Estrada dos Diamantes – Quinta parte

11º. Dia – Sta Bárbara/Caraça 27km

Acordamos cedo, saímos da cidade pelo atalho da Estrada Real (vale muito a pena, corta um longo trecho de vias expressas pela city) e seguimos para o Caraça, uma RPPN, Reserva Particular do Patrimônio Natural. O pedal até a portaria é tranqüilo e maravilhoso. Alguns speedeiros treinam lá, e um deles nos acompanhou até o santuário.

Após a portaria são 11km até a sede. Estávamos preparadas psicologicamente para 11km de SUBIDÃO, pois todos haviam comentado… Bom, em resumo, a subida é bem tranqüila e existem 5 lances bem puxados, mas a verdade é que naquele momento nada mais nos aterrorizava, subimos de boa! O visual nos distraiu a Kika até viu macacos atravessando a pista! Chegamos lá felizes.

Começo da subida do Caraça

Ao avistar a igreja e os prédios do Caraça em meio à mata nativa primária, cercada por montanhas rochosas típicas da Serra do Espinhaço, ficamos emocionadas diante de tanta beleza e suntuosidade. Para mim se trata primeiramente de um santuário ecológico, depois religioso. Conseguimos reservar para dormir uma noite e como é pensão completa que funciona assim: você almoça, janta e toma café dia seguinte.

Assim sendo, colocamos nossas coisas no nosso quarto (tudo em prédios do séc XVII), e subimos ao refeitório para nos esbaldar em comida mineira direto do forno à lenha (e eu engordando…).

Para nossa surpresa e felicidade lá encontramos uma amiga cicloturista de São José dos Campos, a Fabi, por sinal, que estava lá a passeio com o namorado (é programa ótimo a dois). No Caraça existem muitas trilhas que levam a cachoeiras, grutas, igrejinhas e mirantes para se fazer, a sinalização é farta mas não pode fazer de bici… Não dá para ser perfeito!

Vista da igreja do Santuário do Mirante

O atrativo MOR que faz a alegria da criançada, é a presença de lobos Guarás que vêm comer o banquete que os padres colocam na frente da porta da igreja a noite… É realmente impressionante vê-los assim de perto!! Lembrei que tivemos que ficar plantados um tempinho até os lobos resolverem aparecer (tem dia que eles não aparecem simplesmente, imagina a frustração da criançada) e tava MUITO frio.

Lobos Guarás (mãe e filho) atacando o banquete

Acomodação no Caraça – É necessário fazer reserva muito antecipada no Caraça… Demos sorte de conseguir o quarto (65 para cada com pensão completa), pois a amiga que encontramos havia reservado em outubro do ano passado! http://www.santuariodocaraca.com.br

12º. Dia – Caraça/Sta Bárbara 27km

De madrugada a temperatura chegou a abaixo de zero e pela manhã estava 1 grau. Vixe! O café da manhã no Santuário é outra particularidade: sobre um enorme fogão à lenha, cada um faz seu café na chapa: desde ovo frito, pães, pães-de-queijo até banana assada… É extremamente gostoso, divertido e interativo.

De novo a criançada se divertindo! O sol brilhou forte (como em toda viagem ainda bem) e caminhamos até a Cascatinha (que é enorme) e entrei no poço de cachoeira mais gelado de toda minha vida. Foi renovador e um pouco assustador também! Renascimento requer sacrifício! Hahaha

Pela tarde voltamos para Sta Bárbara… A descida do Caraça foi ADRENALINA PURA, bati meu recorde de velocidade, peguei 77km/h e um sorriso de 30 min estampado de pura felicidade! Nesse momento acreditei que os speedeiros pegam mais de 100km/h naquelas descidas! Vixi! Delícia!

13º. Dia – Sta Bárbara/Morro da Água quente 30km

Nesse dia saímos um pouco mais tarde pois o câmbio da Kika estava precisando de regulagem e então seguiu atrás de uma bicicletaria. Que vergonha de não sabermos regular um câmbio! Numa cicloviagem é fundamental! Mas trocar pneu eu sou craque, e ainda bem que não foi preciso.

