O meu primeiro livro

O primeiro passo para uma grande conquista… Sonhar


Clique na capa para baixar a versão em pdf do livro

Em 2003 comecei a escrever um livro onde eu detalharia como eu iniciei no Cicloturismo e onde começou essa minha paixão pela bicicleta. Depois de alguns meses lá estava ele, meu primeiro livro onde narro desde a compra da minha primeira bicicleta, até os detalhes da minha primeira viagem de verdade, quando pedalei pelo litoral sul do estado de São Paulo, até as divisa com o estado do Paraná. Na verdade esse livro era para contar também como foi a minha primeira viagem de bicicleta pelo Rio Tietê, mas como isso renderia o dobro de páginas (e não teria dinheiro para imprimir) deixei para escrever isso numa possível segunda edição.

Como estou escrevendo o livro sobre a viagem do Projeto Biomas e precisava resgatar algumas informações do meu passado, voltei a reler trechos do livro. Foi divertido rever um André bem diferente do que sou hoje, bem mais vibrante, sonhador e por diversas vezes bastante ingênuo.

Ler o livro está servindo até como uma terapia, lembro que apesar do livro não ter trazido quase nenhum resultado financeiro, vê-lo publicado foi de uma satisfação e alegria só comparável ao nascimento do meu filho. Tomara que essa leitura me ajude, pois o que mais preciso agora é de 10% da garra e força de vontade daquele André.

Os anos passam e a evolução intelectual que deveríamos tirar proveito parecem desaparecer perto da evolução do tamanho dos problemas. Aliás, desde que eu nasci parece que minha sina é viver rodeado de problemas. Mas mesmo com problemas tão sérios como os que estou vivendo agora, faz bem lembrar que apesar de tudo estava feliz e era uma pessoa vibrante, apaixonante.

Não sei exatamente como, mas de alguma forma eu cativava as pessoas ao meu redor e fazia todas elas embarcarem nos meus sonhos. E quando eles se realizavam, percebia o quanto essas pessoas ficavam felizes com minhas realizações, até porque elas se sentiam também parte dela.

Vou continuar lendo o livro e de alguma maneira tentar mergulhar um pouco na vida daquele André Pasqualini e tentar resgatar um pouco daquela força toda. Tenho até vontade de editar esse livro novamente, mas não farei agora, pois não quero contaminar aquele André, com essa minha rabugisse que espero ser momentânea. Mas saberei a hora exata de editá-lo e principalmente complementá-lo com a interessante história por trás da primeira viagem de bicicleta pelo Rio Tietê.

Quem quiser curtir essa viagem comigo, pode clicar na figura acima, ou mesmo nesse link e baixar o pdf do livro. Enquanto isso continuo trabalhando no livro do Projeto Biomas. E viva a nostalgia.

São Paulo, terra da SaCANA

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Sempre que cruzar um estado, farei um post específico com minhas impressões gerais, começando por São Paulo.

Numa das Bicicletadas Paulistana, fiz essa alegoria da foto inicial em referência ao popular carro “Ecosport”. Lembro que parei ao lado de um ecosport e brincando com o motorista falei “te enganaram, o original é esse aqui”. Daí ele me respondeu; “Mas é a álcool”.

Se você tem um carro flex e usa álcool porque é mais barato, tudo bem. Agora se está abastecendo achando que está fazendo um bem para a natureza, se informe melhor.

Como já cruzei o estado duas vezes beirando o Tietê (em 1997 e 2004), creio que tenho dados suficientes para afirmar que muita coisa mudou e para pior.

Falando do movimento das estradas, o aumento do número de carros foi estrondoso e a qualidade das rodovias não era como eu esperava.

Nas rodovias privatizadas, o asfalto é bom, sempre tem acostamento, o problema é a sujeira da pista que me rendeu várias camaras furadas e um pneu cortado. Sem falar que é desagradável pedalar com aquele barulho das rodovias.

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Sempre que possivel, até mesmo pela necessidade de ir parando nas prainhas do Tietê, optava pelas vicinais de asfalto ou terra. Nas de terra sempre eram mais tranquilas, embora exigissem mais do físico.

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Já as asfaltadas, raramente tinham acostamento e você era obrigado a conviver com motoristas insanos, pois sabendo da ausência de fiscalização, abusavam da velocidade, colocando a vida deles e a sua em risco. Apesar do risco, você incrivelmente se acostuma e passa a lidar com isso sem se estressar.

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Mas o que mais me surpreendeu de forma triste, foi a devastação que o cultivo da cana trouxe ao estado. Inspirado na savana, batizei esse “novo bioma” de São Paulo de saCANA. Interpretem como quiserem.

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Não se planta mais nada no estado que não for cana. Vi poucas fazendas de laranja na região de Limeira e apenas alguns sitios aqui e ali plantando algo diferente. Até as fazendas de gado que eram abundantes estão sumindo.

