Como foi o 3º Desafio Bicicletas ao Mar

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Pretendo escrever algo que sirva tanto para as centenas de pessoas que já participaram dos DBMs (Desafio Bicicleta ao Mar), como para alguém curioso para saber um pouco mais de como funciona essa coisa maluca que é o Desafio Bicicletas ao Mar. Chegou até aqui porque viu um monte de ciclistas verdinhos passando por você? Quer fazer parte também dessa maluquice? Então continue a leitura.

No dia 24 de março de 2013 aconteceu o encerramento do 3º Desafio Bicicletas ao Mar, para saber um pouco da história do Desafio, entre nesse link aqui ou clique na página do Desafio no alto do blog. De forma resumida, o Desafio nasceu de uma tentativa de conquista amorosa que deu certo e acabou carregando como padrinhos centenas de ciclistas que sequer se imaginavam fazendo percursos maiores do que da sua casa até a padaria, mas em pouco mais de um mês eles chegaram pedalando a praia.

Lancei o 3º DBM em janeiro de 2013 e seguindo a linha evolutiva na busca de um evento perfeito, abrimos apenas 300 inscrições para 3 categorias distintas (100 para cada), os Praieiros, ciclistas experientes que desejavam apenas percorrer o trajeto do dia do Desafio, os Masters, ciclistas experientes que já participaram de outros Desafios, mas que queriam participar de todos os treinos e os Desafiantes, ciclistas iniciantes que desejavam ganhar condicionamento e experiência para poder chegar a praia, consequentemente entrar em definitivo para esse nosso mundo da bike.

Ah, vale lembrar que o objetivo principal do Desafio é fazer com que os ciclistas Desafiantes adquiram uma melhor condição física e principalmente psicológica  para que eles consigam percorrer a Rota Márcia Prado, uma rota Cicloturística de 100 quilômetros que liga as cidades de São Paulo e Santos, ciclistas Masters ou mesmo os Praieiros são apenas pessoas que querem participar da festa. Apesar das inscrições serem abertas em janeiro, os treinos só começaram em 19 de fevereiro e todo esse tempo serviu para os ciclistas Desafiantes se programassem para poder se dedicar exclusivamente ao Desafio, consequentemente aumentando as chances de êxito.

Seriam 15 treinos num espaço de 35 dias, sendo dois treinos noturnos por semana (terças e quintas), mais uma simulação de cicloviagem a cada domingo. Praticamente o mesmo formato dos Desafios anteriores, a diferença estava nos treinos de domingo, além de toda a rota ser sinalizada, eu teria a disposição dois carros de apoio mais uma ambulância. Claro que tudo isso tem um altíssimo custo, por isso resolvemos cobrar uma taxa de inscrição de 150 reais para os Desafiantes, 120 para a categoria Master e 70 reais para os Praieiros, esses não teriam o direito de participar dos treinos noturnos nem dos de domingo, apenas do Desafio.

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Desde o primeiro desafio eu incluí os praieiros, pois muitos ciclistas me procuravam querendo apenas descer a Rota Márcia Prado, vários são de outras cidades e não poderiam participar dos treinos, sem falar nos próprios ciclistas de São Paulo que só querem mesmo percorrer a Rota Márcia Prado. Como tenho uma enorme dificuldade em dizer não, acabei tentando fazer algo que agradasse a todos. O maior problema que sempre vi nessa categoria, pois nem todos os praieiros conseguiriam entender o verdadeiro espírito do Desafio, que é o do grupo trabalhar para que todos cheguem, todos vençam o Desafio e que de alguma forma a bicicleta mude a vida dessas pessoas para melhor. Alguns praieiros que acompanham de perto o Desafio até conseguem perceber esse espírito, mas infelizmente essa categoria acaba atraindo ciclistas que só encaram o Desafio como mais um Ciclo-passeio para poder contar com a logística e fazer seu pedal e ai que está o problema.

1ª Etapa: O início dos treinos

Voltando ao Desafio, no dia 19 de março, data do primeiro treino, quando o relógio marcou 20h00, haviam mais de 100 ciclistas com camisetas verdes (Desafiantes) e amarelas (Masters) prontos para pedalar no nosso ponto de encontro no Parque do Ibirapuera. Também lá estavam vários ciclistas de camisetas vermelhas, os Guias que em sua maioria basicamente são ciclistas mais experientes, que tirando o Gallo, todos já haviam sido desafiantes nos desafios anteriores, sendo que o primeiro ocorreu em abril de 2012. Apesar da imensa ajuda que eles e alguns Masters me deram, de cara vi o quanto seria complicado administrar esse Desafio.

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Logo no primeiro pedal eu percebi que em vários Desafiantes sobrava disposição e que se encaixariam perfeitamente na condição de Master, se fosse só pela condição física. Vi também alguns Masters que deveriam ter se inscritos como Desafiantes e já vi que um dos equívocos foi deixar que cada ciclista se categorizasse, algo que irei corrigir no próximo DBM. Apesar de sempre andar no fundão, nos treinos de domingo eu costumo a guiar a massa e levar 100 ciclistas para treinar (e não passear) por São Paulo foi bem complicado. Por causa disso eu dividi o grupo com duas saídas, uma as 20h00 e outra as 21h00.

Apesar de alguns contratempos foi a melhor solução, mas percebi que enquanto teria facilidade com alguns, outros precisariam de uma atenção maior, algo que infelizmente não consegui dar da forma que gostaria. Isso me deixou clara a necessidade de criar grupos mais homogêneos, algo que já estou pensando em criar no próximo DBM, de qualquer forma os treinos foram bem concorridos e não tivemos que repetir nenhum trajeto.

2ª Etapa: O primeiro treino de domingo, Ciclovias e Ciclofaixas

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No 2º DBM tivemos 22 treinos sendo 5 treinos de domingo, mas nesse, devido a uma dificuldade de calendário, fui obrigado a reduzir para 4 treinos antes do Desafio, sendo que o primeiro treino realizamos um pedal com cerca de 73 quilômetros pelas Ciclovias e Ciclofaixas de São Paulo.

O trajeto foi praticamente plano, sem muitas dificuldades para os ciclistas, mas tinha como objetivo mostrar aos Desafiantes que não é difícil passarmos da barreira dos 70 kms pedalados num único dia, mesmo assim senti falta de um treino mais curto antes desse. Alguns desafiantes acabaram desistindo depois desse treino, foram poucos, acho que uns 4 de um universo de mais de 100, garanto que se eles insistissem teriam avançado como alguns em condições até piores assim fizeram, mas esse é outro desafio, não apenas melhorar a condição física dos Desafiantes, mas fazer com que eles continuem acreditando que é possível.

3ª Etapa: Treino para Paranapiacaba

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Esse treino só decidi fazer na sexta feira, dois dias antes do treino em si. Nosso destino seria o Solo Sagrado da Guarapiranga, ocorre que eu acabei marcando o treino justamente no dia do culto mensal da igreja, quando eles chegam a receber vinte mil pessoas num único dia. Por causa disso fui obrigado a arrumar outro trajeto e optei por Paranapiacaba, partindo da estação Mauá da CPTM.

Em Mauá os ciclistas conheceram o maior bicicletário das Américas com mais de duas mil vagas. Conheceram também o Adilson, idealizador do bicicletário, ouviram sua história e aprenderam na prática um dos significados dessa palavra “Cicloativismo”.

O trajeto de Paranapiacaba era mais curto que o primeiro treino, cerca de 47 kms, mas a diferença é que os ciclistas começaram a pedalar em trechos de terra e encararam várias subidas, tudo isso era para, além de condicionar, dar mais perícia aos ciclistas. Nesse dia ocorreu dois acidentes e ainda bem que dessa vez tínhamos ambulância que estava de prontidão para dar o socorro as vítimas. Nada tão grave, mas infelizmente os acidentes causaram mais algumas baixas entre os Desafiantes.

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Tombos sempre irão ocorrer na prática do ciclismo, mas outra tarefa do Desafio é preparar os ciclistas para evitarem os acidentes e mesmo se eles ocorreram, que o ciclista tenha a perícia para minimizar os danos. Apesar dos inúmeros contratempos, o treino foi válido para a maioria dos ciclistas.

