Agentes da CET farão fiscalização de bicicleta em São Paulo

Hoje começou o treinamento da primeira turma de agentes de trânsito da CET (um total de 12), para eles começarem a fiscalizar as ruas de São Paulo de bicicleta. Serão três módulos de treinamento, hoje esta ocorrendo o primeiro, quando os agentes receberão um curso sobre legislação de trânsito com os principais artigos do CTB que dizem respeito a bicicleta.

Amanhã entra a minha parte, onde passarei informações sobre o comportamento dos ciclistas, além de mecânica básica e técnicas de pedalada segura. O terceiro módulo será na sexta, onde eles receberão os procedimentos padrões de operação, como serão suas abordagens, as multas que poderão aplicar, etc.

A última etapa do treinamento será em campo, irei acompanhar cada um dos agentes no seu trabalho como uma espécie de Bike Anjo, para garantir que aquele operador esteja pronto para encarar a operação com a bike. Essa etapa começará na semana que vem.

A princípio, a maioria dos agentes que passarão pelo treinamento são os que atualmente realizam a fiscalização de Zona Azul na região de Moema. Mas todo esse treinamento que foi criado pelo setor de treinamento da CET com minha consultoria (voluntária, é bom deixar claro). Esse primeiro treinamento é uma espécie de protótipo, após essa fase inicial será fechado um treinamento específico que passará a ser incorporado como treinamento oficial da CET. Da mesma forma que ocorreu com o treinamento aos motoristas de ônibus que hoje são obrigatórios a todos motoristas ligados a SPTrans em São Paulo.

Porque Moema?

Primeiro porque Moema recebeu uma pequena rede cicloviária com Ciclofaixas e Ciclorrotas, além de estar perto do Parque do Ibirapuera, onde esta a base dos agentes da Zona Azul e também onde estão as bicicletas da CET que serão utilizadas na operação.

Eles vão multar só zona azul?

Não. Esses agentes da CET são capacitados para aplicar qualquer multa que os demais agentes podem aplicar, estacionamento proibido, rodízio, desrespeito a semáforos e faixas de pedestres. Além das novas multas referentes a proteção dos ciclistas, que todos os agentes da CET receberam treinamento recentemente e passarão a aplicar de forma mais efetiva a partir do dia 15.

Vão multar ciclistas?

Não, principalmente porque apesar de haver legislação para isso, em São Paulo não há regulamentação para que isso ocorra, portanto não há modos de punir o ciclista. Mas eles serão treinados para orientar os ciclistas. A maioria das infrações que os ciclistas cometem, além de não colocarem terceiros em risco, geralmente são feitas de forma defensiva ou por desconhecimento das regras de trânsito.

Esses agentes serão treinados a identificar o comportamento do ciclista e orientá-los a pedalar dentro da lei e com segurança. Com o tempo saberão inclusive dar informações sobre postura e formas de pedalar, problemas mecânicos com as bicicletas dos demais ciclistas, como qualquer ciclista experiente já costuma fazer em nossas pedaladas por aí.

Qual a importância desse treinamento?

Agora vou dar a minha opinião e nada melhor ilustrar mostrando essa foto abaixo com minha amiga Renatinha Falzoni.

Aqui ela faz uma gravação para o seu programa, durante nossa Cicloviagem pelo Vale Europeu (em Santa Catarina) onde ela fala da importância de um bueiro. Mas o que um bueiro tem a ver com bicicleta? Esse daí tem tudo a ver.

Note que é um bueiro bem diferente do que estamos acostumados a ver nas cidades brasileiras. A região do Vale Europeu tem uma forte influência da colônia Alemã e Italiana e tem muitos ciclistas, podemos dizer que a cultura da bicicleta está impregnada na população e a melhor forma de demonstrar isso é usando esse bueiro como exemplo.

Reparem que ele não tem aquele buraco junto à guia, que sabemos ser extremamente perigoso para os ciclistas. Ele não tem nenhuma depressão e as grelhas são perpendiculares ao sentido das nossas rodas e por quê? Por que quem projetou esse bueiro sabe que ciclistas irão passar por ali, ou seja, já tem a cultura da bicicleta impregnada em sua vida.

O que vocês acham que vai acontecer com nossa cidade quando tivermos centenas de agentes da CET fiscalizando as ruas da cidade de bicicleta? Por conseqüência, a cultura da bicicleta irá fazer parte da empresa CET. Hoje o que impera na empresa é a cultura da fluidez motorizada, até porque grande parte dos funcionários vivem essa cultura, só andam de carro e de forma indireta (e na maioria das vezes sem má-fé) acabam vendo apenas a visão do motorista e isso faz com que toda a lógica de trabalho deles tenha como foco sempre o motorista, principalmente no planejamento da cidade.

Outro exemplo rapidinho, numa dessas reuniões com dezenas de técnicos da CET sobre esse treinamento, em uma conversa de cafezinho, peguei dois funcionários da CET comentando sobre o transtorno que uma feira causava em certo ponto da cidade. Pediram minha opinião e eu disse que adoro feiras, sempre que estou de bike e tenho tempo, paro para comer um pastel e que elas em nada atrapalham a minha vida.

Sem falar que a maioria dos moradores da região, até mesmo aqueles que moram na rua, dificilmente são contra a feira. No final acabaram concordando que a minha visão era mais importante e que a deles era de certa forma egoísta, como é a da maioria dos motoristas infelizmente. Com certeza, depois que tivermos centenas de agentes da CET pedalando pelas ruas, muitas das nossas impressões que hoje são discutidas na internet e nas redes sociais, serão discutidas nesses papos de café dentro da empresa, não demora muito para que a cultura da bicicleta, responsável por mudar radicalmente a forma de ver o mundo da maioria dos ciclistas, de certa forma também irá influenciar na forma de ver a cidade dos planejadores dessa empresa.

Vale lembrar a experiência com os motoristas de ônibus ciclistas que citei no post anterior. Enquanto os motoristas de ônibus e os multiplicadores tentavam dividir a responsabilidade dos acidentes com os ciclistas, os motoristas ciclistas, que conhecem nossas dificuldades e sabem que ciclista suicida não tem nem no Iraque, só conseguiam falar como ciclistas. Não porque eles pensem de forma egoísta, mas porque eles conhecem os dois lados da moeda e sabem que como nós somos mais fracos no trânsito, dependemos muito de uma pilotagem segura deles enquanto motorista.

Eu particularmente venho lutando para que os agentes da CET pedalassem a vários anos e estou muito feliz com mais essa vitória. Sei muito bem que uma simples medida dessa seria importante para consolidar ainda mais a cultura da bicicleta na cidade, além de ser mais um passo para torná-la mais humana e mais segura para os ciclistas.

Estamos caminhando, nada de passos largos ou dando passos maiores que as pernas, mas passos curtos e consistentes, plantando aqui, colhendo lá na frente e confiante que de forma consistente estamos mudando nossa cidade e escrevendo nossos nomes na história.

Vou copiar aqui uma fase que o Denis Russo escreveu certa vez em seu blog:

“Mas o fato é que viver no meio de uma revolução, se por um lado é complicado, é também um baita privilégio. Significa que vivemos uma época de construir coisas, de criar, de propor.”

Estamos vivendo uma revolução, grandes instituições estão caindo e as novas estão sendo criadas lentamente e o mais gostoso é que podemos participar dessa criação.

Vamos lá, mais uma vitória que só depende de nós para ela se manter e ampliarmos. Portanto se a partir da semana que vem você começar a ver alguns agentes da CET pedalando pelas ruas de São Paulo, pare, converse com eles (sem atrapalhar o trabalho deles), demonstre o quanto você também está feliz com essa iniciativa e escreva também seu nome nessa linda revolução que estamos vivendo.

