Pedalando muito, assim comemorei o aniversário de 458 anos da cidade de São Paulo. O dia começou cedo quando fui participar do WBT 2012 como Repórter Conviva e durante minha apresentação fiz esse vídeo abaixo. Nele você poderá conferir duas entrevistas, uma com o Secretário de Transportes de São Paulo, Marcelo Branco e outra com o Presidente do Metro, Sergio Avelleda.
Entre as novidades, nessa entrevista ele reforça a contratação do projeto funcional para a expansão da Ciclovia da Radial Leste, fazendo a tão sonhada ligação do Tatuapé com o Centro de São Paulo.
No início da tarde eu e o Willian Cruz do Vá de Bike ainda fomos fazer uma vistoria no trecho novo da Ciclovia da Marginal Pinheiros entre a Vila Olímpia e Cidade Universitária. A previsão de entrega desse novo trecho é para o dia 04 de fevereiro, falta muito pouco. Semana que vem faremos uma nova e mais detalhada vistoria e escreverei uma matéria detalhada aqui.
O dia de ontem foi muito positivo, São Paulo recebeu uma verdadeira invasão das bicicletas. Fiquei sabendo que mais de 4 mil ciclistas entraram no sistema da CPTM e do Metro. Foram 8 mil bicicletas entregues pelo Bike Tour sendo que tivemos impressionantes 370 mil inscrições, ou seja, dá para fazer um WBT por mês e não teremos bicicletas para todo mundo.
Parabéns a essa cidade caótica que tanto amo e que a cada dia que passa fica mais apaixonada por esse maravilhoso meio de transporte, esporte e lazer que é a bicicleta.
Êxtase, essa é a sensação do meu dia 23 de janeiro de 2012, dia que finalmente marcará o encerramento de um ciclo e o início de uma nova fase em minha vida. Apesar de tantas novidades, o que considero mais relevante é que finalmente consegui terminar de escrever meu livro sobre o Projeto Biomas. Agora o material será entregue a editora para revisões e edições finais. Quando ele estará pronto não sei, mas deve ser bem mais rápido do que os 11 meses que eu levei para escrevê-lo.
Mas porque a demora? Primeiro que eu não fiz a viagem com o objetivo de escrever um livro. Até tinha esse objetivo, mas devido à montanha russa de emoções que vivi na viagem, não havia descoberto a melhor forma de fazê-lo, qual a narrativa usar.
Levei alguns meses na busca dessa narrativa, tinha a preocupação de fazer dele um livro para-didático, até porque esse é o nicho da editora que vai produzi-lo, mas descobri que a melhor narrativa seria a mais simples, a que eu estou acostumada a fazer. Simplesmente escrever com como sempre fiz, contando o que eu vejo com meu olhar e meu coração.
O processo de criação da narrativa começou assim, primeiro juntei todos os posts que escrevi no blog durante a viagem (foram 90 artigos) e joguei num documento digital gerando um arquivo com 100 páginas. Depois separei as mais de 2800 fotos, organizei por categorias, legendei todas as escolhidas e ainda fiz uma seleção com 60 fotos. Nem dá para dizer que são as melhores, mas procurei escolhê-las de uma forma com que uma simples passada por elas transmitisse uma pequena sensação do que foi a viagem, despertando de alguma forma que a curiosidade das pessoas em relação a viagem.
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Depois de encontrar a narrativa, algo que ocorreu uns dois meses após o retorno da viagem, posso dizer que embarquei novamente na cicloviagem, voltei ao meu primeiro post e resgatei tudo que ocorreu naquele dia, principalmente minhas sensações. Revia as fotos e percebia que não havia conseguido passar tudo que senti e vivi naquele post do blog. Comecei a acrescentar mais detalhes e enriquecendo a narrativa. Isso dia a dia o que fazia a quantidade de páginas só aumentar, transformando aquelas cem páginas se tornarem quase trezentas agora, quando finalizei a reedição, chegando no meu último post a São Paulo.
O mais maluco foi que apesar de ter aprendido muito sobre mim durante a viagem, esses 11 meses escrevendo o livro me acrescentaram muito mais. Entrei em conflito por diversas vezes, pois tanto meus sentimentos quanto meus objetivos em relação ao futuro mudaram muito durante esse tempo. Apesar de ter decidido que viveria da bicicleta quando retornasse de minha viagem, 2011 foi um ano com muitas dificuldades, tanto financeiras como nas minhas relações sentimentais.
Demorou mas consegui conciliar minha mente e meu coração para que ambos tivessem objetivos comuns, algo que não ocorreu durante a viagem e principalmente nos primeiros meses quando comecei a escrever o livro. Isso é algo que será fácil de notar durante sua leitura.
