Inscrições abertas para o 5º Desafio Bicicletas ao Mar

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Dessa vez você só não chega a praia se não quiser! Lançado o 5º Desafio Bicicletas ao Mar (DBM)

Se você chegou agora e não sabe o que é o Desafio Bicicletas ao Mar, entre nesse link aqui para saber um pouco mais da sua história, agora se você quer confirmar sua inscrição, leia com atenção esse post e clique no banner ao final da página.

O DBM consiste numa série de treinos e atividades (cerca de 25) de 06 de abril a 08 de junho de 2014, com um único objetivo, ajudá-lo a percorrer os 100 quilômetros da Rota Márcia Prado de bicicleta. O DBM tem regras bem específicas, portanto leia com atenção todo o post e o regulamento antes de confirmar sua inscrição. Abaixo primeiro o cronograma e em seguida seu detalhamento.

CRONOGRAMA DOS EVENTOS

06 de abril de 2014 – Lançamento das inscrições

20 de abril de 2014 – Primeira data para avaliação

26 de abril de 2014 – As inscrições se encerram nessa data ou antes no caso de atingirmos a quantidade máxima de inscritos

27 de abril de 2014 – Segunda data para avaliação

04 de maio de 2014 – Entrega dos Kits

06 de maio de 2014 – Início dos treinos

08 de junho de 2014 – Descida da Rota Márcia Prado

AS INSCRIÇÕES

A inscrição é dividida em duas partes, primeiro você precisa comprar seu kit na Lojinha do Bicicreteiro. Aqui a primeira novidade dessa edição DBM, agora além de fazer sua inscrição pelo site, você também poderá comprar uma bicicleta e ganhar sua inscrição! Fizemos uma parceria com a Tito Bikes e conseguimos preços especiais para você ter uma excelente bicicleta para realizar o Desafio e para o lançamento temos a seguinte promoção.

As 10 primeiras bicicletas Mission 29er S10, de 1299,00 por R$999,00 (para pagamento a vista), incluindo sua inscrição no 5º Desafio Bicicletas ao Mar.

Oferta29er

Além das bicicletas, até o dia 25 de abril, data máxima para o encerramento das inscrições, iremos incluir diversos produtos que você poderá utilizar durante os treinos, como bolsas de guidão, vestuários, acessórios, etc. Tudo em condições especiais e EXCLUSIVO para os participantes do DBM.

Todos os produtos adquiridos pelo site serão entregues no dia da entrega dos Kits, dia 04 de maio, inclusive a bicicleta devidamente montada. Não se preocupe se você não estiver em São Paulo nessa data, para quem não conseguir retirar o kit, faremos a entrega durante os treinos.

Aliás toda a linha Mission 29er da Tito, desde a S10 até a S90 (com 27v e Disco Hidráulico), está sendo lançada nesse DBM com condições super especiais.

Após a confirmação da compra, você receberá um email com as instruções de como confirmar sua inscrição. Pelo site é possível você comprar mais de uma inscrição, caso você queira comprar para namorado(a), amigo(a), etc.

AS CATEGORIAS

Teremos 3 de categorias, Desafiantes, Masters e Praieiros, abaixo a descrição de cada uma:

Desafiantes

verdinhos

Também conhecido como “verdinhos”, são aqueles que nunca participaram do Desafio Bicicletas ao Mar e querem participar de todos os treinos, essa é a única categoria para qual as inscrições foram abertas até o momento e podem ser realizadas pelo site. Se você nunca participou de um DBM e quer participar, você é um Desafiante.

Master

master

Essa é uma categoria direcionada aqueles ciclistas que já participaram (e venceram) um Desafio e querem participar novamente. Para essa categoria as inscrições serão feitas de forma individual, o ciclista tem que mandar um email para bicicreteiro@gmail.com e lá iremos dizer como ele deve proceder para fazer sua inscrição.

O Master poderá participar de todos os treinos, sendo que para participar dos treinos noturnos, ele só poderá participar desde que com o intuito de ajudar os Guias e demais Desafiantes. Todas essas regras serão bem explicadas individualmente.

Praieiros

praieiro

Essa categoria é para os ciclistas que querem participar apenas da descida final do DBM no dia 08 de junho e serão abertas após o início dos treinos. Essa categoria tem algumas regras novas que serão melhor explicadas quando abrirmos as inscrições.

AS AVALIAÇÕES

Outra novidade, a avaliação obrigatória de TODOS os Desafiantes. Nos dias 20 e 26 de abril (dois domingos) realizaremos as avaliações na Ciclovia da Marginal Pinheiros que será agendada individualmente com cada desafiante. São duas datas pois quem não puder fazer num domingo faz no outro. Essa avaliação consiste em percorrer uma distância estabelecida por nós e com base nesses tempos conseguiremos determinar qual treino noturno cada ciclista poderá fazer, formando grupos mais homogêneos. Dessa forma o participante se sentirá mais seguro em pedalar ao lado de ciclistas com ritmo parecido, uma forma também de facilitarmos a socialização entre os participantes para eles terem sempre companhia em seus treinos. Mais adiante, quando explicarmos a dinâmica dos treinos, você entenderá melhor do quanto é importante essa avaliação.

Já aqueles ciclistas que estiverem entre os 20% que tiverem o melhor tempo, serão convidados a entrar numa sub categoria que chamaremos de “Guias Trainees”. Quem aceitar receberá uma camiseta diferenciada dos demais e um Curso de Guia, com noções de mecânica de bicicleta e pedalada segura. Seu papel no Desafio será o de auxiliar os Guias oficiais nos treinos, galgando seu espaço para serem Guias nos futuros DBMs.

A ENTREGA DOS KITS

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A entrega dos Kits irá ocorrer no dia 04 de maio (local ainda a ser definido) durante todo o dia. Nesse local além de retirar seus kits, os Desafiantes também irão receber suas bicicletas e acessórios que compraram pelo site durante a inscrição. Todos que comprarem suas bicicletas para o DBM irão receber um Bike Fit e aqueles que já tem bicicletas também poderão agendar um Fit por um preço super especial.

Aguarde que informaremos o local de entrega dos Kits aqui no blog e pelo seu email da inscrição.

OS TREINOS

Cada Desafiante terá o direito de participar de dois treinos noturnos e de todos os treinos de domingo, as simulações de Cicloviagens.

Treinos noturnos

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Dessa vez teremos três dias de treinos noturnos terças, quartas e quintas. Os treinos são divididos em categorias que vão de 4 (leve) e 1 (pesado), com base nas avaliações dos Desafiantes e na participação dos mesmos nos treinos, saberemos qual a categoria de treino que o ciclista deverá realizar. No começo de cada semana, os Desafiantes deverão informar quais os dias que eles poderão treinar (máximo dois por semana) e no dia do treino ele saberá qual a categoria e qual guia ele terá que acompanhar. Essa dinâmica serve para que cada participante consiga sempre participar de um treino dentro de suas capacidades e desestimulando as desistências.

Treinos de domingo

treinoDomingo

Serão 4 treinos aos domingos antes da descida da Rota Márcia Prado, sempre um treino para se pedalar o dia inteiro, visitando cidades da região metropolitana de São Paulo. Abaixo as novidades em relação aos treinos dominicais.

Sinalização: Como no 3º DBM, todos os trajetos serão sinalizados com no mínimo uma placa a cada 500 metros. Também teremos planilhas e tracks (para GPS) divulgados aqui no blog, assim todos os participantes saberão o trajeto exato a percorrer. Dessa vez a sinalização não será retirada.

sinalizacao

PCs (Postos de Controle): Cada treino de domingo terá no mínimo 4 postos de controle, um na largada, outro na chegada e ao menos dois intermediários. Em cada posto de controle teremos alguém da organização anotando o horário da passagem de cada participante. Também teremos horários limites para a chegada em cada PC, por isso não deixe de ler as regras contidas no Termo de Responsabilidade divulgado no final do post.

Aparato de apoio ao ciclista: Cada treino de domingo terá o seguinte aparato:

Ambulância
Carros de apoio
Van com Rack para bicicletas
Guias e equipes de apoio

fotoGuia

A cada treino teremos uma tenda no ponto de largada para registro da participação do Desafiante e apoio ao mesmo. Os ciclistas terão um horário mínimo e máximo para dar início ao pedal, conforme os ciclistas irão chegando vão saindo em grupos, sempre acompanhados pelos Guias do DBM, seguindo o trajeto indicado pela sinalização.

Nossos Guias nada mais são do que ex-Desafiantes, pessoas que como você, um dia batalharam para vencer o Desafio, mas que dessa vez estão aqui com o único intuito, ajudá-lo(a) a chegar na praia.