O caminho saindo de Sta Bárbara é lindo. Vamos sempre tendo a vista do Caraça, e das feridas abertas pelas mineradoras. Pôxa é mesmo triste demais. Fora que todo dia, na hora do almoço, eles estouram os explosivos para retirar as rochas e TUDO treme a longuíssimas distâncias. Em toda região do Caraça escutamos os tremores de terra. Pensamos na fauna…

Bom, pouco antes de Catas Altas tem a ruína de um aqueduto maravilhoso… É cenário pronto para fotos maravilhosas, com o Caraça sempre atrás, claro!!

Aqueduto

Catas Altas é algo de MUITO ADORÁVEL, uma vista de babar. A igreja já lembrou as de Ouro preto pela suntuosidade e arquitetura, reflexo da quantidade de ouro que devem ter tirado dalí.

Conseguimos, pela PRIMEIRA VEZ entrar na igreja, e pasmem: é mais rica em termos artísticos que as de Ouro Preto e Mariana. Cada retábulo foi feito por um artista diferente, todos muito trabalhados. As igrejas da Estrada Real são verdadeiros museus de arte, vale à pena contratar um guia ou ficar de ouvido atento às explicações dos guias contratados por outras pessoas! Hehehe

Saímos  da cidade seguindo por estradas de terra que tangenciam as minerações, chegamos à Morro da Água Quente, adorável vilarejo com capelinha linda. Ficamos na única pousada da cidade: a Pousada das Nascentes. Para comer, também não tivemos opção: fomos ao único restaurante da cidade, o Restaurante do Pote, já na beira do asfalto. Self service (ainda não inventaram um termo eficiente em português para substituir ISSO) a 8 reais no forno à lenha = nos esbaldamos com a comida mineira deliciosa! Ai que gostoso que foi!

Catas Altas e o Caraça ao fundo

Acomodação em Morro da Água Quente: Pousada das Nascentes (31) 3832-5062. Lá é necessário negociar mesmo, e a Kika mandou bem.  O preço inicial do quarto era 140 reais e acabou virando 80 reais. Ficamos num chalezinho adorável com um riachinho passando na frente… BUCÓLICO!

Nosso chalezinho chique

Camila Doubek

Estrada dos Diamantes – Quarta parte

9º. Dia – Itambé do Mato Dentro/Nossa Sra. Do Carmo/Ipoema/Bom Jesus do Amparo 50km

Partimos e o progresso já nos encontrou: outra estrada preparada para o asfalto. A sorte é que era sábado e não havia máquinas na pista… Logo chegamos a Nossa Sra. Do Carmo, lugar que não nos inspirou muito. Partimos e 16km adiante, com bastante subida (aí já estávamos acostumadas com elas) chegamos a Ipoema. Essa cidade nos encantou… A pracinha com igrejinha, as pessoas tranquilas tomando suas cervejas nos deixou feliz e fizemos o mesmo…

Uma visão da poeira da Estrada dos Diamantes
Simpática igreja de Ipoema

Sentamos no restaurante Sabor da Terra, no canto da praça. Um restaurante inusitado onde as pessoas sentam em grandes mesas, e para ir ao banheiro passa-se pela cozinha e tudo assim num clima bem despojado, simples e gostoso. Tomamos nossa cervejinha, a Kika comeu um pastel de angu (eu comí um convencional) e entramos (gratuitamente) no museu do Tropeiro. Vale muito a pena a visita para entender quem eram eles, sua importância e seus objetos pessoais. Me impressionou, achei interessantíssimo!

O trecho final até Bom Jesus, embora a altimetria nos tranqüilizasse com um trecho sem muitas subidas, foi puxado. Bastante subida… O trecho foi de asfalto, o que facilitou nossa vida, confesso! Lá chegando encontramos o guia Fernando, que recepciona e orienta os cicloturistas (facebook Fernandoo Gonçalves). Eles nos levou à única pousada da cidade e à noite, depois de lavar roupas (rotina de todo dia, por sinal) e tomar 1 banho fomos comer uma pizza na Sabor e Cia.

