Treino do 3º DBM, Parte 2 – Paranapiacaba, um verdadeiro Desafio aos Verdinhos

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Nosso destino a princípio seria o famoso Solo Sagrado da Guarapiranga, um trajeto mais curto que o do primeiro treino, mas com inclusão das subidas que até então estavam sumidas dos treinos. Como haveria o culto mensal no Solo Sagrado justamente no dia que planejamos o treino, resolvemos mudar nosso rumo e fomos para Paranapiacaba, um trajeto que incluiria muitos trechos de terra trazendo mais dificuldades aos ciclistas, o que valorizaria ainda mais o Desafio.

Corremos então para deixar tudo em ordem, no sábado fizemos a sinalização que percorreu as cidades de Mauá, Ribeirão Pires, Rio Grande da Serra e Paranapiacaba por esse trajeto, tudo no esquema, sinalizado e planilhado, lá fomos nós nos encontrar em Mauá, onde organizamos um café da manhã comunitário aos participantes e lá eles conheceram o maior Bicicletário das Américas.

foto02Foto de Anderson Nadaleto

Antes de sair tive a triste notícia de que todas as placas que colocamos no trecho urbano de Ribeirão Pires haviam sido retiradas. O alerta venho de um dos agentes de trânsito que receberam tal ordem. Ao ver um dos nossos ciclistas com a camiseta do Desafio no trem indo para Mauá ele nos alertou, disse que a ordem partiu do próprio Secretário de Transportes que mandou retirar as placas pois era um evento sem autorização deles.

Claro que eu não tinha expedido nenhum ofício para nenhuma das cidades por onde passaríamos e sabia dos riscos de algum gestor de algumas das cidades mandassem retirar as placas, mas imaginem só a complexidade que é mandar ofícios para todos tantos órgãos só para colocar uma placa que será retirada no dia seguinte? Só nesse evento seriam 4 cidades e mais o DER já que passaríamos pela Rodovia que vai para Paranapiacaba. Pior que só tive a autorização da CPTM as 10h00 da sexta feira, até então sequer poderia divulgar o trajeto. Sem falar no risco que eu sempre correrei de negarem a autorização, daí teria que colocar as placas numa cidade e não em outra, já que em nenhuma hipótese deixaria de promover o pedal já que segundo o art.58 do CTB, nós temos o direito de andar por qualquer via urbana do Brasil sem nenhuma autorização.

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Semana que vem o DBM vai passar novamente por 5 cidades e um trecho de rodovia que, em desrespeito a Lei Estadual 10.095 do Walter Feldman, não incluiu uma Ciclovia junto a rodovia na chegada de Itu, devido a isso terei que mandar os ciclistas acessarem a cidade pelo acostamento do sentido contrário pois é a forma mais segura de ser feita do que usar as alças de acesso e dividir espaço com os carros. Tudo isso só porque a bicicleta mais uma vez foi ignorada pelos gestores públicos. Aliás nem dá para dizer que trafegar pelo acostamento na contramão é uma infração, pois segundo o artigo do CTB citado acima, nenhum veículo motorizado pode trafegar no acostamento, apenas pedestres e ciclistas podem trafegar por ali e em nenhum momento há qualquer informação de que isso tenha que ser no mesmo sentido do fluxo dos carros. Mas até convencer um gestor público com má vontade prefiro não oficiar essas instituições para não correr o risco de algum administrador que não goste de bicicleta tente nos impedir de realizar o pedal.

No dia seguinte ao treino, depois de tentar entrar em contato com a Secretaria de Transportes de Ribeirão Pires, e constatar que o telefone informado no site não funcionava, acabei ligando para outros órgãos e descobri o fax da Secretaria, por sorte acabei falando direto com o Secretário, um tal de Souza (ele não quis me dar seu nome completo, por isso o “tal”).