PONTUAÇÃO DOS DESAFIANTES

Dentro desse DBM iremos implantar um sistema que dará uma pontuação ao Desafiante de acordo com sua participação nos treinos. Os treinos foram formatados de uma forma com que eles passam a ficar mais difíceis no decorrer do Desafio, principalmente após a segunda semana. O ciclista que participar de TODOS os treinos, com certeza vencerá o Desafio, mas para evitar contratempos que tivemos nos DBMs anteriores, criamos esse sistema de pontuação até para que o ciclista se sinta mais seguro em participar sem a necessidade de usar o aparato de apoio.

TRAJETO DOS TREINOS DOMINICAIS

Veja abaixo quais serão os trajetos escolhidos* para o 5º DBM:

* ATENÇÃO: Tanto os trajetos dos treinos dominicais, bem como a própria descida pela Rota Márcia Prado pode ser alterado pela organização do evento se realmente for necessário. Essa alteração pode ocorrer até dias antes da data e caso isso ocorra, todos os participantes serão avisados previamente.

Dia 11 de maio – Ciclovias e Ciclofaixas

cicloviasCiclofaixa

Trajeto já tradicional no DBM, seguiremos de trem até a estação São Miguel Paulista da CPTM e de lá seguiremos pedalando pelas principais Ciclovias e Ciclofaixas de Lazer de São Paulo, passando pela Ciclovia do Parque Ecológico do Tietê, Ciclofaixa da Tiquatira (ZL), Ciclovia da Radial Leste, Parque da Juventude, Ciclofaixa da Zona Norte, Ciclovia da Brás Leme, Ciclorrota da Lapa, Parque Villa Lobos, Ciclofaixa da Zona Sul, Ciclovia da Marginal Pinheiros e terminando próximo ao Parque do Ibirapuera.

Um trajeto com cerca de 80 quilômetros e praticamente plano, com certeza a maioria dos ciclistas vai se espantar com a quantidade de trechos planos em nossa cidade.

18 de maio – Templo Zu Lai e Embu das Artes

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Um trajeto parecido com o que realizamos no 2º DBM, mas dessa vez iremos de trem até a estação Jardim Silveira da CPTM, pedalamos até o Templo Zu Lai e depois seguimos até Embu das Artes. De lá retornamos a São Paulo pedalando por um trecho de BR-116, Taboão da Serra, Eliseu de Almeida até próximo da Cidade Universitária. Nesse trajeto começaremos a encarar as primeiras subidas do Desafio.

25 de maio – Caieiras via Cantareira

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O Desafio vai começando a ficar maior, a primeira grande serra, a Estrada da Santa Inês, subindo a linda Serra da Cantareira e encerrando nosso pedal na cidade de Caieiras, onde os ciclistas conhecerão o único velódromo disponível em São Paulo para nossos atletas e poderão sentir a emoção de pedalar em alta velocidade num velódromo.

01 de junho – Jundiaí via Serra do Japi (???)

Como sempre queremos trazer novidades aos participantes do DBM, tentaremos fazer com que o último treino de domingo seja inédito, aguardem.

08 de junho – Descida pela Rota Márcia Prado

O grande dia onde teremos a companhia dos nossos amigos praieiros que irão se somar a nós para vencer esse grande Desafio.

O Regulamento

Clique aqui e leia o regulamento completo do DBM, que será entregue a você no dia da retirada do Kit.

Um Super Desafio no feriado de Corpus Christi? Quem sabe não pinta por aí uma Serra do Rio do Rastro? Em breve novidades…

As inscrições estão abertas, para garantir sua vaga você só precisa entrar na nossa loja virtual e realizar sua inscrição. Se ainda não tem bicicleta, ou acha que está na hora de fazer um upgrade em sua magrela, aproveite as promoções incríveis, exclusivas aos participantes do Desafio. Não perca tempo, faça já sua inscrição o quanto antes até porque as vagas são limitadas. Se tem dúvidas, use o campo de comentários aqui do Bicicreteiro. Te vejo na praia.

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André Pasqualini

 

Como foi o treinamento aos motoristas de ônibus em Recife e Maceió

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Foram quase dois meses de trabalho, primeiro realizando uma capacitação com cerca de dois mil motoristas de ônibus em Recife, em seguida partindo para Maceió onde em quatro dias capacitei mais 400 motoristas. Vou escrever um post longo e completo, assim alguém que não domine o assunto poderá usar esse post como fonte.

Qualquer ciclista que pedala com relativa regularidade, seja qual for a cidade brasileira, sabe que a convivência com os carros de passeio é complicada, mas não chega a ser tão complexa (para não dizer aterrorizante) quanto é a relação de convivência com os veículos maiores e se perguntarmos o que mais aterroriza os ciclistas, 99% deles irão responder que são os motoristas de ônibus.

Compartilho desse sentimento desde minhas primeiras pedaladas, mas o que motivou a fazer algo foi quando realizei um mapeamento das mortes de ciclistas na cidade de São Paulo. Recebi da CET-SP dados referente a mortes de ciclistas de 2006 a 2008 com informações de idade, sexo, profissão, causa mortis, data, hora e local do óbito, mas principalmente o tipo de veículo com o qual o ciclista se envolveu no acidente.

Mais de 90% das mortes de ciclistas que analisei, ocorreram após uma colisão com veículo automotor e em 100% desses casos ocorreu alguma infração por parte dos motoristas, mesmo nos raros casos onde o ciclista também cometeu alguma infração.

Analisando apenas os números de 2006 (um total de 84 mortes), em 20 casos não havia informação sobre o envolvimento de outro veículo, sugerindo que o ciclista morreu sozinho. Ocorre que em 80% desses casos ocorreram Trauma Craniano e Politraumatismo, portanto podemos considerar que em boa parte dessas mortes apenas não foi possível identificar qual veículo causou a queda do ciclista. Já naqueles que a identificação foi possível, os números foram esses:

Motos – 5
Caminhões – 8
Automóveis de passeio – 25
Ônibus – 29

A soma dá 87, mas isso se dá porque em alguns casos houve a participação de mais de um veículo (como no caso da Julie Dias, ciclista que foi atropelada na Paulista em 2012) e também há casos onde um único veículo foi responsável pela morte de mais de um ciclista.

Claro que todos os números são preocupantes não importa o tipo de veículo em questão, mas para cada categoria devemos ter uma ação diferenciada. Mortes envolvendo ciclistas e motoqueiros vêm aumentando a cada ano e preocupa, no caso dos caminhões, a maioria desses óbitos ocorre em vias que dão acesso a rodovias, um exemplo foi o caso daquele ciclista que foi atropelado por um caminhão ao ultrapassar um ônibus na Avenida Pirajussara em 2014, essa via dá acesso a BR-116 que liga São Paulo a Curitiba. Em casos como esses a solução é a instalação de segregação física para o ciclista, nesse em específico já era para haver uma ciclovia nessa avenida desde 2010, por exemplo.

O número de 25 envolvendo automóveis de passeio também é preocupante, para essa categoria, educação em massa e fiscalização pode surtir bastante efeito, mas o que realmente me espantou foram os 29 ônibus envolvidos em acidentes fatais com ciclistas. Na época, enquanto a frota de automóveis beirava os 5 milhões, a de ônibus girava em torno de 15 mil.

Analisando mais a fundo, apesar de existir psicopatas dirigindo veículos motorizados em tudo que é canto do Brasil, sempre reparei que a maioria dos motoristas que nos colocam em riscos, não tinha a menor noção de que tal atitude poderia nos matar e muito menos a ciência de que estavam desrespeitando alguma lei de trânsito (como os artigos 201 e 220) e isso ocorria também com os motoristas de ônibus.

Sabendo dessa realidade e sabendo também que a maioria dos motoristas que começam a pedalar, acabam mudando seu comportamento ao volante pelo simples fato de conhecerem ou outro lado, resolvi criar um treinamento onde eu não apenas os ensinava leis de trânsito, mas principalmente tentava mostrar aos motoristas como era o nosso universo, assim sabendo os motivos dos nossos comportamentos, eles poderiam avaliar os riscos e tomar atitudes para evitar um acidente.