André Pasqualini

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Encontro de ciclistas com motoristas de ônibus

Desde 2006 vinha tentando, junto com a prefeitura, elaborar algum curso para ser ministrado aos motoristas de ônibus para que eles aprendessem a compartilhar a via com os ciclistas. Em 2008, muito devido a articulação do André Goldman da Secretaria do Verde e Meio Ambiente, conseguimos uma reunião na SPTrans e a partir dela o curso definitivamente sairia papel.

Ficou decidido que eu iria elaborar esse treinamento e seria repassado a todos os multiplicadores das mais de 50 garagens de ônibus da cidade. Com base nesse material, seria produzido um curso pela SPTrans que passaria a ser obrigatório a todos motoristas de ônibus de São Paulo.

Ainda sequer tinha formatado em minha mente como seria esse curso quando minha amiga Márcia Prado foi atropelada por um ônibus em plena Avenida Paulista, em janeiro de 2009.

Nem preciso dizer o quanto eu fiquei arrasado e principalmente pressionado, já que após o acidente, como a prefeitura precisava dar uma resposta a sociedade, o pessoal da SPTrans ficou em cima de mim para produzir esse material. Eu produzia o curso em minhas horas vagas, até que em junho de 2009 finalizei o curso e realizei o treinamento com os multiplicadores.

Após o treinamento, os multiplicadores receberam esse material e passaram a

replicar o curso nas garagens. Em pouco mais de 6 meses, mais de 30 mil motoristas passaram pelo treinamento. Não demorou para, como ciclista, notar a mudança de comportamento por parte dos motoristas.

Lembro que pedalava em plena Marginal Pinheiros quando fui ultrapassado por um desses ônibus bi-articulado. Ele fez exatamente o que descrevi no curso, mudou de faixa e ficou me acompanhando pelo retrovisor enquanto voltava para a pista.

Diminuiu consideravelmente aquelas fechadas que recebíamos quando eles paravam nos pontos. Passei a reparar que muitos passaram a tomar atitudes defensivas em relação a nós, seja nas paradas nos pontos de ônibus, seja nas conversões ou ultrapassagens. Não foi apenas uma percepção minha, pelas redes sociais, vários eram os ciclistas que estavam notando essa melhora.

Os números também demonstraram isso, de 12 ciclistas mortos em acidentes com ônibus em 2009, esse número caiu para 6 em 2010 e 4 em 2011.

Mas todo o processo era embrionário, sabíamos que precisávamos evoluir e novamente, antes mesmo da fatalidade que ocorreu com a Julie na Paulista, estávamos discutindo como seria a segunda fase desse treinamento, já que nosso objetivo é que as fatalidades chegassem a zero, patamares europeus.

Claro que depois da morte da Julie a pressão aumentou e passamos a correr com esse treinamento. Mas o que fazer? Qual formato de treinamento que teríamos que adotar para ele ser ainda mais eficiente?

Foi quando decidimos não passar todos novamente pelo mesmo treinamento, mas sim elaborar uma espécie de reciclagem a ser realizada nas garagens, aproximando ainda mais os ciclistas dos motoristas de ônibus.

E para conseguirmos material e ideias para a realização dessa reciclagem, resolvemos bolar uma dinâmica separando-os em três grupos, um apenas com os multiplicadores, quinze instrutores que aplicaram o treinamento nas garagens, um grupo com 10 motoristas de ônibus pegos de forma aleatória e um terceiro grupo, também com dez motoristas de ônibus mas com uma particularidade, todos os dez, além de motoristas de ônibus, também eram ciclistas que usavam sua bicicleta como meio de transporte.

Grupo dos multiplicadores

O resultado dessa dinâmica foi simplesmente sensacional!

Grupo dos motoristas de ônibus

Todos responderam perguntas básicas, como eles viam o ciclista no trânsito, quais os aspectos positivos sobre andar de bicicleta, os maiores problemas para eles realizarem o compartilhamento da via com segurança e um pedido de sugestões de como contribuir para melhorar o treinamento e evitar novos acidentes.

Grupo dos motoristas ciclistas

Alguns pontos importantes.

Tanto motoristas de ônibus como os multiplicadores, inconscientemente dividiram a culpa dos acidentes com os ciclistas.

Já os motoristas ciclistas, em nenhum momento consideraram o compartilhamento um problema, ou algo complicado de ser realizado. A todo momento falaram apenas sobre a ótica do ciclista e da necessidade de protegê-los, ressaltando sua fragilidade a todo momento. Um desses ciclistas até se exaltou quando um dos motoristas disse que via alguns ciclistas como “folgados” e sinceramente achei o máximo, até me diverti com aquilo, pareciam muitos ativistas que vemos por aí.

Antes do início da dinâmica, falei sobre a bicicleta e das minhas sensações, em certo momento falei que não sentia medo de compartilhar o espaço com carros, mas disse que morria de medo de dividir espaço com ônibus.

Devido a esse comentário, um dos motoristas de ônibus (não ciclista) deixou claro que nenhum motorista levanta de manhã para trabalhar com a vontade de tirar a vida de alguém e que se sentiu mal ao ouvir que eu sinto medo de ônibus. Que aquilo o incomodou e o grupo dele disse que fariam o possível para mudar esse sentimento de medo que nós temos em relação a eles. Fiz uma analogia ao meu filho, quero que ele me respeite, que me admire, mas se um dia eu souber que ele tem medo de mim ficarei muito mal. Quando fiz essa analogia eu percebi nos olhos deles que compartilhavam com essa sensação.

Outra lição importante aprendida na dinâmica é que os motoristas que pedalam, que conhecem nossa realidade, não vêem dificuldades em compartilhar a via com os ciclistas. Portanto se conseguirmos passar nessa reciclagem um pouco das nossas sensações e contaminarmos os motoristas de ônibus com um pouco da cultura da bicicleta, com certeza conseguiremos deixar ainda mais humano essa relação dos motoristas de ônibus, não apenas com os ciclistas, mas com todo o trânsito da cidade.

Mais uma fez saio de uma ação feliz e otimista. Agora vou montar esse plano de treinamento que ainda não esta garantido, pois  depende de um patrocinador. Ocorre que as conversas estão bem adiantadas e as chances dele sair do papel são enormes. Se tudo correr bem, até o final de maio já teremos o treinamento finalizado e poderemos seguir rumo as garagens para levar essa reciclagem aos 30 mil motoristas de ônibus da cidade.

E bora lutar diariamente para tornarmos nossa cidade  cada vez mais humana.

André Pasqualini

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Dicas para o cicloturista descer a Rota Marcia Prado

No próximo dia 15 de abril teremos o 1º Desafio Bicicletas ao Mar.

SE ATENTEM A MUDANÇA DO PONTO DE ENCONTRO QUE AGORA SERÁ NO PARQUE DO POVO, MAIS INFORMAÇÕES CLIQUE AQUI. A CONCENTRAÇÃO SERÁ A PARTIR DAS 6H30. As 7H00 HAVERÁ UMA CURTA APRESENTAÇÃO DA VIAGEM E NO MÁXIMO, AS 7H10, ESTAREMOS TODOS NA ESTRADA. QUEM CHEGAR ATRASADO TERÁ QUE CORRER ATRÁS DA MASSA.