Tá, eu errei sim ao não tentar contato com a prefeitura e informá-lo que nosso grupo passaria por sua cidade, mas se coloquem em meu lugar. A cidade de Ribeirão Pires, como a maioria das cidades brasileiras ignora o Art. 24 do Código de Trânsito Brasileiro que diz exatamente isso:

Art. 24. Compete aos órgãos e entidades executivos de trânsito dos Municípios, no âmbito de sua circunscrição:

        II – planejar, projetar, regulamentar e operar o trânsito de veículos, de pedestres e de animais, e promover o desenvolvimento da circulação e da segurança de ciclistas;

A cidade não dispõe de um plano cicloviário, lá como na maioria das cidades brasileiras o ciclista é tratado como um cidadão de segunda categoria, é invisível ao poder público e nada na cidade é feito com o intuito de estimular o uso da bicicleta, pelo contrário, todos os viadutos, pontes e as principais avenidas da cidade foram projetadas apenas privilegiando quem tem carro. Cidadão mais humilde que anda de bicicleta e até mesmo os usuários de transporte público, tanto lá como na maioria das nossas cidades são ignorados pelo poder público E ISSO É FATO!

Constatada essa dificuldade, mapeei e sinalizei uma rota sabendo dos riscos delas serem vandalizadas ou arrancadas pelo poder público e diferente das cidades de Mauá, Rio Grande da Serra e Paranapiacaba (nesse caso distrito de Santo André), onde não ocorreu nenhum problema, em Ribeirão Pires retiraram nossas placas. O Secretário em conversa por telefone foi taxativo ao cumprimento das “normas” internas da sua prefeitura e ainda me chamou de irresponsável por não avisar a prefeitura do nosso evento e que cometi um absurdo de “enfiar” 200 ciclistas “em sua cidade” sem que ela estivesse preparada para tal.

Sua declaração só corrobora com minha afirmação de que em sua cidade a bicicleta é tratada como um problema e não uma solução. Se sua cidade fosse preparada para o ciclista, em nenhum momento seria necessário qualquer “operação especial” para nos receber. Garanto que no dia que sua cidade estiver preparada para seus ciclistas cidadãos, 200 ciclistas a mais não trará a necessidade de qualquer operação especial, como ocorre com a cidade de Santos por exemplo, que em dias de Rota Márcia Prado chegam a receber mais de 5 mil ciclistas.

Aliás essa “Bikefobia” só vem de pessoas que desconhecem e desconsideram a bicicleta como um meio de transporte legítimo, como reza o Código de Trânsito Brasileiro. Por isso destaco minha lamentação e pena do ciclista cidadão de Ribeirão Pires, pois com um Secretário de Transporte como esse, que desconhece as leis brasileiras e que prefere punir um ciclista a ajudá-lo, dificilmente a sua realidade irá mudar. Aliás duvido que esse “tal” secretário conheça os problemas que os Ciclistas de Ribeirão Pires enfrentam em seu dia a dia e tenha qualquer plano para minimizar (nem falo em resolver) seus problemas. Aliás duvido que ele use sequer o transporte público, quanto mais andar de bicicleta. Com certeza é mais um daqueles secretários que só usam o carro e que consequentemente acabam trabalhando apenas em pról de uma categoria, as que menos precisam.

Voltando ao caso das placas, em Ribeirão Pires vale a norma e não o bom senso, para ele sou só um invasor que desrespeita a cidade e acha que lá é uma zona, portanto ele fez o correto, usou a máquina pública (consequentemente o dinheiro público) para arrancar a sinalização irregular. Ocorre que acabou fazendo vista grossa para outras sinalizações que estavam no mesmo trajeto. Porque as outras foram mantidas? Esse questionamento eu deixo para o cidadão de Ribeirão Pires. Abaixo a foto de uma das sinalizações que foram ignoradas pela equipe do Secretário, nesse mesmo poste havia uma sinalização nossa, depois divulgo outras fotos de outras sinalizações que foram ignoradas pelo tal secretário.

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Odeio esse papo de “você de fora”, um bairrismo ridículo que só serve para jogar para uma platéia mais estúpida e bairrista ainda. Mal ele sabe que eu fiz a mesma coisa em São Paulo, que coloquei e tirei a sinalização no nosso primeiro treino sem pedir autorização da Prefeitura daqui e nem por isso considero a cidade onde eu vivo uma zona. Embora eu pretenda, no quarto Desafio definir todos os trajetos com o máximo de antecedência e conseguir autorização de todas as prefeituras e instituições envolvidas, mas para esse DBM irei continuar contando mesmo com a sorte.