Em junho de 2009, em parceria com a SPTrans, montei um treinamento e repassei aos multiplicadores das empresas de ônibus de São Paulo. Foram mais de 7 meses capacitando um total de 30 mil motoristas e os resultados foram quase perceptíveis, vejam os números abaixo:

Número de ônibus envolvidos em óbitos de ciclistas

2006 – 29
2007 – 15
2008 – 13
2009 – 22 (treinamento foi repassado de junho/2009 a janeiro de 2010)
2010 – 9
2011 – 11

Infelizmente não tenho os dados a partir de 2012 e lembrando que apesar de treinarmos 30 mil motoristas de ônibus ligados a SPTrans, na conta acima incluí fatalidades envolvendo ônibus rodoviários, fretados e principalmente os intermunicipais, ou seja, se considerarmos todos os ônibus que passam por São Paulo, esse número de 30 mil motoristas de ônibus deveria, no mínimo, dobrar. Mas levando em conta só os óbitos que ocorreram com veículos da SPTrans (segundo essa matéria), os números mostram que o treinamento ajudou a reduzir em mais de 60% o número de fatalidades com ciclistas nessa categoria:

2009 – 12
2010 – 6
2011 – 4

Falando sobre o conteúdo do curso, na primeira versão procurei focar em legislação e para mostrar a visão do ciclista, usei 3 ciclistas voluntários, de diferentes perfis e mostrei como eles se comportam no trânsito de São Paulo. O treinamento em si estava bom, e os motoristas que passavam por ele, além de serem receptivos, acabavam mudando seu comportamento em relação a nós, mas ficou claro que para maior eficácia, era vital o envolvimento das empresas de ônibus. Enquanto algumas realizaram um excelente trabalho, outras faziam pouco caso, tanto é que o Denis, personagem que irei falar mais adiante, sequer passou pelo treinamento.

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Dinâmica realizada em 2012 em São Paulo

Buscando aprimorar o treinamento, em 2012, novamente em parceria com a SPTrans, realizamos uma dinâmica com as empresas (veja mais detalhes da dinâmica nesse link) e ali encontrei o personagem perfeito para a versão 2.0 do treinamento, o Denis, um motorista de ônibus que usa sua bicicleta como meio de transporte. Ninguém melhor do que alguém que conhece sua realidade para provar que o compartilhamento com ciclistas é possível. Percebi também que não adiantava enfiar o dedo na cara do motorista de ônibus e apontá-lo como vilão. Em sua maioria são pessoas de ótima índole, pais de família (infelizmente mulheres são poucas), sabem da sua importância enquanto cidadãos, mas que também tem a percepção de que são pouco (ou quase nada) valorizados pela sociedade.

Tendo isso em mente, bolei um treinamento que focasse mais na sensibilização, ao invés de revanchismo, tentei transformá-los em aliados, procuro fazer analogias ao trânsito como se fosse uma grande cadeia alimentar, onde em sua base estão os mais fracos, pedestres e ciclistas e no topo, com superpoderes, eles, os motoristas de ônibus. Quem assistiu o filme “Rei Leão” deve se lembrar dos personagens “Timão e Pumba” que resolvem adotar e proteger um filhote de leão para os protegê-los no futuro. A ideia é a mesma, mostro a eles que quero mudar essa realidade, mas que ao contrário de mim, que não tenho força alguma com minha bicicleta, ele ao pilotar se ônibus (o Leão) recebe muito poder e ao invés de usar sua força para se impor, porque não usá-la para proteger os mais fracos?

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Foram quase dois anos trabalhando num formato mais eficiente e como desde 2009 venho recebendo pedidos de ciclistas e agentes do poder público fora de São Paulo para levar esse treinamento até suas cidades, procurei deixar o treinamento com uma cara mais nacional, assim com pouquíssimas alterações poderia adaptá-lo a qualquer cidade brasileira.

Desde março de 2013 venho conversando com o pessoal da Secretaria das Cidades de Recife, além de alguns cicloativistas da cidade, na tentativa de levar esse treinamento até lá e muito graças a um patrocínio do Banco Itaú, conseguimos viabilizar uma campanha para capacitar cerca de 6 mil motoristas da região metropolitana de Recife.

Antes mesmo de ir para Recife, também recebi o contato da Fernanda Cortez, ciclista e também assessora técnica da Superintendência de Mobilidade Urbana de Maceió, ela queria aproveitar minha vinda a Recife (que fica a menos de 300 km de Maceió) para que eu capacitasse cerca de 700 dos cerca de 1200 motoristas da cidade, isso porque eles haviam implantado na principal via da cidade, uma faixa exclusiva de ônibus que oficialmente seria compartilhada com ciclistas, algo inédito no Brasil (falo sobre no post que irei escrever sobre a cidade).

Quando cheguei à Recife confesso que entrei em pânico, além de sentir um trânsito muito mais selvagem que o de São Paulo, não demorou para perceber que teria um trabalho bem complicado com os motoristas de ônibus. Apesar da minha experiência como ciclista, foram vários os momentos que temi pela minha vida, isso porque eu resolvi que iria a todas as garagens pedalando, sem importar a distância entre elas e o local onde estava hospedado, isso significou que iria pedalar, em média, de 20 até 60 km por dia.

Ir de bicicleta fazia todo o sentido, pois eu literalmente entrava pedalando nas salas de aula. Apesar dos problemas dos ciclistas brasileiros serem parecidos, cada cidade tem suas particularidades e o fato de eu pedalar nelas fazia com que os motoristas dessem mais credibilidade ao treinamento. Sem contar que acabei conhecendo a região metropolitana de Recife de uma forma que poucos ciclistas (ou mesmo demais moradores) da cidade conhecem.

O carro está estacionado exatamente sobre uma ciclovia.

O carro está estacionado exatamente sobre uma ciclovia.

Infelizmente não consegui capacitar os seis mil motoristas que pretendíamos por diversos motivos, seja pelo período de férias ou mesmo devido ao baixo comprometimento de algumas empresas com o treinamento, de qualquer forma atingimos cerca de 2000 motoristas em um mês e foi nítida a mudança de comportamento dos mesmos, algo que eu conseguia sentir dia a dia, enquanto pedalava até as garagens.

O treinamento era dividido em 3 partes, na primeira eu tentava explicar como funcionava a cabeça do “Bicho-ciclista”. Sim, comparava o ciclista como um bicho (Timão e Pumba) que é solto em uma selva e que cria seus próprios códigos de sobrevivência, pois está claro que essa selva não o quer fazendo parte dela. Mostrava como funciona a lógica do deslocamento do ciclista e seu comportamento instintivo na hora de tomar algumas atitudes, mesmo aquelas que os colocam em risco ou que os forçam a cometerem infrações. Fazia exercícios onde eu os colocava na mesma situação e eles se viam fazendo exatamente o mesmo que  tanto condenavam enquanto dirigiam suas máquinas.

Na segunda parte eu falava de legislação ao mesmo tempo em que continuava ilustrando as atitudes defensivas dos ciclistas. Já a terceira ia para a prática, como evitar um acidente com o ciclista, nesse momento usava meu trunfo, o vídeo abaixo funcionava como transição entre essas duas fases do treinamento, os convido a assistirem o vídeo para depois retornarem a leitura.

Nesse vídeo apresentava o Denis, que na primeira parte do vídeo se concentra apenas em falar o quanto ele gosta de pedalar e o que a bicicleta representa em sua vida. O vídeo até fica chato em alguns momentos propositalmente, mas antes de terminar o segundo minuto do vídeo vem a sua apresentação – “Meu nome é Denis, tenho 37 anos, sou de São Paulo e sou MOTORISTA DE ÔNIBUS”.

Nesse instante presenciava todo tipo de reação, desde espanto até palmas, minha diversão era ficar olhando para os motoristas só para ver a reação deles. Invariavelmente todos acabavam se concentrando na segunda parte do vídeo, até aqueles mais resistentes ao treinamento. Não era mais um ciclista qualquer cagando regras, era alguém que sabia exatamente quais suas dificuldades, enquanto ele dirigia um ônibus, não falava o que eles devem fazer, mas sim O QUE ELE FAZ para evitar um acidente com um ciclista. Se até então ainda havia alguém armado, esse era momento que todos se desarmavam e ao termino do vídeo voltava as situações de conflito citadas pelo Denis e podia finalizar o treinamento.

Depois que terminei o treinamento em Recife segui para Maceió, lá realizei o treinamento por 4 dias, capacitando cerca de 400 motoristas participaram, um terço do total de motoristas de ônibus da cidade.