Acomodação em Bom Jesus do Amparo – Pousada Real (31) 3833-1185 e 3833-1117. É a única opção na cidade. Pagamos 35 por pessoa com café da manhã. Beleza, mas como dia seguinte era domingo, a funcionária disse bem assim: “35 com café, mas como amanhã é domingo não tem café, eu to de folga.” Ahhhhh amiga, e você não tem uma folguista? Bom, ameaçamos procurar outro lugar (que não tinha), negociamos e conseguimos um belo dum café.

10º. Dia – Bom Jesus do Amparo/Cocais/Barão de Cocais/Sta Bárbara 45km

Saindo de Bom Jesus existe dois caminhos, o indicado na planilha da Estrada Real e o asfalto, bem mais perto. Fizemos um misto, e deu certo. De Bom Jesus a Cocais fomos seguindo os marcos, pegamos uma estrada erma linda! Atravessamos a BR duas vezes, mais foi bom pois não queríamos pedaladas junto aos carros…

Grupo de cavaleiros fazendo a Estrada dos Diamantes

Chegamos a Cocais, distrito de Barão de Cocais, um povoado antigo bem rústico, com uma igreja linda e fechada, claro. Comemos na única padaria da cidade, abastecemos as garrafinhas na bica e seguimos para Barão de Cocais, dessa vez por asfalto. O caminho por terra é 4km mais longo e com uma subida de 8km. A vista deve ser linda, mas decidimos o asfalto, que por ser domingo estava tranqüilo de movimento.

Chegando em Barão de Cocais, sentimos que se tratava de uma cidade grande com uma enorme indústria logo na entrada. Decidimos tocar para Sta Bárbara a 8km dali, menor e mais tranqüila. Seguimos por asfalto também, apesar de haver alternativa de terra seguindo os marcos.

Amamos Sta Bárbara, logo de cara paramos no Memorial Afonso Pena, muito bem produzido e organizado, que conta a história desse político natural de lá e um pouco do Santuário do Caraça, que já estávamos determinadas a ir. Paramos também nas igrejas da cidade e as apreciamos por fora, as usual. Nos hospedamos e almojantamos no Restaurante UAI, na principal avenida da cidade, por 8 reais. Comemos MUITO bem e fomos EXTREMAMENTE bem atendidas pela Cris e família.

Entrada do Memorial Afonso Pena

Acomodação em Santa Bárbara – Pousada Novo Milenio na Rua São Geraldo, 125 tel (31) 3832-1314, com o Sr. Raimundo, muito simpático que nos cobrou 20 reais (a mais barata da viagem) para cada uma de nós com direito a um delicioso café da manhã!!!!!

Camila Doubek

Estrada dos Diamantes – Terceira parte

6º. Dia – Conceição/Tabuleiro/Conceição 27km

Encaramos os 20km até o vilarejo do Tabuleiro para visitar a famosa cachoeira, terceira maior do Brasil em altura. Subimos sem os alforges, porém ainda estávamos muito cansada do pedal e stress do dia anterior, de modo que esses 20km com MUITA subida foram sofridos. Chegamos à vila, comemos um pão com ovo, encomendamos nosso almoço no bar da Cici e partimos em direção da portaria do parque.

Aí sim uma subida DESGRAMADA, tivemos que empurrar as bicis. Sem chance. Deixamos as bicis seguras na portaria do parque, pagamos 5 reais (cada)  e seguimos a pé pela trilha que leva à parte de baixo da cachu. A que leva à parte de cima demora horas e precisa de guia. Não tínhamos esse tempo todo! Assim descemos à corredeira e nos banhamos nos poços gelados e lindos… Voltamos à vila, comemos e fretamos a pampa do Gil para nos levar de volta à Conceição (facada – 60 reais, mas pagamos), já que estávamos quebradas e a volta teria bastante subida também.

Poço e cachoeira do Tabuleiro ao fundo

Existem alguns passeios imperdíveis naquela região. Vale à pena subir com as bagagens e passar uns dias no vilarejo. O contato de um guia para fazer tais passeios, inclusive ver a cachu do Tabuleiro por cima é o Lucas (31) 9683-9284.