O único problema é que, se depender de mim, eu evitarei ao máximo fazer com que o DBM passe novamente por Ribeirão Pires para a tristeza de muitos comerciantes, como uma senhora que disse estar feliz por ter vendido mais de 50 coxinhas aos verdinhos. Me desculpem os cidadãos dessa cidade mas não posso correr riscos e ficar a mercê de alguém que para seguir uma norma, prefere colocar em risco vidas humanas. Aliás quando eu disse que uma pessoa se acidentou, justamente no trecho onde a sinalização foi retirada, fui obrigado a ouvir que a culpa foi minha porque fui um irresponsável por não seguir suas “normas”.

foto04Foto de Rafael Eudes

Então seu secretário, eu tenho por opção lidar com pessoas que valorizam a vida humana antes de qualquer coisa, antes você tivesse me multado por não ter seguido suas normas, juro que faria um esforço e daria um jeito de pagar a multa pois você estaria com toda a razão do mundo. Mas a partir do momento que você colocou em risco vidas humanas só para fazer valer seu poder ditatorial, ou por um puro capricho pessoal, me desculpe mas não consigo considerá-lo uma pessoa digna de qualquer parceria, apoio ou sequer algum diálogo.

Aliás que façam um bom proveito das placas, pois agora sou eu quem não quer correr o risco de encontrar alguém como você em meu caminho e espero que esse episódio sirva para que mude suas atitudes e que faça o senhor pensar duas vezes antes de enfiar os pés pelas mãos. Vá assistir o homem aranha e grave aquela frase “Grandes poderes, grandes responsabilidades”. Não é só porque você está numa situação de poder, significa que você é melhor do que os demais, muito pelo contrário, como um legítimo homem público, você deveria zelar sempre pelas pessoas e JAMAIS colocar alguém em risco com suas atitudes.

Mas nem tudo foram espinhos em nosso treino, nossos verdinhos se deslumbraram com o maravilhoso Bicicletário de Mauá e com sua história, se esbaldaram no nosso café da manhã e seguiram rumo a Paranapiacaba, obrigado Mauá pelo apoio dado.

Depois que cruzamos a Índio Tibiriçá encaramos o trecho em terra, trecho esse que por sorte nossa, o Secretário de Ribeirão Pires “deixou passar” e não retirou as placas. Graças a esse “vacilo” do nobre Secretário, nenhum verdinho se perdeu no trecho em terra e ainda sentiu na pele as dificuldades e a adrenalina de um MTB clássico como vocês podem conferir abaixo no vídeo produzido pelo nosso Guia Pablo Dutra com a impagável narrativa do Sílvio Santos narrando um trecho de downhill.

Chegamos ao trecho urbano de Rio Grande da Serra, lá nosso ponto de encontro foi um caldo de cana ao lado do trevo da cidade. No dia anterior perguntei ao senhor se ele estaria ali e o alertei de que por lá passariam centenas de ciclistas, mais um dos que não se incomodaram nem um pouco com nossa passagem.

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Estava lá no fundão e acabei chegando a Paranapiacaba quase as 16h00, com apenas uma hora de descanso antes do nosso retorno até Rio Grande da Serra e foi bonito chegar na cidade e ver aquele mar de verdinhos espalhados pela pequena e linda vila de Paranapiacaba. Quando o relógio marcou 16h00 voltamos ao asfalto e seguimos de volta a Rio Grande da Serra de onde a galera voltou de trem para São Paulo.

foto06Foto Anderson Nadaleto

Esse treino foi um dos mais tensos que vivi em todos os DBMs que já participei, mas apesar de tanto perrengue, é bom saber que os acidentados estão bem, que tudo não passou de um grande susto, feliz pois nosso sistema de segurança funcionou de forma bastante satisfatória e mais feliz ainda depois de tantos elogios que recebi dos participantes, vocês tem um poder motivacional incrível, sugiro que vejam esse curto mais incrível vídeo feito pelo Rafael Eudes, um ciclista que já sacou exatamente qual é o espírito do DBM, já dá para ter uma noção do que está por vir até o final do Desafio.