Faixa de ônibus oficialmente compartilhada com o ciclista em Maceió. Até onde eu sei, a primeira do Brasil

Faixa de ônibus oficialmente compartilhada com o ciclista em Maceió. Até onde eu sei, a primeira do Brasil

Os resultados foram imediatos em ambas cidades, ouvi de ciclistas de Recife que antes do treinamento eles tinham medo dos carros, mas PAVOR dos ônibus, pois eles pareciam que poderiam mata-los a qualquer momento, mas que esse sentimento acabou mudando com o tempo. Eu mesmo conseguia sentir essa diferença nas ruas das duas cidades, era comum encontrar meus “alunos” na rua e ser recebido por acenos, ser chamado de “professor” e principalmente vê-los praticando as orientações que passei nos treinamentos, tanto diretamente comigo, ou com outros ciclistas. Sempre que possível eu procurava ficar num canto da calçada, fora da vista dos motoristas e observava o comportamento deles. Foram tantas as situações animadoras que se eu relatasse 10% delas esse post dobraria.

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Cada motorista que participava do treinamento recebia um questionário onde procurava descobrir qual o papel da bicicleta em suas vidas, vejam os resultados de algumas questões abaixo com meus comentários.

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Acima a pergunta mais básica, se eles sabem pedalar e se tem bicicletas, mas abaixo uma pergunta importante, se eles tinham a intenção de incluir a bicicleta em suas rotinas, sendo que aqueles que já pedalavam com regularidade pedia para marcarem o “sim”.

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Também quis saber se havia pessoas próximas a eles que usassem a bicicleta com regularidade, além do nível de afinidade com essa pessoa, aqui eles poderiam marcar mais de uma opção. Apesar de “amigos” ser o maior número, o interessante é que “filhos” vinham logo em seguida. No final das contas usava esse número expressivo para sensibilizar os motoristas sobre a importância de nos proteger, pois eles também gostariam que seus filhos fossem protegidos pelos demais.

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No treinamento de Maceió incluí uma avaliação, tanto do treinamento como das mudanças no comportamento deles após o mesmo, primeiro que 97% dos motoristas disseram que mudariam seu comportamento em relação aos ciclistas após o curso, quando pedi para eles darem uma nota para essa mudança, 4% delas variavam de 1 a 5, enquanto 96% deram notas de 5 a 10, sendo que 48% deram nota 10 a mudança.

Todos esses números são animadores, mais uma vez, tenho certeza que aprendi muito mais com esse treinamento do que os motoristas que capacitei, foi uma troca intensa e uma experiência única. Cheguei a diversas conclusões depois dessa experiência, descobri que a melhor forma para realizar esse treinamento é em formato de campanha, apenas treinar os multiplicadores pode ajudar, mas a eficácia nunca será a mesma, até porque são raros os multiplicadores que pedalam. No Brasil há uma perversa cultura onde o maior sempre se impõe perante o mais fraco, esse treinamento, muito mais do que proteger o ciclista, tem como objetivo abrir a mente desses motoristas e mostrar que eles estão se deixando levar por essa cultura e que precisamos deles para mudar essa realidade.

Minha alegria era ver o resultado ao final do treinamento, percebia nos olhos da maioria dos motoristas que capacitei uma compreensão da realidade e uma motivação para lutar contra a lógica que os domina. Ao término das palestras, ao invés de questionamentos, eles me diziam que compreenderam qual o papel deles para a mudança dessa lógica perversa e se colocavam a disposição para serem agentes dessa mudança.

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Agora vou conseguir fechar esse treinamento e o objetivo é capacitar os motoristas de ônibus da minha cidade (São Paulo), não apenas os ligados a SPTrans mas sim todos os que trafegam por aqui. Não será fácil, mas tenho certeza que poderei contar com muitos parceiros que, como eu, estão engajados nessa luta.

Pra encerrar quero fazer um agradecimento a todos que colaboraram para que esse trabalho, de alguma forma, fosse realizado. Um agradecimento especial ao Itaú que sempre acreditou no meu projeto e em nenhum momento tentou interferir no conteúdo ou na forma do meu trabalho. Agradeço também tanto a Secretaria das Cidades de Pernambuco, como a Prefeitura de Maceió que apostaram e me ajudaram de todas as formas possíveis para a realização do treinamento. Ao pessoal da Ameciclo, em especial ao Guilherme e ao Daniel que não só acreditaram mas que também ajudaram de forma direta durante esse tempo que estive por lá. Não posso deixar também de agradecer a galera de Maceió, principalmente a Fernanda, que tanto batalhou para esse treinamento acontecer. E um agradecimento mais especial a minha parceira, que esteve sempre ao meu lado, dando seu sangue (algumas vezes literalmente) para que esse projeto acontecesse, saiba que farei de tudo para que você esteja ao meu lado em mais momentos como esses.

André Pasqualini

São Paulo (hoje) é uma das melhores cidades do Brasil para se pedalar

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Desde o início de janeiro estava trabalhando no Nordeste brasileiro, mais especificamente em Recife e Maceió, nessas duas cidades eu levei aquele meu treinamento para os motoristas de ônibus evitarem acidentes com ciclistas (falarei sobre os treinamentos no próximo post). Retornei a São Paulo segunda passada e mais uma vez (isso sempre ocorre quando retorno das minhas cicloviagens) percebi que apesar de estarmos muito longe de sermos uma Amsterdã, definitivamente São Paulo é uma das melhores cidades brasileiras (que eu conheço) para se pedalar, principalmente quando nos referimos apenas as capitais.

Digo isso com base na minha experiência, nem sei mais em quantas cidades já pedalei pelo Brasil, um dia até farei uma contagem mais detalhada, mas só durante o Projeto Biomas devo ter passado por umas 200 ao menos. Agora falando só de capitais, já são 10 no meu currículo, Poa, Curitiba, São Paulo (obviamente), Campo Grande, Cuiabá, Palmas, Brasília, Rio de Janeiro, Recife e Maceió. Em todas devo ter pedalado, ao menos uns 100 quilômetros e isso me dá subsídios suficientes para realizar minha avaliação.

Cada cidade tem suas particularidades, algumas tem mais infraestrutura cicloviária, outras muito precárias ou ausentes, mas em nenhuma dessas outras me senti tão seguro como em São Paulo. Já que tanto o relevo como o clima são fatores que em nada me incomodam, minha avaliação se refere apenas em relação a segurança no trânsito ou o risco que eu tenho de ser atropelado por um motorista imbecil e nesse quesito, por mais que ainda tenhamos muito a fazer, São Paulo é disparada a cidade que tem os motoristas mais cuidadosos em relação aos ciclistas de todas que já pedalei.

Mas você paulista deve dizer – “Cacete! Se São Paulo é a melhor, nem me fale qual é a pior!” – Sim, isso é realmente preocupante pois em cada lugar que eu passo acabo fazendo novos amigos ciclistas e fico com medo deles se tornarem uma nova Márcia Prado em minha vida.

Cada cidade brasileira que eu passei tem suas particularidades, mas na maioria delas há um forte desmando por parte do poder público em relação ao controle da velocidade dos carros e qualquer ciclista (nem precisa ser especialista em segurança de trânsito) sabe que quanto maior a velocidade dos carros, maior o número de acidentes, principalmente fatais.

Apesar de nós Paulistas termos dificuldades de sentir essa melhora, basta umas pedaladas em outras capitais ou até mesmo uma análise dos números para sentirmos que aqui está realmente mais seguro de se pedalar. Abaixo uma tabela que tirei do site Mapa da Violência, desse belo estudo separei apenas a tabela que mostra a quantidade de mortes no trânsito para 100 mil habitantes e veja a colocação de São Paulo.

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Claro que em São Paulo, em números totais, nos colocam em primeiro lugar, com base nos números de 2011 (1471) temos quase o dobro do segundo colocado, o Rio de Janeiro, mas quando calculamos os acidentes para cada 100 mil habitantes, despencamos para o 25º lugar. Olha que o número de 2012 foi menor ainda, caiu para 1188 e se os números não mudaram nas outras cidades, hoje nosso número seria de 10,06, o que nos tornaria a capital mais segura do Brasil.

Ainda estamos longe dos índices de uma Holanda (3,9), mas abaixo dos números totais dos EUA (11,4) e bem abaixo dos 28,2 de Maceió e principalmente dos 38,2 de Recife, aliás em breve escreverei quais foram as minhas sensações ao pedalar nessas cidades.

