Mais uma quebra de paradigmas, a Ciclofaixa de Moema

Em outubro de 2010, quando ainda estava a frente do Instituto CicloBR, em parceria com os técnicos da TC Urbes, apresentamos um projeto de um sistema Cicloviário com bases em Ciclofaixas e tráfego compartilhado, inclusive entre ônibus e bicicletas. Um modelo polêmico, mas que obviamente não seria implantado sem um prévio treinamento junto aos motoristas de ônibus que passam pela via e principalmente sem um tratamento de redução de velocidades na região. Os detalhes do projeto apresentado a CET pode ser conferido aqui. Esse pdf não foi a última versão que apresentamos (quando tiver ele em mãos divulgo), mas dá para se ter uma idéia do que apresentamos e comparar com o que foi implantado.

Essas reuniões ocorreram até outubro de 2010, depois disso a CET fez seu próprio projeto  mas não nos chamou para discuti-lo antes de implantado.

Fui até Moema no dia 06 de novembro de 2011, um dia após o lançamento oficial e fiz minhas avaliações. Nesse post vou colocar minhas impressões com base na minha experiência técnica e também minhas observações em relação a inúmeras (algumas infundadas) críticas ao projeto que tenho lido e ouvido na mídia.

Agora críticas individuais como daquela dona de uma botique que não está preocupada com a cidade, mas sim em como suas clientes de salto alto vão fazer para parar seus carros importados, ou mesmo das pessoas que resumem tudo a indústria de multas, essas vou considerar trolls e ignorar. Portanto se quiserem usar o espaço dos comentários para “resumir” suas críticas nem percam tempo. Agora se você está a fim de discutir questões coletivas, esse será um excelente fórum. Portanto vamos às avaliações.

Sobre o Traçado

Clique aqui para ver o traçado implementado pela CET

Quando trabalhamos no traçado do sistema de ciclofaixas de Moema, pensamos em vias ligando pontos de interesses residenciais e comerciais, além de alternativas as vias mais movimentadas, servindo tanto aos ciclistas do bairro ou mesmo do entorno que precisa passar ou acessar o bairro. Por isso sugerimos a pintura da Ciclofaixa na Avenida Jurupis como alternativa a Ibirapuera para quem vai sentido Parque das Bicicletas e na Maracatins (formando assim um binário), sendo que na Maracatins ela seria uma faixa exclusiva para ônibus e bicicletas.

A Alameda dos Maracatins tem como velocidade máxima de 40 km/h, e na nossa proposta teríamos duas faixas para rolamento dos carros de passeio e uma mais larga, exclusiva para ônibus e bicicletas, até com espaço para ultrapassagem se necessário. Desconsiderem a terceira faixa do desenho pois na última versão corrigimos esse detalhe deixando apenas  duas faixas. Nessa faixa compartilhada os ônibus trafegariam a 30 e não a 40 km/h. Os motivos dessa redução nem seria por causa dos ciclistas, mas em relação ao grande movimento de pedestres da via. Como a frenagem de um ônibus na mesma velocidade que um carro é mais difícil, os ônibus deveriam andar nessa pista a 10 km/h a menos que os carros como já ocorre nos corredores de ônibus.

Aliás esse compartilhamento entre ônibus e bicicletas já ocorre em Londres, Paris, São Francisco e diversas outras cidades ao redor do planeta. E com base na minha experiência quando realizei um curso de direção defensiva junto aos motoristas de ônibus de São Paulo, tenho certeza que a convivência entre ônibus e ciclistas é muito mais fácil de ser administrada do que o senso comum imagina.

Já a Ciclofaixa implantada na Pavão e na Rouxinol foi exatamente como sugerimos. São duas vias de ligação para o ciclista que planeja se deslocar entre os bairros de Moema e Vila Olímpia, portanto ponto para a CET.

Já as Ciclorrotas, todas são bem funcionais e eficazes para levarem os ciclistas do bairro até a Ciclofaixa de Lazer. Como era um domingo vi muitos ciclistas pedalando na região e utilizando as rotas. A única falha que eu vejo foi o “esquecimento” da Alameda dos Jurupis como ao menos uma Ciclorrota, já que ela não é apenas uma excelente alternativa a Avenida Ibirapuera (sentido centro), como já é uma ótima alternativa dos ciclistas do lado “Índios” de Moema (entre as avenidas Rubem Berta e Ibirapuera), além dos ciclistas que vem da região do Campo Belo com objetivo de acessarem o Parque do Ibirapuera, das Bicicletas, onde começa a Ciclofaixa de Lazer dominical.

