Próximo desafio, pedal das Ciclofaixas e Ciclovias

Como já disse nos posts anteriores, durante os treinos para o 2º Desafio Bicicletas ao Mar, farei um relato depois de cada treino de domingo, com um convite ao próximo desafio. Para mais informações sobre o treino de 05 de agosto, percorra a página.

A proposta do Desafio é introduzir ciclistas iniciantes no mundo do cicloturismo, mas isso não significa que os pedais serão fáceis. Como são treinos, o objetivo é exigir o máximo dos ciclistas para que eles evoluam no condicionamento a cada semana, chegando no dia do Desafio em boas condições físicas.

Muitas pessoas têm me perguntado se ainda podem entrar no Desafio e a resposta será sempre “depende”. Se você iniciar os treinamentos um mês antes do Desafio e realizar no mínimo dois treinos por semana, é muito provável que você consiga, mas só depois da participação de um treino é que eu conseguirei fazer uma avaliação mais precisa. Um ciclista que consegue pedalar num final de semana distâncias de 50 a 60 quilômetros (ou por uma 4 horas em um dia), tem 90% de chances de conseguir, mas sem uma preparação especial, fará do Desafio algo muito sacrificante. Os treinos servirão para forçar o ritmo numa situação mais controlada para, no dia do Desafio, o ciclista ter condicionamento para percorrer o trajeto curtindo a viagem.

Fica a sugestão (aos iniciantes), para o pessoal da cidade de São Paulo, que participe ao menos de um dos treinos durante a semana para que eu possa fazer essa avaliação da sua necessidade de carga de treinos. Para a galera de fora de São Paulo, realizem em suas cidades um ou dois treinos durante a semana, pode ser o estilo “Hamster” (bicicleta ergométrica) e a cada final de semana um pedal longo, de forma que nas duas semanas que antecedem o Desafio, que um desses pedais sejam de 100 quilômetros no caso de asfalto, ou 50 quilômetros em terra. Se seguir esse plano a risca, com certeza você realizará o Desafio no dia 02 de Setembro.

Já a galera que já tem uma boa quilometragem nas costas, se inscrevam no Desafio como ciclistas experientes e detalhe sua experiência no campo a isso destinado na inscrição. Apenas conferindo o relato já dá para dispensar o ciclista do Brevê. Mas um detalhe, não aconselho ninguém a mentir, pois os ciclistas iniciantes terão uma camiseta diferente dos experientes e a equipe de apoio terá uma atenção maior aos iniciantes, pois acreditamos que os experientes não terão dificuldades físicas ou mecânicas para realizar o Desafio.

Mas agora vamos falar do pedal para o Templo Zu Lai. A começar me impressionei com o tamanho da massa que encontrei no Ibirapuera. Nos treinos para o primeiro Desafio que ocorreu em abril de 2012, éramos um máximo de 15 ciclistas por treino, já nessa ocasião éramos cerca de 70 ciclistas.

Pedalar com uma massa grande é complicado, principalmente quando poucos conhecem o trajeto, assim mesmo, graças a ajuda do pessoal (muitos que venceram o primeiro Desafio), conseguimos levar todos os ciclistas até o Templo.

Pedalamos pela Ciclovia da Marginal e seguimos pela Eliseu de Almeida até Taboão da Serra. Lá a massa de ciclistas invadiu a Ciclovia do Taboão que foi entregue em 2010, ano que, “em tese”, deveria ser inaugurada a Ciclovia da Eliseu de Almeida, mas deixa esse assunto para outro momento.

Percorremos quase toda a Ciclovia do Taboão evitando assim a complicada BR-116 no trecho que ela não tem acostamento. Pegamos apenas um trecho de uns 300 metros sem acostamento, mas a massa nos ajudou a vencê-lo sem maiores problemas. Depois seguimos por acostamento até próximo a entrada do Rodoanel onde começaram as subidas que forçaram a separação dos grupos, pois até então o trajeto havia sido bem plano.