7º. Dia – Conceição/Morro do Pilar 30km

Ah que alívio o pedal em estrada estreita com poucos carros e muito visual. É tudo que eu precisava. Pegamos água na sede de uma fazenda de 200 anos, coisa linda. Ainda por cima nos deram suco geladinho de limão capeta (conhecido também como limão cravo). Chegamos na cidade que é literalmente um morro! Muito pequena e bucólica. Fomos jantar no único lugar disponível da cidade, dentro da pousada São José (31) 8602-6159. Deliciosa comida farta por R$7,50 por pessoa (!!!).

Pausa para curtir o visual

Acomodação em Morro do Pilar – Hotel Monsenhor Matos, na subida da Rua principal. Bem simples. Nos pareceu que a pousada São José seria melhor, mas ficamos bem na Matos.

8º. Dia – Morro do Pilar/Itambé do Mato Dentro 35km

O caminho tem longas subidas, mas muito erma, do jeito que a gente gosta e o melhor: chega determinado ponto em que se tem quase 360 graus de uma vista DE CHORAR DE LINDA, ficamos quase uma hora apreciando tudo aquilo.

Dá para ver lá longe o cânion Bandeirinhas da Serra do Cipó! Ah é bonito demais. Um pouco antes desse ponto tem a gruta onde morava o Domingos, um ermitão que se afastou da sociedade e lá habitou por décadas.

Local onde o Domingos morava, com algumas inscrições rupestres

O importante é saber que por ser muito vazio de tudo, é necessário levar MUITA ÁGUA E COMIDA. Já a 10km de Itambé, a estrada tem MUITA AREIA, tivemos de empurrar por muitos trechos.

Chegamos em Itambé e já entramos na primeira pousada da cidade “Pensão Boa Esperança” ou algo assim. Como sempre comida boa e farta. A vista lá é para a pedra “Cabeça de Boi”, coisa linda. À noite fomos à festa junina (em julho) da escola da cidade. Muito bucólica, comemos todos os pratos típicos, apesar de termos almoçado momentos antes… No final das contas o pedal é puxado, mas eu engordei na viagem… hehehe.

Lavação diária de roupas
Mais uma deliciosa refeição

Acomodação em Itambé - “Pensão Boa Esperança” ou algo assim, onde fomos muito bem recebidas pela Dna Dirce e pela filha Luciana. Pagamos 40 reais cada por uma boa suíte. Sentimos falta do pão-de-queijo no café da manhã… Já estávamos mal acostumadas…

Camila Doubek


Estrada dos Diamantes – Segunda parte

4º. Dia – Diamantina/Milho Verde – 40km

Primeiro marco da estrada

Agora sim, pedal! Muita areia e costela de vaca, mas nada aterrorizante. Antes de chegar a São Gonçalo do Rio das Pedras, passamos por um povoado chamado VAU. De lá existe um atalho para São Gonçalo que vale a pena. Para começar atravessamos o Rio Jequitinhonha, lindo! Depois veio a forte subida, que, com alforges, foi impossível subir. Por não estar no roteiro da Estrada Real, uma moradora gentilmente nos levou até lá.


Ponte sobre o Rio Jequitinhonha, em Vau

Aliás nossa viagem se cercou de gentilezas. O povo mineiro da região é incrivelmente sorridente, solícito, gentil e calmo. Isso me encantou tanto quanto o visual inesquecível que veria pela frente. Passamos por São Gonçalo, cidadezinha encantadora, valeu à pena descer até o Rio onde uma mulher lavava roupas e outra os cachorros.

O solo dos centros históricos da região são formados pelos chamados “pés-de-moleque”, similar à Paraty. É UM SUPLÍCIO PEDALAR  NELE! Fiquei lembrando do paralelepípedo que tanto reclamava e que agora não reclamo mais! Mais alguns Km e chegamos à pacata Milho Verde.