4ª Etapa: O desastre na estrada de Manutenção e reviravolta nos rumos do Desafio

No final de fevereiro, logo após as enormes chuvas e deslizamentos que ocorreram na Serra do Mar, que inclusive matou uma motorista na pista de subida da Imigrantes, assim que vi o vídeo com o estado da rodovia, já previ que o pior teria acontecido com a Estrada de Manutenção da Imigrantes, pista que utilizamos para percorrer a Rota Márcia Prado, o que seria o evento final do Desafio. Não demorou e surgiram fotos mostrando a precariedade da pista, mesmo assim ficamos num limbo por quase duas semanas sem saber se faríamos ou não a descida pela RMP, até que resolvi, numa quinta feira, realizar essa descida e ver com meus próprios olhos a situação da pista.

Quando cheguei lá encontrei um cenário de guerra, simplesmente todos os pequenos veios de água que escorrem pela serra trouxeram tudo abaixo, sejam árvores e enormes rochas. A pista estava bloqueada em dezenas de pontos, vários com quase um metro de lama e quanto mais eu descia, maior a catástrofe. Levei  quatro horas para chegar ao final da Manutenção, sendo que num dia normal, o trajeto é feito em 40 minutos, sem pressa.

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Voltei e contei a todos o estado da Manutenção, pensei em tentar a Estrada Velha de Santos mas a mesma também estava interditada pelo mesmo motivo e isso deu uma desanimada no pessoal que estava completamente pilhado. Então passei a procurar alternativas e lembrei que em 2008, eu e um grupo com cerca de 30 ciclistas saímos pedalando de São Paulo, seguimos em um dia até Taubaté para no dia seguinte pedalarmos para Ubatuba.

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A maior das coincidências é que desse grupo fazia parte a saudosa Márcia Prado. Resolvi então adiar a descida da RMP para quando ela fosse reaberta e para encerrar o Desafio, quem quisesse poderia repetir esse pedal que fizemos em 2008 para Ubatuba. Cerca de 120 ciclistas toparam fazer esse pedal, então comecei a preparar uma verdadeira operação de guerra para levar essa galera até a praia.

5ª Etapa: Aumento da dificuldade, começo dos treinos de subida

Até esse dia, nossos treinos estavam evitando grandes subidas, apenas trechos mais planos e suaves, nada de fortes subidas, mas como o pessoal estava entrando na terceira semana de treinos, chegou a hora de exigir mais dessa galera, foi quando comecei a introduzir os treinos noturnos de subida.

Um treino que já é um clássico é o de fazer um sobe e desce constante na região da Paulista, saímos do Ibirapuera e subimos a Abílio Soares, depois descemos a 13 de Maio até a Rua Avanhandava e subimos novamente pela Herculano de Freitas e Peixoto Gomide. Descemos novamente e dessa vez subimos a Itapeva a partir do Bexiga, quando o pessoal achou que bastava, descemos até a Tutoia e subimos a Manoel da Nóbrega. Mas não havia acabado, para terminar seguimos todos para a montanha fora de categoria “HC”, a Ministro Rocha de Azevedo.

Os treinos de subida visavam trazer ganho muscular aos ciclistas que já estavam com suas pernas adaptadas ao pedal, nos dias seguintes ainda fomos desbravar as pirambas do Morumbi, já que os treinos a partir de então teriam muitas subidas no trajeto.

6ª Etapa: Cicloviagem pela Estrada dos Romeiros até Itu

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No nosso terceiro treino dominical, o destino foi Itu via a belíssima Estrada dos Romeiros. Nesse treino, os primeiros 25 quilômetros são bem planos, seguimos por uma rota que pega só um trecho pequeno de Marginal Tietê e depois segue beirando o Rio Tietê até Barueri, quando cruzamos o rio e seguimos rumo a Estrada dos Romeiros, quando começaram os Desafios.

Passamos por Santana de Parnaíba e Pirapora, sendo que para chegar nessa cidade são pelo menos 3 subidas muito longas, com desníveis maiores de 100 metros, perfeitas para as dificuldades que queria impor aos Desafiantes. Na saída de Pirapora ainda mais subidas, até reencontrarmos novamente o Rio Tietê quando tivemos um alívio já que a estrada segue por um longo trecho beirando o Rio que vai descendo rumo a Itu.

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Algumas poucas subidas e chegamos a Cabreúva, a partir dali o trajeto fica mais tranquilo, apenas com uma forte subida e logo estávamos em Itu. Eu sempre lá no fundão, mas os verdinhos turbinados seguiram a toda, sendo que o primeiro pelotão chegou as 14h00 em Itu e o ponto final foi lá no Restaurante do Alemão, famoso pela tradicional a parmegiana.

7ª Etapa: Ciclistas a prova d’água

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O último treino dominical do Desafio Bicicletas ao Mar era por uma rota recém mapeada, inédita no DBM e para a maioria dos ciclistas de São Paulo, batizada como Rota do Vinho, começa em frente a Usp em São Paulo, passa por Taboão da Serra, Embu das Artes e de lá segue por estradas de terra até a Estrada do Vinho já em São Roque, uma rota com muita dificuldade mas com a particularidade de não pegar quase nenhuma rodovia.

Para valorizar ainda mais a conquista dos ciclistas, percorremos boa parte da rota debaixo de muita chuva, principalmente no trecho de estrada de terra, o que testou ao limite a perícia dos Desafiantes que apesar de algumas quedas, não houve necessidade do uso da ambulância mais uma vez, um roteiro que deve figurar em todos os próximos DBMs.

8ª Etapa: Rumo à praia

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Como não poderíamos descer a Estrada de Manutenção, montamos umas operação de guerra para levar os ciclistas até Ubatuba. Havia 3 formas de se chegar a praia, a primeira seria pedalando desde São Paulo, num trajeto de 140 quilômetros (a contar da Praça da Sé) até a cidade de Taubaté. Dos 300 inscritos, a maioria resolveu esperar a Estrada de Manutenção ser reaberta, mas 120 toparam o Desafio de chegar a praia e pelo menos 60 saíram pedalando desde São Paulo, chegando a Taubaté entre 10h00 e 21h00 do sábado, dia 23 de março.

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Um ônibus com cerca de 28 ciclistas saiu de São Paulo no mesmo sábado, somou-se aos que saíram pedalando e quase 100 ciclistas se hospedaram no Hotel San Michel em Taubaté, praticamente dominamos todo o hotel.

Mas o Desafio começou no domingo, dia 24 de março as 5 da manhã para um grupo de 28 ciclistas que saíram num segundo ônibus de São Paulo e venho se juntar a nossa massa que as 8h00 estava pronta para seguir rumo a Ubatuba e entre esses ciclistas do ônibus de domingo dois grandes guerreiros em suas Handbikes, o Fábio Costa e o Alessandro Martinato, que participaram de alguns treinos e estavam lá prontos para motivar a galera e chegar a praia.

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Partimos para um pedal mais que épico, entre os 90 quilômetros que separam as cidades de Taubaté a Ubatuba há enormes montanha que somam um ganho de altitude de 2160 metros, pior que teve alguns ciclistas que acharam que seria só descida.

Foram muitas subidas, uma mais forte que a outra, além de várias baixas, principalmente por problemas mecânicos, teve até uma bicicleta que teve seu aro da roda aberto. Com grande esforço os Desafiantes, cerca de 50 de um universo de 100, foram vencendo cada montanha e conforme nos aproximávamos do topo da serra, para valorizar ainda mais nossa conquista tivemos que encarar uma névoa que deixava nossa visibilidade menor de 100 metros e ainda uma fina garoa.

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E para complicar ainda mais, tivemos mais uma “ajuda” da Polícia Rodoviária Estadual (que já havia dado suas caras quando entramos na Rodovia dos Trabalhadores) que tentou impedir a passagem dos ciclistas no alto da serra de Ubatuba. Como sempre aquele papinho furado de evento não autorizado, desconhecimento do Código de Trânsito Brasileiro, que para a nossa segurança eles poderiam nos proibir de descer a Serra, de que levariam todos os ciclistas para a delegacia e por aí vai.

Falei que estávamos com 2 carros de apoio e uma ambulância inclusive, daí o PM disse – “Quer dizer que você já está prevendo que vai ocorrer um acidente?” – então respondi – “Ué? Não ocorrem acidentes com carros na rodovia? Se algum carro sofre um acidente vocês proíbem todos de circular? Estou sim com ambulância, mas se caso algum ciclista se acidente vocês irão nos socorrer? – o PM respondeu – “Claro que não!” – e finalizei – “Já que sei que não poderei contar com o estado, eu vim precavido, por isso a ambulância“.