No início de Março lançamos o desafio de levar ciclistas iniciantes ao litoral, elaboramos treinos, realizamos uma oficina de cicloturismo e fizemos de tudo para dar o suporte necessário para que qualquer um pudesse realizar esse desafio. No pedal teremos ciclistas experientes junto com ciclistas iniciantes e a única coisa que cobrarei de todos é disposição para ajudar o ciclista ao lado a vencer esse grande desafio pessoal.

Será o primeiro de muitos desafios e espero que no próximo, aqueles que vencerem esse desafio estejam dispostos a ajudar os demais ciclistas.

Posso garantir que esse mês foi cheio de surpresas para mim, apesar de ter ensinado muitos ciclistas iniciantes, posso dizer que aprendi mais do que ensinei e por isso resolvi escrever esse texto que responderá diversas dúvidas da galera e também servirá como um mini guia de Cicloturismo.

Depois do Desafio vou retirar as informações sobre o passeio e deixar esse post apenas com dicas de Cicloturismo para quem deseja percorrer a Rota Márcia Prado. Aliás esse post será constantemente atualizado conforme as dúvidas forem surgindo. Caso tenha alguma duvida não respondida, pergunte no campo de comentários que eu a incluo no post.

O Trajeto da Rota Márcia Prado

O trajeto oficial utiliza a Ciclovia da Marginal Pinheiros, como ela estará fechada no dia do Desafio, faremos uma rota alternativa.

Novidades, conseguimos uma autorização para utilizar a Ciclovia da Marginal Pinheiros, mas o ponto de encontro continua sendo o Parque do Povo, com concentração a partir das 6h30 e saída pontual as 7h00. Veja detalhes da rota clicando no link abaixo.

http://www.bikely.com/maps/bike-path/desafio-bikes-ao-mar-rmp

Se você tem um celular com GPS, acesse esse link do Google Maps e use durante a viagem para não se perder.

http://g.co/maps/ggtdr

No sábado anterior a viagem, eu e mais alguns ciclistas iremos , percorrer o trajeto até a Belmira Marin sinalizando postes e o chão com setas amarelas. Por diversas vezes usaremos a sigla DBM (Desafio Bicicletas ao Mar) para identificar o caminho do Desafio. Isso é necessário pois não iremos numa única grande massa, iremos formar pequenos grupos e todos percorrerão o trajeto, cada um no seu ritmo.

Quando o primeiro grupo chegar ao Parque da Serra do Mar, os primeiros irão ter que aguardar o último pelotão (o que eu estarei) chegar para iniciar a descida.

Bicicleta e acessórios

Tipo de Bicicleta indicada para a Rota Márcia Prado

Vale lembrar que dá para realizar a rota com qualquer bicicleta, seja Speed, dobrável e até fixa, já vi todo tipo de bicicleta realizando o trajeto. Mas quando falamos a um público iniciante, temos que levar em conta que eles ainda não tem o condicionamento e a perícia de um ciclista mais experiente, portanto quanto mais adaptada ao terreno a bicicleta for, menos dificuldades o ciclista iniciante terá.

Você, ciclista iniciante, não se compare a um ciclista experiente. Você ainda esta conhecendo seu corpo, descobrindo seu ritmo, portanto precisará de toda ajuda possível do equipamento para facilitar o seu pedal.

Minha bike já foi bonita assim…

A bicicleta ideal é a que chamamos de “hibrida”, também conhecida como “touring”. Bicicleta aro 700, com pneus híbridos. Esses pneus tem uma banda de rodarem lisa na parte que fica com mais contato no solo e pequenos cravos nas laterais que darão mais segurança em curvas nas estradas de terra.

Outro pneu recomendado são os lisos, sem cravos, mas com ranhuras que se assemelham  com os pneus de chuva para carros de corrida. Essa bicicleta aro 700 é a que considero ideal, mas uma MTB (Montain Bike) com pneus de asfalto podem funcionar bem. Veja mais detalhes quando falo apenas sobre pneus.

Uma bicicleta speed para ciclistas com pouca experiência os fará sofrerem nos trechos de terra (cerca de 22 quilômetros), portanto vá de speed apenas se você já tem alguma experiência em pedalar na terra. Além disso muito cuidado com o limo no início da descida da serra, não dá para soltar o freio.

Bagageiros

Nas costas, no máximo mochila de hidratação, num pedal curto uma mochila não incomoda tanto, mas depois de umas 6 horas sobre a bicicleta, tenho certeza que a mochila que tinha 3 quilos no início do pedal estará com 30. Isso sem falar no suor, pois com uma mala nas costas você irá transpirar mais e perder mais líquidos. Portanto se possível instale um bagageiro na bicicleta e amarre sua mala nele.

Pneus

No asfalto usamos pneus de? Asfalto!

Na terra usamos pneus de? Terra!

Vamos derrubar o mito de que pneu de terra dá mais segurança no asfalto, pneu de terra no asfalto deixa o pedal mais pesado, gera maior desgaste no ciclista (algo terrível para o ciclista iniciante) e não é mais seguro, principalmente pela falta de aderência nas curvas.

O trajeto terá cerca de 22 quilômetros de terra mas a maioria do trajeto é no asfalto. O ganho que você terá nos trechos de terra serão insignificantes perto do prejuízo que você terá no asfalto.

Outro detalhe, os trechos de terra que teremos não serão de longas subidas, areiões ou trechos muito cascalhados, onde é necessário uma boa tração. Como a maioria irá empurrar as bikes nos morros mais fortes, não vejo motivos para alguém usar pneus “cravados” nessa viagem, mas qual pneu usar?

Híbridos (o ideal)

Esse pneu tem uma banda de rodagem ideal para o asfalto e pequenos cravos que serão fundamentais nas curvas na estrada de terra. Esse da foto é 700x42c. Para quem tem bicicletas aros 700, (ou mesmo speeds) recomendo usar pneus com a largura mínima de 700x38c ou um pneu de Cyclecross. Pedalar com um pneu 700x23c (comum em Speeds), o ciclista terá que ter muito cuidado. Se você não tem muita prática na terra, evite usar esse pneu.

Slicks ou de asfalto (sugerido para aros 26 ou MTBs)

Essa é uma boa sugestão para possui uma MTB aros 26. Vi muitos ciclistas de MTB usando caríssimos pneus de terra no asfalto. Sinto dó ao ver alguém jogando dinheiro fora, pois o asfalto deteriora rapidamente esses pneus. Logo que perdem seus cravos, acabam virando “slicks” passam a furar constantemente.

Minha recomendação é trocar por um pneu por um Slick como da foto acima, ou um hibrido como da foto anterior. Mas prestem atenção nas medidas, pois as numerações de aros 26 são diferentes das aros 700. Esse da foto é um pneu 26×1.25 que eu considero ser a largura mínima que o ciclista (principalmente o iniciante) deve usar.

Há no mercado alguns pneus híbridos, como esse aqui na Decatlhon, que tem a medida 26×1.95. Essa é a maior medida que eu recomendo, um número maior vai deixar sua bike parecendo uma moto.

Câmara de ar

Se você trocar o pneu, obrigatoriamente terá que trocar a câmara de ar. Compre uma câmara da mesma medida que seu pneu, mas preste atenção ao tipo do bico (válvula). Antes de comprar a câmara, olhe sua bicicleta e veja se o bico da sua é Americano (igual ao de carro) ou Presta. Veja na imagem abaixo a diferença entre ambos. No caso do Presta, você terá que carregar um adaptador.

Sempre leve, no mínimo uma câmara reserva. Se executou a troca e teve que comprar duas câmaras novas, compre uma terceira e a deixe como reserva.

Fita Anti Furo

Uma excelente pedida, fita anti-furo tem que ser item obrigatório para todos os cicloturistas. A compra do kit pneus slick, câmara de ar e fita anti-furo, com um pouco de pesquisa não custará mais de 100 reais e será uma excelente aquisição.

