância, o que de certa forma contribui para aumentar a tensão entre os dois lados. Nem ao céu, nem ao inferno, o que realmente falta entre essas pessoas é comunicação, conhecimento e uma mente livre de preconceitos.

Se conseguíssemos realizar uma campanha que, não apenas ajudasse quem necessita, mas que principalmente promova essa integração, todos ganhariam e com certeza os riscos de assaltos diminuiriam drasticamente, até porque ambas as partes se sentem desconfortáveis com a situação.

Mas antes de seguir em frente com a ideia, é preciso externá-la e ouvir a opinião do inconsciente coletivo. Ao jogar a ideia na lista de discussão do Desafio Bicicletas ao Mar no Facebook, percebi de imediato que essa era uma ideia comum e tendo vivenciado o senso coletivo e colaborativo que foi criado nos dois Desafios anteriores, somando a possibilidade de usar a energia que é criada em torno da data natalina, tinha certeza que se embarcasse nessa maluquice, não estaria sozinho. Foi quando comecei as discussões com a CPTM na busca de um espaço para ser usado como oficina.

A velocidade das coisas dentro de uma empresa, infelizmente não é a mesma que a minha, chegou um momento que inclusive desisti de continuar o projeto, até que na última semana de novembro sou procurado pelo pessoal da CPTM com a sugestão de montar nossa base na passarela desativada da Estação Pinheiros. Na mesma semana lançamos a campanha de doações na internet, conseguimos uma chamada ao vivo no Radar SP no dia 30 de novembro de 2012, onde convidei as pessoas a doarem as bicicletas nos dias 01 (sábado) e 02 (domingo) de dezembro, com uma audaciosa meta de 100 bicicletas doadas.

Ficamos de plantão durante os dois dias em frente a estação Pinheiros da CPTM e a todo momento alguém aparecia para doar bicicleta. Sim, apareceram algumas pessoas que deram graças aos céus pela oportunidade de se livrar de uma tralha, mas a maioria era de pessoas instigadas a ajudar, a fazer o bem. Sejam os pais que trouxeram seus filhos para doar a bicicleta, ensinando a importante lição do desapego e estimulando a solidariedade, como também algumas pessoas que tinham um enorme carinho pela bicicleta, dó até mesmo de vendê-la, mas que resolveram doá-las ao próximo, assim algo que havia lhe dado tantas alegrias pudesse fazer o mesmo por outra pessoa. A cena do garotinho de 4 anos, carregando sua bicicletinha aro 10 (com rodinhas) nas costas e colocando entre as bicicletas a serem doadas, ficará marcada para sempre em minha memória.

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Na minha e na dos voluntários que ficaram horas ao sol durante os dois dias, sem ganhar nada além de gratidão e felicidade por estar participando de algo tão grande, cada um tem uma história diferente para contar. Depois de dois longos dias, as 17h00 de domingo, enquanto levávamos as bicicletas para a passarela, chegou à doação de número 100. Atingimos uma marca que parecia impossível, isso nos deixou feliz, mas também aumentou a nossa responsabilidade, já que precisávamos reformar todas as bicicletas.

Antes de iniciarmos os mutirões, fizemos um inventário, fotografando cada uma das 100 bicicletas, verificando o que seria necessário fazer para deixá-las como novas. Nessa fase constatamos que 80% das bicicletas estavam em boas condições. Precisávamos também de dinheiro para comprar algumas peças, ferramentas e material para os voluntários trabalharem, abrimos uma campanha de doações e arrecadamos cerca de 700 reais. Pode parecer pouco, mas foi mais que suficiente para prosseguirmos com os trabalhos.

Os mutirões foram surpreendentes, voluntários com bom conhecimento mecânico ajudando os sem experiência nenhuma, gente que mal sabia elevar a altura de um banco desmontando pe-de-vela, sacando corrente. Ao mesmo tempo que em alguns momentos o trabalho parecia não render, em outros surgiam várias mãos e as bicicletas, pouco a pouco eram colocadas montadas nos cavaletes.

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Foi criada uma atmosfera muito bacana, mesmo sabendo que o trabalho era imenso, que as chances de algo dar errado eram enormes, ninguém conseguia cogitar um fracasso. Já havia desistido de entregar as 100 bicicletas, então passei a trabalhar no número plausível de 80. Entrei em contato com a creche e pedi para eles selecionarem apenas 60 crianças, pois meu maior medo era, no dia da entrega, haver mais crianças do que bicicleta. Depois de tanto trabalho, ver uma criança triste só porque não recebeu bicicleta era o meu maior pesadelo, literalmente, já que foram várias as noites que sonhei com isso.

