Índios, as “onças” do Mato Grosso

Quando estava em Mato Grosso do Sul e dizia que iria atravessar o Pantanal todos comentavam “cuidado com as onças”, “maluco, a onça vai te comer” e por aí vai.

Claro que as preocupações tinham um fundo de verdade, mas havia muito exagero também. Eu evitei ao máximo encontrar uma onça no caminho, mas depois de conhecer de perto o Pantanal e sua realidade, se isso ocorresse, dificilmente teria algum problema.

Agora aqui no Mato Grosso, pra quase todo mundo que digo que passarei pelo Xingu é “esconde os eletrônicos”, “vão robar sua bike” e novamente por aí vai. Mas percebo que quanto mais você se aproxima da região e vai entrando em contato com pessoas que realmente conhecem o local, todos confirmam que há um certo exagero, mesmo assim dizem pra eu tomar cuidado.

Meus amigos cicloturistas do Nova Origem, passaram por uma reserva Xavante e viram um índio com um rifle no meio da estrada. Bateram um papo com o índio que disse quererem respeito pois eles são guerreiros e se não respeitarem eles matam mesmo.

Há índios de tudo que é tipo, tem aqueles que querem mesmo preservar a mata e sua cultura e tem também aqueles que expulsam e matam garimpeiros para garimparem em lugar. Tem aqueles também que “arrendam” a floresta para madeireiros, depois os expulsam e ficam com a madeira e o dinheiro.

Mas acredito na força da bike, creio que como a maioria das pessoas que encontrei, eles também ficarão impressionados e tentarão ser solidarios.

Daqui de Matupa tentarei pedalar o mais próximo que puder da reserva em um dia. Segundo o GPS sao 250 kms São José do Xingu, primeira cidade depois da reserva. Espero que tenha conseguido (vocês podem conferir pelo rastreador) pedalar mais de 130 kms, assim no segundo dia realizar a travessia do Rio Xingu onde há uma balsa controlada e operada pelos próprios índios. Eles cobram por isso e segundo um motorista de Cuiabá, o preço varia de acordo com “sua cara”.

Olhando bem para a minha cara no espelho, creio que além de deixarem eu passar de graça, ainda me darão um troco para comer um pf (rs).

Tem mais, quero muito passar pelo menos um dia numa aldeia e irei tentar fazer isso durante a minha travessia da Balsa, quero com essa convivência, aprender um pouco mais sobre a floresta e até também ouvir um pouco sobre o que eles tem a dizer do “homem branco”.

Para saberem melhor que região estou, Matupa fica a uns 200 kms de onde caiu aquele avião da Gol que se chocou com o Legacy. Irei passar lá perto mas obviamente não irei até o local dos destroços pois além de ser longe da rodovia, não tem nada a ver com a viagem.

Quando esse artigo for publicado estarei bem no meio da mata e cada vez mais me embrenhando na Floresta Amazônica. Devo voltar a ter conexão daqui a 5 ou 6 dias, em Confresa, mas da mesma forma que fiz no Pantanal, diariamente irei escrever e guardar os relatos para publicar o quanto antes, portanto vocês não perderão nada da viagem.

Adoro essa convivência diária com vocês e prometo que na próxima aventura, além de carregar um chip de cada operadora, ainda levarei alguma coisa que transmita dados via satélite (se é que já existe algo tão portátil assim).

Agora é hora de colocar meu pneu slick pra descansar e o trator pra trabalhar, pois durante os próximos dias, minha Caloi deixará de ser uma veloz estradeira para ser uma robusta e eficiente 29′. Até mais.

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4 thoughts on “Índios, as “onças” do Mato Grosso

  1. Shauan Bencks

    Cara, tb estou viajando contigo, sou um aspirante a cicloturista, quero fazer minha primeira viagem, de apenas 240Km, e ler vc dizer que só não faz cicloturismo quem não quer me anima bastante.

    parabéns, nos vemos em outros coments.

    shauan

  2. Marlene

    Concordo com a Juliane, André.
    Está sendo ótimo viajar contigo, principalmente depois de ter acabado de chegar de um ciclotur aqui pela minha região.
    Estou sempre falando de vc com meus amigos da bike.
    Parabéns pela empreitada pois quem pedala sabe como é dificil, e ao mesmo tempo prazerozo, pedalar.

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