O plano A (lfabeto)

Sempre quando começo o dia tenho um plano ideal, que seria o plano “A”, mas também tenho na manga um alfabeto de possibilidades, pois não dá pra controlar o imponderável.

Sabendo que estou fora de forma e conhecendo a dificuldade do trajeto, achar que conseguiria pedalar 160 km, subindo mais que 2 mil metros acumulados é ser bastante otimista. Mas logo no começo do dia, em Embu das Artes, já sentia que dificilmente cumpriria a meta. Não dava para esperar nada diferente depois de tanta tensão com a saída.

Pra fugir das perigosas e tensas rodovias, como a Raposo Tavares, fiz parte da rota do treino de São Roque do DBM, passando por Embu das Artes, umas estradas de terra que margeiam uma represa do sistema Alto Cotia, saindo na estrada Bunjiro Nakao, que liga Vargem Grande a Ibiúna. O problema é que o trajeto tem muita terra e muita subida.

Logo no início já senti as pernas pesadas, mas segui sem forçar muito a barra. Passei com muita dificuldade os trechos de terra e quando cheguei na rodovia Bunjiro, eram quase duas da tarde e restavam 120km até o destino do plano “A”, obviamente abortado.

Pra piorar minhas pernas, que já tinham pequenos espasmos em Embu, pioraram. Os espasmos, mais a falta de fome na hora do almoço eram claros sinais de que estava desidratado e com falta de sais, o que fazer então?

Minha dica é não force, numa situação dessa você tem que abortar o pedal, como conheço bem meu corpo e o trajeto que teria a frente, segui rumo a Ibiúna, 20 km de onde havia parado pra me hidratar de tubaína.


No asfalto o pedal rendeu muito mais, mas apesar do acostamento (péssimo), isso é Brasil, país que protege só quem tá dentro do carro e por causa disso passei por uns 3 sustos pelo menos. Olha que a velocidade máxima da rodovia era 60 km/h. KKK, pra rir né? Ainda tem uns filhos das putas que reclamam da Indústria da Multa.
Sobrevivi e cheguei em Ibiúna onde já havia vindo de bicicleta com meu amigo em 1996, na época ficamos no Ibitur Hotel. Como preciso de um bom descanso, não iria acampar, o problema é que não poderia gastar muito. Fiz uma rápida pesquisa e o mais barato era justamente o mesmo que havíamos ficado a 20 anos atrás, o problema é que ele fica no auto da cidade, pqp.

Pra economizar mais de 50 reais bora encarar a piramba. Depois que me estabeleci no hotel fui até uma farmácia procurar um soro com glicose e encontrei esse pacotinho aqui por cinco reais, comprei dois.

A janta foi canja e caldo de mandioquinha, só faltou a mama pra fazer a sopinha. Agora é descansar, amanhã tenho que fazer de qualquer maneira os 100 km que ainda restam até São Miguel Arcanjo, tem bastante subida, em compensação é tudo asfalto e se os defensores da “Indústria da Multa” permitirem, amanhã chego no destino que seria de hoje.

Não sei se conseguirei escrever todos os dias, principalmente por causa da conexão, mas me acompanhem em todas as redes, pois no meio da estrada estou sempre postando algumas coisas e assim vocês conseguem acompanhar melhor a viagem. Abaixo o vídeo contando um pouco do pedal do dia.

Pra encerrar, muito obrigado pelas mensagens, não consigo responder todas, mas leio todas e elas são o melhor energético para suportar todas as dificuldades que encontro e espero continuar pedalando com vocês.

André Pasqualini

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