Calibragem do pneu

Todo pneu indica a calibragem mínima e a máxima. A lógica é quanto menor o pneu, maior a calibragem. Sempre antes de calibrar observe na lateral do pneu a informação com o máximo de PSI que você deve colocar.

Freios

Sua pastilha está no fim? Troque por novas antes da viagem e se possível leve um jogo de pastilhas reservas. São baratas, não ocupam tanto espaço e podem ser úteis. Numa situação normal uma pastilha pode durar anos, mas a combinação chuva, lama e descida pode fazer a pastilha literalmente “derreter” em poucas horas.

Se pegarmos lama no trecho de terra, antes da descida, o contato da terra com as pastilhas pode fazer seus freios desaparecerem e ao chegar no alto da serra você não terá mais freio algum, tornando a descida muito perigosa.

Portanto se seus freios ainda estão bons, mesmo assim leve dois pares de pastilhas reservas. Em caso de chuva e lama antes da Serra, antes da descida faremos uma revisão nas bikes, uma a uma, para verificar se há ou não necessidade de trocá-las, ou apenas regulá-las.

Ergonomia

Altura do Selin (banco da bicicleta)

Nenhum ciclista com a altura correta consegue colocar os dois pés no chão ao parar de pedalar. Se você consegue, com certeza a altura do seu banco não esta correta. Ao parar a bicicleta TEMOS QUE DESCER DA BICICLETA. Ciclistas mais experientes param próximo a guias, se seguram em postes, pois eles sabem que não conseguirão colocar os dois pés no chão (as vezes nem um pé é possível)

Para ajustar a altura do Selin, esqueça aquela coisa do ossinho da bacia. Suba na Bicicleta escorado numa parede, coloque o calcanhar na base do pedal e gire para trás. Se sua perna não esticar totalmente é que o banco esta baixo. Se seu pé escapar você tem que abaixar a altura do banco. Acesse esse link com mais informações de como achar a altura ideal do Selin.

Achou a altura ideal? Hora de saber qual a posição ideal do pé no pedal. Você terá que posicionar aquele osso antes do dedão (quem souber me fale o nome técnico) na mesma linha da base central do pedal como na foto abaixo. Tirei uma foto descalço só para mostrar qual é a parte do pé que deverá forçar o pedal. Nada de pedalar com o meio do pé, com o calcanhar ou mesmo descalço!

Posição do Guidão

No cicloturismo a postura do ciclista tem que ser mais ereta do que seria numa bicicleta de estrada, muito próximo das bicicletas urbanas. Em muitos casos é necessário alterar a mesa deixando mais curta e colocando uma regulagem de altura. Na foto abaixo a vejam a cara de alegria da Thelminha. Ainda não está ideal, tanto é que iremos trocar a mesa deixando ela um pouco mais curta e mais alta. Mas se o corpo do ciclista estiver  mais inclinado que isso, significa que a postura não é a ideal.

Uma boa dica é colocar um guidão de cicloturismo, ele tem várias opções de pegada, podendo deixar o ciclista numa postura mais confortável ou mais aerodinâmica, dependendo da sua necessidade. Abaixo um modelo desse guidão a venda na Ciclourbano, no momento está esgotado, mas recomendo encomendar para sua próxima cicloviagem.

Acessórios e vestuário

Roupas

Tem vergonha de andar com aquela bermudinha coladinha? Se quiser se aventurar cada vez mais nesse mundo do ciclismo vá se acostumando com a ideia. Roupas de ciclistas, principalmente a bermuda, colaboram inclusive com seu desempenho pois mantêm os músculos aquecidos e evitam lesões. Sem falar que é infinitamente mais confortável pedalar com roupas de ciclistas do que com roupas comuns. Se não fossem, não veríamos tantos ciclistas usando essas roupas.

Eu quando uso bermudas ou calças não uso roupas intimas pois o atrito da costura da cueca na virilha pode causar assaduras. Caso o ciclista não abra mão da roupa íntima, sugiro usar aquelas cuecas “boxer”. Para as meninas já não sei, portanto vou esperar os comentários delas aqui no blog para publicar aqui nesse guia.

Eu costumo usar calças e camisetas de manga longa para ciclismo da Curtlo. São de excelente qualidade, possuem sistema Dry Fit e além de me dar conforto, não me deixando ensopado, me protegem também do sol.

Em minhas viagens eu usava uma papete com clip, quando pegava uma chuva, ou avistava uma cachoeira, tirava as luvas, óculos, boné e entrava com roupa e tudo na água. Ao sair, tirava a camiseta, dava uma pequena torcida, colocava novamente no corpo e em minutos ela estava sequinha. A calça demorava um pouco mais para secar, mas nunca mais que meia hora.

Iluminação

Pretendemos pedalar sempre de dia, mas como nunca sabemos o que pode ocorrer, temos que estar preparado para tudo. Iluminação traseira sempre e quanto mais potente melhor, principalmente quando vamos pedalar em estradas com carros em alta velocidade. Precisamos ser vistos da maior distância possível. Há piscas poderosos que sinalizam o ciclista a distâncias superiores a um quilômetro.

No caso de iluminação dianteira, esses piscas que usamos na cidade em quase nada serão úteis numa cicloviagem. Portanto todo bom cicloturista tem que adquirir uma boa iluminação noturna, o que significa gastar uma boa grana na maioria dos casos. Para essa viagem em específico, creio que a necessidade de usarmos uma potente iluminação é quase zero, pois o trecho mais complicado a ser feito sem iluminação seria a descida da Serra, mas como ela está na metade do caminho a possibilidade de descer de noite é quase zero. Na baixada, mesmo os trechos de estradas são bem iluminados.

Capacete

Apesar de odiar capacete, principalmente nessa viagem do Desafio Bicicletas ao Mar, lá estarei eu com minha casca de ovo na cabeça. Não irei impedir ninguém de descer sem o capacete, mas recomendo demais o uso do capacete e vou explicar porque.

Capacete dificilmente irá ser útil no caso de uma colisão, um atropelamento, como ocorreu com amigos nossos recentemente nas ruas da cidade. Mas o capacete é muito útil em caso de quedas e em passeios em grupos, possibilidade de quedas são reais.

Tem aquele ciclista que nos ultrapassa na descida em curva e se engancha conosco, é o limo da descida da serra, uma freada sem razão do ciclista da frente e por aí vai. Quedas fazem parte do ciclismo, ciclistas profissionais depilam as pernas não para ter maior aerodinâmica, mas para ter uma cicatrização mais rápida, já que as quedas fazem parte da sua vida e os pelos atrapalham essa recuperação. Um bom ciclista não apenas aprende a conviver com as quedas como aprende a cair.

Provavelmente teremos quedas nesse passeio, mas temos que ter o cuidado para que essas quedas não prejudiquem nossa viagem. Mais a frente darei dicas de como pedalar em grupos e como evitar esses tipos de acidentes, enquanto isso coloque um bom capacete na cabeça.

Luvas

Luvas sempre! Eu considero a luva até mais importante do que o capacete, pois na maioria das quedas, a primeira coisa que vai ao chão são nossas mãos. Já vi pessoas sofrerem quedas bobas, mas serem obrigadas a abortarem o pedal porque machucaram a palma da mão e não conseguiam mais segurar o guidão. Já rasguei diversas luvas em tombos e sempre que necessário pedalo com luvas.

Ferramentas

Numa viagem em grupo, quase sempre haverá alguém com aquela ferramenta que tanto precisamos, mas se você não gosta de contar com os outros, aqui vai a relação do que carrego na minha bolsa de guidão.