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Nem vou discutir mais sobre o assunto, no Brasil vai demorar um pouco mais para o ciclista ser tratado realmente com respeito que teríamos em qualquer país civilizado do mundo, mas como sempre reforço, vivemos uma era de transição e trabalhos como o DBM servirão para formarmos essa massa de ciclistas que ensinará o estado como trabalhar para todos os cidadãos e não apenas para poucos como ocorre hoje em dia. O lado bom de tudo isso é que vivemos um momento de mudança e momentos como esses são bem dinâmicos, diferente das épocas de estabilidade que chegam até a serem chatas. É muito bom saber que fazemos parte dessa mudança.

Mesmo com a chuva, neblina, polícia, a força da natureza, tentativas de boicote, nada nos impediu de chegarmos a Praia e encerrarmos mais um Desafio Bicicletas ao Mar, não teve momento mais emocionante do que nossa chegada em Ubatuba com dezenas de ciclistas gritando a cada luzinha piscando que surgia na Ciclovia, ver a galera cumprimentando o Fábio e o Alessandro em Ubatuba foi surreal, ali sabia que todo meu trabalho fez sentido, valeu a pena cada noite mal dormida depois de tantas dificuldades que encarei para viabilizar esse DBM.

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Começando o encerramento, quero parabenizar nossos dois Handbikes, o Fábio e o Alessandro que foram grandes guerreiros, chegaram a praia e deram uma verdadeira lição de superação a todos que acompanharam suas sagas desde o início do Desafio e espero vê-los novamente nos próximos.

Agradeço a Livia, o Eudes, o Luisão, a Thelminha e a Helevi que tiveram suas fotos gentilmente “roubadas” para poder ilustrar esse post.

Agradecer a todos os Guias que trabalharam no DBM, sem citar nomes, mas os participantes do DBM sabem como foi importante a participação de cada vermelhinho no Desafio, sem dúvida alguma de nada adiantaria meu esforço se não tivesse a cooperação deles. Não posso esquecer de vários Masters (amarelinhos) que se portaram como verdadeiros tutores dessa galera.

Depois do Desafio sentei para fazer um rescaldo, ver quanto arrecadei e quanto gastei e depois de fechar as contas eu percebi que ganhei muita, (mas muita mesmo) “experiência” nesse DBM, por sorte não tive que colocar do meu bolso (hehe). Mas o DBM é muito mais que uma simples forma de ganhar dinheiro, é um evento que está em constante evolução e na busca do formato que me dê uma remuneração justa, mas principalmente que de todo o suporte necessário ao ciclista para que ele vença o Desafio e que tenhamos o mínimo de desistências no decorrer da caminhada, quem sabe lá pelo décimo DBM nós não encontremos essa fórmula.

Agora saio para umas curtas férias, estou seguindo rumo ao Parque do Jalapão, vou mapear outro circuito para que vocês possam ter a disposição mais um roteiro para a prática do Cicloturismo. Infelizmente não vou conseguir postar nada de lá durante a viagem, no máximo poucas fotos quando os celulares derem algum sinal de vida, mas quando voltar farei um verdadeiro guia e deixarei a disposição de todos que quiserem um dia conhecer um dos lugares mais espetaculares do planeta.

Durante essas férias também vou pensar no melhor formato para o 4º DBM que pretendo iniciá-lo no começo de maio, será um DBM mais compacto, com uma nova fórmula que deve agradar também os ciclistas mais experientes, pois a letra “M” do DBM terá dois significados, a mais óbvia que é Mar, mas nessa edição seu encerramento não será na praia e sim numa “Montanha”, aguardem que logo que voltar lançarei detalhes desse novo Desafio.

A dica para quem não quer ficar muito tempo parado é fazer parte de uma das Cicloexpedições que organizo, a próxima será no dia 12 de Abril quando desceremos a Serra da Graciosa, a viagem já está garantida pois temos o número mínimo de pessoas para realizá-la, mas ainda há vagas. Apesar de eu estar de férias, deixei uma pessoa para responder as mensagens e tirar as dúvidas do pessoal, só não deixem para a última hora, pois se todos que disseram que vão resolverem realmente ir, terei que alugar dois ônibus, aí já viu…

Finalizando mesmo, obrigado a todos, parabéns aos Desafiantes que chegaram a praia, foi muito bom fazer parte dessa conquista, mas agora que venham os próximos Desafios, pois uma vida sem desafios é muito mais chata, não é?

André Pasqualini

Expedição Cicloturística Estrada da Graciosa

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Primeiro vamos ao serviço

Data: de 12 a 14 de abril
Valor: R$475,00 em 3 vezes no cheque ou cartão
R$430,00 para pagamento a vista

O que está incluso?

  • Translado São Paulo-Curitiba em ônibus LD(Leito Turismo) com transporte das bicicletas
  • Café da manhã na chegada em 4 Barras no sábado, antes do pedal
  • Hospedagem em Curitiba de sábado para domingo, com café da manhã
  • Subida da Serra do Mar pelo trem turístico de Morretes até Curitiba
  • Carro de apoio durante a descida da Graciosa

Aceitaremos a presença de passageiros sem bicicleta pelos mesmos valores, a diferença é que os passageiros sem bicicleta, além de ter direito a tudo que está descrito acima, farão o deslocamento de Curitiba a Morretes pelo Trem Turístico.

A programação

A saída de São Paulo irá ocorrer no dia 12 de abril, por volta das 22h00, o ponto de partida será, provavelmente, algum local próximo a estação Butantã da linha amarela do Metro, perto de um estacionamento onde os passageiros poderão deixar seus carros, o custo deve ficar por volta de 40 reais todo o final de semana.

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Passaremos a noite na estrada e chegaremos a Quatro Barras (região metropolitana de Curitiba) por volta das 6h00 da manhã. Lá será servido um café aos ciclistas (incluso no pacote), enquanto os passageiros sem bicicleta se deslocam até Curitiba para pegar o trem rumo a Morretes.

A partir de Quatro Barras os ciclistas seguirão pedalando por cerca de 50 quilômetros até Morretes, sendo que no caminho ele descerá a linda Estrada da Graciosa, famosa por seus paralelepípedos. São vários os mirantes, pontos de paradas, pequenas cachoeiras, o ciclista terá muito tempo para curtir todo o trajeto.

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Em Morretes os ciclistas estarão livres para passear pela cidade e a dica aqui é não deixar de comer o famoso “Barreado”, prato típico dos tropeiros da região.

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As 15h00 todos os ciclistas deverão se dirigir até a estação de trem da cidade para dar início ao retorno a Curitiba. A subida de trem tem um visual simplesmente deslumbrante, cortando uma área bem preservada da imponente Serra do Mar. A noite em Curitiba será livre, os ciclistas poderão se organizar para fazer um tour pela cidade de bicicleta.

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Na manhã de domingo, após o café da manhã, faremos um passeio pela cidade visitando alguns pontos conhecidos da capital paranaense, como o Museu do Olho, o Jardim Botânico, encerrando nosso pedal almoçando em alguma churrascaria. Após o almoço os ciclistas retornam ao Hotel, faremos os check-outs, embarcaremos no ônibus e retornamos a São Paulo, com previsão de chegada por volta das 22h00, no mesmo ponto de partida.

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Para garantir sua vaga, preencha o formulário abaixo, lembrando que em junho organizaremos outra Cicloexpedição, dessa vez com destino a Serra do Rio do Rastro e há uma condição super especial para quem quiser fazer as duas viagens.

Vale lembrar que essa Cicloexpedição é indicada para qualquer tipo de ciclista, mesmo aqueles sem muita experiência no pedal, se você consegue pedalar uns 30 quilômetros na Ciclofaixa de Lazer de São Paulo, conseguirá participar dessa cicloexpedição tranquilamente. Garanta logo sua vaga preenchendo o formulário abaixo.

Lançamento do livro A Vida Em Ciclos

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Primeiro ao serviço:

Data: 21 de março de 2013 (quinta)
Hora: 20h00
Local: Restaurante Piraquara
R Antonio Macedo Soares, 1.150, Campo Belo (veja o mapa)

Não posso dizer que foi um “parto” conseguir lançar o meu livro, pois um parto só dura 9 meses, enquanto a saga para publicar esse livro levou quase dois anos. Foram 106 dias viajando pelo Brasil e mais de um ano viajando nas palavras, uma verdadeira saga escrever um livro com tamanha carga emocional, contar detalhes dos momentos onde mais passei por sofrimentos em toda minha vida.