Nos instalamos e decidimos aproveitar uma cachu, já que a vila é famosa por isso. Nos indicaram a mais próxima: a do moinho, a 1,5km dalí. Só não nos falaram é que 1km era de descida BRABA, sem descanso. Beleza. Curtimos a cachu maravilhosa, geladona e subimos para comer MUITO e dormir em paz.

Acomodação em Milho Verde – Ficamos na Dona Lourdes, que fica já na saída da cidade, em direção ao serro. A comida dela é muito famosa, as acomodações  simples, mas por estar vazia pegamos o melhor quarto e pagamos 30 reais cada uma por ele. Com café, sempre.

5º. Dia – Milho Verde/Conceição do Mato dentro 90km

Obras de asfaltamento

Logo no começo da estrada a surpresa desagradável: a estrada de terra sendo preparada para o asfaltamento. Tirei algumas fotos, pois os impactos à paisagem e ao meio ambiente são gritantes. É o progresso cobrindo a poeira da estrada… Para cicloturista é ruim, para a comunidade local talvez nem tanto. Foram 12km de terra e 10 de asfalto.

Chegando ao Serro, uma cidade com um lindo centro histórico, fomos direto procurar o tal do queijo, muito famoso. Acabamos degustando pedaços deliciosos na loja da Cachaça Velha Serrana, que produz o aguardente e o queijo em fazenda alí “pertin”. Comemos PACAS, ficamos até constrangidas, tentamos pagar pelo queijo que comemos mas a vendedora gentilmente não deixou.

Igreja com famosa escadaria no Serro

Saímos do Serro e pegamos a MG010, pulando a cidade Alvorada de Minas. Entramos para Itapanhoacanga – demorei para conseguir pronunciar. Todos dizem Itaponhacanga, é mais fácil! Almoçamos na Val (DELICIA de comida) e seguimos. Atravessamos um morro razoável e retornamos à MG010. A Estrada Real segue por outro caminho, mas decidimos abreviá-lo.

A MG010 é uma estrada larga, com algumas costelas de vaca, longas subidas e descidas de baixa inclinação, mas o problema é quando passam os carros levantando uma fina poeira avermelhada que impregnou TUDO, entrou no alforges e sujou tudo que não estava ensacado.

Tudo sob controle até passarmos, lá pelas 5 da tarde pela entrada de uma grande mineradora, cujos funcionários estavam saindo de seu turno de trabalho a caminho de Conceição, assim como a gente. Resultado: centenas (sério) de caminhonetes e ônibus passaram pela gente levantando aquela poeira. Com a chegada da noite oferecendo perigo a nós duas e rezando para ter as nossas luzinhas enxergadas em meio a tanta poeira, foi muito tenso.

Conceição foi a cidade que menos gostei. Com intenso movimento das caminhonetes Mitsubishi das mineradoras, cidade já grandinha, não muito bonita e que foge do padrão das cidades históricas que estávamos passando. Fica a dica: não pegue a MG010 direto até Conceição, apesar de ser tentador: indo pela Estrada Real o ciclista pega somente os 10km finais para chegar à Conceição. Claro que aos finais de semana o movimento deve ser infinitamente menor!

Caminhão levantando poeirão

Acomodação em Conceição – Devido a tal mineradora, não foi fácil encontrar vaga em pousadas. Por sorte encontramos a novíssima Pousada Ladeira da Santana (31) 9686-3040, pladeiradasantana@hotmail.com, onde o André nos tratou muito bem, nos permitindo lavar TUDO em seu pátio (que tem macaquinhos passando pelas árvores), bici, alforges, capacete, sapatilhas… A poeira da estrada impregnou tudo. Nós inclusive chegamos com a cara toda suja, foi um milagre ele ter nos recebido… Pagamos 45 reais.

Camila Doubek

Estrada dos Diamantes

Como bom amante do Cicloturismo, não deixarei de abrir espaço para a galera que está a fim de dividir suas experiências e ajudar divulgar novos roteiros. Por isso convidei a Camila Doubek a usar o blog para divulgar sua Cicloviagem pela Estrada dos Diamantes, trecho da Estrada Real em Minas Gerais, viagem realizada de 01 a 15 de julho de 2011, em parceria da sua amiga (minha também) Kika quem produziu as fotos.

