A viagem de verdade começa AGORA!

Esqueçam tudo que viram até aqui. Agora a viagem vai acontecer exatamente como eu propunha. Tenho exatos 15 reais na carteira e nada no banco. Com esse dinheiro, tentarei comprar umas pilhas alcalinas e um facão, algo que todo mundo sugeriu para entrar no Pantanal.

Estou indo sozinho e sem conexão via celular. Meu Tim morreu antes mesmo de entrar no Pantanal, aqui só pega Vivo e olhe lá. Tem noticia de que apenas 2 ciclistas cruzaram o Pantanal sozinho. E nenhum deles fez pela rota que farei. Portanto se conseguir atravessar o Pantanal, serei o primeiro ciclista que não é da região a fazer essa travessia.

Eu tinha duas opções, a primeira, mais fácil e até com mais chances de registrar animais. Iria pelo asfalto na direção de Corumbá e de lá subir o rio Cuiabá de chalana até Porto Jofre, inicio da Transpantaneira. O problema era conseguir subir de barco, pois sem dinheiro, dificilmente arrumaria uma carona.

A segunda opção seria seguir o trajeto que o Yanko e seu amigo fizeram nesse ano, pelo Alto Pantanal, saindo bem próximo de Porto Jofre. Esse caminho é bem mais complicado, dificil e também perigoso.

Julho é o alge da época de seca, mas agora começou a temporada de chuvas, com um calor infernal é certeza de que terei inúmeras dificuldades.

“Cuidado com a onça”, “Você vai sozinho? Tá Maluco?”

Cansei de ouvir histórias, uma pior que a outra sobre pessoas que já morreram vitimas de onça, cobra e tudo mais. Confesso que a dúvida bateu de verdade e quando perguntei que caminho fazer a algumas pessoas que já me conhecem, todo mundo mandou fazer o mais difícil. Ou essa galera bota fé demais em mim ou querem me ver pelas costas, rs.

Fiquei quase 6 dias em Campo Grande, dei uma geral na minha bike, gastei o resto do dinheiro que tinha arrumando a bicicleta e comprando acessórios para os equipamentos eletrônicos e conversei com muitas pessoas que conhecem o Pantanal.

Me preparei muito bem, quando esse post for publicado, provavelmente estarei já dentro do Pantanal. Os próximos dias serão sem contato com o mundo exterior, programarei apenas mensagens padrão de que estou iniciando ou terminando um dia de pedal e o máximo que vocês conseguirão acompanhar é o meu progresso via rastreador.

Sim, estou muito apreensivo. Sim, estou com medo mas será ele que me guiará para que eu faça tudo com prudência, que tome as decisões corretas. E sempre irei lembrar que tem um moleque lindo me esperando em casa e vou fazer de tudo que nada de mal me aconteça.

Pessoal, torçam por mim. Mandem pensamentos positivos e espero que nada de mal me  ocorra para que eu possa retornar mais vezes para esse paraíso de lugar.

Agora só dependo da minha experiência, intuição e da famosa solidariedade dos pantaneiros, aqueles que irão me ajudar durante esses dias. Até Poconé.

O Rastreador via GPS

Uma das novidades dessa minha cicloviagem, sem dúvida é esse rastreador via GPS que estou carregando. Aliás gostaria muito de ouvir os comentários da galera que está me monitorando, pois eu mesmo dificilmente acesso o site (até porque sempre sei onde estou).

O rastreador foi cedido pela Maré GPS e funciona assim. Enquanto estou me preparando eu ligo o aparelho para ele pegar as informações dos satélites. Quem já está familiarizado com aparelhos GPS sabe que as vezes, pode demorar um pouco para ele detectar os satélites.

Então entro no site da Spot e lá eu cadastro uma mensagem do “Estou Aqui”. Essa mensagem pode ir tanto por email ou por torpedo (sms) para pessoas que eu pré cadastrei no site. Também posso cadastrar redes sociais para receberem essa mensagem. Então quando começo o pedal, aperto o botão “OK” uma vez e ele envia a mensagem que eu cadastrei no site para os emails, celulares cadastrados e para o twitter e facebook do bicicreteiro.