Já imaginou o que é pedalar com depressão? Foi exatamente assim que estava quando saí de São Paulo e encarei essa aventura batizada como Projeto Biomas e que deu origem ao Livro A Vida em Ciclos. Posso garantir que muito do que sou hoje se deve a esse conflito constante entre felicidade e tristeza que vivi nesses dias. Lembro de algumas situações, quando mais jovem, achava ridículo ver alguém sofrendo por amor, quando alguém cometia o suicídio então… Que absurdo, como uma pessoa pode ser tão fraca!

Mas bastou eu viver uma intensa dor que machuca muito mais que as dores físicas para conseguir compreender o que se passa pela cabeça de pessoas deprimidas e até entender o que leva muitas delas a desistirem da vida. Recentemente perdemos um grande artista, o Chorão e impossível não fazer uma analogia, acredito que só não tive o mesmo fim graças ao meu filho, pois sempre que era atormentado por desejos de dar um fim a minha dor da maneira mais fácil, bastava me lembrar do meu filho, lembrava do meu último encontro antes da viagem (narradas no prólogo do livro) que as forças voltavam e o desafio de chegar vivo em casa preponderava.

Que pedal, sem querer plagiar o rei, mas foram tantas emoções distintas, dor e alegria caminharam ao meu lado durante toda a viagem, inclusive dor física pois desafios não faltaram. Me deslumbrava com as paisagens impressionantes do nosso interior do Brasil que a cada dia surgia de forma diferente, a vida abundante no Pantanal, a imponência da Floresta Amazônica, e o que falar do Parque do Jalapão!

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E as pessoas? Cada história maravilhosa e como foi bom receber tanto carinho, seja das pessoas que eu encontrava na estrada, ou das pessoas que me acompanhavam a quilômetros de distância, mas que estavam diariamente ao meu lado graças a esse blog.

Tentei durante esses quase dois anos colocar o máximo de emoções que vivi nesse livro, por diversos momentos tive dúvidas sobre se respeitaria meu sentimento na época dos fatos ou aquilo que estava sentindo após meses da viagem. Na dúvida sempre optei por deixar meu coração falar. Não tenho a pretensão de ensinar nada a ninguém, mas desejo muito, como diz o Milton Jung na aba do meu livro, fazer vocês pensarem. Ninguém tem a verdade absoluta, mas cada um tem a sua e nem todos conseguiram descobrir ainda qual é a sua verdade. Eu ainda não descobri, vou morrer tentando descobri-la, mas tenho certeza que avancei muito nesse processo.

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E que honra ter na aba do meu livro um texto do Milton Jung, jornalista da Rádio CBN e ancora do CBN Brasil que fala com os ouvintes do Brasil inteiro todas as manhãs. Falta ainda o texto da minha querida enrolada Renata Falzoni, que vai ilustrar a contra-capa do meu livro. Aliás ela foi a primeira pessoa a receber um exemplar, com a missão de ler e escrever esse texto. Como fiz uma impressão digital, provavelmente a próxima edição já terá o texto dela.

Bem, finalmente irei lançar meu livro, não é exatamente como queria, minha intenção era fazer um livro com muitas fotos, ter um bom revisor e editor do meu livro… Mas meus amigos mais próximos sabem o quanto tudo é mais difícil para mim, e porque  seria diferente com o livro? Ao menos o tirei (melhor, coloquei) no papel, um livro 100% independente das grandes corporações, do mercado, do capital, mas muito dependente dos amigos e como é bom ter tantos amigos para contar. A arte da capa e diagramação foi feita pela minha amiga Rosana Grimaldi, uma linda capa usando como base uma foto que tirei na viagem, foto essa que o meu outro amigo Willian Cruz profetou que seria a capa do livro.

A revisão foi feita por outras três amigas, a Gi, a Andreia e a Edna e o restante por mim, editei, revisei, adaptei a versão com fotos para essa sem fotos, finalizei a arte, fechei o arquivo e mandei para a gráfica. Aliás se no meio do texto eu fizer referencia a alguma foto que não está no livro, me desculpe, pois eu retirei as fotos mas não tive tempo de revisar o texto de todo o livro. Mas como tudo que criei até hoje acabou tendo vida própria e deixa de ser meu rapidamente, sei que poderei contar com a ajuda dos meus amigos leitores que encontrarão os erros e me apontarão para fazer os ajustes, o corrigindo a cada tiragem.

A primeira foi com 50 exemplares e de 50 em 50 vou espalhando meu livro por aí. O objetivo será o de guardar uma grana para poder fazer uma tiragem maior e uma versão com fotos, o que trará muito mais energia e informações para esse livro.

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Aliás estou entrando com um projeto cultural no Ministério da Cultura para tentar a aprovação numa lei de incentivo. Se conseguir aprovar farei uma tiragem de 3 mil livros e uma nova viagem pelo Brasil, passando pelas principais cidade que percorri durante a minha viagem, fazendo palestras em escolas e doando TODOS os 3 mil livros para jovens de escolas públicas do Brasil.

Falando sério, quem me conhece sabe muito bem que se dependesse de mim eu jamais venderia um livro, daria de graça, pois não tem nada mais gratificante do que alguém vir até você comentar sobre um livro que você escreveu, não tem preço que pague isso. Mas infelizmente vivemos num mundo capitalista e além de caro é muito complicado imprimir um livro. Justamente por esse motivo é que manterei a versão digital de graça “forever”, mesmo se um dia ele for comprado por uma editora, essa será minha condição eterna.

E quem quiser comprar, vou vendê-lo por R$55,00 (R$50,00 para quem pagar em dinheiro, na hora ou fizer deposito bancário), ele já está disponível em minha lojinha, só começarei a entregá-lo após o lançamento, mas se você for pessoalmente no lançamento do meu livro com o comprovante de deposito, poderá levar seu exemplar na hora.

Pra encerrar, vou ficar muito feliz em rever meus amigos nesse dia, antes do lançamento oficial do livro eu farei uma pequena palestra sobre a viagem contando algumas histórias interessantes, só mesmo para aguçar a curiosidade de vocês, mas o que vai valer mesmo será a presença de todos meus amigos, reais ou virtuais e espero que o espaço fique pequeno para tanta gente.

André Pasqualini

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A força dos Desafiantes

foto01Uma amiga me dizia “Eu gosto é de gente, não importa cor, sexo, classe social, eu gosto é de gente”. Enquanto algumas pessoas “povofobia”, eu sou o inverso, adoro pessoas que quase sempre vem acompanhada por lindas histórias. O Desafio Bicicletas ao Mar me dá uma enorme possibilidade de conhecer pessoas de realidades tão distintas e a oportunidade de conhecer um pouco mais de suas vidas, o que eu considero uma ótima maneira de conhecermos e avaliarmos nossas vidas e tudo que somos até então.

Vocês não vão cansar de ouvir de mim que pedalar é apenas 20% físico mas 80% cabeça. Condicionamento físico ajuda, mas as maiores barreiras que temos para alcançarmos nossos objetivos são os obstáculos impostos por nossa mente sempre que iremos tentar fazer algo que até então nós (e outras pessoas ao nosso redor) consideravam impossível, cabe a nós alimentarmos essa barreira ou derrubá-las para seguir em frente.

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Anos atrás (acho que em 2009), a CET de São Paulo, para dar maior vazão aos carros, resolveu acabar com um acostamento que havia na Marginal Pinheiros, entre as pontes Morumbi e João Dias. Certa vez contei, durante uma hora, as 18h00 horas da tarde, num dia de chuva, a passagem de 100 ciclistas pelo local. Com a retirada, o que já era difícil passou a ser algo extremamente perigoso. Na busca de uma tentativa de solução já que a prefeitura de São Paulo estava (e ainda está) cagando para a situação do ciclista e pedestre que passam por ali (sequer calçada existe), sabendo que ao lado há um terreno enorme, com quase dois quilômetros de comprimento e uns 20 metros de largura, resolvemos abrir uma trilha no meio do mato para que o ciclista pudesse pedalar e evitar a perigosa marginal, até hoje sem acostamento.