Portanto se fizer uma avaliação de 0 a 10 sobre o trajeto posso dar uma nota 8 para a CET.

A forma de implantação

Nas avenidas Rouxinol e Pavão a ciclofaixa foi implantada na esquerda da via e não na direita como é mais convencional. Não há nenhum erro pois o CTB (no art. 58) manda o ciclista andar nos bordos da pista e não na faixa da direita. Mas a forma mais convencional de deslocamento dos ciclistas é mesmo a direita e por padrão, só devemos jogar o ciclista na esquerda ou no canteiro central de uma avenida apenas se realmente não houver outra alternativa.

Não sei o porque optaram em colocar na esquerda, creio que o motivo foi o de te tentar forçar os motoristas a fazerem o desembarque do lado direito. Sabemos que mais da metade dos carros que vemos em circulação se deslocam com uma pessoa dentro, portanto é mais provável ocorrer um desembarque pela esquerda (lado do motorista) do que pela direita. Levando isso em consideração ainda considero que a melhor opção seria manter a Ciclofaixa na direita da via e não a esquerda.

Reparem na imagem acima da Avenida Rouxinol. Notem que temos 3 faixas de rolamento para os carros e uma faixa para as bicicletas. Há carros estacionados na direita porque aos domingos eles são liberados. Notem que a faixa pontilhada ao lado da Ciclofaixa são estacionamentos de Zona Azul, que também funcionam apenas em horários pré definidos.

Aqui é o ponto que eu considero o maior problema e o causador de toda a confusão e reparem como a solução é mais simples do que parece.

Os estacionamentos de Zona Azul junto a Ciclofaixa funcionam de 2ª a 6ª das 9h00 as 17h00 e aos sábados das 9h00 as 14h00. Nos demais horários, (domingo, por exemplo) o estacionamento na Zona Azul é proibido. Agora vejam essa outra foto de uma placa do lado direito da via, do lado oposto a Ciclofaixa.

O estacionamento na faixa da direita é proibido das 7 as 21h de segunda a sexta e das 7 as 14 aos sábados. Outro detalhe dessa foto é o limite de velocidade que é de 40 km/h, algo que falarei mais adiante.

Vejam só, temos 3 faixas de rolamento apenas durante 5 horas diárias, isso nos dias de semana já que sábado todas as faixas estão liberadas apenas por duas horas. Ou seja, durante uma semana com 168 horas, temos 141 horas com duas faixas de rolamento e 27 horas com 3, justamente nos horários de pico. Repararam a confusão que foi criada só para termos 27 horas por semana com três faixas, será que o benefício dessas 27 horas compensam o transtorno que ocorre nos demais horas e dias da semana?

Como resolver o problema? Simples, basta deixar um lado com estacionamento e o outro com a Ciclofaixa. Qual o impacto no trânsito que essa faixa de rolamento a menos irá gerar? Com certeza muito menos do que o confuso sistema que a CET fez para ter essa 27 horas com três faixas criou.

Portanto se avaliarmos a forma de implantação eu daria um 6, até porque tenho quase certeza que a CET vai acabar corrigindo essa falha.

Buracos e defeitos na pista

Agora temos que separar as coisas. A CET não faz pavimentação, ela é uma empresa de sinalização e gerenciamento de tráfego. Quem é responsável por asfalto, buracos ou mesmo fiscalização de prédios com calçadas irregulares é a Sub Prefeitura. A CET pode até recapear a via antes de implantar uma sinalização, mas para isso ela deveria fazer um processo licitatório que sabemos ser lento até por não ser função dela. Portanto nem entrarei no mérito dos buracos pois isso não é culpa da CET ou dos responsáveis pela implantação do sistema de rotas e ciclofaixas de Moema.

Sem falar que para nós que já estamos acostumados a pedalar por São Paulo, não é um asfalto ruim ou canaletas nos cruzamentos que me impedem de pedalar. Nosso problema é falta de espaço e respeito. Buracos é algo que com o tempo se resolve sozinho e vamos convir, há 10 anos atrás nossas ruas eram bem mais imprestáveis do que são hoje. Lembro que nenhum dos meus amigos tinham coragem de pedalar em São Paulo com Estradeiras devido a quantidade de buraco. Hoje que digam os fixeiros que deslizam com muito mais tranquilidade pelas ruas da cidade.