Seguramente mais de 50 pessoas diferentes passaram pelos mutirões, algumas foram trabalhar mais de uma dezena de dias, outros foram apenas uma vez, alguns foram apenas na entrega das bicicletas, mas a sensação que ficou é que todos foram fundamentais e o melhor exemplo ocorreu no dia 22, sábado, no mutirão de limpeza e entrega das bicicletas.

A maioria das bicicletas estava montada a espera de regulagem e a limpeza. A regulagem necessitaria de conhecimento mecânico, já a limpeza só capricho e boa vontade. Estava apenas eu e o Gallo regulando as bicicletas e perdíamos no mínimo meia hora em cada, isso quando não encontrávamos algum pepino. Mesmo com 4 pessoas na limpeza seria impossível terminar todas as bicicletas naquele dia, foi quando fiz um apelo desesperado no nosso grupo no facebook e durante uma entrevista na CBN pedindo para as pessoas comparecerem e nos ajudar na limpeza.

Não demorou e começou a aparecer gente, logo haviam quase 20 pessoas com a mão na massa e os cavaletes com as bicicletas prontas foram lotando. Não vou ficar citando nomes, mas nessa campanha fica difícil encontrar a “pessoa fundamental”, pois mesmo aquele que apareceu para trabalhar só no último dia acabou sendo crucial para o sucesso da campanha.

No dia da entrega madrugamos, as 6h00 estávamos colocando as bicicletas num caminhão cedido por um participante do Desafio, logo começaram a chegar os voluntários que seguiram pedalando, cerca de 20 ciclistas. Embarcamos de trem enquanto o comboio seguiu de carro até o Grajaú e lá fomos recebidos com chuva. Poxa, justo no dia da entrega?

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Outro medo era o das bicicletas terem problemas durante o pedal, a maioria são bicicletas simples e que foram montadas por ciclistas inexperientes, por mais que ciclistas experientes tenham vistoriado, impossível nenhuma falha passar despercebida, mas ainda bem que foram poucas as que deram problemas já que a maioria seguiu firme e forte.

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Ao chegar na primeira balsa, como o trajeto é mais tranquilo e com poucos carros, coloquei meu filho na cadeirinha da minha bike e com um guarda chuva ele se protegeu da fina garoa que caía. Fazia mais de um ano que eu não conseguia ficar com meu filho (motivos que nem valem a pena comentar) e aquele dia estava sendo ainda mais especial. A oportunidade de poder dividir essa emoção com meu filho era única, temia não poder dividir essa experiência com meu filho, mas até o espírito natalino me ajudou.

foto05Foto Rachel Schein

A massa foi seguindo em frente até que chegamos a segunda balsa, sim, faltavam poucos metros para chegarmos a creche e eu não estava tranquilo, ainda reinava o medo de encontrar mais crianças do que bicicletas. A creche fica a 300 metros depois da segunda balsa, havia uma forte subida e no alto dela há a Padaria Comunitária que fica ao lado da creche. Quem já desceu para Santos pela Rota Márcia Prado conhece muito bem esse local.

Cruzamos a balsa e pedi para o caminhão esperar e subir apenas depois que chegássemos ao topo, pois até então as crianças não sabiam que todas ganhariam uma bicicleta, (elas foram informadas que participariam de um sorteio) e queria manter a surpresa e presenciar a reação delas ao ver o caminhão. Subimos e lá no alto o Gallo, nosso Papai Noel estava parado, como se algo o impedisse de continuar. Ouvi dele a seguinte frase “tá lotado de criança”, até ele ficou com medo, mas era o momento de todo nosso trabalho de um mês ser avaliado, saber se realmente tudo aquilo que passamos teria valido a pena.

Havia muitas crianças, também fiquei assustado, senti um gelo no pessoal, mas a ansiedade era geral, tanto nossa como das crianças. Quebrei o gelo e guiei os ciclistas até o mar de crianças e ao chegar disse – “Nossa, tem muita criança aqui e só temos 20 bicicletas, não temos bicicletas para todo mundo!”