E qual a conclusão que consigo tirar de tudo isso? De que apesar de longe do ideal, é bom saber que estamos no caminho certo muito disso se deve porque os ciclistas daqui se mobilizam para evitar desmandos por parte do poder público. De forma prática, podemos comparar as obras da Ciclovia da Marginal Pinheiros com uma obra de reforma de uma ciclovia em Ipojuca, cidade famosa pela sua mundialmente conhecida praia de Porto de Galinhas. Enquanto aqui fizemos um fuzuê quando tentaram interditar a ciclovia, os obrigando até a disponibilizar uma Van para levarem os ciclistas durante as obras, em Ipojuca, para reformar uma ciclovia eles simplesmente destruíram jogando o ciclista para a rodovia durante as obras, isso porque o ciclista de lá não conseguiu se mobilizar para cobrar uma alternativa segura durante as obras.

cicloviaDetonada

Em São Paulo, apesar de termos uma infraestrutura cicloviária ridícula, ao menos o trânsito está menos selvagem a cada dia, muito disso também se deve a sociedade local que está cada vez mais intolerante aos maníacos ao volante. Tomara que isso também sirva para inspirar outras cidades, como ocorreu com nossas faixas exclusivas de ônibus exportadas para essas duas cidades que passei.

Confesso que fiquei com uma saudade enorme de pedalar nessa cidade quando lá em Recife me vi discutindo com alguns “motoristas estagiários de assassinos”, nesse momento lembrei que já havia um bom tempo que eu não tinha uma discussão parecida com um motorista nas minhas pedaladas por São Paulo e como é muito mais gostoso pedalar sem o medo que senti nesses últimos meses.

Como projeto para o futuro, pretendo montar um equipamento para instalarmos nas bicicletas e medir quais as cidades mais seguras para se pedalar, como isso funcionará ainda não sei, mas penso em bolar algo que meça tanto a velocidade com que somos ultrapassados, a distância e até mesmo as buzinadas. Recifenses, vocês não imaginam como é bom atravessar a cidade e não ouvir uma buzinada sequer (de motoqueiro não conta).

O ano de 2014 começou muito bem, já estou preparando diversos posts para publicar aqui no Bicicreteiro, tem um sobre o treinamento dos motoristas de ônibus que a galera irá se surpreender, falarei sobre minhas pedaladas no Nordeste que não se resumiram apenas a tensões, pois ocorreram vários momentos mágicos e lugares únicos, até um post sobre um casamento pra lá de original irei publicar em breve.

É isso, saudades da minha terrinha, agora vou curtir esse momento de namoro até encher o saco e querer cair na estrada novamente, só para poder sentir saudades mais adiante e assim vamos levando a vida.

André Pasqualini

Ela só queria pedalar…

sangue

A cena que resultou a marca de sangue na camisa da foto acima era a de um homem, com sua mulher nos braços gritava alucinado para um carro que havia acabado de derruba-la e que lentamente se afastava da cena do crime que ele acabara de cometer aos gritos de “assassino”, “covarde” e por aí vai.

O homem da cena acima era justamente eu e a vítima era minha mulher que foi atropelada por um (ou uma) imbecil que ignorou as leis de trânsito e seguiu apenas a lei da selva que vive, lei que diz que os mais fortes irão sempre usar o seu poder para se sobrepor aos mais fracos.

Meu primeiro post pra valer de 2014 era para ser ter tom otimista, mas impossível manter o otimismo depois de passar novamente por uma situação (depois de muitos anos) onde o trânsito das nossas cidades me mostrou novamente o quanto vale nossas vidas, ou seja, porra nenhuma (desculpem pelo palavrão, mas não consegui achar palavra melhor).

Desde o início de janeiro de 2014 estou aqui na cidade de Recife trabalhando num dos projetos mais significativos que já participei, estou encabeçando uma capacitação com seis mil motoristas de ônibus com o objetivo de melhorar a convivência deles com os ciclistas.

motoristasTreinados

Recife me surpreendeu de diversas formas, primeiro pela quantidade de bicicletas, pelo menos 15% da população da região metropolitana usa a magrela como meio de transporte, um número proporcionalmente muito superior ao de São Paulo. Também encontrei aqui um movimento cicloativista que, embora no início, está muito bem representado e engajado. Percebendo o potencial dessa cidade, não duvido que em uns 5 anos ela será uma cidade muito melhor para se pedalar do que São Paulo, mas tudo depende dos “mas”…

O relevo ajuda demais, o clima é quente, mesmo assim não é nenhum absurdo, acho aqui até mais agradável pedalar aqui do que em São Paulo, principalmente nessa época do ano. Seus canais e suas pontes, algumas com mais de 200 anos só tornam a cidade ainda mais bela e agradável para se pedalar. Há espaço para a execução de um ótimo plano cicloviário e se aquele Plano Diretor sair do papel, não duvido que essa cidade seja uma das melhores do mundo para se pedalar. Eles tem tudo, dinheiro, vontade, só falta mesmo é meter a mão na massa. Detalhe que esse Plano Diretor foi lançado no mesmo dia que aquele imbecil cruzou comigo e no mesmo dia que um ciclista foi atropelado numa recém criada faixa exclusiva de ônibus, sobre isso falo mais adiante.

Como nem tudo são flores, essa é uma cidade onde os motoristas devem ser os mais mimados do Brasil, não precisa de muito tempo para perceber que o poder público aqui só governa para uma minoria rica e só está dando atenção para os ciclistas, justamente porque a classe média resolveu pedalar, se não fosse por isso, os “bicicreteiros” daqui continuariam tentando sobreviver numa cidade onde claramente eles não são bem vindos.

Aqui é fácil ver agentes da CTTU (correspondente a CET de São Paulo) apitando e mandando os motoristas andarem quando o semáforo abre e parar quando o semáforo fecha como se eles estivessem quebrados, tudo isso é só para tentar melhorar a fluidez motorizada.

Multar quem não respeita a faixa de pedestre?

Multar o motorista que desrespeita o art.38 e faz a conversão ignorando o ciclista e o pedestre?

O poder público aqui tem pavor de ouvir a “classe mérdia” (entendam como classe mérdia uma subdivisão dentro da classe média onde separo os escrotos do resto) reclamando da “indústria da multa”, como se ela realmente fosse um problema para quem dirige dentro da lei. Aqui os radares são raros e quando não há congestionamento as vias se tornam verdadeiras pistas de corrida onde aquela placa com os limites de velocidade não passam de enfeites natalinos. O resultado disso é que morrem no trânsito da Grande Recife 4 vezes mais pessoas que em São Paulo (proporção vítimas/população).

Logo nos meus primeiros dias da cidade, ao cruzar a Rui Barbosa com a Argamenon (uma espécie de Paulista daqui), quase fui atropelado por um sem número de animais ao volante que ignoraram minha existência ao realizarem a conversão. Tudo isso sob a “supervisão” de TRÊS agentes da CTTU que nada fizeram.

Só culpar os motoristas animais não dá, pois o que senti em pouco tempo na cidade é que uma significativa parte dos motoristas “acham” de verdade que todos os mais fracos, tanto ciclistas como pedestres, têm obrigação legal de dar a preferência a eles. O culpado mor dessa situação são as “pseudos” autoridades de trânsito que apenas consolidam essa selvageria. Daí quando alguém morrer, como sempre, a culpa será da vítima que não terá sequer o direito de se defender.

Como disse anteriormente, estou em Recife para capacitar os motoristas de ônibus de toda região metropolitana e em breve escreverei um post apenas sobre isso, mas agora vou falar sobre uma polêmica. Aqui implantaram uma tal de “Faixa-Azul” que nada mais é que uma faixa exclusiva de ônibus, iguais aquelas que espalharam por São Paulo. Acontece que enquanto lá a CET falou publicamente que o ciclista deve compartilhar essas faixas, aqui a CTTU simplesmente proibiu os ciclistas e pronto.

Ou seja, o ciclista que há anos pedala por uma via, mais uma vez foi marginalizado e de uma hora para outra passou a ser apenas mais um infrator. Sabe aquele artigo do CTB (21) que obriga os órgão municipais a “promover o desenvolvimento da circulação e da segurança de ciclistas”? Tenham dó desses técnicos responsáveis por essa medida pois eles só conhecem o CTB as partes que falam dos veículos motorizados.

Eu já sabendo desse atentado promovido pela CTTU com os ciclistas, digo em meu treinamento que com ou sem faixa, sendo legal ou ilegal, o ciclista sempre vai andar na direita, ainda mais se não houver outra opção. Nessa hora eu apelo para o bom coração da maioria dos motoristas que ao entenderem claramente que o ciclista é só mais uma vítima dessa estupidez, acabam concordando com meu ponto de vista e se comprometem a protege-lo. Aliás ao final da minha palestra faço a seguinte pergunta:

“Entre compartilhar uma faixa com os carros ou com os ciclistas, o que vocês preferem?”