A partir dessa semana passarei a incluir cada vez mais dificuldades nos treinos, nossos verdinhos estão prontos para receber esse “upgrade”. Que venham as montanhas e não quero ver ninguém empurrando suas bicicletas nas ladeiras que estão por vir.

André Pasqualini

Resposta do Center Norte sobre o post Bikefobia

Prezado André;

Assim como outros empreendimentos de São Paulo, o Center Norte está buscando se adequar ao crescente uso de bicicletas na cidade.

As cancelas automatizadas reconhecem exclusivamente um tipo de veículo. Por isso, cada veículo tem sua área de circulação e estacionamento específicos no Shopping; sempre pensando num bom atendimento e segurança de todos.

Contamos com um bicicletário, localizado ao lado do estacionamento exclusivo para motos. E outro deve ser inaugurado, em breve, para melhor atender a demanda de todas as nossas portarias.

Ciclistas são bem vindos!

Permanecemos à disposição.

Valéria Goes

SAC
Atendimento ao Cliente

Horas depois da publicação do post Bikefobia, entenda essa doença, recebi um contato da Valéria do Center Norte. Ela deu a versão do Shopping, pediu desculpas pelos transtornos a que fomos submetidos, disse que os funcionários seriam orientados, mas principalmente, pediu nossa ajuda para que o estabelecimento esteja mais preparado para receberem os ciclistas.

Expliquei que no caso do Center Norte, o maior erro que eles cometeram foi, ao criar a infraestrutura do ciclista, pensarem na lógica de deslocamento do motociclista e não do pedestre. No Center Norte em especial há duas situações que eles devem levar em consideração. O primeiro é o uso do Shopping como passagem para o ciclista acessar a Decatlhon no Lar Center.

Apesar do Shopping não ter obrigação de autorizar o uso do seu estabelecimento para passagem dos ciclistas (que nem irão consumir dentro do Center Norte), é preciso lembrar que o Lar Center pertence ao mesmo grupo e como, pela própria resposta do Center Norte, eles dizem que estão tentando se adequar ao crescente uso das bicicletas na cidade, seria de bom tom que eles previssem, tanto o uso do Center Norte como passagem para o ciclista que vai ao Lar Center, como o inverso. Eu quando morei na região, por diversas vezes usei o estacionamento do Lar Center para acessar o bicicletário do Center Norte, até porque o ciclista (até mesmo os pedestres) já fazem isso, além de ser o trajeto mais curto, é também o mais seguro, já que os dois Shoppings estão rodeados por grandes avenidas, a maioria inóspitas para os ciclistas.

A Valéria me disse que é a intenção do Shopping construir outros bicicletários próximos aos acessos de pedestres, mas levando em consideração esse uso do Center Norte para acessar o Lar Center (e vice-versa), creio que isso é desnecessário. Eu manteria o atual bicicletário, trocaria as grelhas “entorta rodas” por paraciclos em “U” invertido ou em “R” e faria uma sinalização fazendo com que o ciclista que acessasse qualquer entrada do Shopping, chegasse ao bicicletário em segurança. Já imaginaram a repercussão positiva para o Shopping se eles sinalizassem com Ciclofaixas seu estacionamento? Garanto que a repercussão seria ainda maior do que a que esse post causou, só que dessa vez positiva.

Fica a dica, espero que o Shopping Center Norte use esse episódio para repensar a forma que eles tratam o ciclista e aproveitar a bola levantada e tirar proveito da situação. Além de ser uma bela (e barata) jogada de marketing, a sinalização do Shopping com Ciclofaixas acabaria colaborando com nossa causa, que é a de inserir cada vez mais a bicicleta na rotina da nossa cidade, além de torná-la cada vez mais humana, um desejo crescente do Paulistano.

André Pasqualini

Bikefobia, entenda essa doença

Sim, isso é uma doença que assola muitos estabelecimentos comerciais, prédios residenciais e até mesmo instituições públicas. Todos são reféns dessa doença, mas uma pessoa ou “entidade”, uma vez curada, dificilmente será novamente contaminada por esse vírus, ou seja a cura é praticamente completa.