Falta do Bike Box

Bike Box é uma sinalização que não existe no Manual Brasileiro de sistemas cicloviários, aliás nem a normatização para implantação de ciclofaixas está perto do ideal. Aí que entra a importância desse projeto em Moema, pois como ele é um projeto piloto, a partir dele poderemos criar uma normatização que poderá servir de base para a criação de sistemas cicloviários em todas as cidades brasileiras.

Na primeira foto temos um exemplo de um Bike Box em São Francisco e na foto acima podemos imaginar como o Bike Box poderia ser implementado nesse sistema de Moema. Nessa área entre a faixa de pedestre e a faixa de contenção dos carros poderia ser implementado um Bike Box que auxiliaria o ciclista que pretende fazer a conversão a direita, cruzando a frente dos carros parados enquanto o semáforo está fechado. O Bike Box serve também como uma forma de contenção para que o motorista que irá fazer a conversão aguarde o ciclista cruzar a via para depois entrar a direita ou a esquerda.

Velocidade da via

A velocidade máxima regulamentada nessas vias é de 40 km/h. Veja no gráfico abaixo que a escolha da infraestrutura cicloviária tem como parâmetros a velocidade dos carros na via e o volume de ciclistas. Se a velocidade dessa via fosse de 30 km/h não haveria a necessidade de ciclofaixas, bastaria uma sinalização de tráfego compartilhado como ocorreu nas vias onde implantaram as ciclorrotas. Portanto, de acordo com a velocidade dessa via cabe sim a necessidade de uma Ciclofaixa.

Avaliação final

Claro que sempre haverá aqueles que são contra as mudanças, fiquei sabendo que nessa padaria há um abaixo assinado contra a Ciclofaixa. Duvido que o dono dessa padaria, vendo o aumento do número de ciclistas que irão usar suas magrelas para comprarem seus pãezinhos (ao invés de carro) continue sendo contra a Ciclofaixa. É mais provável que ele coloque paraciclos em uma das vagas que ele tem para carros e passe a apoiar a nova infraestrutura.

Apesar de haver um abaixo assinado contra, tenho certeza que teremos muito mais moradores de Moema a favor dessa nova infraestrutura, até porque esse debate não é novo e eu mesmo já recebi várias mensagens de moradores da região apoiando a idéia, principalmente depois desse meu debate com a senhora Lygia, ilustre moradora de Moema, no ano passado quando falei sobre o projeto na CBN.

Talvez seja necessário alguma forma de mobilização para demonstrarmos que estamos sim contentes com essa iniciativa, até para esses que estão lutando contra a Ciclofaixa percebam o tamanho da estupidez de sua atitude. É importante também a CET receber mensagens de apoio a Ciclofaixa pois até pelo teor das matérias que eu vi por aí, muitas das críticas chegam a ser injustas, está mais para pelo em ovo do que críticas fundamentadas. Portanto essas demonstrações de apoio vão servir de argumentos para aqueles que estão lutando pela bike lá dentro que continuem com força.

Ouvi falar que numa das entrevistas para a mídia o pessoal da CET disse que as ciclofaixas foram implantadas em caráter de teste e que se em 15 dias não for aprovada pela população elas podem ser retiradas.

ISSO NÃO PODE JAMAIS ACONTECER!

Temos que aprimorar o que já existe e ampliarmos, recuar jamais, isso todos nós temos que lutar. Temos também que dar um desconto a CET até porque no Brasil, Ciclofaixa é novidade. Há sim alguma coisa em algumas cidades do Brasil mas pelo menos as que eu encontrei por aí não são soluções que não buscam fomentar ou proteger o ciclista, mas sim uma tentativa de fazer com que os ciclistas atrapalhem os motoristas de carros particulares o menos possível.

Já nesse projeto da CET, apesar das falhas existentes em qualquer projeto pioneiro, está claro que o objetivo é trazer segurança ao ciclista e fomentar o uso da bicicleta, portanto não podemos sequer comparar com os demais exemplos que vemos no resto do Brasil. A comparação aqui tem que ser feita com Londres, Paris, Amsterdã, cidades que trabalham no fomento da bicicleta. Temos que fazer como esse agente da CET da foto abaixo que disse a seguinte fase a uma senhora que reclamava da Ciclofaixa.