Foram várias as encruzilhadas que encontrei durante esse processo, principalmente quando ocorreram claros conflitos de sentimentos. Ao reler um texto onde estava sofrendo por um amor que deixou de existir surgia a dúvida. O que devo escrever agora? O que eu sentia ou o que eu sinto hoje? Ser fiel ao sentimento do momento ou deixar claro a mudança significativa que ocorreu?
Mais uma vez a solução foi deixar o coração responder. Alguns dias os dedos era ágeis e páginas e mais páginas surgiam no meu documento. Em compensação em alguns momentos travava tudo e ficava dias sem conseguir avançar uma linha sequer.
Quando participei do Encontro de Cicloturismo em Santa Maria Madalena, tive contato mais próximo com grandes cicloturistas que deram a volta ao mundo ou realizaram grandes cicloviagens e a todos perguntei o quanto sofreram com a distância das pessoas queridas. Todos foram unânimes ao responder que sentiam saudades, mas nada que os fizessem sofrer.
Foi quando notei uma diferença fundamental entre minha viagem e a deles. Todos tinham por volta de 20 a 25 anos, não eram casados ou deixaram amores para trás. Nenhum tinham filhos e suas viagens foram motivadas apenas pela vontade de desbravar o mundo que assola 99 em cada 100 jovens.
Já a minha foi muito diferente, saí para pedalar em busca de um verdadeiro sentido para minha vida que naquele ponto era como se tivesse acabado. A bicicleta e o cicloturismo não passou de uma última esperança de viver, pois foram vários os momentos que achei que minha vida não tinha mais o menor sentido.
Principalmente pela saudade do meu filho e a sensação de que eu havia perdido para sempre. Saber que ele estava crescendo, vivendo longe de mim e que eu não poderia mais interferir em sua vida, que eu não era mais relevante para ele.
Mas não apenas fiz a viagem como posso dizer que sobrevivi a ela e hoje terei um produto que poderá ser um dia motivo de orgulho do meu filho e até uma forma dele, mais tarde, conseguir compreender os motivos que levaram seu pai a se afastar dele, justamente num momento difícil em sua vida.
Outra coisa que percebi é que apesar de ter realizado a viagem sem acompanhante real, virtualmente centenas de pessoas viajaram comigo e ao compartilhar suas emoções comigo em dezenas de comentários ou emails que recebi. Foi muito bom saber que foram tantas as pessoas que passaram por situações semelhantes a minha e resolveram dividir não apenas sua dor mas seu amadurecimento emocional comigo.
Consegui encerrar um ciclo e apesar de ser ateu, acredito em energia e sinto que nunca estive tomado por uma energia tão boa como agora. Muitas coisas boas estão acontecendo num curto espaço de tempo e a finalização do livro é apenas mais um detalhe. Meu olhar está mais feliz, meu coração mais leve e minha mente confiante de que meu futuro será promissor.
Quantas foram as vezes que tive vontade de desistir, até porque observava que a vida dava tantas oportunidades a quem não merecia, enquanto a mim só colocava mais dificuldades em minhas conquistas.
Hoje encaro tudo isso como um teste, uma provação para algo muito maior que está por vir. Chega de reclamar das dificuldades, pois sei que da mesma forma que terei muitos amigos me ajudando, haverá também muitas pessoas torcendo e “trabalhando” pelo meu fracasso.
Isso é do jogo e mais do que nunca, agora estou no jogo pra valer e a melhor lição que eu tirei de todas essas experiências que eu tive nos últimos dois anos é que o que não me mata só tende a me fortalecer. E fica o recado, não apenas aos meus inimigos, mas principalmente aos amigos que sofreram quando achavam que eu havia desistido, que as baterias estão recarregadas e estou pronto para encarar qualquer desafio. Não desistirei dos meus (e nossos) sonhos e que enquanto esse coração aqui no peito pulsar forte, estarei sempre pronto para todas as batalhas que virão.
Em Sorriso-MT, iniciando o ano de 2011 entrando na Amazônia
Não, não sigo o calendário Chinês (que nesse ano termina no dia 22 de janeiro, quando se inicia o ano do Dragão) é que ainda não consigo considerar o ano como encerrado, sem finalizar meu último projeto, o livro do Projeto Biomas.
O ano de 2011 não posso dizer que foi fácil, iniciei ele na cidade de Sorriso-MT e dormindo. Nada de comemoração, apenas depressão. O lado bom é que iniciei o ano pedalando, algo que não deixou de ser um sinal de que seria um ano com muito movimento.