A Bikefobia foi um termo criado pela Renata Falzoni para tentar compreender essa dificuldade de algumas pessoas de compreenderem que a bicicleta é um meio de transporte e que tem que ser tratada como tal.

Pedalo a quase 20 anos e adoro chegar de bicicleta em certos estabelecimentos (principalmente aqueles que me receberiam de braços abertos se estivesse de carro) e sentir a reação dos mesmos. Já passei por tudo, é segurança desesperado correndo atrás de mim pelo estacionamento, tentativas de agressão e até deslumbramento, pessoas achando o máximo eu chegar ao local de bicicleta. Várias vezes recebi tratamento Vip em restaurantes por exemplo, quase sempre arrumam um canto para minha magrela, experiências não faltam.

Mas a regra é que raramente um estabelecimento está preparado para receber um ciclista, a galera do pedal deve lembrar daquela ação que ocorreu logo após a inauguração do Shopping Vila Olímpia (São Paulo), uma ciclista (a Aline Cavalcante) foi até o Shopping pedalando e questionou  sobre a falta do Bicicletário, que deveria existir caso a Lei Municipal 14.266 de 2007 fosse respeitada. Dias depois a Bicicletada de São Paulo acabou fazendo uma visita ao Shopping, como resultado instalaram rapidamente um bom Bicicletário.

Mas enquanto em alguns locais temos tratamento vip, em outros nossas bicicletas são tratadas como artefato terrorista. No Shopping Bourbon, por exemplo, o ciclista tem que empurrar a bicicleta ao lado dos carros. Alegam que o ciclista pedalando traz risco aos carros e a ele mesmo, só uma pessoa que não pedala para achar mais seguro o ciclista empurrar a bicicleta ao lado dos carros do que pedalar. Segundo comentário do Valdson aqui no blog, parece que as coisas melhoraram lá.

Há outros Shoppings que nos recebem sem maiores problemas, mas não necessariamente tornam nossa vida mais fácil. No Pátio Higienópolis o ciclista entra normalmente pela entrada de carros. O único detalhe é que ele tem que descer até o segundo sub-solo para encontrar o Bicicletário. Até aí normal, o problema é a saída, o ciclista tem que subir uns três nessas rampas circulares, com uma inclinação que chega próximo aos 20%.

Da última vez que fui ao Higienópolis, descobri a Chopperia Braugarten que a partir das 16h00 tem Double Chopp. O preço é caro, mas quando em dobro fica bem em conta e um chopp que dá de 10 em qualquer Brahma que temos por aí. O lado bom é que ser você conseguir chegar a saída do Shopping depois de uns três chopps, você chegará sóbrio lá em cima pois queimou todo álcool na rampa.

Mas nesse post foi motivado por uma experiência triste que tive num Shopping muito conhecido dos ciclistas, que comumente há reclamações e que eu sempre procuro evitar, o Shopping Center Norte, um dos mais antigos de São Paulo. Estava na Rodoviária do Tietê, nosso destino era a Decatlhon do Lar Center e o caminho mais óbvio seria passando por dentro do Center Norte.

Já sabia que teríamos problemas, mas fomos assim mesmo, apesar de saber pela internet que o ciclista não é bem tratado no Center Norte, também queria conferir para poder publicar algo mais fiel em meu blog. Entramos (obviamente) pela entrada de carros, estava eu, o Thiago e a Glau, entramos eu e o Thiago primeiro e lá veio o segurança tentar impedir as perigosas bicicletas de acessarem o Shopping.

Eu não perco tempo discutindo com segurança e recomendo todos os ciclistas a fazerem o mesmo. Segurança é aquele cara que se o patrão mandar ele carregar o ciclista no colo, ele fará. Em compensação se ele mandar o segurança tratar o ciclista como bandido, ele também o fará. Portanto a culpa do comportamento do segurança é SEMPRE do patrão.

Como a Glau ficou para trás, enquanto ela não acessava o shopping, fiquei questionando o segurança. Apesar de não discutir com segurança, queria muito ouvir seus argumentos, pois sei que não são deles e sim ordens de seus contratantes. Ele disse que não poderíamos entrar pedalando no Shopping, que deveríamos entrar empurrando a bicicleta.