De forma praticamente unânime, todos dizem que preferem compartilhar com o ciclista, mesmo que legalmente ele não tenha o direito de estar ali. Ou seja, eu realmente espero muito mais dos motoristas de ônibus dessa cidade do que desses agentes de trânsito que não passam de cúmplices de uma série de assassinatos que ocorrem diariamente no trânsito da RMR.

No dia do fato acima, só fiquei sabendo do acontecido quando ainda estava em uma Empresa de Ônibus realizando o treinamento, em Jaboatão, cidade vizinha a Recife e para o meu desespero era justamente uma das empresas que eu havia treinado, a Vera Cruz. A notícia do jornal dizia que “segundo testemunhas” o ciclista invadiu a faixa e que o motorista não teve nenhuma culpa pelo acidente (a mídia já deu o veredito). Pra piorar, no dia seguinte um jornalista, até então bem elogiado pelos ciclistas daqui, publica essa pérola abaixo.

perola

Por muita sorte (coloca sorte aí), esse ciclista sobreviveu ao atropelamento e como isso é muito raro, diferente de algumas pessoas, fui até o hospital, peguei o nome correto do ciclista e ouvi a versão dele, então ouvi do ciclista o seguinte:

Aquela faixa é muito estreita e estava no cantinho como sempre, daí o ônibus tentou me ultrapassar, passou muito perto até que a lateral dele bateu no meu guidão e eu caí, então a roda do ônibus passou por cima da minha perna

Oziel é um marceneiro e estava indo ao trabalho como sempre fazia, pelo mesmo trajeto, muito antes de criarem a faixa exclusiva. Agora ficará internado não se sabe até quando e não poderá trabalhar obviamente, diferente do motorista de ônibus e de todos os imbecis que disseram que o motorista não teve nenhuma culpa.

Nesse caso há no mínimo dois culpados e o que a lei irá provar caso a justiça seja realmente feita. Primeiro o ciclista não invadiu nenhuma faixa, ele já estava nela e estava de acordo com o CTB (Art. 58), andando nos “BORDOS” da pista. Apesar da proibição por parte da CTTU, se realmente ela zela-se pelo ciclista, teria criado uma alternativa segura antes mesmo da proibição. Apesar de haver uma lei que proíbe o ciclista, há outra que permite que ele esteja lá e como a prioridade tem que ser SEMPRE do mais fraco, se há alguém que não tem culpa nenhuma, seja legal como moral, esse alguém é o ciclista.

O Motorista tem sim grande parcela de culpa, pois mesmo se o ciclista estivesse errado, ele JAMAIS deveria ter tentado ultrapassá-lo sem respeitar o artigo 201 do CTB que obriga ele a passar a 1,5 metros do ciclista. Lembre, enquanto o ciclista cometeu uma infração leve, o motorista cometeu uma gravíssima, colocando em risco uma vida. Tanto é que eu sempre oriento todos os motoristas a, se não houver como ultrapassar com esse espaço, que não os ultrapasse é isso que diz a lei.

Mas se há um verdadeiro culpado, esse alguém é a Prefeitura de Recife e os técnicos da CTTU que autorizaram aquela faixa de ônibus e trataram os ciclistas, mais uma vez, como ninguém. E digo mais, os ciclistas continuarão pedalando por ali pois NÃO HÁ OUTRA ALTERNATIVA e se acabarem cruzando com outro motorista que não passou pelo meu treinamento, em breve haverá novas vítimas e muito provavelmente com morte no mesmo local. Por isso espero que esses “técnicos” de mobilidade não se espantem se surgirem ações na justiça os acusando criminalmente.

Aliás essa mesma prefeitura, representada pelos seus agentes da CTTU, ao serem cobrados por um ciclista para multar um motorista por desrespeito ao artigo 38 do CTB, infração essa presenciada pelo mesmo, não o fazem alegando que não tem autorização para realizar esse tipo de autuação.

Esse mesmo artigo que foi claramente desrespeitado quando estava com minha mulher, voltando do treinamento na Empresa Metropolitana em Jaboatão, quando passava pela Praça Jardim São Paulo. Estava contornando uma rotatória, quando surge a minha esquerda um carro que deu uma buzinada como quem quisesse “avisar que iria me atropelar” se eu não saísse de sua frente.

Quando percebi que ele estava jogando seu carro contra nós, tentei me colocar entre ele e minha mulher mas não consegui e tive que frear para evitar o choque. Mas infelizmente minha mulher que estava a frente não teve a mesma habilidade e foi derrubada pelo imbecil ao volante que sequer parou para socorrê-la. Segundos após sua queda lá estava ela em meus braços enquanto eu gritava absurdos para aquele motorista que só se afastava como se nada tivesse acontecido. Infelizmente não consegui anotar a placa já que minha única preocupação naquele momento foi a integridade da minha mulher.

Devido ao meu estado de choque e raiva e por ter gritado demais para o motorista, fiquei sem voz e tive que cancelar o treinamento que faria a pelo menos uns 150 motoristas no dia posterior.

Ao ver o sangue da minha mulher em suas roupas, por algum momento cheguei a pensar se valeria a pena continuar essa minha luta contra esse enorme moinho, uma luta para tentar humanizar essas nossas cidades e colocar os carros no seu devido lugar, longe das prioridades urbanísticas e longe desse pedestal que criaram para ele. Até porque, pela minha experiência profissional, sempre que o veículo motorizado privado tem prioridade no trânsito o resultado é um só, cada vez mais mortes e em sua maioria daqueles que não estão protegidos pelas suas carcaças.

Eu pedalo a mais de 20 anos e para alguém me matar no trânsito o cara tem que fazer a coisa muito bem feita. Eu não pedalo com capacete pois me recuso a usar um equipamento de segurança só porque estou rodeado de motoristas imbecis. Claro que não são todos, mas com certeza eles são muitos e isso se reflete claramente no número de atropelamentos e ciclistas acidentados ou mortos no trânsito brasileiro.

Desde que minha mulher chegou aqui foi uma felicidade só, ela largou seu emprego para viver ao meu lado, até chegamos a casar aqui (isso é matéria para outro post) e quis inclusive me acompanhar pedalando até as garagens para me ajudar no treinamento. Como sei que o trânsito aqui é bem mais selvagem que o de São Paulo (isso é fato), desde o início temi pela integridade dela. Queria que ela usasse proteção, consegui no máximo comprar uma luva, mas ela só queria ser livre como a bicicleta é, ela quer pedalar linda, com cabelos soltos, com roupas comuns, com alegria e não quer usar esses equipamentos de segurança que só serviriam para protege-la de motoristas idiotas.

livreComoDeveriamosSer

Não posso culpa-la, eu jamais irei morar numa casa/fortaleza só para me sentir mais seguro, jamais deixarei de pedalar na periferia só porque alguém disse que lá tá cheio de ladrão, aliás nas minhas pedaladas até as garagens de ônibus, como a maioria delas ficam na periferia (quando não em outras cidades como Cabo e Abreu Lima), já pedalei por lugares onde muitos ciclistas daqui sequer se imaginam pedalando algum dia e em nenhum momento me senti ameaçado só por pedalar ao lado de pessoas mais humildes. Aliás me sinto muito mais seguro nesses bairros do que quando estou pedalando pelas ruas do centro da cidade cercado por motoristas imbecis, que também são considerados “pessoas de bem”, só por causa da sua criação, status social ou cor da pele.

Tá complicado, vontade mesmo de desistir e só não faço isso por que insisto em acreditar que os bons ainda são maioria e garanto que se aquele motorista de ônibus tivesse passado pelo meu treinamento, duvido que ele teria se envolvido naquele acidente. Nessas horas o que me conforta são os quase dois mil que já treinei e que constantemente encontro pela  ruas de Recife, como esse daqui da Caxangá que encontrei no dia posterior ao atropelamento ou como dezenas que a todo momento cruzam o meu caminho e fazem questão de me proteger.

bomMotorista

Tenho ainda mais uma semana de treinamento e vou até o final (se deixarem). Ainda tenho muito medo pois da forma que está, com a clara omissão da Prefeitura, em breve poderá acontecer aqui em Recife o mesmo que ocorreu em São Paulo quando a Marcia Prado faleceu e que acabou motivando várias mudanças, inclusive aquele treinamento com os motoristas de ônibus que realizei em 2009 e que acabou me trazendo para cá.

Acredito que Recife daqui a uns 10 anos será um lugar melhor para se pedalar do que São Paulo e até mesmo melhor que Sorocaba que hoje é a melhor referência nacional que temos. Aliás, Sorocaba (600 mil habitantes) é uma cidade praticamente sem Cicloativistas e que só é o que é por causa de um prefeito visionário que resolveu investir em vidas ao invés dos carros. Hoje é uma cidade com um excelente transporte público, uma maravilhosa Malha Cicloviária, sem problemas de congestionamentos ou altos índices de mortes no trânsito como aqui.