Não dá para dizer que foi um ano para esquecer, algo que aprendi nessa minha curta vida é que as dificuldades nos ensinam muito mais do que as alegrias. E uma coisa é certa, aprendi muuuito em 2011.
Apesar de ter bons motivos para esperar de 2012 um ótimo ano, com muito mais alegrias, já passou da hora de me concentrar na finalização do meu livro e é isso que quero fazer antes de me focar num novo projeto.
Então fica aqui minha curta mensagem com uma pré-despedida de 2011, um ano que ainda não acabou pra mim.
Vou confessar, dei muitas risadas quando vi as matérias falando que o Ministério Público de Porto Alegre estava investigando a Massa Crítica da cidade. Para os desentendidos, Massa Critica, Critical Mass, Bicicletada é tudo a mesma coisa, não passa de uma coincidência organizada onde as pessoas se reúnem na última sexta feira do mês e se deslocam pelas ruas da cidade de forma não poluente.
Mas galera de Poa, será que vocês compreenderam realmente qual o significado da Massa Crítica? Quem entendeu, com certeza não está nada preocupado com a interferência do MP (que parece não ter muito o que fazer) e ainda esta rolando de rir com a tentativa do MP e da EPTC em tentar controlar a Massa Crítica. Agora os ciclistas que aceitaram um encontro com o pessoal da EPTC e MP para conversar sobre a Massa Crítica, estão cometendo erros gravíssimos.
Primeiro que nesse momento NINGUÉM tem que falar em nome da Massa Crítica. Se eu fosse de Poa até criaria um email fake e divulgaria a senha nas listas de discussão de vocês. O email poderia ser liderdamassacriticapoa@gmail.com, por exemplo. Então qualquer pessoa poderia usar o email e mandar mensagens para os “órgãos competentes”. Qualquer mensagem mesmo, seja uma sugestão de como deveria ser a ação da EPTC durante a Massa Crítica, ou mesmo mandar umas receitas de bolo da Ana Maria Braga.
A partir do momento em que uma pessoa responde o poder público, já está cometendo uma cagada gigantesca. Se alguém resolve sentar numa mesa com EPTC e MP, essa pessoa esta cometendo uma burrice sem tamanho!
Lembro do WNBR de 2008 em São Paulo, na época era responsável pelo site CicloBR e publiquei nele uma chamada para a Pedalada Pelada. Como muitos canais de mídia divulgaram meu link, recebi centenas de mensagens como se eu fosse o organizador do evento e até um email da PM pedindo mais “informações” sobre o evento.
Na época lembro que “o trouxa aqui” jogou a mensagem na lista da Bicicletada(SP) pedindo conselhos sobre o que fazer. Muitos disseram que era pra eu responder o email, dizendo que não era o organizador, que era um movimento horizontal, bla, bla, bla. “O trouxa aqui” fez exatamente isso. Respondi, troquei vários emails com os PMs, mensagens sem ameaças, bem simpáticas, sentia até que dava para confiar nos PMs (tolinho). Lembro que dias depois, quando já havia respondido o email, outro amigo disse que se fosse ele, teria ignorado, dito que ficou preso no anti-spam, mas jamais responderia. Era isso que deveria ter feito.
O PM pediu até para eu passar meu número de celular para conversarmos melhor e na maior boa vontade do mundo passei meu número. No dia da pedalada, o Major da PM me ligou, viu minha cara, conversou comigo na praça, venho com aquele papinho de puta pra delegado (que estavam lá para nos proteger, blá, blá, blá…) e o trouxa aqui caindo na conversa como um patinho.
Quando iniciou a pedalada, todo mundo começou a tirar a roupa e nada da polícia fazer algo. Já estávamos na Brigadeiro, uns 2 quilômetros da Praça do Ciclista e deveria haver uns 50 pelados no meio da massa. Como percebi que a PM não fazia nada, achei que estávamos em Londres, onde a PM acompanha a pedalada para proteger os ciclistas, então tirei minha tanga ficando como vim ao mundo e o que aconteceu logo em seguida? Não demorou cinco minutos e o Major Tomada aparecer em minha frente dizendo que eu estava preso, mesmo rodeado por uns 20 ciclistas nus. A Falzoni até disse “Se ele está preso eu também estou” e a resposta do Major foi “Você não!” Vejam os vídeos abaixo para entender o que aconteceu.