Vi alguns adolescentes, mas a maioria era de crianças na faixa dos 5 a 9 anos, não queria ver nenhum deles sem bicicleta. Continuei conversando com eles e fui em direção a subida, de onde viria o caminhão. Comecei a ouvir o barulho dele que subia vagarosamente, ao ver o caminhão um silêncio tomou conta do local, dava para ouvir apenas o barulho do motor. Ele surgiu na subida como se emergisse no mar, de frente não era possível ver muita coisa, mas quando ele se aproximou e foi possível ver sua lateral repleta de bicicletas, um – “Ohhhh!” – saiu da boca daquelas crianças seguido por uma euforia que nunca tinha visto em minha vida.

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Elas gritavam, algumas choravam de alegria, outras já escolhiam suas bicicletas, apesar do momento ser mágico, ainda precisava fazer a distribuição. Acontece que eu tive um problema na minha impressora e não consegui imprimir uma lista que havia feito com o nome das crianças por ordem de idade. Pedi para o pessoal da creche imprimir a lista para mim, e enquanto ela não vinha os voluntários começaram a descer todas as bikes do caminhão e organizá-las por tamanho.

Como a lista demorava, subi no escritório e encontrei uma das colaboradoras da creche assustada pois a impressora deles também estava quebrada. Abri a lista no computador e começamos a anotar o nome delas numa folha de papel, fiz uma lista com crianças de 5 a 9 anos, desci e deixei a garota fazendo a lista do pessoal de 10 a 17 anos.

A garotada não aguentava mais, uma garotinha segurava uma das bicicletas com as duas mãos e não a largaria até que seu nome fosse chamado. Comecei então a chamar as crianças de 5 anos, mandaram eu subir no caminhão para anunciar os nomes enquanto os voluntários escolhiam as melhores bicicletas para cada criança. Chamei todos os nomes de 5 anos e antes de iniciar a relação dos com 6 anos, vi um dos garotos que havia ganho a bicicleta cruzar a rua pedalando, mesmo sem rodinhas.

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Outra falha nossa, na correria esquecemos de trazer algumas rodinhas que foram retiradas das bicicletas, ficamos de levá-las numa outra oportunidade, mas tenho certeza de que quando levarmos, a maioria das crianças já terão aprendido a pedalar sem elas.

Para a minha alegria, quando estava chamando as crianças de 8, percebi que sobraram várias bicicletas menores, como já previsto, havia várias crianças que apareceram na festa mas seus nomes não constavam na lista e por sorte nenhuma ficou sem bicicleta. Uma delas era a Dominique de 5 anos, ela ficou o tempo todo por perto das bicicletas, como seu nome não estava na lista, sua mãe deve ter dito que ela provavelmente não ganharia uma bicicleta e apesar de parecer conformada, era fato notar sua frustração. Então pedi para escolher uma das bicicletas e ela foi direto na Cecizinha.

Essa bicicleta foi um verdadeiro xodó dos voluntários, bicicleta provavelmente do final da década de 70, início de 80, uma raridade. A bicicleta estava perfeita, tinha apenas o banco quebrado e que foi trocado por um novo. Essa garotinha pegou a bicicleta e toda aquela frustração foi embora.

Continuamos com as crianças maiores e todos que estavam lá receberam uma bicicleta, foi uma festa tão grande que cada um tem sua história para contar. Como não teríamos tempo nem dinheiro para reformar todas a tempo, decidimos que as que precisariam de pintura ficariam para uma segunda fase. Teve então o caso do Cleber que doou a “Titanic”, uma bicicleta até que em boas condições mecânicas mas que precisava de uma pintura completa no quadro. Sabendo que sua bicicleta ficaria para a segunda fase, ele foi até o mutirão e a pintou sozinho. Não, ele não tinha experiência em pintura de quadro, tanto é que nem desmontou a bicicleta para pintá-la, mas se virou não sei como (acho que com a ajuda da internet) pois queria de qualquer maneira levar a sua bicicleta pedalando. Quando encontrou o jovem que ganhou sua bicicleta disse – “Essa bicicleta era minha” – de imediato o garoto fez menção para devolvê-la, achando que havia pegado a bicicleta de alguém, mas logo ele corrigiu – “Não, essa bicicleta era minha, mas agora é sua.

Pincelei várias histórias, mas para não ser infiel a elas, peço para que meus amigos usem o campo de comentários para compartilhá-las. Mas posso dividir com vocês a minha história, pouco depois de almoçarmos quando nos preparávamos para voltar, senti alguém tocando em minha perna. Quando olhei vi a Dominique falando – “Tio, tio…”

Me abaixei achando que ela iria perguntar algo a respeito da bicicleta e falei – “Oi meu anjo, fale” – mas ela disse apenas uma palavra…

– “Obrigado!”