Aqui já vai um detalhe, não existe uma entrada para ciclista e muito menos orientação. Pelo acesso que entramos há uma escada para o pedestre e a entrada de carros. Eu não tenho a obrigação de saber se há uma entrada exclusiva e mesmo se houver, é muita sacanagem obrigar o ciclista a dar uma puta volta entrando numa única entrada, enquanto o motorista tem uns 10 acessos para escolher.

Questionei o porquê, ele disse “Aqui é privado e as regras são essas, tem que aceitar e pronto” – Ah, não posso deixar de relatar o – “Vai insistir?” – que ele mandou pouco antes de descer do carro e, no melhor estilo “Fucking em Sucker”, caminhar de forma imponente em minha direção com o claro objetivo de me intimidar. Tratamento quase Vip, fiquei imaginando a atitude do segurança caso eu forçasse a barra e tentasse entrar pedalando, provavelmente ele faria algo nessa linha do que fez aquele policial a um ciclista em NY. Tinha uma pitada de preconceito ali? Claro que tinha, pois se eu estivesse de carro, por mais que eu estivesse errado, JAMAIS sofreria tal abordagem, mas vamos lá.

Disse – “Mas o Bicicletário é do outro lado, como eu chego a ele?” – Ele respondeu – “Vai empurrando ou dá a volta pela rua! Pedalando aqui dentro você não vai!” – Retruquei – “Empurrando pela pista? No meio dos carros?” – Ele respondeu – “Não, vai pela calçada!” – Novamente questionei – “Pela calçada? Atrapalhando os pedestres?” – Ele fechou com chave de ouro – “É isso ou vou te retirar do Shopping, pois aqui você não entra!”

Nada melhor do que ser tratado com finesse e delicadeza por um funcionário de um estabelecimento comercial onde eu deixo meu dinheiro. Particularmente eu não vou a esse shopping, mesmo quando morava ao lado e por um motivo simples. Me recuso a gastar meu dinheiro onde não sou bem vindo. Mas realizei sim a travessia pelo Shopping apenas para poder escrever esse post.

Atravessamos o Shopping, empurrando a bicicleta entre os carros, levando fina deles a todo o momento, atrapalhando a circulação, bem mais do que se estivéssemos pedalando. O pior é que eles colocam umas correntes para o pedestre não entrar na pista dos carros e consequentemente, nos impedia de acessar a calçada.

Quando finalmente conseguimos entrar na calçada, aí começamos a incomodar o pedestre. Agora me diz qual é o consumidor que vai a um local onde ele sabe que além de ser mal tratado e ainda incomodar as demais pessoas, só porque o estabelecimento é desorganizado?

Sim, é totalmente desorganizado, se realmente tivessem a intenção de botar ordem, facilitariam o acesso do ciclista por TODAS as entradas e o conduziriam através de sinalização, sempre pedalando, até o Bicicletário. Ou melhor, se simplesmente deixassem o ciclista pedalar lá dentro até o Bicicletário já seria ótimo, pois eles têm um Bicicletário (descoberto) junto a outra entrada. Então se você vem pelo outro lado do shopping (e não estiver de carro ou a pé) azar o seu.

Mas o que é mais me impressiona é que no Lar Center (shopping vizinho, do mesmo grupo, onde está localizado a Decatlhon), você pode entrar de bicicleta e pedalar entre os carros e NINGUÉM te enche o saco. Quantos ciclistas atropelados o Lar Center já deve ter tido devido a essa “imprudência”? Creio que nenhum.

Tá, nem lá tem há um Bicicletário perfeito, aliás nem sei se o Shopping Lar Center tem bicicletário, sei que a loja da Decatlhon tem um desses em formato de grelha (também chamado de entorta roda). A pouco tempo o bicicletário era dentro da loja, mas ele voltou a ser instalado na parte de fora. Para usá-lo o ciclista improvisa, como já está acostumado a fazer, um dia esses estabelecimentos irão aprender a instalar um paraciclo decente.

