Penúltimo treino, rumo a Paranapiacaba

Esse foi o quarto treino para o 2º Desafio Bicicletas ao Mar onde pedalamos até a cidade de Paranapiacaba. Tá bom, não chegamos na parte turística de Paranapiacaba mas tivemos alguns guerreiros que chegaram lá. O lado bom desse treino é que conseguimos fazer com que diversos pelotões pedalassem de forma separada e sem se perder, sinal de que valeu perder um bom tempo montando as planilhas.

Cheguei na Ciclovia da Marginal Pinheiros as 7h30, me atrasei um pouco pois o pneu da minha 29er estava furado quando acordei. No dia anterior eu tirei o pneu slick aro 700 e coloquei os pneus de terra deixando minha magrela parecendo um big foot. Seriam cerca de 40 quilômetros em estrada de terra e valia a pena trocá-los.

Uma pergunta muito freqüente é sobre percorrer de speed a Rota Márcia Prado, conheço vários ciclistas que já fizeram isso, tanto é que no meio do nosso pedal surgiu o Ne e a Abia, dois speedeiros que conheço a muito tempo e que participaram da primeira descida da rota de speed. Detalhe é que choveu muito naquele dia. É possível sim, mas não é fácil, tanto é que vou pedir a eles um texto contando como é percorrer a Rota Márcia Prado de speed.

Na saída da Ciclovia distribuí umas 15 planilhas impressas, entreguei vários brevês da galera que havia se inscrito para o Desafio e partimos. A massa se separou e quando eu cheguei ao final da Ciclovia havia apenas uns 30 ciclistas, a maioria já havia seguido em frente.

Eu fui com o último grupo, percorremos as ruas do Grajaú e depois de diversas quebradas saímos na Avenida Belmira Marin, a avenida que nos levaria até a Ilha do Bororé onde cruzaríamos a represa por diversas balsas.

No quilômetro 40 chegamos na bifurcação das rotas, a direita seguiremos no dia 02 para Santos, mas a esquerda seguimos rumo a Paranapiacaba. A surpresa é que estão asfaltando esse trecho, é bom de um lado, pois a terra exige muito mais esforço do ciclista, mas todo asfalto traz mais carros, mais velocidade e mais motoristas estúpidos.

Seguimos pela Estrada do Rio Acima, bastava segui-la por completo para chegarmos em Riacho Grande, lá pedalamos até o Ponto de Encontro, nome de um restaurante na entrada da cidade, lá foi nossa parada para almoçar e encontrar um pessoal do ABC que se juntou a massa.

Almoçamos na cidade e saímos de lá as 14h40, restavam ainda quase 30 quilômetros até Rio Grande da Serra, naquela ocasião eu já havia desistido de tentar chegar em Paranapiacaba, mas a boa notícia é que o pessoal do primeiro pelotão conseguiu chegar lá, mas eles optarem em pedalar pela Índio Tibiriçá e não pela trilha.

Cruzamos a Anchieta e entramos na Rodovia Caminho do Mar, é a parte alta da Estrada Velha de Santos, se seguir em frente por ela você dará de frente com um portal do parque onde ninguém consegue passar sem autorização. Minha primeira descida para a praia foi em 1994, justamente por essa rodovia, na época não havia nada além que uma guarita e uns cones, bastava esperar o segurança dormir, passar pela cancela sem acordá-lo e descer a serra. Hoje não nos deixam descer a serra nem pagando. Aliás pagando até dá, tem uma agência, a Cicloaventureiros, que levava ciclistas para descer a serra, não sei se ainda fazem essa descida.

Voltando ao pedal, pedalamos pouco mais de 3 quilômetros e já estávamos no trevo da Rodovia Índio Tibiriçá, lá dividimos o grupo, um seguiu pela rodovia e o outro foi pela trilha. Quem foi pela rodovia iria economizar uns 10 quilômetros, mas quem foi pela trilha não economizou em emoção.

Do trevo seguimos cinco quilômetros até a entrada da trilha, são 13 quilômetros em estrada de terra, mas dessa vez sem muitos carros e com muito verde nativo, pois estávamos em área do Parque da Serra do Mar. O problema são as motos e os jipes, as motos levantam uma poeira desgraçada, são poucos os motoqueiros que reduzem a velocidade ao ver os ciclistas, o que torna o pedal um pouco perigoso. Para eles a poeira deve ser algo bom, já que estão bem protegidos com óculos, capacetes e armaduras, já para a bike é impossível pedalarmos com tanta parafernária, só nos restava virar a cabeça e esperar a poeira baixar.