Nessa hora eu desabei. Até aquele momento vivia uma intensa pressão, medo de não dar conta de arrumar tanta bicicleta, medo da campanha fracassar, ainda estava preocupado em como os voluntários que foram pedalando iriam voltar, não tinha a sensação de dever cumprido, ainda estava dominado pela pressão, mas depois que a garotinha me disse “Obrigado” a ficha caiu. A campanha pode não ter acontecido como eu imaginava, mas havia sido um sucesso, finalmente eu pude relaxar e chorar sem medo, choro de alegria e dever cumprido. Mais tarde fiquei sabendo que ela perguntou a mãe quem era o tio que deu a bicicleta a ela e sua mãe apontou a mim, sem saber qual era a sua intenção, só depois sua mãe soube que ela queria apenas agradecer.

foto08Olha a Domenique a direita com sua Cecizinha

Mal ela sabe que sou eu quem devo agradecer a ela.

Na verdade eu tenho que agradecer não aos voluntários que tanto se esforçaram para a coisa acontecer, ou a CPTM que nos cedeu o espaço para trabalhar, ou a minha mulher que esteve sempre ao meu lado nesses dias tão complicados, ou ao meu filho que depois de mais de um ano pode estar comigo um dia inteiro e participar desse momento tão mágico. Sinto obrigação apenas em agradecer a oportunidade que me foi dada, de fazer parte de algo tão grandioso e de ser aceito por essa galera que tanto se empenhou. Pois quem ganhou presentes não foram apenas as crianças que receberam as bicicletas, mas todos que de alguma forma participaram dessa enorme corrente do bem.

Ser parte desse jogo de engrenagem foi uma das melhores experiências da minha vida, um coletivo que, por incrível que pareça, não havia uma pessoa protagonista, onde todos (sem exceção) foram fundamentais. Foi maravilhoso fazer parte de tudo isso, essa experiência só prova que, como seres humanos, estamos constante evolução ações como essa nos fazem subir um degrau nessa campanha evolutiva.

Seja quem doou do seu tempo ou dinheiro, aquele que trabalhou mais de 15 dias ou aquela pessoa que apareceu apenas no último mutirão de limpeza. Ver as coisas acontecendo tudo de forma natural, sem a necessidade de um coordenador, mas de uma forma onde cada um que participava encontrava seu papel, sua melhor forma de participar, essa foi uma das experiências mais alucinantes que já vivi. Ninguém querendo aparecer, ninguém querendo fazer mais que os outros, ninguém criticando o trabalho do outro, todos focados e com um único objetivo que era o de fazer o bem.

Me fez até ficar com um pouco de saudades de algumas coisas que fiz ao lado de outros ciclistas, numa época em que a causa da bicicleta era mais importante do que as pessoas que estavam envolvidas. Não tem como não lembrar que foram poucos os antigos parceiros de estrada que ajudaram de alguma na campanha, seja divulgando a ação em suas redes sociais, ou mesmo aparecendo no local para ver como está nossa bagunça. Isso só me deixa mais claro que infelizmente para alguns, os egos falam mais alto do que uma possível causa, mas que eles aprendam como eu também aprendi. E a vida que siga seu rumo, pois da  mesma forma que me frustrei por um lado, fiquei confiante e esperançoso de que ainda dá para fazer muito, não apenas pela bicicleta, mas pela nossa sociedade, melhor ainda saber que não faltam malucos para me acompanhar em roubadas como essas.

Essa foi a melhor forma que eu encontrei para encerrar o meu ano e tenho certeza que esse sentimento é comum a maioria dos que participaram. Mas apesar de encerrar o ano com chave de ouro, esse foi apenas o término de um ciclo e início de outro e para variar, começa com desafios ainda mais ambiciosos.

Encerro (ou inicio) com um convite, no próximo sábado, dia 05 de janeiro de 2013, as 14h00, em nossa base na Estação Pinheiros da CPTM faremos uma reunião de rescaldo para descobrir o que será necessário para colocarmos todas as bicicletas restantes em ordem e para conversarmos sobre o futuro do projeto que não irá acabar aqui. Vamos discutir inclusive a possibilidade da criação de algo institucional para a continuidade desses e de outros projetos. Quem sabe não esta nascendo “Os Bicicreteiros”?

