Adeus Brasília, chega de sufoco

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Enquanto em São Paulo temos os “Bike-anjos” que incentivam e estimulam novos ciclistas a tomarem as ruas da cidade, meu amigo de Brasília que usa a bike como meio de transporte, diz que não tem coragem de incentivar alguém a pedalar nessa cidade.

Olha, São Paulo não é nenhuma maravilha, mas aqui a coisa é feia. Brasília não tem transporte público (é tão ruim que para mim é como não ter) não tem calçadas e também não tem avenidas. Tem é “rodovias” no meio da cidade, tudo para fazer o Brasiliense (que tem carro) andar mais rápido. Tem as Eps que cortam a cidade e não tem semáforos, nem em frente de acessos a parques, como na foto inicial.

Pior que o povo daqui (a maioria) acha tudo isso normal. No prédio do Uirá, brother que me hospedou em Brasília, é fácil ver os moradores indo de carro, comprar pão no Pão de Açucar que fica a 300 metros do prédio. Até compreendo eles, pois fiz esse trajeto a pé e encontrei 6 carros nas calçadas, me obrigando a andar na rua.

Simplesmente, essa cidade é horrível para quem não se desloca de carro. E também está ficando horrível para os motorizados por motivos óbvios. Mudanças? Duvido, pois na cabeça desse povo, quanto mais melhoria para os carros melhor, até o comércio faz propaganda do aumento de vagas para carros.

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Bem, vamos ao pedal, antes de sair eu troquei minha roda traseira que estava zuada, com raios quebrando a todo o momento. Agradeço a galera da Caloi que me mandou uma roda nova. Falei do problema e pedi para mandarem uma roda reforçada, então mandaram esse aro com os raios trançados.

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Pesquisando, fiquei sabendo que dessa maneira eles ficam bem mais reforçados e que é comum a galera de DH (down hill, descida de montanhas) usar aros assim. Como não tenho as chaves, acabei contando com o pessoal da Taguaciclo, que deu uma geral na magrela, apoiando também o Projeto Biomas.

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Antes de sair ainda coloquei os pneus 700 x 28c. Um pneu de asfalto que ganhei da Renata Falzoni antes da viagem, o Levorim Prime. Pneu maneiro, leve, dobrável e que tem uma boa performance no asfalto. Não é recomendávem em asfalto muito abrasivo como os de Tocantins, mais por causa do peso da bike que faz o pneu furar com facilidade na sujeira e buracos. Como o asfalto de Brasília a Patos de Minas está bom, vou usá-lo até lá.

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Voltando ao pedal, peguei um longo trecho de ciclovia numa dessas Eps para acessar a rodovia que me levaria a Cristalina. Problemas logo no primeiro cruzamento, pra variar o pare está para o ciclista que em desacordo com o Código de Trânsito Brasileiro, tem que dar preferência aos motorizados. Já para os motorizados, sequer um aviso que ali há uma ciclovia.

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Saí bem tarde de Brasília, as 14h00 e pedalei forte pois não via a hora de me livrar daquele trânsito tenso. Mas a boa notícia veio da numerologia, pois meu GPS passou da marca dos 4000 kms rodados. Como eu o liguei apenas do Pantanal em diante, já passei da marca dos 5500 kms pedalados.

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Cerca de 20 kms depois que saí já estava em Goiás, trânsito bem mais tranquilo, então passei a socar a bota, logo Brasília já estava distante.

O trajeto não é lá tão interessante, muitas fazendas, muitos carros e alguns belos vales no caminho, mas não tirei muitas fotos. As 19h30, ainda restavam uns 20 kms até Cristalina, foi quando encontrei um posto na estrada.

Liguei meu celular e vi que tinha um sinal fraco da Tim, então resolvi ficar no posto até levando em conta o conselho de vários caminhoneiros que disseram esse posto ser bem melhor que os da cidade.

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Como iria armar minha rede e dormir ao relento, prefiro ficar em postos mais afastados dos centros urbanos, pra não correr o risco de alguém mecher nas minhas tralhas enquanto durmo. Além do mais, esse posto tem chuveiro quente e uma bela janta no esquema coma a vontade, por apenas R$8,00. Esse prato aqui foi só da salada.

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Agora é descansar e torcer para não chover de madrugada. Amanhã (quarta, dia 09) sigo para Paracatu, lá serei recebido pela mãe do Kico, um dos ciclistas do Nova Origem, galera de Juiz de Fora que estão dando a volta ao mundo.

Amanhã será mais um estado que deixo para trás, entro em Minas, onde irei comer aquela comida maravilhosa e repor minhas energias para chegar em São Paulo a mil por hora. É, estou cada vez mais perto…

8 thoughts on “Adeus Brasília, chega de sufoco

  1. Matheus

    como voce fez para a Caloi te enviar a roda reforçada? tenho muitos problemas com minhas rodas, vivem empenadas, e com os aros quebrados, já não aguento mais, quero uma solução definitiva.

    1. bicicreteiro

      Oi Matheus, eu tive apoio da Caloi nessa viagem, até porque usamos a viagem para testar como as bicicletas da Caloi responderiam a situações extremas. Essa solução do raio trançado resolveu meu problema mas só até chegar em São Paulo.

      Agora problemas com raios quebrados, primeiro que não existe solução definitiva, não existe roda nem de titânio que nunca quebrem ou empenem, mas existem algumas coisas que podem forçar com que ocorram quebras de raios com maior constância.

      No meu caso foram dois fatores principais. Primeiro o excesso de peso, carregava mais de 50 quilos nas bagagens, portanto um buraco em alta velocidade, com tanto peso, impossível não ter problema com a roda, por isso que eu ia desempenando minha roda durante toda a viagem.

      Mas depois de Cuiabá, quando por algum defeito no aro eu tive que trocá-lo, cometi um erro na hora da montagem da roda. Ao invés de observar o sentido que os raios estavam e montar o novo aro respeitando esse sentido, eu coloquei de qualquer jeito, alterando a posição dos raios.

      O cubo já tinha um certo desgaste no local onde fica a cabeça dos raios, como eu alterei a posição, um novo desgaste ocorreu e sem nenhum aviso os raios começaram a quebrar, até mesmo quando pedalava no asfalto, sem pegar um buraco sequer. Se você já trocou o aro da sua roda e na hora da montagem não verificou esse detalhe, provavelmente essa é a causa das quebras, nesse caso, a única solução é trocar o cubo colocando um novo.

      Abs

      André

  2. Pingback: uma roda traseira mais resistente? | as bicicletas

  3. Duend Urbano

    Energia retoma brilhante caminho… Parabens ! Quanto a Brasilia nas questões de mobilidade, ela foi fundada no ápice da Indústria Automotiva… Oscar Niemeyer projetou o momento, desejos atuais que podem e devem, quando há mudança de comportamento modal, serem modificados… As cidades são dinâmicas e obrigam transformações no desenho urbano… Vamos torcer para que a FAIXAVERDE, como sugestão, nestas Avenidas-rodovias, assim como as Azuis de Londres em breve possa acontecer na Capital Inicial.
    PS. Não esqueça de catalogar as mutucas mineiras… Glup!uai

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