Diario do Pantanal – dia 1 – Muitos bichos

Dormi numa rede na varanda da casa do seu Biruca. Como é bom dormir ao ar livre quando não tem mosquito, vento ou chuva. Quem dera todas as noites fossem assim.

A casa do seu Biruca fica a 11 km de Rio Negro e esses seriam meus últimos quilômetros de asfalto. Antes de sair ganhei dois presentes, uma garrafa congelada de Suco de Acerola puro e um Facão, apesar de ter sido entregue pelo Seu Biruca, tenho certeza que foi idéia do Bruno, seu filho que foi para a escola antes da minha saída.

Agora a viagem está como eu queria, estou contando apenas com a solidariedade das pessoas e isso está ocorrendo. Antes de sair de Campo Grande ganhei um garrafão térmico de 5 litros que está fazendo uma diferença, como é bom tomar água geladinha a qualquer momento.

Me despedi do seu Biruca, da sua mulher Ilza e da linda Kaillany e caí na estrada. Que família linda vocês tem, adorei passar o dia aí e espero poder voltar em breve.

Bem, logo que eu saí, vejo algo num pasto. Parecia uma pedra, mas pedra não anda né! Era um enorme tamanduá bandeira, consegui chegar bem perto dele e tirei boas fotos.

Acho que tirei, pois agora estou usando meu celular reserva pois minha máquina resolveu dar pau bem agora, quando entrei no Pantanal.

Cruzei Rio Negro e logo entrei na terra. Peguei ainda um bom trecho de sobe e desce até entrar no Pantanal de verdade. Até ali foram 50 kms e ainda era meio dia. Parei na Coloninha para regarregar meu galão de água e segui até a próxima fazenda.

O pantanal é uma imensa planície e seria uma maravilha para pedalar se não fosse tanta areia. Mas minha 29 tá indo muito bem, apesar de ter muitos trechos com cascalho, não tive que empurrar uma vez sequer.

E quantos animais, apenas nesse trecho de 50 kms de Pantanal já vi mais bichos do que em toda a viagem. Pena que minha maquina resolveu dar pau. Na foto abaixo um Tuiuiu não permitindo que os urubus atacassem o parceiro já morto. Tuiuius são aves que vivem em casais pelo resto da vida. Quando um morre, o outro fica sozinho até a morte.

Tenho muito a aprender com esses animais. Aliás, são várias as aves do Pantanal que vivem a vida inteira em casais.

O GPS dizia que a fazenda mais próxima estava a 12 kms, depois havia a Pindorama a mais 30. Cheguei rapidamente na primeira, ainda eram 14h30 e resolvi ir até a próxima.

No caminho peguei uma chuva rápida que serviu apenas para me dar mais energia, mas logo a frente havia uma tempestade com relâmpagos e fui dosando o ritmo para não alcança-la.

A chuva deixou a areia mais compacta e acho que isso facilitou minha vida, pois conseguia pedalar e manter uma média de 13 km/h, extremamente alta para uma situação dessas.

Pedalei e quando deu 18h00 cheguei no ponto da fazenda Pindorama, mas não achei nem a entrada dela. Então segui mais 6 quilômetros até a fazenda Vitoria que constava no GPS. Pedalei até a sede (que fica longe pra cacete da portaria) e pedi abrigo por um dia.

Aqui consegui abrigo e até comida. Nem precisei armar barraca, usei minha rede e dormi junto com os boiadeiros da fazenda. Dia puxado, 100 quilômetros pedalados sendo 90 em terra, mas a alegria acabou nesse dia.

4 thoughts on “Diario do Pantanal – dia 1 – Muitos bichos

  1. Labão

    Grande André!
    Estava ansioso por voltar a ler seus relatos.
    Bike voyer, hehehe.
    Sucesso Amigão. Alegria Permanente = Pedal Eternamente.

    Bike[]´s

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