Um excelente 2013 para todos, e um até breve, já que esse ano promete.

André Pasqualini

Fotos sem créditos são minhas e (as melhores) da Thelma Yorinori

Clique aqui para ver mais fotos do dia da entrega

Veja mais fotos na nossa Fanpage da campanha 

Veja abaixo a repercussão da campanha na mídia

Chamada no Radar SP para doação das Bicicletas

Matéria no Vá de Bike

Matéria da entrega no G1 e vídeo do Bom Dia São Paulo

Entrevista para a Rádio CBN – São Paulo

Matéria do Jornal Agora

Foto da Capa do Jornal Agora

Chegando a hora de entregar as bicicletas

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Estamos na reta final da Campanha Bicicletas de Natal, no mutirão de montagem de bicicletas realizado nos dias 15 e 16 de dezembro, cerca de 30 voluntários se revezaram para ajudar na montagem das bicicletas e ao final do domingo, conforme previsto, 80% das bicicletas estavam montadas.

No decorrer da semana teremos mutirões todos os dias, das 18h00 as 22h00 para os últimos ajustes como colocação de cabos, conduítes, regulagem de freios e câmbios. Teremos também um último mutirão no dia 22 de dezembro para limpeza e últimos ajustes das bicicletas, o convite continua aberto, qualquer pessoa pode participar da campanha.

Já no dia 23 de dezembro irá ocorrer a entrega das bicicletas e contamos com sua participação pois iremos levá-las PEDALANDO!

Serão cerca de 50 ciclista, se você pode ser um deles, mande uma mensagem para o email bicicreteiro@gmail.com e se coloque a disposição, você não precisa ter participado dos mutirões ou feito qualquer doação. Abaixo o cronograma de como será a entrega das bicicletas.

Os ciclistas voluntários terão que estar as 7h00 na Estação Pinheiros da CPTM. Ao chegar na estação, o ciclista irá escolher a bicicleta que irá pedalar e fazer os últimos ajustes. As 8h00 da manhã desceremos até a plataforma e iremos todos de trem até a Estação Grajaú, de lá a massa de “papai noeis” seguirá pedalando por 14 quilômetros até a creche onde faremos as doações. Ao chegar, o próprio ciclista fará a entrega da sua bicicleta a criança que irá receber a doação.

Seremos recebidos pelos jovens da comunidade que farão uma recepção aos ciclistas, com direito a almoço e tudo mais.

Participe da festa, toda ajuda será bem vinda e se tiver alguma dúvida ou quer colaborar de alguma maneira, faça suas perguntas aqui no campo de comentários ou mande para o email acima.

Veja mais informações e fotos da Campanha em nossa página no Facebook clicando aqui.

André Pasqualini

Projeto Bicicletas de Natal, doe uma bicicleta

O Coletivo formado pelos participantes do grupo Desafio Bicicletas ao Mar está organizando uma campanha de doação de bicicletas, nosso objetivo será recebermos a doação de 100 bicicletas que serão reformadas e doadas a jovens ligados a entidades filantrópicas da região metropolitana de São Paulo. Para realizarmos essa ação, firmamos uma parceria com a CPTM que irá nos ceder um espaço para montarmos nossa oficina temporária. Esse espaço será a antiga passarela da estação Pinheiros da CPTM, que atualmente está desativada. Lá iremos montar nossa base operacional, onde organizaremos grandes mutirões para prepararmos as bicicletas.

O projeto está dividido em três fases, a primeira tem início hoje e vai até o dia 02 de dezembro, a etapa de recebimento das doações. Iremos nos limitar a 100 bicicletas para termos condições operacionais de reformá-las até o dia 23 de dezembro, data que os próprios voluntários do projeto farão a entrega das bicicletas. A segunda fase começa no dia 03 de dezembro, com inventário e início dos mutirões para reforma das mesmas e a terceira será no dia 23, data da entrega das bicicletas.

Como colaborar com o projeto?