Espero mesmo que até chegarmos ao ideal que os ativistas de Recife não sejam obrigados a perder uma vida amiga como aconteceu conosco, pois se a prefeitura continuar cometendo atentados como esses, uma nova desgraça pode acontecer a qualquer momento.

André Pasqualini

Hora de desmontar a árvore de 2013

Tá, não tem muito a ver com árvore de natal, mas achei a foto tirada pelo meu filho tão psicodélica que até dá para imaginar algo nessa linha.

Tá, não tem muito a ver com árvore de natal, mas achei a foto tirada pelo meu filho tão psicodélica que até dá para imaginar algo nessa linha. Sobre o que é, nada mais do que uma dessas turbinas natalinas vendidas por camelôs instalada no meu capacete. Foto tirada pelo meu filho da cadeirinha da bicicleta em movimento.

Desde 2010 o Natal ganhou outro significado para mim. Até então ficava apenas naquele discurso vazio de que não passava de uma data comercial promovida pelas grandes corporações, blá, blá, blá. Claro que o Natal é fortemente influenciado pelo capitalismo selvagem, mas o que mais me incomodava é que achava um absurdo as pessoas serem “boas” no Natal e carrascas com os demais no resto do ano, por causa disso era um desses malas insuportáveis que tanto metem o pau no Natal. Mas depois que passei meu primeiro Natal sozinho em plena Chapada dos Guimarães, minha relação com essa data mudou drasticamente. Aliás, minha forma de ver o mundo nunca mais foi a mesma.

Para quem começou a acompanhar meu blog recentemente, passei o Natal de 2010 no meio da minha viagem do Projeto Biomas, viajem essa que resolvi fazer depois de uma dolorosa separação de um relacionamento de 12 anos e na época com um filho de 4 anos. Ali nasceu uma maldição que me perseguia até o Natal desse ano.

Particularmente naquele Natal, o que mais me trouxe sofrimento foi a imensa falta que meu filho me fez e posso encher a boca para dizer que se hoje estou vivo se deve exclusivamente a ele e só sobrevivi pois sabia que um dia conseguiria quebrar essa maldição.

No Natal de 2011 já havia superado a separação, mas não tinha resolvido o problema da distância do meu filho e justamente no Natal daquele ano que se iniciou um forte processo por parte de algumas pessoas para tentar me afastar do meu filho, algo realizado com êxito. Naquele ano o combinado é que eu sairia de casa, passaria na casa do meu filho para entregar seu presente e depois iria para a casa da minha mãe passar o natal com minha família. Mas depois que entreguei o presente do meu filho fiquei tão mal que só tive forças para voltar para casa, desligar o celular e dormir.

O Natal de 2012 sequer consigo lembrar detalhes de como foi, seja lá o que aconteceu, está bloqueado em minha mente. Só me lembro que no mês de dezembro daquele ano consegui, na justiça, vencer uma sórdida manobra jurídica que me afastou do meu filho por praticamente um ano. Já o desse ano poderia ser tanto um desastre como mágico, falarei sobre ele mais adiante, porque antes quero fazer um resumo de 2013.

Eita aninho conturbado esse, mas mesmo assim vocês nunca verão eu dizer que quero esquecer tal ano, pois apesar de ter ocorrido algumas coisas ruins dizer que quero esquecê-lo seria uma ofensa a algumas pessoas maravilhosas, tanto que surgiram em minha vida, como aquelas que já existiam e que foram (e serão) fundamentais para mim até o final dos meus dias.

Do lado profissional, que se confunde com minha causa, o de colocar o maior número que conseguir de bicicletas na rua, foi um ano empolgante. Já começou com o 3º Desafio Bicicletas ao Mar, sem dúvida o evento mais ousado que organizei até hoje, bem mais ousado que a primeira edição da Rota Márcia Prado quando levamos mil ciclistas, por ela, até Santos em 2009.

Tive que rebolar literalmente depois da tragédia que ocorreu na Serra do Mar quando as fortes chuvas de fevereiro, que vitimou uma pessoa, arruinou algumas vilas e interditou a Estrada de Manutenção da Imigrantes por 2 meses. Isso me obrigou a montar uma verdadeira operação de guerra para realizar a descida final do 3º DBM pela Serra de Ubatuba para 120 ciclistas e ainda realizar uma descida extra pela Rota para outros 150 ciclistas assim que ela foi reaberta em maio do mesmo ano.

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Logo depois disso minha vida pessoal passou por outro período de forte turbulência onde mais uma vez a experiência me ajudou. Um amigo que acompanhou de perto minha traumática separação em 2010, assim que soube da novidade me chamou para sair e estranhou ao ver que não estava tão mal como antes, como resposta ouviu – “Já conheço os sintomas e como já sei como irei ficar daqui a um tempo, então porque não tentar antecipar o futuro?”

A vida se seguiu, novas pessoas apareceram em minha vida, novos desafios surgiram e nada como mais um mega-evento para saciar a sede desse megalomaníaco que vos escreve. Em setembro de 2013 realizamos uma Campanha para a Marítima Seguros em celebração do Dia Mundial sem Carro, foram dois passeios de bicicleta, um em São Paulo e outro no Rio, ambos passeios temáticos contando um pouco da história dos trilhos em nossas cidades. Abaixo um vídeo contando um pouco mais sobre o evento, vale a pena conferir.

Outro desafio importante foi a criação do Ciclocine, um protótipo que tem como objetivo gerar energia através das pedaladas para a apresentação de um Cinema ao ar livre. A experiência foi fantástica apesar dos contratempos que surgiram, hoje contamos com um excelente protótipo que estamos trabalhando numa versão 2.0 e logo estará realizando sessões públicas por aí.

Pra encerrar o ano, mais um projeto megalomaníaco, a segunda edição da Campanha Bicicletas de Natal. Quando criamos a campanha Campanha em 2012, tínhamos a intenção de atender as comunidades no entorno da Rota Márcia Prado, rota que vem sofrendo tanto pela dificuldade imposta pela Ecovias, bem como devido a uma série de assaltos que vem ocorrendo em seu percurso.

Contrariando a infeliz lógica que toma conta da maioria das pessoas que conheço, de que insegurança você só resolve cobrando soluções da instituição que mais gera insegurança nesse país (a Polícia em geral), resolvi que iria atuar em outra frente. Como sei que bandidos existem na mesma proporção da população, tanto em bairros como o Brooklin como no Capão Redondo, acredito que ao nos aproximarmos dessas comunidades onde ocorrem os assaltos, se estreitarmos o relacionamento com as pessoas do bem que lá vivem, fazendo com que eles também sinta-se parte da Rota, a própria comunidade seria responsável por inibir os assaltos.

Ainda bem que como eu, existe uma minoria de utópicos que também acreditam nesse tipo de alternativa, que apesar de mais difícil, com certeza é a mais efetiva. Com isso formamos um coletivo entre os participantes do Desafio Bicicletas ao Mar (DBM) e lançamos em 2012 a 1º Campanha Bicicletas de Natal.

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Essa Campanha de 2012 acabou sendo responsável pela criação da Ong Os Bicicreteiros, pois ali vimos a possibilidade de transformar uma campanha esporádica em algo mais concreto e permanente. Apesar da alegria que fizemos a tantas crianças e de muitos acharem que a campanha por si só já era suficiente, sempre considerei um equívoco nos concentrarmos apenas em doar as bicicletas por isso fiz o possível para que a Campanha Bicicletas de Natal fosse um pontapé inicial para um projeto permanente onde além de doarmos bicicletas, levássemos também toda uma cultura, informação e principalmente ajuda para que essas bikes não trocassem a poeira das garagens dos prédios pela ferrugem e o abandono em algum canto de uma casa mais simples.

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O ano se passou, mais uma vez repetimos a parceria com a CPTM e lançamos a campanha de 2013, tínhamos a expertise do ano passado e resolvemos ousar. Aliás eu ousei, pois quando disse na primeira reunião que minha meta eram 500 bicicletas, ninguém que eu me lembre me apoiou ou sequer acreditou que seríamos capaz de algo tão grandioso. E essa desconfiança coletiva, associada com um início desanimador (comparado com o ano passado), quando conseguimos apenas 8 doações, nem preciso dizer que acabou abalando a confiança da maioria dos voluntários da campanha.