1 Jogo de ferramentas multiuso com chaves Alen, fendas, Philips e até sacador de corrente
1 Alicate multiuso Letherman
1 Chave de alinhar roda
1 Chave de boca numero 15 (na viagem levarei um do 8 ao 15)
1 Chave inglesa
1 Kit de reparos com espátulas de nylon (nunca de ferro), lixa, cola e remendos (as estrelinhas)
1 Caneta
1 Óculos de sol
1 Chaveiro Trena (não ocupa espaço e as vezes é útil)
1 Lixa colando uma lixa de parede num cabo de vassoura
1 Lixa de furadeira (ambas eu uso para lixar a câmara para remendar um pneu
1 Protetor Solar
1 Chave de fenda
1 Presilha de calça refletiva

Numa viagem mais longa eu levo um número muito maior de ferramentas, mas isso é o básico para o dia a dia.

Protetor Solar

Eu uso sempre protetor solar, evito ao máximo deixar partes do meu corpo exposta e todos devem tomar esse cuidado, principalmente os iniciantes. Há risco de insolação, desidratação por excesso de exposição ao sol. Como estamos pedalando e recebendo aquela brisa, nem sempre percebemos o quanto nosso corpo está quente ou nossa pele queimando, portanto muito cuidado.

Uma boa sugestão é o uso de Manguitos e Pernitos, assim o ciclista pode tirar e colocar durante o pedal sem maiores dificuldades.

Hidratação

Eu não me acostumei com mochilas de hidratação, mas se você se acostumou ótimo, recomendo. Minha dica é colocar uma garrafa pet de 500 ml de água no congelador e no dia do pedal, coloque essa garrafa aberta, de cabeça para baixo dentro do saco de hidratação (nem todos tem uma abertura que caiba a garrafa, verifique isso) e o encha de água. Isso pode manter a água geladinha por mais de 3 horas.

Tem espaço para duas caramanholas (garrafinhas) na sua bicicleta? Então coloque. Há garrafas térmicas que funcionam bem, por isso são mais caras. A dica aqui é também deixar a garrafa com água no congelador um dia antes do pedal. Conforme o gelo vai derretendo você terá água gelada por mais tempo.

No caminho da Rota Marcia Prado há vários pontos onde o ciclista pode comprar água. Evite tomar água de procedência duvidosa.

Dentro do Parque da Serra do Mar há um ponto de água potável ao lado do túnel, se necessário  abasteça ali.

Sintomas de desidratação

Começa com segura na boca. Se você começar a sentir dor de cabeça, febre, espasmos musculares, significa que a coisa tá feia. Depois disso vêm as câimbras até o travamento total, portanto fique atento. Se tiver qualquer sinal desses sintomas, comunique um Bike Anjo, não deixe os sintomas evoluírem para falar com alguém. Se identificado no início, uma simples coca-cola pode ajudar.

Há nas farmácias uns flaconetes de soro com glicose para reidratação. Compre um desses ou se não achar compre saches para preparar na hora, isso não é difícil de encontrar.

Gels funcionam para repor os sais, leve apenas dois saches, tome um por volta das 10h00 da manhã e outro depois das 15h00. Não tome mais do que dois saches.

Alimentação

No dia anterior a viagem abuse dos Carboidratos, muita batata, massas, mas coma também frutas e verduras. Evite comer um churrasco um dia antes, nada de alimentos muito pesados e sem exagerar no álcool. Só vou permitir uma lata de cerveja ou uma taça de vinho, não mais que isso. Não invente moda, procure comer o que seu corpo esta acostumado pois nada pior do que realizar uma viagem tendo “piriri” a todo momento.

Leve frutas secas e castanhas, vá na zona cerealista e faça a festa (até porque vou abusar de vocês). Se estiver com fome pare e coma algo, seja uma barrinha, uma fruta, uma castanha, um doce de amendoim, uma bananinha passa. Se acabou a água peça para alguém ou pare e compre, nunca pedale muito tempo com sede, principalmente o ciclista iniciante, lembre-se que você está conhecendo seu corpo numa situação muito diferente da que você esta acostumado.

E se chover?

O cicloturista que tem medo de chuva, jamais será um cicloturista de verdade. No cicloturismo aprendemos a lidar com as intempéries da natureza e a chuva, na grande maioria das vezes ela mais ajuda do que atrapaha.

As roupas de ciclistas são preparadas para receber água e secar rapidamente. Eu uso capa de chuva apenas quando está muito frio. Capas estilo ponchos não são boas em cicloviagens, pois como a velocidade é maior e constante, o ciclista fica parecendo o Batman.

Nesse caso o ideal são os “corta-ventos”, muito bons para o frio pois protegem o peito do ciclista. Quem assiste o Tour de France já deve ter visto os ciclistas, ao começar a descer uma montanha, além de vestir o corta-vento, eles colocam também jornal no peito para isolar do vento. Os mendigos se cobrem de jornal não por acaso.

Voltando a falar da chuva, se tem algo que não pode molhar, coloque em sacos estanques. Roupas vão para a mochila (que vai presa no bagageiro e não nas costas) dentro de sacos de supermercado.

Para essa viagem sugiro que você tenha na mala uma muda de roupa, um chinelo (ou um tênis reserva), uma sunga (ou biquíni para as meninas) e uma toalha. Na praia você pode se trocar nos banheiros públicos e usar as duchas para tirar o suor ou mesmo a lama do corpo.

Minha  bolsa de guidão tem uma capa para proteger da chuva, algumas boas bolsas de guidão já vem com uma capa também.

Dicas para pedalar em grupos

Nessa nossa viagem não iremos numa grande massa compacta e sim em pequenos grupos. Cada grupo terá alguns Bike Anjos, mas isso não significa que todos não podem colaborar de alguma maneira. A ideia é formar pequenas massas, com um lá na frente guiando o pessoal e outro no final fechando o grupo. Se um ciclista tiver problema todos param para ajudar.

No sábado iremos sinalizar a rota com setas, portanto verifique as setas para saber se está no caminho. Se pedalou mais de 500 metros e não viu nenhuma seta, volte até a última e reencontre o caminho. Na cidade, as setas estarão nos postes e no solo, principalmente perto das conversões.

Temos todos os níveis de experiência nesse pedal e é fundamental que todos tomem algumas precauções para evitarmos acidentes.

No trecho urbano, pedalem sempre ocupando uma faixa de rolamento liberando as demais para os carros realizarem as ultrapassagens. Nas avenidas iremos usar a faixa da esquerda sempre, assim evitaremos os conflitos com os motoristas de ônibus. Se fechar o semáforo, pare e espere abrir, evite cortar o sinal vermelho.

Podem andar lado a lado, mas os iniciantes procurem sempre andar próximo a guia e deixem os mais experientes andarem entre vocês e os carros.

Nas descidas JAMAIS andem lado a lado. Muito cuidado na hora de descer, pedalem em fila e sempre com uma distância segura do ciclista da frente. Se for ultrapassar (somente quando realmente houver necessidade) faça sempre pela esquerda e avise o ciclista a frente que você esta o ultrapassando. Observe também se a frente do ciclista da direita não há um buraco que o obrigue a desviar para a esquerda. Evite ultrapassar o ciclista nessa situação e JAMAIS ULTRAPASSE UM CICLISTA NUMA CURVA.