Os voluntários poderão ajudar de três maneiras:

1) Doando bicicleta

2) Se voluntariando para ajudar na reforma das bicicletas

3) Doando peças ou valores para compra de materiais

Claro que nada impede que uma mesma pessoa ajude das 3 formas possíveis, tendo participação ativa em todo o projeto, para isso sugerimos que o voluntário participe do nosso grupo Desafio Bicicletas ao Mar no Facebook, pois é sempre lá que definiremos ações menores mas não menos importante que os grandes mutirões. Abaixo iremos detalhar as fases do projeto e como ajudar:

Doando uma bicicleta

Para doar uma bicicleta o voluntário precisa levá-la até a estação Pinheiros da CPTM, nos dias 01 e 02 de dezembro (sábado e domingo) e entregá-la a um voluntário do coletivo. Os voluntários estarão em frente a estação, das 8h00 as 17h00 nos dois dias.

DICA IMPORTANTE PARA O ACESSO A ESTAÇÃO PINHEIROS

Para acessar a estação, o motorista tem que descer pela Sumidouro e entrar a direita na Rua Capri. Apesar das placas de acesso local, entrem mesmo assim, está até mais fácil de entrar e estacionar seu carro. Veja no link abaixo o local exato para a entrega das bicicletas.

http://goo.gl/maps/pmPVl

Caso você seja da cidade de São Paulo e não tenha como levar a bicicleta, preencha o formulário abaixo e um voluntário agendará um dia para retirar a bicicleta.

IMPORTANTE: Nosso objetivo é atingir um número de 100 bicicletas, caso não seja atingido esse número até o dia 02, manteremos aberto o canal para recebimento até atingirmos esse número.

OBRIGADO ATINGIMOS NOSSA META DE 100 BICICLETAS. AGUARDE MAIS INFORMAÇÕES AQUI PELO BLOG, NA FANPAGE DA CAMPANHA OU ENTRE PARA NOSSO GRUPO DE DISCUSSÕES DO FACEBOOK PARA SABER COMO PARTICIPAR COMO VOLUNTÁRIO.

Fica a dica, se você mora em condomínio que possui bicicletário (ou depósito de bicicletas), verifique com o síndico e os demais moradores se há intenção de doar aquelas bicicletas que estão há anos empoeiradas na garagem. Assim no dia da doação, poderemos retirar todas as bicicletas e dar um fim nobre a elas.

Se voluntariando na reforma das bicicletas

Como iremos operar dentro de uma área paga da CPTM, todos voluntários irão assinar uma lista de presença na entrada da estação Pinheiros. Já aqueles que se dirigirem até o local utilizando o sistema do Metro e da CPTM não precisarão preencher esse formulário já que nosso ponto de encontro será na área paga do sistema. De qualquer forma, caso você queira participar de algum dos mutirões, envie um email para bicicreteiro@gmail.com com seu nome e RG para colocarmos na lista que ficará durante o mês de dezembro na estação Pinheiros da CPTM.

Para saber as datas dos mutirões, acompanhe a divulgação das datas aqui no Blog do Bicicreteiro, na página de discussão do grupo no Facebook ou em nossa Fanpage criada para esse fim.

Doando peças ou valores ao projeto

Após recebermos as 100 bicicletas, faremos um inventário de todos os equipamentos que precisaremos para recuperá-las. Essa relação será divulgada nos nossos canais de divulgação do projeto e os voluntários poderão sair a “caça” de doações, visitando bicicletarias pois é comum as pessoas trocarem equipamentos, descartando os antigos ainda em bom estado de conservação.

Há outros tipos de equipamentos, como conduítes, cabos de aço, pastilhas de freio, óleos e lubrificantes, pneus e até mesmo algumas ferramentas específicas que utilizaremos nas montagens das bicicletas que possivelmente precisaremos adquirir. Caso você opte em ajudar dessa forma, aguarde a divulgação da lista de materiais ou faça uma doação clicando aqui.

Quem fizer uma doação a partir de R$30,00 e levar o comprovante da doação em um dos nossos mutirões, receberá dos nossos voluntários um pequeno curso de manutenção de bicicletas, dicas que servirão para você manter sua magrela sempre em ordem. Caso você também deseje colocar a mão na massa, pode ficar a disposição do grupo para realizar algum trabalho no mutirão, outra boa maneira de aprender um pouco sobre mecânica de bicicleta.

Está lançada a Campanha Bicicletas de Natal 2012, nosso objetivo é criar um modelo para nos próximos anos podermos fazer campanhas ainda maiores e mais abrangentes. Quer participar de forma ainda mais ativa? Faça parte do nosso grupo e se tiver dúvidas, pergunte aqui no blog que responderemos “quase” que imediatamente.

André Pasqualini