Conversando com alguns fazendeiros, eles dizem que as usinas arrendam o terreno deles por 5 anos, cultivam, colhem, pagam (e bem) e depois devolvem o terreno judiado e o dono tem que se virar para consertar os prejuízos que a monocultura da cana trás.

A Cana precisa de muita água e deixa o solo arenoso, parecendo praia. Seca as nascentes e contamina os rios com tantos agrotóxicos que são usados. Eu mesmo não tive coragem de chupar uma cana sequer, depois que eu senti o cheiro daquilo que eles jogam na cana.

O resultado são sinalizações em praias como Barra Bonita de imprópria para banho.

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O calor na região onde há cana plantada aumenta demais. Na poucas oportunidades que passei por regiões com mata original, a temperatura caia uns 5 graus.

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Há também uma proliferação de algas, que segundo conversei com alguns biólogos, elas crescem porque o rio está poluido, que pode ser tanto pelo cultivo da cana, como do despejo de esgoto das cidades.

O estado de São Paulo está devastado. Tirando poucos parques no seu litoral, cerca de 90% da área do estado virou plantação e pela região por onde passei só dá cana.

Mata ciliar, que deveria proteger os rios inexiste, principalmente no Tietê e nos seus afluentes. Falando só do Tietê, por incrível que pareça, apesar do “suposto” Projeto de despoluição do Tietê ter avançado, o rio hoje está bem mais poluído do que em 1997.

Resumindo, fiquei triste com o futuro do nosso estado, se continuar caminhando nesse ritmo, em breve o Tietê e grande parte dos nossos rios não passarão de um super esgoto a céu aberto, o pouco de mata preservada que temos, logo vai pro espaço.

Por incrível que pareça, em 1997, nosso estado estava bem melhor e mais agradável para se pedalar. Hoje não vejo tantos atrativos para isso.

Itapura, a foz do Rio Tietê

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Essa foi a terceira vez que chego pedalando nessa cidade e das outras vezes, essa chegada sempre significou o descanso, o fim da jornada.

Em 1997, passamos o ultimo dia inteiro, pescando, nadando e até esquiando no Tietê. Em 2004 eu cheguei sozinho ao meio dia, curti a praia e tinha planos de ficar o dia seguinte fazendo imagens do rio. Mas a saudade era tanta que praticamente antecipei a volta em 2 dias. Acho que se eu me basea-se no sentimento que vinha a tona em todas as minhas viagens de bicicleta, muita coisa não teria acontecido.

Voltando, os planos iniciais era vir de ônibus até 3 Lagoas – MS e de lá “continuar” a minha viagem. Mas quando vi que a passagem custava 100 reais, preferi vir pedalando em 3 dias. Depois mudei de idéia novamente e resolvi vir acampando pelas praias do Tietê, até para poder tirar boas fotos e mandar na hora para essa galera que me acompanha.

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Voltando a minha chegada, saí de Sud Mennucci ao meio dia e pedalei 26 kms até Pereira Barreto pelo asfalto. Legal foi ver uma placa indicando “Praia” a mais de 600 kms do litoral.

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Aproveitei que havia esquecido de tomar a vacina da Febre Amarela em São Paulo para tomar na cidade.

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Como queria fazer um trajeto diferente, optei por uma estrada de terra que passa no Bairro Bela Floresta.

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Fiquei procurando a floresta e nada, só canavial, até que encontrei um pequeno oásis no meio do canavial, belos exemplares de Mata Atlântica no meio do nada. Só de passar entre as árvores, a temperatura deve ter caído uns 5 graus.

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Logo a frente encontrei uma espécie de vila fantasma, algumas casas com sinal de pessoas, outras completamente abandonadas. Até que encontrei um pessoal retirando uns cocos de uns coqueiros.

Parei para conversar e ganhei uma água geladinha e até uns cocos de presente.

Voltei a pedalar e mais uns 5 quilômetros voltei para o asfalto, agora faltava cada vez menos para Itapura.

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A última cidade que passei foi Entre Rios, fica bem no alto de uma colina a 12 quilômetros de Itapura. Foi a terceira vez que passei na cidade e pra variar, a terceira vez que parei para tomar uma tubaina.

Segui meu rumo até Itapura, chegando na cidade ainda com sol.

Minha intenção inicial era ficar uns dois dias aqui descansando, mas a ansiedade está demais. Portanto vou logo pra estrada e daqui a pouco cruzo o estado e entro em Mato Grosso do Sul, o segundo dos 8 estados que pretendo passar nessa minha viagem.

Daqui para frente é tudo novidade, vou encarar tão alardeada BR até Campo Grande, com o máximo de cuidado pois tem gente me esperando em casa. Mas não sem antes fazer uns posts sobre as praias de 3 Lagoas. Bora pedalar pois Mato Grosso do Sul promete.

Ah! Vou pedir um favor pra galera dos estados em que passarei. Me consigam uma bandeirinha do estado de vocês, pois gostaria de ter uma bandeira de cada estado. Tomara que vocês tenham mais sorte do que eu, pois em São Paulo, já foi um custo achar uma simples bandeira do Brasil.