Em Embu das Artes separei os grupos deixando o pessoal que estava mais bem condicionado ir à frente, guiado pelo Luisão (mais um vencedor do primeiro Desafio) que conhecia bem a região, já eu fui com o grupo mais lento. Em tempo, essa quebra de pelotão é absolutamente normal, difícil num grupo com tantos ciclistas haver uma homogeneidade de ritmos. Sei que em breve verei muitos dos ciclistas que penaram lá no fundão pedalando lá no pelotão da frente. Pior, sem muita paciência com os retardatários, como se eles esquecessem que um dia ficaram incomodados com a dificuldade de acompanhar o ritmo dos outros.

Não escrevo isso para puxar a orelha da galera acelerada, pelo contrário, até porque o pessoal que hoje é experiente ajudou demais no passeio. Mas digo isso para mostrar aos iniciantes que a condição deles é temporária, todos os ciclistas já passaram por isso, eu principalmente e só depende de nós mudá-las.

Além do mais, mesmo sabendo que o trajeto teria muitas subidas e que a galera lá do fundão iria sofrer, sabia que no final todos chegariam e isso é o que importa, até porque (repetindo) isso é um treino e não um passeio e todos precisavam chegar no limite, pois só assim para descobrir que subestimamos nossos limites.

Mas vamos ao pedal novamente, levei o pessoal avançado até o início da maior piramba do dia, o morro a mais de 900 metros entre Embu e Cotia, um desnível com cerca de 150 metros. Parece pouco, mas para comparar, o desnível do Parque do Ibirapuera até a Paulista (via Abílio Soares) é de 77 metros. Clique no link e depois em Show > Elevation Profile para ver a altimetria.

Depois do morro descemos e seguimos em um trecho praticamente plano até a Raposo Tavares, mas diferente do pelotão da frente que encarou a Rodovia por cerca de 2 quilômetros, nosso grupo fez um caminho diferente, evitando a rodovia, saindo em uma passarela praticamente em frente a via que nos levaria ao Templo. Dali bastou pedalar mais uns 2 quilômetros e chegamos ao templo por volta das 13h30.

Lá almoçamos e já marquei nosso retorno para as 15h00, o pessoal do pelotão da frente seguiu viagem logo depois que chegamos. O templo é realmente muito bonito, como o dia estava ensolarado, havia muitos visitantes. Tiramos belas fotos que podem ser conferidas na minha página do Facebook (aproveita e clique em curtir minha página J). As 15h00 nos reunimos e nos preparamos para o retorno, seriam uns 10 quilômetros até a estação Jardim Silveira da CPTM, o problema é que teríamos muitas subidas pelo caminho.

As subidas nem eram tão fortes como a que havíamos encarado entre Embu e Cotia (como pode ser visto na altimetria nesse link), mas como o pessoal do fundão já estava bem desgastado, qualquer desnível já seria uma tortura e foi isso que aconteceu. Foram 3 fortes subidas até começar a descer, aí rapidamente estávamos na estação.

Mas como desgraça pouca é bobagem, ao chegar à estação, ficamos sabendo que aquela linha da CPTM estava em obras e que os ciclistas deveriam descer numa estação a frente e depois seguir de ônibus até Presidente Altino a cerca de 17 quilômetros dali. Lá ficamos sabendo que algumas pessoas do pelotão da frente já haviam partido de trem e colocaram as bicicletas nos ônibus do Paese (depois contem mais detalhes dessa saga nos comentários). Alguns encararam o trem mesmo assim, mas a maioria resolveu pedalar até Presidente Altino de onde poderíamos pegar sem baldeação a linha Esmeralda da CPTM, que beira a Marginal Pinheiros.

O trajeto acompanhou a linha do trem e era bem menos acidentado do que havíamos encarado até então, mas não deixou de ter algumas subidas pela frente. Chegamos em Presidente Altino as 18h00, bem cansados. O pedal que era para ser de 51 quilômetros teve mais de 80 para a maioria e apesar do sofrimento de muitos, tenho certeza que foi fundamental para a preparação dos desafiantes.

Foi o primeiro teste de verdade para esse Desafio, que promete ter um número de ciclistas bem maior que o primeiro. Como queremos sempre evoluir, no próximo estaremos mais preparados para os contratempos que estão por vir, vamos então para detalhes do nosso próximo treino.