Já os jipes, eu mesmo já tive um, mas depois que eu descobri o tamanho do impacto que eles causam nas matas, acabei me desfazendo dele. Não é difícil encontrar as marcas de erosões causadas pelos jipes, o detalhe é que eles são proibidos de andar por ali. Mas isso é Brasil, o país onde a polícia faz de tudo para tirar ciclistas das rodovias e vistas grossas aos carros que degradam o meio ambiente.

Bem, voltando a trilha, esses problemas acima são pequenos perto da beleza do local, aqui é uma área de Mata Atlântica dentro do Parque da Serra do Mar e essas estradas servem para a Petrobrás e as petroquímicas instaladas em Cubatão acessarem seus dutos. São poucos os carros que passam por essa pista e é bem mais cascalhada que a Rota Márcia Prado. Os estradeiros fizeram bem em ir pela Índio Tibiriçá, definitivamente até dá para percorrer de speed o trecho de terra da RMP, mas esse trecho aqui seria uma tarefa bem inglória.

Os primeiros quilômetros são tranquilos, poucas subidas e um terreno até fácil de pedalar, mas basta chegar à primeira bifurcação para aumentar as dificuldades, subidas curtas e íngremes onde a maioria dos ciclistas de pneus lisos tiveram que empurrar. Como eram trechos curtos, não exigiu tanto do pessoal. Já do alto tínhamos uma bela imagem da galera lá embaixo, encarando a trilha.

Mais adentro da trilha começam a surgir ramais, cada saída dessas levam a trilhas de maiores dificuldades, muitos são os ciclistas que vão lá para praticar o MTB e o Downhill, se você curte MTB é uma boa dica, você pode até se embrenhar nas pistas laterais, tendo cuidado de retornar para a trilha principal, não tem como se perder. Há uma difícil subida bem na metade do trajeto, eu sempre dizia para o pessoal não empurrar, mas ali não teve jeito, era difícil até mesmo subir empurrando.

Depois de 13 quilômetros, finalmente deixamos a trilha para trás e avistamos o asfalto, já por volta das 17h00. Daquele ponto estávamos a 8 quilômetros de Paranapiacaba e 4 de Rio Grande da Serra. Se optássemos por Paranapiacaba, depois teríamos que voltar até aquele ponto para seguir a estação de trem. Perguntei a massa o que eles queriam fazer e não sei por que, ninguém quis ir até Paranapiacaba. Vale lembrar que o trem regular da CPTM vai apenas até Rio Grande da Serra, o trem que vai para Paranapiacaba é o turístico que funciona aos finais de semana e é tão concorrido que é preciso comprar passagem com um mês de antecedência no mínimo.

 

Pedalamos um pouco e logo avistamos a cidade de Rio Grande da Serra, descemos até a estação de trem e lá embarcamos de volta para São Paulo. O limite nos trens da CPTM é de 4 bicicletas por vagão, mas abriram uma exceção e deixaram 8 bicicletas, assim a cada 15 minutos saía uma leva de ciclistas de volta para São Paulo. Na última leva, a que eu estava, abriram uma exceção e embarcamos em 12 no vagão, que venho vazio a viagem inteira, daria para deixar o último vagão só para nós e em nada impactaria na viagem.

 

Se fosse a alguns anos atrás, dificilmente seria possível percorrer essa rota, pois precisaríamos voltar pedalando de Paranapiacaba ou de carro. Com essa possibilidade de usarmos os trens aos finais de semana, podemos incluir mais esse belíssimo roteiro em nossos pedais dominicais.

De todos os treinos para o 2º Desafio Bicicletas ao Mar, esse foi um dos mais divertidos que participei, a galera está pedalando super bem e todos que fizeram o trajeto estão aptos para pedalar pela Rota Márcia Prado no dia 02. Mas ainda resta o último treino de domingo, o próximo pedal rumo a Sorocaba, via São Roque que promete ser bem divertido.

A saída será no mesmo local desse passeio, na ciclovia da Marginal Pinheiros, junto a estação Vila Olímpia da CPTM, as 7h30 da manhã. Quinta eu publico aqui mais detalhes dessa viagem, inclusive a planilha desse novo trajeto. Bom saber que a galera está se familiarizando com as planilhas, pois elas serão fundamentais no dia do Desafio. Até o próximo treino.

Abaixo alguns links para vocês poderem baixar, tanto a planilha do trajeto, que pode ser usada apenas com o velocímetro como base, ou os tracks para baixar no gps. Veja também mais fotos na minha página do Facebook (aproveite para curtir minha página).

Planilha da rota cicloturística de Paranapiacaba (em pdf)

Tracks para ver a rota no Google Earth e baixar no gps (.kml)

André Pasqualini

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