Quando chegar numa subida, nunca pare na metade para esperar a massa se agrupar, vá até o final da subida e espere lá em cima, se possível num recuo onde os ciclistas podem se agrupar em segurança. Assim que chegar o último ciclista, dê um tempinho para ele também descansar. Não vamos esquecer que um dia éramos nós os últimos a subir e ficávamos incomodados quando não deixavam a gente descansar um minuto sequer no topo de uma subida.

Dentro do Parque, descendo a serra, todo o cuidado tem que ser redobrado. Ali a chance de quedas é maior ainda e evite ao máximo ultrapassar um ciclista pois lá dentro raramente há retas. E sempre desça na sua mão, pois é comum alguns carros descerem no sentido contrário.

Deixem alguém da família de sobreaviso SEMPRE

Principalmente aos marinheiros de primeira viagem, avise alguém da família sobre a viagem, diga o trajeto e os deixe de sobreaviso. Como não teremos carros de apoio, em caso de impossibilidade de continuar a viagem, você terá que ser resgatado por algum conhecido. Portanto sempre tenha em mãos um plano B.

O Retorno do litoral

A melhor forma de retornar é usando as empresas de ônibus. São 4 empresas e elas tem saída ao lado do Canal 1. Basta comprar a passagem, colocar a bicicleta no bagageiro dos ônibus (que sobem praticamente vazios) e subir no bus. Leve um desses elásticos (chamamos também de aranha ou cordinha) para prender sua bicicleta junto a estrutura do bagageiro. Veja o site das empresas que fazem esse percurso.

http://www.viacaoultra.com.br

http://www.rapidobrasil.com.br

http://www.viacaocometa.com.br/pt/

http://www.expressoluxo.com.br/

Entrarei em contato com todas avisando que haverá um grande número de ciclistas subindo. Raramente criam caso conosco, mas se uma empresa criar dificuldades, utilizamos aoutra.

Ninguém é responsável por ninguém, mas todos são responsáveis por todos, meu maior desejo é ver a massa se ajudando e se esforçando para todos chegarem à praia. Creio que acabei esquecendo algo, portanto façam suas perguntas no campo de comentários para eu incluir essa resposta no próprio post.

André Pasqualini

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Na minha vez, não quero uma Ghost Bike

Atendi ao telefone e um amigo jornalista me disse que ficou aliviado, pois sempre que ele recebe notícias de ciclistas mortos em São Paulo, no mesmo momento fica apreensivo, com medo de ser eu. Fico imaginando que o mesmo deve ocorrer com meus pais, meus amigos, meu filho quando ficar maior.

Sempre que um ciclista cai morto eu fico derrubado. Por mais que seja nítida a melhora, sei que ainda está muito longe do ideal, como sei que ainda mais ciclistas perderão a vida no trânsito de São Paulo, enquanto estivermos vivendo essa transição. Antigamente eu xingaria Deus e o mundo, mandaria empalarem o Kassab, iria para as ruas protestar, externaria minha revolta do jeito mais fácil, gritando.

Mas confesso que mudei, não sou mais o mesmo Pasqualini de antes e muito se deve a minha viagem. Os mais de 100 dias sozinhos na estrada, foram giros de pedais de muita reflexão. Não apenas ajudou a superar uma separação traumática como me fez entender um pouco melhor o que meu coração tanto quer dizer. Minha forma de me relacionar com as pessoas mudou sensivelmente, hoje posso dizer que sou muito mais tolerante e consigo visualizar melhor as causas dos problemas e com isso ser mais pontual.

Falando da morte desse ciclista na Eliseu de Almeida, pedalo por essa via há muitos anos, desde que morava em Embu das Artes e trabalhava no Parque Dom Pedro em 1995. Ali por inúmeras vezes vi a história da minha vida ser contada como um filminho e desde que me conheço por gente ficava imaginando aquele canteiro central sendo usado como uma ciclovia.

Devia ser o ano de 1996, estava voltando com meu irmão de um desses pedais dominicais quando uma tempestade fez aquele córrego do Pirajussara, que contra sua vontade foi impedido de respirar, mostrar que quando ele quiser, não será o ser humano que irá dizer por onde ele deve correr. Trânsito totalmente parado, a rua virou um rio e lá fomos eu e meu irmão, pedalando com a água na altura do pedivela. Seguimos até o canteiro central e a mais de um metro de altura sentimos o que seria pedalar se ali houvesse uma ciclovia.

Em 2007, num evento no estádio do Morumbi, quando foi anunciado que seria a sede de São Paulo na Copa do Mundo, entre a apresentação de um monotrilho ligando com a estação do Metro, estacionamento coberto para não sei quantos milhares de carros, lá estava a apresentação do sistema cicloviário do Butantã, com promessa de entrega para 2010.

Desde então acompanhei cada passo dessa empreitada e da mesma forma que eu vi gente na prefeitura fazendo o possível e o impossível para ela sair do papel, vi também muito fdp fazendo corpo mole, como sempre ocorreu por parte de inúmeros funcionários públicos que estão na máquina não para servir o interesse público, mas para encostar a bunda, ganhar bem trabalhando pouco. Eu sempre digo que não adianta o prefeito querer algo, pois se o funcionário público não quiser, ele enrola o prefeito e não faz.

Vi uma licitação para o Projeto Básico dessa ciclovia zerar, ou seja, não aparecer ninguém interessado em realizá-la. Também vi esse prazo de 2010 ir para o vinagre, principalmente porque a obra de recuperação da calha do córrego Pirajussara (que está debaixo da via) atrasar dois anos (previsão era de 2008 e terminou só em 2010).

Assim que entregaram a obra, em agosto de 2010, não perdemos tempo e fomos inaugurar a Cicloterra, uma forma de pressionar a subprefeitura do Butantã para eles agilizarem o processo já moroso como é qualquer processo licitatório.

No começo desse ano fiquei sabendo que uma empresa havia finalizado o projeto básico dessa ciclovia e que restava apenas licitar a obra. Mas porque ainda não foi licitada? Porque infelizmente, a máquina pública por dentro é uma bagunça, é grande, inchada, morosa e um parto para descobrir quem está sentando no projeto.

Sim, qualquer processo dentro da prefeitura tem diversas obrigações legais e tem que passar por diversas mãos. Se um funcionário quiser encostar um processo na sua mesa e deixá-lo lá por anos, ele consegue. Foi isso que ocorreu, por exemplo, com um projeto de uma Ciclovia na Carlos Caldeira (ligando o Capão Redondo com a Marginal Pinheiros) que apresentamos em 2007. Em 2010, um desses cicloativistas da prefeitura descobriu que um funcionário sentou no projeto e deixou parado por quase dois anos em sua mesa. Precisamos descobrir quem era esse cara, mandar um ofício de um secretário direto ao chefe dele para a coisa andar.

Como resolver isso? Apenas quando a prefeitura colocar sobre a mesma pasta a gestão de todos os projetos cicloviários. Hoje a CET apenas aprova ou não os projetos que são administrados pelas Subprefeituras, isso quando os projetos chegam a eles. Um exemplo é a Ciclovia que fizeram as margens da Guarapiranga, junto a Robert Kennedy, tocado pela sub Capela do Socorro. A CET já pediu uma cópia do projeto para planejarem uma sinalização do entorno e proporem uma integração maior, inclusive com a Ciclovia da Marginal Pinheiros, mas até hoje não receberam sequer uma cópia do projeto.

Voltando a falar da Eliseu, ali é uma via onde já sabia que cedo ou tarde uma tragédia poderia ocorrer. Não só ali como sei que se nada for feito na Paulista e em diversos outros pontos da cidade mais vidas perderemos.  Lembro que em 2008, quando recebi os dados com mortes de ciclistas em São Paulo, só na Radial Leste haviam morrido 3 ciclistas em dois anos. Depois que construíram a ciclovia as mortes zeraram.