Treino de Domingo, dia 05 de agosto de 2012 – Ciclofaixas e Ciclovias Paulistanas

Ponto de Encontro: Estação São Miguel Paulista da CPTM (Linha 12 – Safira)
Horário: 8h00 da manhã
Informação importante:  Se programe para chegar até as 7h00 na estação Brás da CPTM e de lá entrar na linha 12 Safira até a estação São Miguel.

Veja o Trajeto clicando no link abaixo

http://www.bikely.com/maps/bike-path/ciclofaixas-e-ciclovias-sp

Um trajeto um pouco mais longo que o Templo Zu Lai, mas com um nível de dificuldade bem menor, nada de longas subidas, o que pode ser conferido no link acima. Cerca de 90% do pedal será em ambiente seguro, Ciclovias, Ciclofaixas ou Ciclorrotas, uma bela maneira de conhecer as infraestruturas cicloviárias da cidade. São 85 quilômetros, partindo da Estação São Miguel Paulista da CPTM (se você não for da região, recomendo ir de trem até a estação, fazer baldeação na estação Brás do Metrô) e de lá pedalamos até a Ciclovia do Parque do Tietê.

Visitaremos o Parque Ecológico do Tietê e depois entramos na Ciclofaixa de Lazer da Zona Leste. Percorreremos os 7 quilômetros de Ciclofaixa até acessarmos a Ciclovia da Radial Leste. Mais 12 quilômetros pedalando até a Estação Tatuapé, de lá seguimos por uma Ciclorrota (ainda não sinalizada pela Prefeitura) até a Zona Norte.

Passaremos por dentro do Parque da Juventude, antigo Carandiru e entraremos na Ciclofaixa de Lazer da Zona Norte. De lá seguiremos pela Brás Leme onde futuramente haverá uma Ciclovia, depois cruzaremos o Rio Tietê entrando na Zona Oeste de São Paulo.

Ali seguiremos por uma Ciclorrota ao lado da linha da CPTM até o Jaguaré, onde entraremos novamente na Ciclofaixa de Lazer, agora na Zona Oeste. Passaremos em frente ao Parque Villa Lobos e entraremos na Ciclovia da Marginal Pinheiros.

Percorreremos o trecho novo da Ciclovia até a Estação Vila Olímpia e lá acessaremos novamente a Ciclofaixa de Lazer, agora em plena Zona Sul, até o Parque do Ibirapuera, onde encerraremos o circuito.

A novidade é que dessa vez o trecho será planilhado, ou seja, todos os participantes receberão uma planilha na estação São Miguel. Com a planilha em mãos, os ciclistas terão que zerar seus ciclocomputadores (quem não tiver um velocímetro, poderá usar aplicativos do celular) e seguir observando a planilha, dificilmente alguém irá se perder. Na dúvida basta parar e esperar o ciclista que vem logo atrás.

Diferente dos outros pedais, dessa vez eu ficarei no final do pelotão, seja para ajudar os ciclistas com problemas mecânicos, ou para tirar dúvidas quanto ao trajeto a ser percorrido. Não precisaremos andar numa massa coesa e ciclistas de diferentes níveis poderão pedalar cada um no seu ritmo.

Se a experiência funcionar, pretendo adotar o mesmo método em todos nos demais treinos e principalmente no dia do Desafio. Assim o pessoal pode ir se acostumando a usar planilhas, muito comum em corridas de regularidades. Depois vou disponibilizar as planilhas na internet, para qualquer pessoa percorrer o trajeto quando quiser realizar um pedal pela cidade.

Espero ver o pessoal domingo em São Miguel, mas antes temos os treinos as terças e quintas, não deixem de participar. Entrem também no grupo de discussões do Facebook para esclarecer suas dúvidas, veja como acessar nos links abaixo.

Veja todos os links relevantes, referentes ao Desafio Bicicletas ao Mar

Página para a inscrição no Desafio

Página do evento no Facebook

Grupo de discussão do Desafio Bicicletas ao Mar no Facebook

Página com o calendário dos treinos

Post no Bicicreteiro com dicas para descer a Rota Márcia Prado

Ciclovia da CPTM será fechada por 8 domingos

Atualização dia 30 de março de 2012: Apesar do cartaz informar que a Ciclovia seria fechada as segundas, não houve necessidade e ela só continuará fechada aos domingos.