Chamei um amigo meu que tem um sitio para ir até o local e juntos debatemos a possibilidade de abrir uma trilha num matagal com mais de 1 quilômetro de extensão com uma dessas roçadeiras que vemos por aí. Esse amigo disse achar impossível, seria algo inglório, pois era muito mato, levaríamos muito tempo para abrir uma trilha com umas simples roçadeira e poucas pessoas, desaconselhou veemente e achou que não havia outra opção a não ser enfrentar a fúria dos carros na marginal e aceitar a situação.

Dias depois alugamos esse roçador, juntamos meia dúzia de ciclistas, nos revezamos e em um dia conseguimos abrir a nossa picada. O mais maluco foi passar alguns dias depois no mesmo local e já verificar rastros de pneus de bicicleta no local. Quando publicamos as fotos da nossa ação na lista da Bicicletada, esse amigo que nos desaconselhou a fazer escreveu a seguinte mensagem:

“Não sabendo que era impossível, foi lá e fez…”

Essa frase é atribuída a Jean Cocteau, mas sendo ou não dele, o que importa é que ela cairia muito bem aos nossos bravos Desafiantes que percorreram no dia 10 de março de 2013 a Estrada dos Romeiros pelo terceiro treino dominical que fez parte do 3º DBM. Galera, vocês não tem a noção do quão épico foi vencer esse roteiro pedalando, se pesquisarem na internet sobre pedal na estrada dos romeiros e houver qualquer classificação do trajeto, todos vão dizer que a Estrada dos Romeiros não é para iniciante, que o nível de dificuldade é de médio para “hard”, pesado.

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Até mesmo os Desafiantes que chegaram as 14h00 em Itu, se tivessem percorrido esse trajeto na primeira semana de Desafio, com certeza teriam enormes dificuldades. Já percorri esse trajeto dezenas de vezes e numa delas eu cheguei ao final da estrada combalido, tinha que pedalar até Salto, mas não consegui, foi a única vez que achei que poderia ter um grave problema de saúde depois de um pedal. Cheguei vomitando ao final da estrada, estava fraco e sequer tinha forças para pedalar mais 7 quilômetros até a cidade de Salto, por sorte achei uns chalés ali perto e acabei dormindo num deles para poder me recuperar e retornar no dia seguinte.

Claro que sabia que vocês conseguiriam chegar, estava a todo momento monitorando o pessoal, principalmente a galera lá do fundão, mas é emocionante demais saber também que não foi apenas um pedal superado, cada ciclista que chegou em Itu teve suas vitórias particulares, venceram seus medos, lutaram contra a desconfiança de muitas pessoas que elas amam mas que não acreditaram na sua capacidade. Sei o quanto é difícil ouvir de pessoas que amamos que nossas opções são absurdas, que não iremos conseguir. Pessoas que gostaríamos de ouvir um apoio mas que acabam jogando contra, quando duvidaram da capacidade de vocês.

Quem fala que sou um cara forte está tremendamente enganado, todos nós somos fortes como também todos nós somos fracos. Comparo a força com a alegria, todo mundo a busca, mas alegria é um estado temporário, faz até bem para nós termos nossos momentos de tristeza, melancolia, são esses momentos que nos fazem crescer na busca das soluções.

Com a força é a mesma coisa, nem sempre somos fortes, infelizmente algumas pessoas acabaram desistindo do Desafio pela falta dessa força nos momentos mais críticos que o Desafio lhes impôs mas em nenhum momento dissemos que ele seria fácil. Aliás aqueles que entraram para o Desafio achando que seria um simples passeio, que nos momentos de dificuldades alguém faria esforço por você quebrou a cara. Muito mais do que ensinar e preparar esse pessoal para pedalar, sempre digo que o DBM será muito útil para os Desafios que você irá encontrar em sua vida, mesmo longe da bicicleta.

Independência, aprender com quem podemos contar, até onde podemos ir, descobrir nosso ritmo e limites, trabalhar para superá-los, tudo isso são lições que tentamos passar no Desafio. E quem encara que desistir não é opção são os que mais colhem frutos, tanto no Desafio como na vida, quando as pessoas ao nosso redor percebem o quanto nos empenhamos para fazer algo acontecer, naturalmente começamos a receber ajuda, qualquer cicloturista sabe muito bem o que quero dizer. Todo cicloturista acaba sentindo essa valorização quando esta na estrada, basta ler meu livro para saber quantas foram as pessoas que me ajudaram durante minhas viagens, ajudas que recebi de pessoas desconhecidas que valorizaram meu empenho e esforço, valorização que nem sempre recebia das pessoas que eu amo. Com vocês não é diferente, por mais que algumas pessoas que amamos não nos valorizem, sempre haverá aquele estranho que verá, valorizará seu esforço e não medirá esforços para te ajudar, até porque só o fato de ver sua dedicação acaba lhes dando força para superar as dificuldades que ele está passando no momento. Não tem nada de mais gostoso do que saber que somos fonte de inspiração a alguém.

Não disse a vocês o quão difícil seria esse treino pois sei o quanto a cabeça pode jogar contra num momento como esse, principalmente nessa reta final do Desafio. Desistir sempre será a opção mais fácil, voltar a vida rotineira que todos os Desafiantes (que entenderam o que é o Desafio) vivem questionando, fazer algo que traria conforto as pessoas ao nosso redor, a muitos amigos e familiares que claramente duvidaram da nossa capacidade e até apostaram contra nós. Desistir do Desafio é fácil pois pode parecer ser bom para muita gente ao nosso redor mas nunca será para quem desistiu.

Confesso que quando criei o Desafio, não imaginava que ele teria tanto poder de transformação como o que tenho visto até então e a cada edição do DBM eu me renovo ao receber toda a energia que exala dos “verdinhos” a cada etapa conquistada. Aos que desistiram, que essa derrota te deixe inquieto para que você não se deixe por vencer novamente, ou que pelo menos que não seja sem luta. As dificuldades são diferentes para cada um, mas a sua não é menor nem maior da que os demais. O meu conselho é que aceitem a desistência, absorvam o que aprenderam até então e que descubram onde erraram para saber onde se empenhar no próximo e que as dificuldades de vocês sejam superadas. Saibam que nesse grupo há pessoas em condições e histórias tão complicadas como as suas, mas que perseveraram e não se arrependeram, tem horas que devemos parar de nos lamentar, aceitar o momento de fraqueza e começar a buscar forças, pois ela está aí, só precisamos saber como trabalhá-la.

Para todos os Desafiantes que chegaram a Itu, o que vou dizer é fato, vocês já estão prontos e TODOS chegarão a praia no que depender de vocês. Alguns com mais dificuldades, outros nem tanto, mas todos chegarão e aqui vai meu conselho. Curtam os pedais daqui por diante, vocês já sabem qual seu ritmo e respeite-os, você não precisa pedalar no ritmo dos outros, pois isso pode ser o responsável por câimbras, problemas de saúde e forçar a desistência de alguém que já tem o condicionamento necessário para percorrer o trajeto. Aliás o que me fez passar mal na viagem que citei acima foi o desrespeito a esses limites, portanto trabalhe a cabeça para não apenas chegar, mas chegar bem a cada destino, se concentre no seu pedal e curta muito os últimos dias de DBM.

E nem acabou o 3º DBM e muitos já vieram me perguntar sobre o que fazer quando acabar. Galera, eu preciso descansar e seguir com outros projetos, até tenho algumas Cicloviagens agendadas e qualquer pessoa que vencer o Desafio tem condições de participar delas, tanto da Graciosa como a Serra do Rio do Rastro. Mas vocês já estão prontos, depois do DBM vocês podem se aventurar por aí por conta própria, os amigos que vocês fizeram aqui serão a companhia de vocês nos próximos pedais só ficará em casa no próximo domingão quem assim quiser.

Os casais que venceram o Desafio já podem começar a planejar uma Cicloviagem juntos nas próximas férias, dos 30 dias de viagens tradicionais, porque não reservar uns 10 dias para uma Cicloviagem? Já pensou em pedalar nas praias do Nordeste com seu amor? Um roteiro nas Serras Gaúchas? Um pedal nos Andes pela América do Sul? Tem o Circuito Vale Europeu em Santa Catarina, dezenas de rotas de peregrinação pelo Brasil que são maravilhosas para serem feitas de bicicleta, opções não faltam e acredito que num futuro próximo, 30 dias de férias pedalando por aí serão poucos. Portanto o que mais quero ver são fotos e relatos de diferentes lugares do Brasil e do Mundo pedalados pelos verdinhos do DBM.