WNBR Parte 1
WNBR Parte 2
Meses depois a CET de São Paulo ainda mandou uma multa de R$1.200,00 para minha casa, só porque eles consideraram que eu fui o organizador do evento “não autorizado”. Claro que a multa foi cancelada, minha prisão não deu em nada e até que no final das contas, todos esses acontecimentos serviram para a prefeitura se tocar de que o melhor é estar do nosso lado do que ser contra.
Houve também uma tentativa torpe, até com a ajuda de setores da mídia convencional de tentar desqualificar o movimento, mas nesse mundo conectado em que vivemos hoje, as mentiras não duram tanto tempo assim, portanto não vejo isso também como um grande problema. Agora não sei se vale a pena passar por um desgaste tão grande e desnecessário como eu passei. Antes eu seguisse a ferro e fogo a principal diretriz da Bicicletada, a de que NINGUÉM pode falar em nome dela.
Se eu pudesse deixar um conselho para a galera de Poa seria uma só. Tirem onda da cara das autoridades sem dó. Esse povo de mente hierarquizada tem uma dificuldade enorme para compreender como um movimento horizontal consegue funcionar. Eles realmente acreditam que há alguém manipulando os ciclistas. Sim, eles criam suas teorias da conspiração, acham que é coisa do PT (se o governo é do PT acham que é do PSDB) e por aí vai, então deixem eles aprenderem na marra.
Uma ideia é fazer como na Bicicletada Interplanetária, a galera imprimiu várias camisetas de “vice-líder” e distribuíram entre os ciclistas. Imaginem a cena de alguém perguntando “Quem é seu líder” e a galera respondendo “Não sei, mas eu sou o Vice-Lider”. Daí outro “Eu também, eu também”…
Outra sugestão, podem seguir o exemplo da galera de Sampa e vocês podem eleger um líder da Bicicletada, aqui todo mundo sabe que o Líder da Bicicletada é o Joaquim. Não conhecem o Joaquim? A foto abaixo foi tirada em um Pedal Verde especial, contra a retirada das árvores da Marginal Tietê para a criação de mais uma pista de carros. Mandei essa foto no meu Twitter e escrevi “Prenderam o Líder da Bicicletada”.
A Bicicletada ou Massa Crítica não precisa de autorização para acontecer, bicicletas são veículos e pela lei podem circular, inclusive em massa, da mesma forma que os outros veículos poluidores podem. Aliás o CTB diz, além que os veículos maiores tem que proteger os menores, diz também que eles não podem interromper uma aglomeração, seja de pessoas ou “veículos”.
Aproveitando façam essa pergunta a EPTC, os milhares de motoristas que se manifestam diariamente nas ruas de Poa, causando paralisação da cidade, precisam pedir autorização para circular? Porque a Massa Crítica precisa?
Tirem onda galera, se divirtam com a cegueira das autoridades, um dia eles vão aprender que é possível haver uma organização ante ao aparente caos. Em diversas Critical Mass ao redor do mundo, a polícia acompanha a massa e só interfere quando algum “Neis” da vida atenta contra a massa. Em São Paulo é comum termos acompanhamento da PM em vários trechos, tanto ajudando nos bloqueios, ou nos protegendo, mas nunca tentando interferir no comportamento da Massa, até porque eles já aprenderam que qualquer tentativa de “guiar” a massa jamais funcionará.
Evitem personalizar a Massa Crítica, converse com as pessoas que na boa vontade tentam fazer isso, o melhor caminho é deixar a massa acontecer naturalmente, acreditem, um dia as autoridades locais vão se tocar e ver que é impossível controlar o incontrolável.
Iria escrever um texto sobre o natal e esse ano que passou, mas fui tristemente surpreendido pela morte do Fábio Cortês, um dos alunos da Escola Aitiara, que participaram do Cicloaitiara, uma cicloviagem de 10 dias que realizei em 2009, quando guiei um grupo com mais de 30 pessoas, entre alunos e professores dessa escola pelo litoral sul de São Paulo.
Uma morte que envolveu carro, bebidas e essa estúpida sensação de imortalidade que todos jovens sentem. Sei muito bem como é porque já tive essa idade e posso dizer que sou um sobrevivente.
Longe de querer encontrar culpados, até porque conheci a fundo cada um desses jovens e sei que nenhum deles iria tirar a vida de qualquer ser vivo de forma intencional. Sei o quanto eles eram unidos e imagino a dor que eles estão passando.
Não acredito em religião, não sei onde e como o Fábio está, mas sei que os que ficaram nesse mundo estão sofrendo e o máximo que posso fazer daqui é me solidarizar com a dor deles e compartilhar a minha.