Hoje recebi essa notícia que devido a obras que estão sendo realizadas na linha esmeralda da CPTM (aquela da Marginal Pinheiros), toda a operação da linha esmeralda será interrompida aos domingos. O problema é que para o trânsito de caminhões pesados, a Ciclovia da Marginal Pinheiros será fechada durante todo o domingo.

As consequências

Depois da inauguração do acesso a ciclovia junto a ponte da Cidade Universitária, principalmente aos domingos, ocorreu um boom de ciclistas dentro da Ciclovia, de 2 mil por domingo ela passou a receber mais de 10 mil.

A alegação para o fechamento é a segurança dos ciclistas, já que a pista será usada por máquinas para ir e vir.

A pista já é utilizada por carros de serviços, inclusive caminhões e realmente não vejo problemas no compartilhamento que já ocorre. A pergunta é porque tomar uma decisão tão extrema e não tentar um esquema estimulando a convivência?

Não haverá deslocamentos constantes de caminhões, podemos até ter grandes máquinas usando a pista em alguns momentos, mas elas ficarão maior parte do tempo paradas realizando as obras.

Acho um tremendo erro simplesmente fechar a Ciclovia, no mínimo a CPTM deveria pensar numa alternativa de compartilhar o espaço, algo que já vem ocorrendo e no caso de se realmente se constatar que esse compartilhamento causaria algum problema, , aí sim opte pelo fechamento que deveria ser sempre a última opção.

Espero que a CPTM reavalie esse seu posicionamento, até para não criar esse mal estar desnecessário com os ciclistas.

André Pasqualini

Ciclovia da Marginal Pinheiros – Fase 2

Estive na inauguração do trecho dois da Ciclovia da Marginal Pinheiros em São Paulo no dia 10 de fevereiro de 2012. A Ciclovia ganhou mais 5 quilômetros e um novo acesso junto a cidade universitária. Vou então complementar a minha matéria, pois durante a inauguração recebi algumas informações importantes. Vou complementar esse texto com as novas informações, portanto vale a pena conferir as novidades.

Em setembro de 2011 publiquei nesse blog que essa segunda fase seria entregue em dezembro de 2011, teria mais acessos e iria até a Estação Jaguaré, com um acesso junto ao Parque do Povo. Ocorreram algumas mudanças, tanto em competências do projeto como nos prazos e vamos a elas.

Participação da Prefeitura de São Paulo na Ciclovia da Marginal Pinheiros.

Hoje a ciclovia tem dois pais, não apenas a CPTM como a Prefeitura de São Paulo também é responsável pela Ciclovia. Isso porque, devido a lei municipal do Polo Gerador de Tráfego, foi imposta a WTorre, que atualmente tem uma grande obra ao lado do Parque do Povo, o asfaltamento da ciclovia a partir da estação Hebraica até o Jaguaré e a construção de um novo acesso, ligando o Parque do Povo a Ciclovia.

O prazo total para execução do asfalto é de 3 meses, sendo que 30 dias era apenas o trecho até a Ponte Cidade Universitária, algo já finalizado desde o dia 01 de fevereiro. Isso nos leva a crer que até o final de abril, o asfalto até a estação Jaguaré também será entregue.

Já o acesso a ciclovia, junto ao Parque Villa Lobos ainda esta em fase de projetos e aprovações junto a prefeitura de São Paulo. Como o projeto final do acesso ainda não foi definido por questões burocráticas, a WTorre não pode apresentar imagens dele, tão pouco estipular um prazo, mas assim que tiver novidades atualizo o texto aqui.

Novos acessos

Nessa segunda fase da expansão da Ciclovia foi previsto cinco novos acessos, Santo Amaro, Morumbi, Parque do Povo, Cidade Universitária e Parque Villa Lobos. Dos cinco apenas dois estão finalizados, Santo Amaro, que já foi entregue no começo de janeiro e Cidade Universitária, que será entregue no dia 10 de fevereiro.