Pelo menos até o próximo DBM, pois quando estiver rolando o 4º Desafio Bicicletas ao Mar quero reencontrar diversos verdinhos, agora na categoria Master, ajudando novos verdinhos a vencerem seus desafios. Não imaginam o orgulho que eu tenho ao ver ex Desafiantes como a Lívia  o Ricardo, o Nadaleto, o Luisão, que “adotaram” uns verdinhos e estão aí ajudando-os a chegarem lá. Isso é o Desafio, essa é a sua magia, só quem está de fora para imaginar que o Desafio se resume a uma invenção para arrancar dinheiro de ciclistas inexperientes, tem que ser muito pequeno para diminuir algo tão bonito e empolgante da realidade do Desafio Bicicletas ao Mar.

O Desafio nasceu de graça e a necessidade de cobrança partiu por iniciativa dos próprios participantes e só me arrependo de não dar ainda melhores condições a vocês pela falta de grana, mas o Desafio vem evoluindo e muito em breve o dinheiro literalmente não será problema e a cada edição ele estará maior e com mais novidades.

Quando chegamos a Itu encontrei dois ciclistas da cidade que estavam retornando de um pedal pela região. Disseram que encontraram vários verdinhos no portal as 14h00 e acharam legal ver um bom grupo organizado ali. Depois seguiram pedalando e não parava de passar por “verdinhos”, os deixando ainda mais impressionados, isso sem falar os vários carros que me abordaram no trajeto para querer saber o que era aquilo. É uma corrida? Um passeio? Como posso participar? Não tem como algo feito com tanta dedicação e carinho não ser um sucesso, mesmo com tantas adversidades.

Mais uma vez parabéns a todos, como fiquei feliz por encontrá-los em Itu se esbaldando no Bar do Alemão, muitos já voltando para casa, caras destruídas fisicamente mas TODAS com um enorme sorriso estampado, as vezes tenho até vontade de voltar no tempo e reviver momentos como esses que um dia também vivi. Falta muito pouco para vencerem o Desafio e após o dia 24, duvido que a bicicleta saia da vida de algum dos desafiantes novamente e aqueles que desistiram, espero revê-los novamente e ainda mais preparados, principalmente com a cabeça focada em vencer o Desafio, de encará-lo como algo que irá mudar de vez sua vida. Um bom planejamento pessoal junto com muita dedicação é o segredo para fazer parte desse feliz grupo de desafiantes que chegaram a praia.

Semana que vem mais um lindo e puxado Desafio, a Estrada dos Vinhos em São Roque. Amanhã pretendo divulgar o trajeto e a planilha para vocês estudarem o percurso com cuidado e atenção. O trajeto terá muitas bifurcações, quebradinhas, trechos em terra, a atenção a sinalização e o estudo da planilha serão mais que fundamentais, mas garanto que será recompensador. Essa é uma rota totalmente nova, a desbravamos no final do ano passado e poucas foram as pessoas que já percorreram, portanto vocês também serão desbravadores de uma das rotas cicloturísticas mais bonitas que já pedalei no entorno de São Paulo, na minha opinião é ainda mais bela que a Rota Márcia Prado.

Pra encerrar, não pensem que não irei dizer nada em relação aquela barbaridade ocorrida na Paulista no domingo de manhã, não quero misturar as estações, não será um inconsequente que vai apagar ou diminuir a conquista de vocês. Duvido que esse “moleque” (com todas as letras) tenha saído de casa com a intenção de matar alguém, mas a merda ocorreu e agora a sociedade tem que discutir o que fazer, eu já tenho minha opinião e deixarei ela clara num post só para esse fim, algo que definitivamente não é o momento.

André Pasqualini

Treino para Paranapiacaba do DBM

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No dia 03 de março de 2013 faremos o segundo treino do 3º Desafio Bicicletas ao Mar, dessa vez iremos até Paranapiacaba, partindo da Estação Mauá da CPTM. Você ciclista Desafiante ou Master leia com atenção as informações abaixo:

Local da saída: Bicicletário da Estação Mauá da CPTM
Horário: 8h00

Como chegar a Estação Mauá?

A estação Mauá faz parte da Linha 10 (Turquesa) da CPTM que faz integração com as linhas Verdes e Vermelha do Metro. O site do Metro informa que o tempo estimado de deslocamento para quem embarca da estação Jabaquara é de 1 hora até Mauá, fazendo baldeação em Ana Rosa para a linha Verde e depois em Tamanduateí para a linha 10 da CPTM. Clique aqui para ver detalhes do trajeto de trem e metro e para fazer a sua simulação.

Ao sair da estação, procure o Bicicletário que fica ao lado da estação, lá a partir das 8h00 da manhã vocês serão recebidos com um café da manhã. Bem, eu levarei uns 4 baguetões e alguns sucos, mas peço a gentileza de cada um levar alguma coisa, serve um bolinho, um suco, qualquer coisa. O que sobrar colocaremos dentro do carro de apoio e comeremos num piquenique em Paranapiacaba.

Ficaremos até as 9h00 no espaço onde vocês conhecerão o impressionante Bicicletário de Mauá, simplesmente o maior da América Latina que surgiu de forma mais que inusitada e nobre. Esse bicicletário só existe porque o ferroviário Adilson Alcantara, na época chefe da estação de Mauá teve a seguinte incumbência, acabar com aquele monte de bicicletas presas ao redor da estação. Sim, ele era a pessoa responsável por dar um fim, não importa qual, naquelas bicicletas.

Como solução ele usou um espaço ao lado da estação e começou a pedir para os ciclistas deixarem as bicicletas ali. Devido a necessidade de uma melhor organização do espaço, Adilson reuniu os ciclistas resolveram criar a Associação Ascobike e cobrando uma taxa de R$15,00 (atualmente) o ciclista tem o direito de deixar a bicicleta estacionada no local e com esse dinheiro ele conseguiu montar uma infraestrutura que deu melhor apoio ao ciclista. Detalhe é que o Bicicletário funciona 24 horas.

Esse processo se iniciou em 2001, hoje o espaço tem 2 mil vagas, uma bicicletaria comunitária e ainda presta uma série de serviços sociais aos associados. Vale muito a penas vocês conferirem, da boca dele, um pouco mais da história do Bicicletário. Aliás esse bicicletário e o projeto iniciado pelo Adilson é mais conhecido lá fora do que no Brasil. Cicloativismo é algo que o Adilson faz, o resto é poser.

Depois que vocês conhecerem o Bicicletário, será o momento de encararmos as ruas, vocês seguirão as setas e começarão efetivamente o treino. O trajeto da Estação Mauá até Paranapiacaba é uma reta só, mas para dar um pouco mais de emoção, vamos guiar o ciclista por um trajeto em terra saindo a 8 quilômetros da cidade.

Estude o trajeto e baixe o arquivo .GPX para o seu GPS no link abaixo. Se você baixou o link antigo, ignore pois ele sofreu alterações significativas.

http://www.bikely.com/maps/bike-path/3dbmtreino-paranapiacaba

Preste muita atenção no trajeto, principalmente no trecho em terra, se numa bifurcação você não encontrar uma placa, volte até a última sinalização e aguarde a chegada de algum guia. Se você estiver com pneu muito fino e não quiser arriscar, no 7,5 km, haverá uma placa pedindo para você virar a direita. Se o ciclista seguir em frente e se orientar pelas sinalizações para Paranapiacaba, você chegará à cidade sem maiores problemas e só por asfalto. Agora se estiver a fim de aventura, vire a direita.

Serão cerca de 35 quilômetros até chegarmos em Paranapiacaba, na cidade não haverá um ponto de encontro, como deveremos chegar relativamente cedo, até umas 13h00, os ciclistas estarão livres para fazer o que quiserem na pequena cidade, mas não será difícil encontramos nossos verdinhos e amarelinhos por lá. Já as 17h30 iremos nos reunir na saída da cidade e iniciaremos nosso retorno, serão 13 quilômetros até a estação Rio Grande da Serra onde faremos nosso retorno de trem para São Paulo.