Se você tem um roteiro bacana, mande um email para bicicreteiro@gmail.com que se for interessante publico no blog do Bicicreteiro com o maior prazer. O texto é longo, portanto vou dividir a etapa por dias e ir publicando no blog diariamente. Começando com a saída delas de São Paulo e o primeiro dia de pedal. (André Pasqualini)

Antes de iniciar o relato, segue algumas considerações:

- Fizemos a viagem a Kika e eu, minha super-companheira de cicloturismo, MTB, caminhada, roubadas e afins, essas coisas boas da vida.

- Passamos por alguns dilemas para escolher qual trecho faríamos, e estou feliz da vida de ter escolhido a Estrada dos Diamantes. É tida como a mais difícil, a mais erma. Encontramos 1 ciclista e um grupo de cavaleiros fazendo o caminho.

- Fizemos a viagem em julho. Pegamos todos os dias de sol com céu azul-anil… De dia calor suportável, pedalamos entre meio-dia e uma da tarde sem dramas. De chorar de lindo. No verão chove demais, e o que era um mundo de pó vira um de lama.

- Do site da Estrada Real baixamos e Imprimimos as altimetrias (usamos muito) e roteiro ponto a ponto (usamos pouco, mas foi importante).

1º. Dia –  São Paulo/BH/Diamantina

Saímos, pedalando, pois Congonhas fica a 5km da minha casa. Chegando lá o esperado CAOS de aeroporto, já que era começo de férias. O bom é que fomos muito bem atendidas pelos funcionários da GOL e pudemos embarcar as bicis sem precisar desmontá-las, somente colocamos plástico bolha sobre os câmbios. Já tive a experiência de despachar uma bike semi-desmontada num mala-bike e o resultado foi a coroa maior torta e o câmbio zoado. Fica a dica. No mala-bike os funcionários jogam as bicis, até por não saberem o que tem dentro, e montadas tomam maior cuidado.

Bicis prontas para o embarque

Chegando em BH fomos pedalando de Confins até a rodoviária da cidade. Esse foi nosso vacilo. O trecho de periferia de BH é de intenso, com alças MUITO perigosas para o ciclista. Entrando na cidade tivemos de pedalar nas calçadas, o que tornou nosso trecho MUITO demorado. Fica a dica: indo de avião à BH, pegue um ônibus até a rodoviária.

Lá chegando embarcamos para Diamantina, com a passagem já previamente comprada pela NET (48 reais, Viação Pássaro Verde). Na rodoviária fomos recepcionadas pelo nosso amigo Fernando Torres, belohorizontino que nos ajudou muito e orientou no começo e no final da viagem!

2º. e 3º dia – Diamantina

Diamantina é apaixonante, não há como não ficar por lá uns dias. Demos a maior sorte, pois estava acontecendo a Festa do Divino e à noite a Vesperata, ou serenata ao contrário: os músicos tocam das varandas e as pessoas assistem da rua, sentadas em mesas (tomando uma cervejinha). Foi emocionante demais. Tudo em Diamantina nos encantou, pena não termos conseguido entrar em nenhuma igreja, todas fechadas, como aconteceu na grande maioria das cidades.


Festa do Divino em Diamantina

De bici fomos ao Cruzeiro, que tem boa vista da cidade e da Serra do Espinhaço (que nos acompanhou toda viagem, ainda bem). De lá fomos à Biribiri, linda vila que abriga estamparia têxtil desativada, com restaurante que serve almoço a bom preço (10 reais) a  13km de Diamantina, com cachoeiras pelo caminho. Nadamos, naturalmente!

Almoço em Biribiri

Acomodação em Diamantina – Pousada Estalagem (38) 3531-1629, custou 55reais, chorando foi para 50. O Ricardo e a Carmem nos atenderam muito muito bem, e pousada é adorável com vista maravilhosa. O café da manhã é XOU!

Camila Doubek