O acesso do Parque do Povo, responsabilidade da WTorre, como já disse acima, esta ainda em fases de autorizações e projetos, já o acesso junto a estação Morumbi da CPTM e o que ligará o Parque Villa Lobos a Ciclovia, ambos tiveram atrasos no projeto mas já estão sendo fabricados.

Toda a estrutura dos dois acessos são fabricadas fora e montada no local. Não me precisaram nenhum prazo, mas se nenhum problema novo ocorrer, tudo indica que até o final do primeiro semestre os novos acessos sejam implementados.

Informação nova: Na foto acima temos a Renata Falzoni conversando com o Walter Torre da WTorre. Ele nos disse que propôs a prefeitura, entre as diversas propostas, construir acessos a Ciclovia junto com TODAS as pontes do Rio Pinheiros, mas que essas propostas foram rejeitadas pelos técnicos da CET.

Desde que comecei a lutar por essa ciclovia, sempre pedimos para usarem as estações da CPTM e as pontes como forma de acesso a Ciclovia. Esse uso pode inclusive resolver o grave problema que os ciclistas e pedestres encontram para atravessar as pontes de São Paulo. A WTorre, apesar da obra que eles estão realizando ser uma compensação da Lei do Polo Gerador de tráfego, , ele havia proposto construir rampas em todas as pontes por conta, sem que fosse uma compensação.

Também reclamou pelo tratamento diferenciado que seu empreendimento está recebendo. Ele apontou 3 prédios ao lado do dele que não vão precisar fazer compensação nenhuma e que pela lei. Não reclama em fazer a compensação, mas reclama de ser o único empreendimento da região obrigado a fazer, o que eu também considero um absurdo.

Bases de Apoio

Seriam 4 novas bases, em Santo Amaro, Cidade Jardim, Cidade Universitária e Villa Lobos. A única que ainda não está pronta é a do Parque Villa Lobos que deve ser entregue quando o asfalto chegar ao final da Ciclovia.

Estou conversando com a CPTM sobre uma maneira de ceder as bases de apoio para Ongs que tenham algum envolvimento com bicicleta. Com isso elas poderão explorar as bases, não apenas prestar serviços aos ciclistas, como oferecer, alimentação, bebidas, para quem usa a Ciclovia. Isso é algo visto com bons olhos por parte da CPTM e estão estudando as questões legais para sua viabilidade.

Asfalto

Uma das maiores reclamações dos ciclistas era em relação a aderência do asfalto em dias chuvosos, pois a pintura usada na primeira fase da Ciclovia não é a mais adequada para ciclovias. Já nessa nova fase, usaram uma tinta certificada pela CET com antiderrapante.

Quando realizamos a última vistoria no início do mês, observamos a pintura e o técnico responsável mostrou inclusive um resíduo brilhante que era o antiderrapante. Eu não testei na chuva, mas um amigo ciclista disse que acessou a ciclovia logo após uma forte chuva e que o piso se mostrou bem mais aderente que o antigo.

Atualmente a CPTM esta a procura de patrocinadores que possam pintar o asfalto do trecho antigo com essa tinta certificada.

Iluminação

Esse é o ponto mais complicado, sei que a CPTM já possui um orçamento (ainda não sei o valor) para a instalação de cerca de 700 postes de iluminação, como aquele que foi colocado em fase de teste na estação Jurubatuba, movidos a energia eólica e solar.

O problema é que até onde sei, a CPTM está a procura de patrocinadores para a instalação dessa iluminação. Penso que se conseguirem patrocinadores, maravilha. Agora se não conseguirem, o governo tem que bancar a instalação dessa iluminação, pois isso trará um imenso ganho para a cidade, pois a Ciclovia poderá ser utilizada como lazer nos períodos noturnos e terá seu caráter de transporte consolidado em definitivo.

Segurança

Recentemente houve casos de assaltos dentro da Ciclovia e ocorreram num único ponto onde há uma falha na proteção, não apenas da Ciclovia como do sistema de trens. Junto a ponte Interlagos há uma forma das pessoas acessarem a linha do trem chegando muito próximo da Ciclovia. Alguns bandidos se aproveitaram da situação e realizaram dois assaltos e o foco deles eram bicicletas de estrada de alto valor. Uma das bicicletas roubadas custava 8 mil reais.