Mas a Bikefobia é uma doença que tem cura, uma vez que o estabelecimento comercial se vacinou contra ela, dificilmente você terá problemas, no Shopping Vila Olimpia há um Bicicletário de fácil acesso, no mesmo piso do estacionamento Vip. O Eldorado tem Bicicletário, o Iguatemi também, até na Daslu dá para ir pedalando e aos poucos vamos vacinando as pessoas e empresas contra esse vírus. De vez em quando a gente até se surpreende, como esse Paraciclo em frente à unidade Delboni da Avenida Luis Dumont Villares na Zona Norte.

Se tiver que deixar uma mensagem ao ciclista eu diria o seguinte. Ciclista, você tem que reclamar uma vez apenas. Depois ignore, leve sua bicicleta só onde você será bem tratado. Mas não aceite passivamente atitudes preconceituosas, utilize as redes sociais e desça a lenha. As empresas sabem que o elogio de uma pessoa se espalha para 10. Mas uma pessoa criticando chega facilmente a 100 pessoas, portanto não deixe barato. Enalteça os bons exemplos, mas não se cale quando se sentir injustiçado.

E aos estabelecimentos comerciais que querem estar a frente, facilite o acesso do ciclista ao seu estabelecimento. Não sabe como fazer? Aqui tem o link do manual para instalação de um Bicicletário da Transporte Ativo, se você seguir as orientações, além de não gastar muito, terá ciclistas felizes e com vontade de visitar o seu estabelecimento.

André Pasqualini

Mais fotos da saga na página do Facebook do Bicicreteiro

Não deixe de conferir a resposta do Center Norte no próximo post.

Preparado para entrar na Zona de Convergência do Atlântico Sul.

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São Paulo passou e não peguei quase nada de chuva, mas meu primeiro dia de pedal em Mato Grosso do Sul mostrou que seria uma briga de gato e rato.

Tanto em MS como em SP, são longas planícies que dá para ver a chuva de longe, dai você pode apertar para fugir ou ir mais devagar para ela passar. Na brincadeira de hoje me dei bem, mas vamos ver nos próximos dias.

Saí de 3 Lagoas deixando o Balneário para trás e pedalei por uns 10 quilômetros por ciclovias. No caminho vi essa linda imagem numa escola municipal.

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Depois na Ciclovia no canteiro central, vejo umas sinalizações absurdas. Não colocam o PARE antes da faixa de pedestres, mas colocam antes do cruzamento, ou seja, a sinalização vai contra o art. 39 do CTB, onde diz que é o motorista quem deve dar a preferência ao ciclista e ao pedestre.

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O resultado são vários acidentes, o que torna a ciclovia mais perigosa do que se não houvesse nada.

Logo que peguei a estrada uma cena triste. Um tamanduá enorme atropelado. A velocidade máxima na rodovia é de 80 km/h. Mas rarissimos os motoristas que respeitam esse limite e se fosse respeitado, acho que metade dos 8 tamanduas que vi atropelado nesse trecho estariam vivos.

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Bem, saí tarde de lá, por volta das 11h00 (hora de SP, aqui o fuso é uma hora a menos). A principio queria ir até o Rio do Pombo, pois Agua Clara está a 140 km de 3 Lagoas, mas dependendo do horário que chegasse no Pombo, tentaria esticar até Agua Clara.

Nem parei muito e nem tem muito o que ver na estrada, mas mesmo assim curti demais pedalar ouvindo tantos periquitos, passarinhos um mais colorido que o outro, as siriemas cantando, tucanos dando rasantes na estrada, casais de araras me acompanhando na estrada. Já reconheço até o canto e o grito de alguns animais.

Cheguei no Rio do Pombo as 15h00 no meu horário, quer dizer que daria para apertar e chegar em Agua Clara de dia. Foi o que eu fiz e quando faltavam 8 kms para o meu destino vi do alto quem estava me esperando para me recepcionar.

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Ontem eu “roubei” e fiquei numa pousada simples, mas porque tenho um plano meio maluco pra hoje. Daqui até Ribas do Rio Pardo, o que seria meu destino natural, tem uns 100 km. Saio cedinho e se conseguir chegar lá até o meio dia, almoço lá e encaro mais 80 km até Campo Grande e mesmo se pedalar um pouco a noite vai valer a pena.

Espero que hoje o sol fique atrás das nuvens e o dia colabore, pois quero acelerar muito pra ficar logo na porta do Pantanal.