Dúvidas perguntem e aguardem até sábado, no começo da noite, para baixar o trajeto exato.

André Pasqualini

Treino do 3º DBM, Parte 1: Os verdinhos turbinados

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Nenhum evento que eu irei organizar em toda minha vida será perfeito, por mais que 99.99% do que eu tenha planejado se confirme, sempre haverá algumas falhas, algumas claras e perceptíveis, já outras que só serão vistas pelos meus olhos e nem serão consideradas falhas pelos demais.

Organizar o DBM é um desafio monumental e o principal motivo é que não existe nada paralelo que eu possa me basear. Organizar uma corrida de rua, uma corrida de aventura, um rally, há centenas de fontes de informações e até profissionais especializados, agora o que não encontrei em nenhum lugar do mundo uma proposta de treinar ao mesmo tempo, centenas de pessoas inexperientes durante mais de um mês, para que elas se condicionem e consigam vencer pedalando uma longa e difícil distância.

Conversei com alguns organizadores de grandes eventos e todos foram unânimes em me chamar de maluco, ainda mais pelo preço que estava cobrando. Para se ter uma ideia, o Big Biker cobra um preço médio de 110 reais por etapa e olha que eles tem vários patrocinadores e apoiadores. Já nós no DBM sequer fomos atrás dos patrocinadores, pois sabendo se tratar de algo inovador, preferimos organizar algo com um número limitado de pessoas pois ainda estamos na busca de um formato ideal que possa atender o máximo de pessoas ao mesmo tempo. Apesar de ser meu trabalho e dentro do Kit incluir uma parte que irá garantir o leite das crianças, (quantia que sequer tenho noção de quanto será e se existirá ao final do DBM), ao determinar o preço dos Kits, tentei chegar num valor que cobrisse a série de gastos que previ e que não impossibilitasse as pessoas com menos possibilidades de participar. Nem preciso dizer que já começaram a surgir gastos que não previ.

Toda essa introdução é para dizer que o Desafio Bicicletas ao Mar, desde sua primeira edição, vem sendo construído a cada etapa não apenas por mim, mas por todos os participantes e com o único objetivo de atender um número cada vez maior de pessoas de forma efetiva, portanto todos os participantes desse Desafio fazem parte dessa construção permanente.

O primeiro Desafio nada foi cobrado, no começo eram apenas treinos de domingo nos quais eu ia guiando os ciclistas, mas éramos grupos de no máximo 15 pessoas. Ainda no primeiro Desafio surgiram os treinos noturnos, o que ajudou a acelerar esse ganho de condicionamento. No segundo DBM os treinos noturnos, quando bombavam, éramos cerca de trinta ciclistas, mas os de domingo, logo no primeiro foram oitenta. Fomos num único pelotão e merdas começaram a acontecer, por causa disso surgiu a ideia de planilhar os roteiros. Dessa forma bastava um ciclista zerar seu velocímetro e com uma planilha em mãos iam se auto-guiando, formando diversos grupos com ritmos diferentes. A não necessidade de seguirmos num único pelotão viabilizou os treinos dominicais do Desafio.

Para o 3º DBM, a principal inovação foi a sinalização do trajeto de todos os treinos dominicais com placas, mas o primeiro contratempo surgiu quando demos início a sinalização no sábado de manhã. Estávamos de carro, paramos na Praça Panamericana e ficamos imaginando como parar o carro na Pedroso de Morais e fazer uma sinalização junto ao canteiro central. Foi quando decidimos na hora que começaríamos a sinalização as 4h00 da manhã de domingo, de bicicleta e com um carro nos dando apoio para carregar quilos de placas e abraçadeiras.

Sabia que haveria grandes chances do pessoal do primeiro pelotão me encontrar no caminho ainda sinalizando, até porque seria nossa primeira sinalização e não tinha a exata noção do tempo que gastaríamos para sinalizar a rota inteira, portanto eu torcia para que os encontrasse apenas na Ciclovia da Radial Leste, o trecho mais longo e fácil de sinalizar.

Sabia também que até a Ciclovia da Radial haveriam vários cruzamentos e quebradas com uma necessidade maior de placas, mesmo com tantas possibilidades de dar merda, as 4h00 da manhã lá estávamos nós saindo para a sinalização.

Estava até que correndo bem, mas quando eu vi uma massa de verdinhos descendo a Rangel Pestana antes das 10h00 da manhã entrei em pânico. Ainda os verdinhos, os ditos “Desafiantes” que haviam saído as 8h00 da manhã da Vila Olímpia! Como imaginar ter tantos verdinhos turbinados no nosso grupo? O lado bom de tudo isso é saber que não será tão difícil termos um alto índice de Desafiantes chegando a praia, mas ficou claro que essa não é a melhor forma de fazermos a sinalização.

Poderia fazer isso durante a semana, mas correríamos um enorme risco de termos as placas vandalizadas e na pior das hipóteses, vandalizadas por pessoas de má fé, alterando os sentidos das placas e guiando os ciclistas para fora da rota, portanto a sinalização deve ocorrer o mais próximo possível da data do treino. Sobre a sinalização eu recebi diversas manifestações distintas, muitos me ligaram dizendo que as placas haviam “sumido”, que estava mal sinalizado e que estavam perdidos, em compensação foram vários os ciclistas que me elogiaram dizendo que a sinalização estava perfeita e intuitiva, mas quem tá certo? Ninguém e vou explicar por que.

Eu errei, sei exatamente aonde e irei trabalhar para corrigir meus erros no próximo treino, mas muitos dos que se perderam sequer se deram ao trabalho de ler o Briefing que enviei a todos os participantes na sexta feira, com detalhes do trajeto. Uma amiga minha (ciclista Master), me ligou dizendo que estavam em “Itaquera” com um grupo e que não haviam visto mais placas. Se ela ou alguém do seu grupo tivesse perdido 10 minutos para ler o email que mandei no sexta a todos os participantes, ninguém teria se perdido, vejam abaixo um trecho desse email.

(…) Depois do Largo da Concórdia, você seguirá por ruas de bairro até o Metro Tatuapé, ao chegar ao Metro, acesse a estação como se fosse entrar no Metro e acesse a Ciclovia da Radial Leste. Tentarei colocar uma sinalização dentro do Metro, mas se não for possível, se informe com os funcionários sobre como acessar a Ciclovia.

Siga por ela até a Estação Artur Alvim e lá novamente faça a travessia por dentro do metro. Novamente tentarei colocar a sinalização lá dentro(…)

Esse é um problema, algumas pessoas ainda não entenderam o real intuito do DBM e principalmente a filosofia que eu adoto e procuro passar a todos. O DBM é um treino para tornar vocês cicloturistas e um cicloturista não pode ser dependente de ninguém, apenas dele e de sua bicicleta. Quanto mais dependente o ciclista for, maiores são as possibilidades de problemas ocorrerem. Um Cicloturista tem que se preparar para uma viagem, estudar o roteiro e estar preparado para os contratempos, isso deve ser uma regra pessoal.

Se quiserem fazer uma viagem cicloturística, com todo apoio do mundo, também vendo esse serviço, tá lá no meu blog. Mas as condições e os preços são outros, nas expedições cicloturísticas que organizo, se for preciso eu até puxo o ciclista numa cordinha por toda Serra do Rio do Rastro. Mas o DBM não é uma expedição cicloturística, é um evento que tem como objetivo mudar a vida de vocês, os tornarem mais independentes, confiantes e elevar a auto-estima de vocês. Qualquer ciclista que venceu os Desafios anteriores, se quiserem podem pegar a bicicleta sozinhos e cair na estrada, da mesma forma que eu fiz durante o Projeto Biomas.

No DBM criamos uma grande estrutura que irá ajudá-lo nesse sentido, mapeamos e sinalizamos roteiros com antecedência e dispomos de uma infraestrutura cara para facilitar a vida do ciclista, mas quem tem que vencer o Desafio “É VOCÊ”! Por mais que a gente se esforce, não conseguiremos fazer com que você vença o Desafio se o esforço maior não for o seu. Se infelizmente você vê o DBM como uma simples relação de consumo, onde você paga e só por isso temos que “servi-lo” e de preferência de forma diferenciada, sinto dizer que você vai sair ainda mais decepcionado.