Os bandidos aguardaram a ronda passar e sabendo que levaria um bom tempo para ela percorrer a Ciclovia e voltar, assaltaram o primeiro ciclista que passou depois da ronda. Nem invadiram a ciclovia, pela grade, apontaram uma arma ao ciclista e fizeram ele jogar a bicicleta por cima da cerca.

Dias depois a Polícia Ferroviária colocou um policial a paisana que ao ser abordado agiu e prendeu dois de três bandidos, ocorreu inclusive troca de tiros. Hoje a Policia Ferroviária tem um esquema de segurança permanente no local para evitar novas ações de bandidos, enquanto não é realizada uma ação mais efetiva.

A solução a meu ver é criar uma equipe de segurança para cuidar exclusivamente da Ciclovia, pois hoje eles dividem suas tarefas com as estações de trem, dando prioridade quando há alguma ocorrência dentro do sistema. A criação de equipes diferentes que trabalhem em conjunto e a instalação de equipamentos de monitoria com câmeras dará muito mais segurança aos ciclistas que utilizam a ciclovia.

Novos acessos

Desde quando a Ciclovia da Marginal Pinheiros era apenas um sonho, a principal sugestão era o uso das estações da CPTM como uma forma de fazer o ciclista acessar a Ciclovia e sempre encontramos resistências quanto a essa possibilidade.

Ocorre que muito em breve teremos o primeiro teste de verdade. Atualmente na estação Santo Amaro, o ciclista precisa passar pelos bloqueios para chegar ao acesso da Ciclovia. Mas uma diferença fundamental é que em Santo Amaro os bloqueios estão na estação, sobre a plataforma. Já nas demais os bloqueios ficam na marginal, antes da passarela. Isso abre margem para um ciclista, agindo de má fé, tentar acessar o sistema da CPTM sem pagar.

Mas visando realizar um teste e apostar que a maioria de pessoas do bem não podem ser prejudicadas por má ações da minoria, em breve será testado um acesso junto a estação Morumbi da CPTM e caso não ocorra nenhum problema, o mesmo poderá ser repetido nas demais estações da CPTM, como Socorro, Granja Julieta e Hebraica.

Estamos também tentando aproveitar a estrutura existente da antiga estação Pinheiros da CPTM para que seja feito um acesso a Ciclovia. Atualmente os planos daquela estação são de ampliar a nova estação e demolir a antiga. Se conseguirmos mudar o projeto, muito em breve poderemos ter mais um acesso junto a essa estação.

Há ainda a possibilidade de mais um acesso junto a Ponte João Dias que foi proposto durante os estudos do Projeto Básico da Ciclovia do Capão Redondo, pela proposta o acesso seria mais ou menos como na ilustração abaixo.

A importância da Ciclovia da Marginal Pinheiros

Meu sonho é que a cidade inteira de São Paulo tenha um abrangente sistema cicloviário e apesar de termos muitos acidentes geográficos na cidade, quem pedala sabe que, além de subida não ser um grande problema. São Paulo é cortada por centenas de rios e áreas de várzeas, que poderia formar um grande sistema cicloviário principal que serviria de base para criação de outros sistemas secundários se interligando ao principal.

Nossas marginais são importantes eixos viários e se são bons para o transporte motorizado, porque não seriam para as bicicletas? Quando anos atrás lutei para que a Ciclovia da Marginal Pinheiros fosse entregue para a população apenas com os dois acessos existentes (Vila Olímpia e Miguel Yunes) era porque o mais importante no momento seria conquistar o espaço, pois a evolução seria a luta mais fácil.

Quando nos entregaram aquela ciclovia eu já sonhava com a construção de novos acessos e sua chegada até o Parque Villa Lobos. Hoje já sonho em ver essa ciclovia avançando sobre o Rio Tietê e se conectando com a Ciclovia do Parque do Rio Tietê que começa próximo ao Parque Ecológico do Tietê e segue por 25 quilômetros até Itaquaquecetuba. Sendo que essa Ciclovia tem projeto de chegar até a cidade de Salesópolis, onde nasce o Rio Tietê.