“A tendência agora é essa, serão criados cada vez mais espaços para os ciclistas na cidade”

Vamos convir, não é justo tirarmos uma faixa de 1,5m numa via de 12 metros só porque alguns motoristas não gostam de pedalar. Em nada eles terão os seus direitos cerceados, pelo contrário, graças essa simples pintura veremos muitos moradores de Moema deixando seus carros em casa, principalmente para realizarem pequenos deslocamentos, seja indo até a padaria, ou no mercado da esquina, tudo isso pelo simples fato de se sentirem seguros pedalando na Ciclofaixa, portanto essa iniciativa tem tudo para ser bom para todo mundo e não apenas para os ciclistas.

Apesar da CET não ter nos consultado antes de implementarem esse Sistema Cicloviário, pela minha experiência creio que eles assimilarão nossas críticas e trabalharão para resolver os problemas. Isso já ocorreu tanto na Ciclofaixa de Lazer, como em algumas ciclovias e na criação das Ciclorrotas do Brooklin. Portanto eu confio na competência técnica deles, principalmente na hora de realizarem os ajustes necessários.

No geral dou nota 8 para a CET a única responsável pela criação das Ciclofaixas de Moema (além claro da Secretaria de Transportes). Mas e o desrespeito dos motoristas e motoqueiros? Esse é um problema fácil de resolver, para isso basta um pouco de fiscalização e cidadania, pois se todos seguirem as regras de trânsito ninguém contribuirá para a “Indústria de Multas”. Eu mesmo que as vezes furo uns semáforos, até para evitar o conflito com alguns motoristas que pretendem fazer conversões, não senti necessidade de fazer isso enquanto pedalava na Ciclofaixa, portanto essa simples infraestrutura pode diminuir de forma considerável, inclusive as infrações que os ciclistas cometem.

No sábado vi várias matérias e flagrantes de desrespeito a Ciclofaixa, já no domingo, tirando o o motoqueiro folgado que não quis se dar ao trabalho de parar sua moto do outro lado da via (onde é permitido) para ver seu mapa, não vi nenhum motorista cometendo infrações de trânsito.

Finalizando, não me venham com esse papo de que essa Ciclofaixa vai causar mais acidentes. “Acharam” que iria ocorrer uma carnificina na Ciclofaixa de lazer e até agora nenhum acidente sério e quando eles ocorrem é porque alguns motoristas imbecis resolvem fazer conversões proibídas.

Mais uma vez darei meu voto de confiança a CET que creio, não irá recuar frente as manifestações contrárias, principalmente daquelas pessoas que se sentem pessoalmente (e não coletivamente) prejudicadas. Questões pessoais jamais devem sobrepor ao bem comum. Já passou da hora daqueles que infelizmente lutam contra a bicicleta aceitar que não dá mais para questionar sua viabilidade. Cabe apenas aceitar que a rua é de todos, deixarem essa guerra estúpida de lado e buscarmos o compartilhamento das vias de forma civilizada, como a maioria dos moradores de Moema já faz em suas viagens para fora do país não é?

André Pasqualini

44 thoughts on “Mais uma quebra de paradigmas, a Ciclofaixa de Moema

  1. Melissa

    Sou de Porto Alegre e estou de olho no que anda acontecendo com essa ciclofaixa. Se ela for aprovada em São Paulo, os governantes daqui abrem mais a cabeça para fazer o mesmo. Se tirarem, vai ser uma grande lástima, em toda parte do Brasil vão dar a desculpa que em Moema não deu certo. Digo isso para que os paulistas se motivem ainda mais a defendê-la, pois não diz respeito apenas a São Paulo, mas vai influenciar o país todo! Abraços, defendam a ciclofaixa! E parabéns à CET pela iniciativa!

    P.S. dava pra divulgar os e-mails da CET para fazermos uma chuva de elogios pela ciclofaixa, né?

  2. Milton Jung

    André,
    Na conversa que tive com a Daphne Savoy, da CET, na CBN, em momento algum se admitiu a possibilidade de se cancelar a ciclofaixa. Os 15 dias citados na entrevista seriam para avaliar a implantação e realizar mudanças em alguns pontos específicos, se necessário. Talvez haja revisão no estacionamento na Zona Azul ao lado da ciclofaixa. “A ciclofaixa é uma conquista de todos”, disse a gerente da CET.