E finalmente, depois de anos implorando, me passaram os dados com as mortes de ciclistas e com eles em mãos, ao invés de sair divulgando esses números na mídia, vou preparar um estudo e apontar os lugares que elas ocorreram e propor  a Prefeitura soluções. Com esse estudo ela poderá direcionar investimentos para praticamente zerar essas mortes.

E é nesse trabalho que irei me concentrar pois sei que de nada vai adiantar pedir o empalamento do prefeito ou mesmo xingar a CET. Até porque esse xingamentos não vão afetar aqueles que são contra a bicicleta, mas abalar emocionalmente ainda mais os que lutam por melhores condições para nós e que ficam tão destruídos como eu quando recebem uma notícia como essa. Em respeito a essas pessoas, a esses cicloativistas dentro da CET (e de toda máquina pública) que vou poupá-los dos meus xingamentos.

Mas vou aproveitar e fazer um pedido público ao Secretário Marcelo Branco, uma pessoa injustamente ofendida por muitos ciclistas. Apesar de saber que ele não vai conseguir acelerar os projetos cicloviários que temos aí, algumas coisas ele pode sim fazer. Primeiro avançar na realização de uma Pesquisa Origem e Destino de ciclistas. Temos que aproveitar esse ótimo estudo que o Cebrap realizou com o mapeamento das rotas no Centro Expandido e além de mapear as ciclorrotas pelo resto da cidade, ampliar o projeto e realizar um trabalho de pesquisa, realizando contagem fotográficas, entrevistas, analises topográficas. Esse estudo será fundamental para a criação de um abrangente plano cicloviário.

Outra coisa que ele pode fazer imediatamente é reduzir a velocidade de diversas vias de São Paulo onde comprovadamente há tráfego intenso de ciclistas, a começar pela Paulista. Não é só porque uma avenida é larga e bem asfaltada que a CET tem a obrigação de manter uma velocidade elevada. O melhor e mais rápido tratamento cicloviário que você pode dar para uma avenida é a redução da velocidade dela.

Na Eliseu de Almeida há muitos abusos e mesmo a velocidade de 60 km/h é elevada demais. Esse infeliz que matou o ciclista ontem, além de estar com a habilitação vencida (não deveria estar ali), com certeza estava em altíssima velocidade, pois mesmo na velocidade limite, jamais iria arremessar o ciclista a mais de 50 metros. Pedalei muito por ali e sei que são muitos os irresponsáveis que colocam nossa vida em risco diariamente. Nessas vias, lombadas, radares, redução da velocidade, tudo isso é pouco, mas algo tem que ser feito.

E assim que terminar esse meu estudo com os dados das mortes de ciclistas, os levarei para a SMT e juntos com os “cicloativistas” de lá, vamos continuar nossa batalha para não só zerarmos esse número de tragédias, bem como aumentar cada vez mais a sensação de segurança dos ciclistas.

Pra encerrar, mais uma vez não farei coro com muitos ciclistas, alguns grandes amigos meus, de ficar responsabilizando esse ou aquele. Eu era assim, mas hoje sei que sou muito mais útil buscando soluções e não culpados.

Tenho plena consciência de que estamos vivendo um forte processo de mudança e toda mudança é conturbada, toda mudança deixa seqüelas e que infelizmente ainda perderemos algumas vidas enquanto as soluções definitivas não chegam.

Meus amigos me perdoem, mas não irei mais a nenhum protesto ou instalação de Ghost Bikes pela cidade. Não sei ainda como agirei se perder mais um amigo para esse trânsito assassino. Espero que isso não ocorra, mas entendam que para mim, a instalação de qualquer Ghost na cidade é como uma imensa derrota, mais uma vida que não consegui salvar e não quero mais vivenciar isso.

Não condeno quem o faz, me solidarizo com todos que trocaram um descanso merecido após um dia de trabalho pela manifestação de ontem. Mas se por acaso o merecedor de uma Ghost for eu, imploro para que ela não seja colocada. Imploro também para que não divulguem fotos minhas com o crânio aberto, pois imagino a dor do meu filho ao ver o pai dele daquela forma.

Se um dia esse trânsito assassino me vencer, quero que a última imagem que meu filho tenha de mim é dos meus momentos com ele, dos nossos passeios de bicicleta, da minha luta por ele e por melhores condições para ele e para todos moradores dessa cidade se deslocarem com segurança. Encarem isso como uma espécie de testamento e também como uma explicação para a minha mudança de atitude de uns tempos para cá.

Ainda me indigno, me revolto, muitas vezes brigo, xingo uns motoristas irresponsáveis, mas tudo isso só faço no calor do momento, quando descanso minha cabecinha e penso no que fazer para resolver um problema, não consigo mais me ver sendo útil estando na linha de frente, disposto a levar borrachada.

É isso, espero que compreendam, sei que meus amigos de verdade vão me compreender e sei que eles farão o possível para, caso a vítima seja eu, que meu desejo seja levado em consideração. Agora me dêem licença pois vou voltar para meu trabalho que é acabar com essas mortes estúpidas na nossa cidade.

André Pasqualini

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Pasquatrainings para o Desafio Bicicletas ao Mar

Faltando duas semanas para o Desafio que irá ocorrer no dia 15 de abril, pretendo realizar treinos durante a semana (de noite), dois pedais no feriado e um churrasco com oficina mecânica para a galera dar uma geral na bike antes da viagem. Se você ainda está com dúvida se “aguenta o tranco”, participe de ao menos um dos treinos e poderei realizar essa avaliação na hora.

Treinos noturnos as terças e quintas

Dias 03, 05, 10 e 12 de abril, concentrando as 20h00 em frente ao portão 3 do Parque do Ibirapuera (veja aqui no mapa). São treinos específicos, realizo treinos de subidas, giro, tiro, etc. Descido na hora o trajeto e o estilo do pedal com base no pessoal que esta lá. Ninguém fica para trás e qualquer pessoa que já pedala com regularidade pode participar.

Atualização: Como teremos pedal na sexta, dia 06, vou abortar o treino de quinta (05) até porque tenho pedalado muito essa semana e estou precisando de um descanso, o farei justamente na quinta, dia 05.

Dia 06 de abril (sexta-feira) – Visita ao Solo Sagrado

Foto Glau Monteiro

Saída as 8h00 da manhã na Ciclovia do Rio Pinheiros junto a estação Vila Olimpia. Um pedal com cerca de 90 quilômetros no total, voltando pelo Rodoanel, clique aqui para ver o trajeto.

Será um dia inteiro de pedal e uma ótima simulação de cicloviagem. Saímos as 8h00 e a previsão de retorno é para as 18h00.

Dia 08 de abril (domingo) – Pedal Ciclofaixas e Ciclovias de São Paulo

Para esse pedal, o ponto de encontro será as 8h00 da manhã na estação São Miguel da CPTM. Para chegar até lá o ciclista tem que ir para o Metro Brás, seguir pela linha Safira, destino Calmon Viana e descer na Estação São Miguel.

De lá pedalaremos até o inicio da Ciclovia do Parque Ecológico do Tietê e faremos um longo pedal pela cidade. Passaremos na Ciclofaixa da ZL, Ciclovia da Radial, Ciclofaixa da ZN, Ciclorrota da Lapa e Ciclofaixa da ZO e ZS, encerrando o pedal no Parque das Bicicletas. Serão cerca de 80 quilômetros, outra grande simulação do que encontraremos durante a Cicloviagem. Clique aqui e veja o trajeto desse pedal.