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Tivemos que mudar o rumo do barco no meio da tempestade e com a maré contra, diferente do ano passado quando recebemos 100 bicicletas num único final de semana e tivemos uns 20 dias para reforma-las, nesse ano resolvemos estender as doações até dia 15 de dezembro, uma semana antes da entrega das bicicletas. Ao invés de desmontar TODAS as bicicletas, apenas nos concentramos em realizar os consertos necessários para torná-las seguras e pedaláveis além de limpá-las.

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Apesar de todos os contratempos e de quase transformarmos os bastidores da Campanha num verdadeiro UFC, a repercussão dessa campanha foi imensa, graças a uma excelente matéria na Folha de São Paulo no final de novembro, conseguimos chamar atenção de vários outros canais de mídia que só alavancaram o número de doações, tudo isso culminando numa matéria no Mais Você antes da última semana. Até aquela matéria, havíamos recebido 96 bicicletas em 6 finais de semana e após recebemos 251 bicicletas no último final de semana sendo que pelo menos 80% dos doadores vieram por causa do programa.

Conseguimos atender duas comunidades na baixada santista e doamos cerca de 230 bicicletas das mais de 350 que recebemos e mesmo assim foi pouco. E devido ao sucesso dessa campanha, conseguimos prorrogar a cessão do espaço na estação Pinheiros até julho de 2014 e transformar a campanha num Projeto com nome inicial de “Bike Viva”, pois a ideia do projeto é dar vida as bicicletas abandonadas que vemos espalhadas pelas garagens de nossas casas e prédios. Se tudo correr bem, no início de fevereiro de 2014 voltaremos a passarela para trabalharmos nesse projeto.

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Mas e o Natal, será que seria tão melancólico como dos anos anteriores? Que nada, foi nada menos que um dos mais perfeitos da minha vida (faltou muito pouco para ser perfeito). Sugeri ao meu bebê um Natal diferente, nada de ficar em casa abrindo um monte de presentes, dessa vez seria só nós pois era meu primeiro natal com ele depois 4 anos. As 22h00 do dia 24 de dezembro de 2013, coloquei meu filho na cadeirinha da minha bicicleta e lá fomos para a rua ver as decorações natalinas.

Saímos da minha casa na zona sul e realizamos uma primeira parada na Rua Normandia onde fiquei um pouco desanimado com a modesta decoração. Nada de neve artificial, muitas luzes, apenas algumas poucas lojas iluminadas pra minha curta decepção.

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Seguimos rumo ao Ibirapuera e lá chegando me espantei com a quantidade de carros estacionados e de pessoas na calçada observando o show que a fonte do lago apresentava aos seus visitantes.

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Subimos então para a Paulista, fui via Manoel da Nóbrega para testar a resistência desse quase quarentão só para constatar que tá complicado carregar os quase 30 quilos do meu rebento na garupa. Nosso próximo natal, que será em 2015, se ele quiser passar novamente pedalando, dessa vez ele terá que ir na sua bicicleta pois o papai aqui já deu início ao processo de “ladeira abaixo”.

Cruzamos a Paulista e mais uma vez confesso que esperava mais das decorações natalinas, embora a decepção ia embora ao ver que meu amor estava adorando tudo aquilo e não via a hora de pararmos para realizar nossa ceia e qual o melhor lugar da Paulista para realizarmos senão a Praça do Ciclista?

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Veja aqui o álbum com as fotos do Natal com meu Bicicreteiro Mirim

Sinceramente não tenho do que reclamar de 2013, apesar dos momentos conturbados teve um saldo super positivo em todos os sentidos, seja na vida profissional como na pessoal, o que só me traz grandes perspectivas para 2014.

Tenho alguns objetivos bastante claros, vou finalizar o treinamento para os motoristas de ônibus e leva-los para o máximo de cidades que eu conseguir. Quero também me dedicar muito para que a Rota Márcia Prado se torne realmente oficial e que nunca tenhamos que ficar refém da boa vontade da Ecovias ou de quem quer entidade que seja. Tenho planos bem traçados e se tudo correr bem novidades irão surgir ainda nesse semestre.

E o DBM (Desafio Bicicletas ao Mar)? Muitos planos também, o de realizar o maior de todos até então e também o de exportar a fórmula para outras cidades. Tem também o projeto “Bike Viva” que irá se solidificar esse ano e servir como base para outra mega campanha Bicicletas de Natal em 2014, mas dessa vez também atingindo outras cidades brasileiras.

Não posso esquecer da continuidade do Projeto Biomas, no momento estou trabalhando no protótipo de uma super bicicleta, (com cubo interno Rohloff) que será um verdadeiro laboratório móvel onde irei realizar vários experimentos de geração de energia limpa. Assim que terminar o projeto da bicicleta começo a planejar as viagens que pretendo realizar, uma por cada um dos biomas brasileiros.

E de onde vem a força para tantos objetivos? Hoje vem apenas dos meus amores, duas pessoas mais que especiais que surgiram em minha vida e que só me motivam a realizar cada vez mais coisas para que eles tenham muito orgulho de mim. E apesar deles já estarem ao meu lado e me apoiarem em todos os meus desafios, sei que não demorará para eles também serem parte dessas minhas aventuras sobre duas rodas, existe motivação maior do que essa?

amores

Por isso que só consigo desejar um ano repleto de felicidade, mas não posso deixar de contar com a ajuda de vocês, pois se repararem, em nenhum desses meus projetos serei o único beneficiado, portanto não é justo que eu faça tudo sozinho, até porque sei que isso será impossível. Está feito o convite, se vocês como eu, também se movem pela mesma causa, vamos juntos fazer com que todas essas perspectivas façam parte da retrospectiva ao final desse ano, pois temos tudo ao nosso favor para mais uma vez fazermos história, portanto bora fazer o pedal girar.

André Pasqualini

Fim dos mutirões e a hora da verdade

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Quando lançamos a Campanha Bicicletas de Natal com Os Bicicreteiros, logo na primeira reunião disse que minha meta seriam 500 bicicletas e nem preciso dizer que rolou um ar de perplexidade entre os demais Bicicreteiros, mesmo assim seguimos em frente. Hoje, analisando tudo que passou, acredito que não seria tão difícil atingir essa meta, mas nada melhor do que aprender realizando as ações e o sucesso de uma campanha só nos motiva a sempre pensar na próxima.

E que campanha, emoções mil até agora, uma surpresa atrás da outra e isso é só uma amostra da enxurrada de emoções quando conseguirmos entregar todas as bicicletas. Dentre as centenas de olhares e sorrisos dos doadores (confira aqui um álbum com mais de 100 doadores), essa cartinha em especial logo abaixo tocou nossos corações.

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Chegamos a um número de 345 bicicletas, dessas é possível tornar 300 pedaláveis, o problema agora é o tempo, não sabemos quantas estarão reformadas até domingo, por isso todas as noites, desde segunda-feira dia 16/12, até o dia 20/12 (sexta-feira), sempre haverá algum membro dos Bicicreteiros na Estação Pinheiros da CPTM, a partir das 19h00, orientando os voluntários.

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Para participar desses mutirões você pode simplesmente ir de Metro ou de Trem até a Estação Pinheiros e sem sair do sistema, se dirigir até a passarela desativada da CPTM (qualquer funcionário poderá te explicar como chegar). Agora se você for pedalando ou de carro até a estação, nesse caso você tem que entrar para nosso grupo no Facebook e lá te explicaremos como acessar a estação.

Tá bonito ver a passarela lotada de bicicletas depois daquele vazio assustador do início da campanha, mas confesso que ficarei muito mais feliz em vê-la completamente vazia no próximo domingo.

09/11/2013

09/11/2013

15/12/2013

15/12/2013

Aproveitando, fica aqui o convite para o mutirão dos desesperados que irá ocorrer no sábado dia 21 de dezembro na estação. Estaremos lá das 8h00 da manhã até a hora que aguentarmos, esse será o dia da limpeza e últimos retoques nas bicicletas já que no domingo, por volta das 10h00, devemos ter crianças pedalando as mesmas bicicletas.

A melhor maneira de acompanhar tudo que discutimos é pelo nosso grupo no Facebook, por aqui consigo tirar algumas dúvidas, mas lá você fica sabendo até como participar da entrega das bicicletas. Toda ajuda será bem vinda e esperamos por você lá, antes de encerrar, clicando aqui você consegue acessar o álbum de fotos do último final de semana de doações e abaixo segue o link dos Bicicreteiros com o post que indica quais serão as comunidades beneficiadas, vale a leitura.

http://www.osbicicreteiros.org/wp/2013/12/16/345-bicicletas-doadas-e-ja-definimos-as-entidades-que-irao-recebe-las/

André Pasqualini

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