Eu sabia que seriam muitos os que iriam se perder, mas isso também foi calculado. Teve um ciclista que me ligou dizendo que estava na Rua Clélia e não havia mais placas. Então eu disse para ele ir para a Rua Faustolo que a rota lá estava. Depois o mesmo ciclista me encontrou no Parque Ecológico e disse que a causa do erro foi que o pessoal simplesmente seguiu a massa, daí os ponteiros erraram e levaram todos para o mesmo caminho. Depois que passaram a prestar mais atenção as placas não se perderam mais. Aí que mora o problema, aqueles que vieram de forma independente, que estudaram o trajeto e foram prestando atenção na sinalização chegaram sem problemas e elogiando a sinalização. Esses ciclistas são melhores daqueles que se perderam? Obviamente não, apenas compreenderam o espírito do DBM e fizeram aquilo que pedimos desde o início. Ou mesmo leram o que foi escrito, acredito que esses ciclistas leram inclusive o termo de responsabilidade, algo que a maioria assinou sem sequer ler. Mal sabem ele que desde o dia 17 sou dono de todos os bens dessa galera… :p

Lembro da primeira vez que percorri o Caminho da Fé, no primeiro dia de viagem nos perdemos 3 vezes, no segundo dia quando chegamos a Águas da Prata, (e nos perdemos mais uma vez), onde fica a sede da Associação dos Peregrinos do Caminho da Fé, responsável pela sinalização da rota, desci a lenha na Iracema, uma das Diretoras da Associação, criticando o trabalho dela dizendo que estava mal sinalizada e com toda a paciência do mundo ela me ouviu e concordou comigo. Juro, que se fosse eu no lugar dela, EU teria ME mandado a merda!

Primeiro porque o Caminho da Fé foi feito para caminhantes, com o objetivo de os levarem em peregrinação até Aparecida do Norte, portanto a sinalização não foi feita pensada nos ciclistas, aliás os organizadores do Caminho da Fé sequer tinham bicicleta e quando bolaram o Caminho mal sabiam que ele seria invadido por ciclistas. Por exemplo, nas situações onde o ciclista tinha que fazer uma conversão no meio de uma descida, quase 100% dos ciclistas iam direto, pois não viam a sinalização porque estavam preocupados com as pedras do chão. Aí depois de um erro, ao invés de tentar corrigi-lo só pioravam as coisas (eu também agia assim). Quando percebiam que não havia sinalização, ao invés de voltar até a última placa para descobrir onde erraram, continuavam seguindo em frente na esperança de que brotasse uma placa do nada.

Não existe um caminho que “você acha que é o correto”, só existe “o caminho correto” e na maioria das vezes que alguém acha algo (isso na vida também), essa pessoa está errada. A partir do terceiro dia de Caminho da Fé já conseguíamos avistar uma placa a um quilômetro de distância e não nos perdemos mais. Depois que cheguei a São Paulo via setas amarelas pintadas em postes de tão condicionado que eu estava. Se quiser ver o vídeo dessa viagem que fiz em 2005 clique aqui.

Os primeiros treinos do DBM são urbanos por esse motivo, é melhor se perder na Lapa do que numa estrada indo para Itu ou São Roque. Tenho certeza absoluta que nos próximos treinos vocês verão as placas com muito mais facilidade. A placa não é pequena demais, ela tem o tamanho ideal para o ciclista e principalmente, está dentro das possibilidades do DBM, pois não tem a menor condição de fazer uma placa de 1 metro quadrado como as de carro, se eu tivesse que fazer assim teria que cobrar umas 3 vezes mais o valor do Kit.

Mesmo assim muita coisa vai mudar, como agora tenho todos os treinos bem definidos, irei planilhar todos os roteiros para disponibilizar no blog e no nosso grupo do Desafio, assim qualquer um poderá baixar e imprimí-lo, mesmo assim não serão todos a fazê-lo, principalmente essa minha amiga que se perdeu. Mas essa é exceção, ela é uma pessoa iluminada que fica feliz até quando se perde, quando leva um capote, quem dera todos os Desafiantes fossem como ela, o MUNDO seria mais fácil e mais gostoso de se viver.

Mas com a planilha e um velocímetro, o ciclista pode chegar ao destino mesmo sem a sinalização, agora com duas ferramentas para poder vencer os treinos sem a ajuda de ninguém. O Desafio é isso galera, vocês tem que percorrê-lo usando o mínimo da nossa estrutura, guias, carros de apoio, estão ali para ajudar quando as merdas ocorrerem, é como a Ambulância, gastei uma puta grana para ela só ficar queimando diesel pela cidade já que ela não foi acionada. Mas não considero um dinheiro jogado fora e ela estará presente em todos os treinos e espero firmemente que continue lá só passeando conosco, sem a necessidade de usá-la, pois tenho certeza que nenhum inscrito está a fim de conhecê-la por dentro, ou está?

No próximo treino começarei a sinalizar os roteiros as 22h00 da noite de sábado e de carro, assim de manhã estarei na saída com vocês. Minha mente pode até estar na cama, mas pelo menos meu corpo se fará presente, eu prometo. Os próximos treinos serão mais fáceis de sinalizar, há alguns trechos de quebradas, onde temos que colocar várias placas, mas há algumas avenidas onde não requerem tantas sinalizações, além de longos trechos de Ciclovias e Ciclofaixas. Tenho certeza que com a prática ficaremos mais ágeis e precisos até o final do Desafio, como vocês podem observar na imagem abaixo.

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Comecei a escrever esse post sem abrir Facebook ou ler meus emails, quis escrever esse texto com antecedência para não me deixar influenciar pelos comentários, sejam negativos ou positivos que, com certeza, devem estar inundando minha caixa de mensagens e bombando de comentários no nosso grupo do Facebook, mas deixa o pessoal se matar para depois eu me manifestar.

Reforçando o que já disse anteriormente, eu também mereço ser enquadrado na categoria “Desafiante”, e tenho certeza que me sentiria mais confortável se eu pudesse de trocar de condições com vocês. Confortável sim, mas muito longe de ser meu desejo, desde o início sabia do tamanho da minha responsabilidade e podem ter certeza que não chutarei o balde, pelo contrário, irei pedalar junto com vocês até o dia 24 de março.

Só um maluco para juntar quase 200 ciclistas, sendo mais da metade iniciantes, ainda com alguns handbikes, para tentar levá-los à praia. Mas quem me conhece sabe que eu não sou nada normal mesmo, em toda minha vida sempre busquei grandes desafios e esse é só mais um que tenho certeza que superarei. Sei que jamais irei agradar todo mundo, mas é foi enormemente gratificante ver dezenas de ciclistas emocionados chegando na estação São Miguel no último domingo. Pensar que a maioria deles, meses atrás, sequer se imaginavam capazes de tal façanha.

Parabéns a todos que completaram o primeiro treino, estou realmente muito feliz por vocês, mais confiante do que estava dias atrás e ainda mais motivado para continuar me dedicando tanto ao Desafio. Mesmo por aqueles que desistiram no meio do caminho, sei que foram poucos mas para todos o treino foi uma vitória, só peço que continuem insistindo pois daqui a uma semana vocês estarão bem melhores. Será importante tentar participar do máximo de treinos e deixar para avaliar no dia se farão ou não o Desafio.

Não posso deixar de agradecer a todos os Guias que tanto me ajudaram nesse primeiro treino, é bom que todos saibam que a maioria dos Guias são ciclistas que venceram os desafios anteriores e que estão trabalhando de graça nesse Desafio. De graça não, estão recebendo sim, estão recebendo uma enorme satisfação de ver vocês chegando ao final de cada treino e satisfação por poder fazer parte dessa enorme façanha em suas vidas. Meu enorme agradecimento a todos eles, sei que mesmo quando chegar o dia que terei condições de remunerá-los, ainda acho que eles vão preferir a época que a única motivação era a de poder fazer parte de tudo isso.

Nessa terça preparei um trajeto bacana para vocês, teremos as primeiras subidas, nada perto do que irão encarar até o dia 24, mas está chegando a hora de colhermos os frutos dos primeiros treinos mais moderados da primeira semana. Domingo que vem teremos um trajeto mais curto, mas com as primeiras subidas de verdade, divulgarei detalhes no próximo post.

Agora é encarar a chuva de emails e tentar responder a todos, com a máxima educação e paciência que eu “não” tenho, hehe. Bora para meu próximo Desafio, alguém quer trocar comigo?

André Pasqualini