    1. bicicreteiro

      Oi Milton, antes de eu escrever esse texto (e antes da sua entrevista com ela) uma amiga disse que ouviu uma outra entrevista com a Daphne (não sei para qual rádio) e nessa entrevista ela havia comentado sobre a possibilidade de retirada caso a população não aceitasse.

      Até acredito que ela tenha dito isso mas foi sobre a pressão das críticas. Ela mesmo havia me cobrado uma posição pública pois até então só havia recebido críticas mas nós ainda não havíamos nos posicionado e eu particularmente só não havia feito antes pois até eu fui pego de surpresa.

      Confesso que ao ouvir sua entrevista com ela fiquei arrepiado (quem ainda não ouviu, vale a pena http://cbn.globoradio.globo.com/programas/jornal-da-cbn/2011/11/09/UMA-CONQUISTA-DE-TODOS-NOS.htm), também fiquei super feliz ao ver o agente de trânsito dizendo a uma moradora de Moema contra a Ciclofaixa que essa era uma tendência, de cada vez mais espaços para o ciclista e que ela deveria se acostumar.

      Nosso movimento não é apenas a favor das bicicletas e sim a favor de cidades mais justas, mais agradáveis para se viver. Já tivemos até moradores que antes eram contrários a Ciclofaixa mudando de opinião. Esse é o caminho, bom saber que a CET não pensa em voltar atrás, de qualquer forma vamos ficar atento pois se entrarem na justiça você já sabe, da cabeça de um juiz eu espero qualquer coisa.

      Abs

      André

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  4. Ricardo Scheicher

    Olá André,
    acredito que as pessoas que têm reclamado sobre a ciclofaixa de Moema estão apenas sofrendo o primeiro choque de uma mudanças nos paradigmas. Eu não sou de São Paulo, mas fico extremamente feliz que os órgão públicos da cidade estejam abrindo os olhos para esse transporte. Agora acredito que um dia irei ligar a TV e não ver mais a notícia de quilômetros de congestinamento.
    Sou da cidade de Rio Claro, interior de SP. Aqui, o uso das bikes sempre foi muito comum, porém com o crescimento do número de carros o uso começou a ser desestimulado. Nos últimos meses a prefeitura tem pintado ciclofaixas de transporte por toda a cidade. Estou extremamente contente com essa atitude. Sempre tem alguns motoristas e motociclistas que não respeitam, mas no geral ela tem sido muito aceita e muito utilizada. Tem ajudado absurdamente a população.

    Abraços,
    Ricardo.

  5. Mari Lee

    Ótima postagem.
    Gente, vamos divulgar o abaixo-assinado a favor das ciclofaixas!

    Infelizmente, hoje à tarde estive na Rouxinol, almocei lá, fiquei mais de uma hora, e não vi nem um único ciclista…

  6. Eduardo Sokei

    André não seria melhor que a ciclovia fosse feita pela av. Ibirapuera? Seria muito mais útil por ser um corredor ligando outros bairros. Acredito que em ruas mais “calmas” como as que a ciclovia foi feita não seja necessário, mas sim nas avenidas movimentadas e com alto limite de velocidade dos automóveis (Ibirapuera, Paulista, Consolação, Marginais, Radial Leste, etc.)

  7. Pingback: Petição pública A FAVOR das Ciclofaixas em Moema | O Bicicreteiro

  8. Eduardo

    Muito boa sua avaliação André, torço muito para que a iniciativa dê certo, a cidade só tem a ganhar!

    E o Willian Cruz do vadebike.org já organizou um abaixo assinado a favor ciclofaixa, seria bacana todo mundo contribuir.

    Abraço

  9. CAMILA

    VAMOS LUTAR PARA QUE ESSE PROJETO DÊ CERTO E ASSIM QUEM SABE UM DIA NOSSOS FILHOS PODERÃO IR PARA A ESCOLA EM SUAS BICICLETAS, ASSIM COMO É FEITO EM VÁRIOS PAÍSES!!