Quem já vem acompanhando, pode notar que sempre que começo e termino um trajeto, mando uma mensagem personalizada. Isso porque em todas as cidades que eu parei, sempre havia sinal de celular. Agora por exemplo que vou entrar no Pantanal, dificilmente haverá sinal, portanto eu devo manter uma mensagem padrão como “Iniciando ou terminando um dia de pedal pelo Projeto Biomas”. Nesse caso, quem ver a mensagem deverá supor, de acordo com o horário, se estou partindo ou chegando.

Outra função interessante do rastreador é o “Siga-me”. Essa mensagem do “Estou aqui” manda uma única coordenada e depois que a mensagem é enviada, eu pressiono o botão “OK” por alguns segundos, até a luz verde começar a piscar. Quando isso ocorre, a cada 10 minutos, o próprio aparelho manda a coordenada de onde estou para a página que está linkada aqui ao lado direito, com o nome “Me monitore via GPS”. Nessa página qualquer pessoa poderá ter noção do ponto exato que estou.

Ainda há dois botões importantes, o “Help” e o “911”. Se eu apertar o Help, algumas pessoas que eu cadastrei no site receberão mensagens a cada 10 minutos e saberão que eu tenho algum tipo de problema. Nesse caso, com as coordenadas, eles podem tentar me localizar e prestar socorro.

Agora se eu pressionar o “911”, uma central lá nos Estados Unidos receberá a mensagem, irá primeiro ligar para os telefones cadastrados para saber se eu realmente posso estar precisando de alguma coisa e depois de lá, procurar as autoridades mais próximas e coordenar um possível resgate.

Há também a possibilidade de pagar uma taxa anual e nesse caso, uma central aqui no Brasil prestaria todo o socorro em caso de emergência.

E o mais importante, tudo isso é sinal de satélite, ou seja, mesmo onde não há sinal de celular, se o aparelho estiver ligado, eu sempre poderei enviar os sinais com minhas coordenadas.

Apesar da segurança que esse simples aparelho me proporciona, espero fazer minha viagem inteira somente usando os botões “ON/OFF” e o “OK”, pois apenas eles já fazem uma diferença enorme na viagem.

Para mais informações sobre o aparelho, consultem o pessoal da Maré GPS.

Teste do rastreamento via satélite

A Maré GPS está dando um apoio no Projeto Biomas cedendo um rastreador Via Satélite e um GPS Garmin Etrex Venture HC. Bem, depois que passei a usar aparelhos GPS nas pedaladas, nunca mais usei um velocimetro, mais por frustração pois dificilmente ele vai conseguir me dar todas as informações que um GPS fornece.

Mas nesse post quero falar de outro aparelho, esse laranja da foto acima. Ele é um rastreador que transmite minha posição via satélite (e não por sinal de celular como a maioria do que temos por ai).

Hoje (sexta dia 12 de novembro de 2010) como tenho vários afazeres na rua, vou testar esse equipamento e vocês poderão me ver onde estarei durante o dia clicando aqui, ou acessando o link do lado direito da página.

Sempre que começar uma pedalada, eu ligo o aparelho que passa a mandar minhas coordenadas a cada 10 minutos para esse link acima. Também mandarei uma mensagem do “Estou Aqui” do aparelho, que vai mandar uma mensagem pré programada para meu Twitter, Facebook e para o email de alguns contatos que vão me monitorar durante a viagem.

Portanto sempre que aparecer a mensagem do “Estou aqui”, tanto no Twitter como no Facebook, quer dizer que estou começando ou terminando uma jornada.

Outra coisa interessante, nesse aparelho há ainda dois botões, o “Ajuda” e o “SOS”. Se eu clicar no “Ajuda”, algumas pessoas receberão uma mensagem por email e pelo celular e significa que estou com problemas.

Agora se eu clicar no “SOS”, uma central lá nos EUA vai entrar em contato com um telefone cadastrado para saber se realmente estou viajando e se confirmado, eles mesmo entrarão em contato com as autoridades mais próximas a mim para proceder um resgate.

Obviamente que não pretendo apertar esses botões nem a pau, mas é bom saber que um aparelhinho tão simples pode salvar sua vida. Portanto recomendo a todos que vão se aventurar por ai.