Também já consigo ver essa ciclovia em breve se interligando com o projeto da Ciclovia da Eliseu de Almeida e da Ciclovia do Capão Redondo, ambas que já tem seus projetos básicos prontos, só restando a abertura da licitação para as obras.

Essa Ciclovia não apenas é importante para os ciclistas, mas para toda a cidade, pois já provamos que a bicicleta pode não apenas ser parte da solução de mobilidade, bem como para uma mudança da cultura carrocrata que nos domina a tantos anos.

Nossa população esta mudando, a cultura do paulista em relação a cidade está mudando e muito se deve a esse movimento amplo de valorização da cidade capitaneado pelos ciclistas, onde a Ciclovia da Marginal Pinheiros é mais uma ferramenta para trazermos ainda mais pessoas para esse nosso mundo, por isso que mais uma vez estou feliz com essa conquista.

André Pasqualini

Aniversário de São Paulo, comemorei pedalando

Pedalando muito, assim comemorei o aniversário de 458 anos da cidade de São Paulo. O dia começou cedo quando fui participar do WBT 2012 como Repórter Conviva e durante minha apresentação fiz esse vídeo abaixo. Nele você poderá conferir duas entrevistas, uma com o Secretário de Transportes de São Paulo, Marcelo Branco e outra com o Presidente do Metro, Sergio Avelleda.

Entre as novidades, nessa entrevista ele reforça a contratação do projeto funcional para a expansão da Ciclovia da Radial Leste, fazendo a tão sonhada ligação do Tatuapé com o Centro de São Paulo.

No início da tarde eu e o Willian Cruz do Vá de Bike ainda fomos fazer uma vistoria no trecho novo da Ciclovia da Marginal Pinheiros entre a Vila Olímpia e Cidade Universitária. A previsão de entrega desse novo trecho é para o dia 04 de fevereiro, falta muito pouco. Semana que vem faremos uma nova e mais detalhada vistoria e escreverei uma matéria detalhada aqui.

O dia de ontem foi muito positivo, São Paulo recebeu uma verdadeira invasão das bicicletas. Fiquei sabendo que mais de 4 mil ciclistas entraram no sistema da CPTM e do Metro. Foram 8 mil bicicletas entregues pelo Bike Tour sendo que tivemos impressionantes 370 mil inscrições, ou seja, dá para fazer um WBT por mês e não teremos bicicletas para todo mundo.

Parabéns a essa cidade caótica que tanto amo e que a cada dia que passa fica mais apaixonada por esse maravilhoso meio de transporte, esporte e lazer que é a bicicleta.

A história das Ciclovias Holandesas

Canso de ouvir que em São Paulo não dá para andar de bicicleta. Quando me dizem isso me questiono se sou uma pessoa comum ou um super-heroi.

Canso de ouvir que é impossível ficar sem carro em São Paulo e principalmente que aqui não é a Holanda com suas milhares de ciclovias e trânsito harmonioso. Quando me dizem que aqui não é a Holanda, eu respondia que anos atrás, a situação da Holanda não era muito diferente da nossa, mas poucos acreditavam, até porque era complicado comprovar.

Foi quando assisti no blog do Vá de Bike essa maravilha, um documentário produzido e narrado pelo Joni Hoppen, da Holland Alumni Network, explicando com detalhes a história do surgimento das Ciclovias Holandesas. Impossível assistir o vídeo e não fazer um paralelo com a situação que vivemos.

Se mesmo após assistir esse vídeo, você continuar é achando impossível minimizar o papel dos carros em nossa sociedade, aí vou ter que achar que você tem um poço de petróleo na Bacia de Campos, só pode ser.

Adeus Brasília, chega de sufoco

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Enquanto em São Paulo temos os “Bike-anjos” que incentivam e estimulam novos ciclistas a tomarem as ruas da cidade, meu amigo de Brasília que usa a bike como meio de transporte, diz que não tem coragem de incentivar alguém a pedalar nessa cidade.