  10. Durval

    Oi André Bicicreteiro, excelente resumo do assunto. Sou ciclista e morador de Moema; estou muito feliz de finalmente ver as bicicletinhas pintadas no asfalto se alastrando, só quem pedala há décadas e sabe da barra pesada que era fazer isso no passado pode compreender a beleza disso! Palmas e todo apoio à CET, mas não vamos esquecer das críticas necessárias.
    Eu também preferiria a ciclofaixa à direita, já que a Rouxinol-Aratãs e a Pavão-Iraí não têm fluxo de veículos pesados nem ônibus, mas o problema principal, como voc6e pontou, não é esse.
    Uma das vantagens da implantação à esquerda em ruas de mão única é a diminuição do conflito entre a ciclofaixa e a abertura das portas dos carros estacionados junto à calçada do lado direito. Mas, da forma que foi implantada, espremida entre calçada e faixa de estacionamento, essa vantagem foi anulada. Pior que isso, o problema foi agravado. Na situação convencional – ciclofaixa à direita da via, mas à esquerda dos carros estacionados – quando alguém abre a porta do carro o ciclista tem o restante da rua como área de escape. Do jeito que está, não tem pra onde fugir.
    Além diiso, a faixa de estacionamento no “meio” da rua corta a visibilidade que pedestres, ciclistas e motoristas têm um do outro.
    Repare que, na prática, essa ciclofaixa funcionará como uma ciclovia – segregada. E nesse caso a largura está muito pequena, não se pode fazer ultrapassagens, se houver pedestres atravessando, portas de carro abertas para embarque/desembarque, carros “embicados” na calçada para entrar em garagens, não teremos como desviar e seremos obrigados a parar. Ciclistas que já passaram do be-a-bá do pedal vão preferir andar no meio dos carros para garantir o mínimo de fluência.
    Isso precisa ser corrigido logo, para podermos tirar aquelas placas ridículas dizendo “CUIDADO COM A ABERTURA DAS PORTAS”, que é farto combustível para os adversários da ciclofaixa.

    1. bicicreteiro

      Segundo a CET o motivo que levaram eles a colocar na esquerda é que num certo trecho da Rouxinol há ônibus circulando e como eles queriam, pelo menos nessa primeira fase evitar o máximo de conflitos, resolveram colocar a Ciclofaixa a esquerda.

      Mas hoje ouvi uma entrevista da Daphne da CET na CBN (tá no meu twitter o link) e parece que vão acabar com esse estacionamento junto a Ciclofaixa, deixando apenas do outro lado da via.

      O lado bom é que parece que a CET só volta atrás se houver alguma decisão na Justiça, do contrário a tendência é ser ampliada chegando ao trajeto que nós sugerimos inicialmente.

      Abs

      André

  11. simone

    na minha cidade , agora é que estão tentando a implantação e ciclo faixa no centro da cidade ; acho louvavél , porém há algumas dúvidas a respeito ; Ex: tem algum lado da via específico para se implantar a ciclo faixa ? é possível a ciclo faixa vir do lado direito da via e em um próximo cruzamento , ela mudar de lado , passando a faixa vermelha pelo meio da via e transferindo a ciclo faixa para o lado esquerdo ? Gostaria de obter alguma resposta a título de orientação ;Grata

    1. bicicreteiro

      Oi Simone, onde é sua cidade?

      O melhor dos mundos é uma Ciclofaixa ou Ciclovia estar sempre na direita. Na esquerda só em situações isoladas. Agora sobre ela mudar de lado da via, tem que buscar os motivos. Uma Ciclovia que estão projetando aqui junto a linha do Metro irá ter diversas mudanças de lado por questões de espaço e objetivos, pois ela vai ter que acompanhar o traçado do Metro justamente para abastecer a estação.

      Então como regra, a Ciclovia ou Ciclofaixa deve evitar ter mudanças de lado, mas é necessário se observar os motivos, tanto das mudanças como da própria Ciclovia ou Ciclofaixa.

      1. Ricardo

        Me desculpe pela intromissão, mas já me intrometendo nesta conversa.
        Simone, não sei se estou certo, mas a idéias para a ciclovia trocar de lado na via, seriam talvez o ciclobox, conforme muito bem explicada nesta fantástica matéria do André que esplanou perfeitamente sobre esse assunto polêmico que quando é planejado, replanejado, modificado, atualizado, tem grande chance de ser facilmente integrado a aceitação da sociedade, algo que aqui em Moema, acredito que tenha falhado neste sentido. Portanto, planeje, erre no papel, discuta em sua cidade que a aceitação será mais fácil.

  12. Sandro Gavião

    Sou do ABC Paulista, e me resta apenas invejar os moradores e usuários dessa ciclofaixa.
    Por aqui, em horário de pico sou obrigado a pedalar na calçada em respeito a minha vida.
    Espero que as prefeituras do ABC acordem e percebam o que a cidade vizinha está fazendo.