Dia 14 de abril (sábado) – Dia da geral na bike

A princípio teríamos outro pedal nesse dia, mas também não sou de ferro e preciso  descansar um dia. Então pensei em fazer um churrasco em algum lugar onde eu levaria minhas ferramentas e a galera levaria suas bikes. Lá uma a uma, daríamos uma geral nas magrelas, trocaríamos peças se necessário, regulagens, instalar bagageiros, seja lá o que for necessário.

Até sábado vou ver se arrumo um local, mas se estiver difícil, farei em frente a minha casa aqui perto do Jabaquara. Até o final de semana divulgo aqui o ponto de encontro (se alguém morar numa região mais central e se dispor a “emprestar” sua casa me avise)

Vou abortar a oficina no sábado, dia 07 e ficarei a disposição em minha casa, no dia 14, o dia inteiro para quem quiser trazer a bike aqui para dar uma geral. Será a última geral antes da viagem no domingo, dia 15.

Para finalizar, se você tem dúvidas se consegue realizar essa viagem, participe de ao menos um treino, seja os pedais no feriado ou os noturnos as terças e quintas. Ainda essa semana escreverei um artigo com dicas de como preparar a bicicleta para uma cicloviagem. Até mais.

André Pasqualini

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Oficina de Cicloturismo – Desafio Bicicletas ao Mar

Para quem ainda não sabe, no dia 15 de abril de 2012 teremos o Desafio Bicicletas ao Mar, confira mais informações na página do evento no facebook, ou aqui no blog.

Como forma de preparação, estou organizando alguns eventos e pedais para a galera estar voando no dia do evento. No último domingo (dia 25 de março) realizamos um divertido circuito onde passamos pela Ciclovia da Radial, Ciclofaixa de Lazer da Zona Leste, Ciclovia do Parque do Tietê e finalmente conheci o maravilhoso Parque Ecológico do Rio Tietê. Veja as fotos clicando aqui.

Estou preparando uma programação especial com muitos pedais durante o feriado da Páscoa, portanto, quem ficar em Sampa terá várias possibilidades testar, de forma controlada, se esta ou não preparado para uma Cicloviagem.

Mas já no próximo sábado (31 de março) irei realizar uma Oficina de Cicloturismo, onde pretendo, além de ensinar diversas técnicas de cicloturismo, tirar todas as dúvidas em relação aos seus equipamentos. Assim toda galera que esta realizando o pedal pela primeira vez terá tempo de deixar sua bicicleta em condições para realizar o pedal na certeza que nenhum contratempo técnico ou mecânico, lhe impedirá de atingir seus objetivos.

O evento será realizado na Ciclovila, que fica Trav. Dr. José Alves de Souza Neto, 49 (altura do número 229 da Rua do Rocio) dia 31 de abril, a partir das 15h00. Se possível vá pedalando, ou leve sua bicicleta, principalmente se você tem dúvidas se ela esta preparada para sua primeira cicloviagem. Lá irei avaliar cada uma delas e dar sugestões do que é necessário fazer para evitar que problemas mecânicos atrapalhem sua viagem.

Se for de bike basta entrar na vila e estacionar a bicicleta em algum dos cantos. Se for de carro deixe-o na Rua do Rocio e entre com sua bike (evite entrar com o carro na rua da vila).

Sabe aquele monte de câmaras furadas que você tem em casa? Aquelas que você trocou mas nunca consertou? Leve-as, pois quem ainda não sabe trocar um pneu e tão pouco remendá-lo, será a oportunidade de aprender. Leve também kits de remendo, levarei alguns, mas cada ciclista tem que ter o seu, principalmente no dia da viagem.

Cicloturismo clássico, (aquele que eu pratico e mais gosto) é baseado na auto-suficiência. Claro que não deixaremos ninguém na mão, mas é muito importante que cada ciclista saiba o que fazer no momento dos perrengues. Sem falar que a superação dos problemas é uma das melhores sensações em uma Cicloviagem.

Quero não apenas que vocês se convençam que são capazes de realizar uma Cicloviagem, mas principalmente de que vocês não dependerão de nada (além das suas pernas) para atingirem seus objetivos.

Participe da Oficina, acesse também a página do evento no Facebook e confirme sua participação. Dúvidas podem usar o campo de comentários aqui e ou no Facebook.

André Pasqualini

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Inauguração da Ciclofaixa de Lazer da Zona Leste

No dia 25 de março de 2012 teremos a inauguração da Ciclofaixa Lazer da Zona Leste. A Ciclofaixa terá uma extensão total de 14 quilômetros no entorno do Parque Linear Tiquatira, que compreende as Avenidas Gov Carvalho Pinto, Dom Helder Camara e Calim Edid.

Com essa inauguração a Ciclofaixa de Lazer estará instalada em todas as zonas de São Paulo. Ainda não há integração total entre elas (embora essa integração possa ser feita de Metro), mas como a Ciclofaixa de Lazer já é considerada hoje uma conquista do Paulistano que dificilmente será retirada. Temos até Ciclovias sendo projetadas nos trajetos da Ciclofaixas, fazendo com que cada vez mais essas estruturas temporárias se tornem permanentes. A tendência é termos uma rede cicloviária integrada com todas as zonas da cidade.

Sim, é futuro, ainda estamos longe do ideal, mas levando em conta que a cinco anos atrás não tínhamos absolutamente nada, se continuarmos caminhando nesse ritmo e com cada vez mais ciclistas nas ruas, é questão de tempo para termos uma cidade realmente ciclável.

Apesar de muitos ciclistas reclamarem da vocação para o lazer das Ciclofaixas dominicais, quem pedala sabe que temos muitos não-ciclistas que só não se tornaram ainda por medo de encarar o trânsito de São Paulo. E o uso da bicicleta na Ciclofaixa de Lazer, além de mostrar que eles são capazes de vencerem o relevo e grandes distâncias, serve para os ciclistas se acostumarem a pedalar na via, para então partirem para seus pedais solos. Sem falar que ela aproxima os motoristas dos ciclistas e estimula eles a dirigirem com mais prudência.

Eu sou prova viva da importância do uso da bicicleta como lazer, comecei a pedalar nos finais de semana e planejar cicloviagens. Como precisava de condicionamento físico, encontrei no uso da bicicleta como transporte uma ótima maneira de realizar minhas viagens.

Bicicleta é lazer, é esporte, é transporte e principalmente é muito bom! Por isso que novamente fico feliz com mais essa conquista e aproveito para agradecer a Bradesco Seguros, patrocinadora da Ciclofaixa de Lazer e a principal responsável  pela operação da Ciclofaixa de Lazer em São Paulo por esse presente que ela nos dá.

Clique aqui para conferir o circuito da nova Ciclofaixa e se for comparecer, e tiver facebook, se inscreva na página do evento. A partir das 10h00 horas haverá uma cerimônia de inauguração e com certeza estarei lá cobrindo para o site do Movimento Conviva.

Aproveitando, até mesmo como um treinamento para o pessoal que irá participar do Desafio ao Mar no dia 15 de abril, fica o convite, pedalem comigo até a Ciclofaixa. O ponto de encontro será as 8h00 da manhã no início da Ciclovia da Radial leste, junto ao Metro Tatuapé e de lá seguiremos num ritmo mais tranquilo até a Ciclofaixa que tem um dos seus extremos próximo ao Metro Artur Alvim.

Depois de pedalarmos na Ciclofaixa poderemos esticar o pedal até o Parque Ecológico do Tietê, mas isso definimos na hora.

Sejam bem vindos e espero ver muita gente pedalando nesse domingo.

André Pasqualini

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