Olha, São Paulo não é nenhuma maravilha, mas aqui a coisa é feia. Brasília não tem transporte público (é tão ruim que para mim é como não ter) não tem calçadas e também não tem avenidas. Tem é “rodovias” no meio da cidade, tudo para fazer o Brasiliense (que tem carro) andar mais rápido. Tem as Eps que cortam a cidade e não tem semáforos, nem em frente de acessos a parques, como na foto inicial.

Pior que o povo daqui (a maioria) acha tudo isso normal. No prédio do Uirá, brother que me hospedou em Brasília, é fácil ver os moradores indo de carro, comprar pão no Pão de Açucar que fica a 300 metros do prédio. Até compreendo eles, pois fiz esse trajeto a pé e encontrei 6 carros nas calçadas, me obrigando a andar na rua.

Simplesmente, essa cidade é horrível para quem não se desloca de carro. E também está ficando horrível para os motorizados por motivos óbvios. Mudanças? Duvido, pois na cabeça desse povo, quanto mais melhoria para os carros melhor, até o comércio faz propaganda do aumento de vagas para carros.

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Bem, vamos ao pedal, antes de sair eu troquei minha roda traseira que estava zuada, com raios quebrando a todo o momento. Agradeço a galera da Caloi que me mandou uma roda nova. Falei do problema e pedi para mandarem uma roda reforçada, então mandaram esse aro com os raios trançados.

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Pesquisando, fiquei sabendo que dessa maneira eles ficam bem mais reforçados e que é comum a galera de DH (down hill, descida de montanhas) usar aros assim. Como não tenho as chaves, acabei contando com o pessoal da Taguaciclo, que deu uma geral na magrela, apoiando também o Projeto Biomas.

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Antes de sair ainda coloquei os pneus 700 x 28c. Um pneu de asfalto que ganhei da Renata Falzoni antes da viagem, o Levorim Prime. Pneu maneiro, leve, dobrável e que tem uma boa performance no asfalto. Não é recomendávem em asfalto muito abrasivo como os de Tocantins, mais por causa do peso da bike que faz o pneu furar com facilidade na sujeira e buracos. Como o asfalto de Brasília a Patos de Minas está bom, vou usá-lo até lá.

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Voltando ao pedal, peguei um longo trecho de ciclovia numa dessas Eps para acessar a rodovia que me levaria a Cristalina. Problemas logo no primeiro cruzamento, pra variar o pare está para o ciclista que em desacordo com o Código de Trânsito Brasileiro, tem que dar preferência aos motorizados. Já para os motorizados, sequer um aviso que ali há uma ciclovia.

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Saí bem tarde de Brasília, as 14h00 e pedalei forte pois não via a hora de me livrar daquele trânsito tenso. Mas a boa notícia veio da numerologia, pois meu GPS passou da marca dos 4000 kms rodados. Como eu o liguei apenas do Pantanal em diante, já passei da marca dos 5500 kms pedalados.

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Cerca de 20 kms depois que saí já estava em Goiás, trânsito bem mais tranquilo, então passei a socar a bota, logo Brasília já estava distante.

O trajeto não é lá tão interessante, muitas fazendas, muitos carros e alguns belos vales no caminho, mas não tirei muitas fotos. As 19h30, ainda restavam uns 20 kms até Cristalina, foi quando encontrei um posto na estrada.

Liguei meu celular e vi que tinha um sinal fraco da Tim, então resolvi ficar no posto até levando em conta o conselho de vários caminhoneiros que disseram esse posto ser bem melhor que os da cidade.

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Como iria armar minha rede e dormir ao relento, prefiro ficar em postos mais afastados dos centros urbanos, pra não correr o risco de alguém mecher nas minhas tralhas enquanto durmo. Além do mais, esse posto tem chuveiro quente e uma bela janta no esquema coma a vontade, por apenas R$8,00. Esse prato aqui foi só da salada.

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Agora é descansar e torcer para não chover de madrugada. Amanhã (quarta, dia 09) sigo para Paracatu, lá serei recebido pela mãe do Kico, um dos ciclistas do Nova Origem, galera de Juiz de Fora que estão dando a volta ao mundo.

Amanhã será mais um estado que deixo para trás, entro em Minas, onde irei comer aquela comida maravilhosa e repor minhas energias para chegar em São Paulo a mil por hora. É, estou cada vez mais perto…