  13. Angeloni

    Quando fiquei sabendo da ciclofaixa em Moema, já fiquei mais contente, sempre na esperança de que essa iniciativa chegue aos lugares onde vou com a bike.
    Espero que essa iniciativa tenha continuidade a toda a cidade, inclusive fora do centro expandido. Precisamos muito disso, e tenho certeza que os problemas constatados nessa ciclofaixa serão solucionados e a cada trecho criado, tudo será aprimorado.

  14. namir fernando

    Uma aula de informação,objetividade e equilíbrio! Sou ciclista em Curitiba e teus comentários são super construtivos.

  15. Zanoni

    Caro André,
    Sou do interior, onde é menos difícil usar a bike. Comecei a usá-la (não para lazer) em 1977. Ia da “república” até a universidade, voltava, ia para o trabalho, voltava… Agora estou aposentado e a uso somente para o lazer ou compras. Em minha cidade andam falando em instalar ciclovias. Por isso fico atento às suas considerações. Parabéns.

  16. Silvia

    André, talvez fosse interessante criar um abaixo-assinado de apoio à CET, elogiando a iniciativa e fazendo sugestões. Põe na internet e leva também pra porta da padaria e da butique de luxo cujas clientes só andam de salto alto (ui). 😉

    1. bicicreteiro

      Oi Silvia, tem um pessoal agitando uma petição online e inclusive uma grande pedalada em Moema. Em breve deve surgir novidades e daí farei questão de divulgar aqui e em minhas redes sociais.

      Abs

      André

  17. Paulo Ciclista

    Me animei muito com essa ciclofaixa. Achei o título do seu post bastante adequado, sobre uma quebra de paradigma. Percebo que cada vez mais a bicicleta tem recebido a importância que merece como meio de transporte, estavam demorando para reservar uma faixa para ela.
    Um abraço.

  18. Mei

    Andre, eu tenho certeza que tem muita gente como eu em Moema. Com medo de andar de bike porque nao sabia se era seguro ou nao. Mas o povo aprende, assim como eu, e a alegria de passear ou fazer compras de bike vai compensar tudo isso. Em algum lugar tem de começar esse projeto. Moema devia se orgulhar por ser o MODELO dessa evoluçao. Grande abraços a todos e parabens pra CET pela iniciativa.

  19. Paula

    Olá André, de novo arrebentando em sua matéria! Parabéns!
    Enfim, sou moradora de Moema e trabalho no itaim Bibi, e faço exatamente este circuito a 10 anos para vir trabalhar de bike todos os dias… e quando numa segunda feira chuvosa, 31.10, Dia das Bruxas, (e já estavam sinalizando a ciclo faixa), me deparei com este TAPETE VERMELHO ESTENDIDO A TODOS OS CICLISTAS QUE UTILIZAM MOEMA COMO ROTA, pensei: minha nossa! Isso sim, é que é sair de casa com sua bike e ser tratado como rei e/ou rainha!!!!
    Achei a iniciativa formidável e aprovadíssima (apesar de concordar totalmente que deveria ter sido implementada ao lado direito, que até por sinal já é inclusive proibido estacionar, mas isso agora não importa!) e por isso me coloco totalmente a disposição para qualquer ajuda e ou movimento em pro da continuação deste projeto, que se formos pensar mais, ele não só envolve a segurança do ciclista como todo um movimento sustentável e consciente para ALEGRIA DE NOSSO PLANETA!

  20. Leonel Gouveia

    CICLOFAIXA É O MÁXIMO DE IGNORÂNCIA. MORTES OCORRERÃO, PRINCIPALMENTE DE CRIANÇAS. LAMENTO, MAS É A RELIDADE. MEIA DUZIA DE CICLISTAS DE HOJE, QUE AMANHÃ NÃO MAIS SERÁO FICAM FAZNDO ELOGIOS. CREIO QUE EXISTE INTERESSES POLITICOS. O PREFEITO JÁ FALA EM FAZER POPAGANDA NAS FAIXAS. A MIDIA DEVERIA FAZER UMA REPORTAGEM DE ENTREVISTAS PARA INFORMAR ESTATISTICAMENTE A OPINIÃO DO CIDADÃO.

    1. bicicreteiro

      Senhor Leonel, por favor, leia todo o texto. Principalmente na parte em que me refiro a “trolls”. Pare de falar em mortes, daqui a alguns anos quando comprovarmos que a Ciclofaixa aumentou a segurança dos ciclistas quero ver se o senhor virá até aqui para se retratar.

      E claro que há interesses políticos sim. Já ficou claro para mim que a prefeitura tem o interesse de acabar com o atraso que infelizmente ainda existe em relação aos ciclistas e essa Ciclofaixa de Moema faz parte desse movimento.

      Agora pessoas que são contra só porque não gostam de bicicletas sempre irá ocorrer. Se o senhor é contra e acha que há muitas pessoas que também concordam com o senhor, convoque uma manifestação pública contra a Ciclofaixa. Mas me informe a data, pois no mesmo dia nós programamos uma a favor.

      André Pasqualini

    2. Kauê

      meu querido “MORTES OCORRERÃO, PRINCIPALMENTE DE CRIANÇAS.” Primeiro, porque “PRINCIPALMENTE DE CRIANÇAS”??? e vc jura que escrevendo isso vc não sente uma gota de remorso?!?!
      Olha só, TODOS, e eu estou dizendo TODOS, os dias assisto ao “Bom dia São Paulo” pela GLOBO, e TODOS os dias, mas é REALMENTE TODOS!!! Vejo que no total, ao MENOS 5 pessoas morreram na mesma madrugada, isto sem falar oq devem transmitir no SPTV, no JN, no Jornal da Globo, Cidade Alerta, Brasil Urgente etc etc etc…Estar dentro de um monte de ferro desenhado para encantar aos olhos, não é sinônimo de segurança, “ahhh!!! mais meu carro tem 38 airbags” PARABÉNS! Agradeça a Deus ter condições de tal segurança (que também não quer dizer ser 100% eficaz). Então pare para refletir, agora eu chutarei (e pode ser FEIO o chute, então aqui peço perdão se eu estiver MUITO errado), uma fila de 5 carros ocupando 3 faixas de rolamento, ocupa +/- 85m², não considerando o espaço entre eles, agora uma fila de 5 bicicletas em 3 “faixas” ocupa cerca de 55m², CONSIDERANDO o espaço entre elas, percebe o ESPAÇO que se ganha?! Gostaria de ter informações de quanto um carro MÉDIO, solta em MÉDIA de poluentes no ar, não tenho, mas te digo, bicicletas NÃO poluem o ar, sabe pra quem isso PRINCIPALMENTE, é bom? Para as criancinhas que você mesmo citou! É bom para o futuro! já parou para ver uma manha em “crepúsculo” em São Paulo? Consegue ver a poluição nojenta e temerosa que existe?!
      Bom poderia citar “N” exemplos do porque a bicicleta ser o melhor meio de transporte que existe, mas o assunto são mortes, então, leia o jornal, assista o jornal, pesquise na internet dados que comprovem os números de mortes em transito, carros, motos, ônibus, caminhões, bicicletas e pedestres, use a internet e a tecnologia a seu favor! Ciclovias existem para criar edução e respeito no transito, sem elas é que “MORTES OCORRERÃO”! PENSE!

  21. Oswaldo Tobal

    Realmente, a implantação da ciclo faixa permanente é um avanço em todos os niveis, principalmente quando se trata da sustentabilidade. Para a CET o maior apoio com a criação da ciclo faixa de Moema, pois tal atitude deve se estender a todos os bairros de São Paulo. No domingo participei de um percurso da ciclo rota com um instrutor, pelas ruas do Alto de Pinheiros , Pinheiros, Jardins, chegando até a Av. Paulista, na praça do ciclista, com uma rota , que inclusive em dias noramis da semana apresenta pouco fluxo de veículos. As ciclo rotas também é uma iniciativa que devemos dar todo o apoio, pois com elas chegaremos a implantação de novas ciclo vias permanentes. BICICLETA É TRANSPORTE E PORTANTO A ELA TEM QUE TER O SEU ESPAÇO COMPARTILHADO.

  22. Jorge E. Hime Somers

    Pois é Andre, eu postei diversas vezes no FB que alguns ciclistas queria fazer abaixoassinados pra protestar contra a forma que foi feita a ciclofaixa, eu sou da opiniao que melhor agradecer e recomendar MELHORIAS é a melhor forma de colaborar com a CET que está fazendo um esforço monstro para nos dar estes 120cm de rua para nos deslocarmos.
    Agora é uma questão de tempo para outras prefeituras verem que é possivel e ver o que os ciclistas reclamam e melhorar.
    Abracos e nos vemos pelas ruas.

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