Vou finalizar meu texto e incluir mais essa reflexão, pois hoje o meu sentimento é de que tudo que eu fiz por esse jovens foi em vão. Sentimento parecido com a perda da Marcia. Espero finalizar esse meu texto antes do Natal, texto que provavelmente será o último desse ano de 2011, que ainda não sei se é para esquecer ou para refletir.
Atenção, esse é um post longo, com detalhes de uns três anos de história ao menos. Se já conhece a história e está cansado de ouvi-la de mim, ou se for daqueles preguiçosos que acham 1500 caracteres suficientes para formar uma opinião, nem perca seu precioso tempo. Ah, se nos comentários eu perceber que você leu 3 parágrafos e já saiu falando merda, vou mandar se F%$# sem dó!
Minha primeira vez que tentei vencer a Serra do Mar de bicicleta foi em 1994. Dia de jogo do Brasil na copa do mundo. Depois do jogo eu e o Cláudio, meu amigo e parceiro nas primeiras pedaladas cicloturísticas, partimos da Vila Mariana, rumo a Estrada Velha de Santos. Tivemos que dormir escondido perto da guarita para, de forma subversiva, esperar o guarda dormir e invadir a estrada. (Detalhes dessa aventura estão narrados no meu primeiro livro)
Anos mais tarde, em dezembro de 2008, lá estava eu doando meu sangue para reunir mais de 300 ciclistas na Paulista prontos para tentar chegar à praia. Todos sabendo dos riscos mesmo assim prontos para, de forma pacífica, exercer seu direito de ir e vir, algo que á anos nos é negado.
Nessa aventura minha amiga Márcia Prado não pode participar, mesmo assim ela foi responsável por um email enviado pela Artesp, dizendo que tínhamos o direito de pedalar nas rodovias de São Paulo, com base no CTB. Email esse que trouxe uma enorme dor de cabeça para a Polícia e a Artesp.
Quem se lembra sabe que essa viagem foi abortada, mandaram até o Batalhão de Choque para impedir o acesso de perigosos ciclistas ao litoral paulista, mas essa foi uma manifestação importante, fez muita gente abrir os olhos e prestarem mais atenção em nossas reclamações. Apesar de alguns poucos terem conseguido chegar à praia, ainda que de forma subversiva, a maioria teve que retornar. Alguns descobriram que havia um caminho que levava os ciclistas até a estação Grajaú da CPTM no extremo da Zona Sul de São Paulo.
Meu amigo João Lacerda da Transporte Ativo retornou usando essa rota com um grupo de ciclistas da região. Ele nos relatou que além de bonito, era super tranquilo, com poucos carros, muito verde, com um único ponto um pouco mais tenso, na Avenida Belmira Marin já chegando na área urbana.
Imaginei que se essa rota fosse viável, poderia ser uma alternativa a inóspita Imigrantes e uma ótima maneira de forçar o estado a criar uma solução definitiva, mostrando que os ciclistas estavam fazendo concessões e que eles também poderiam fazer algumas para que todos saíssem ganhando. Assim ninguém mais seria obrigado a tomar atitudes subversivas para realizar o desejo de chegar a praia, hoje benefício exclusivo de quem tem carro.
Pesquisei o trajeto na internet, coloquei um GPS na minha bike e no dia 7 de janeiro de 2009 (uma quarta-feira) percorri a trilha sozinho na busca da melhor rota para acessar o parque. Saí perto do Mac Donalds da Imigrantes, a cerca de 6 quilômetros da Interligação, onde há um acesso ao Parque da Serra do Mar. Nesse pedal eu descobri aquele acesso antes do túnel que acabou sendo usado nos eventos da Rota Márcia Prado.
Cheguei em casa, joguei as informações na lista e fiz um convite para a galera, juntarmos um grupo de ciclistas para percorrermos esse trajeto, aproveitando para sinalizar com bicicletinhas o trecho dentro do Parque da Serra do Mar. Com isso, qualquer ciclista que conseguisse chegar ao parque, mesmo sem conhecer o caminho, saberia como cruzar as áreas dos túneis chegando ao pé da Serra do Mar em segurança.
Então no domingo, dia 11 de janeiro de 2009, as 8h00 da manhã, aproveitando o fato que as bicicletas serem liberadas nos trens do Metro e da CPTM, um grupo com cerca de 15 ciclistas se reuniu em frente ao Bicicletário da estação Grajaú (outra conquista dos ciclistas). Todos amigos e companheiros, tanto de pedais, botecos como de intervenções ”cicloativistas”. Entre todos aqueles amigos, lá estava ela, a Márcia Prado com seu capacete vermelho.
Já que ela não pode participar da Interplanetária em dezembro de 2008, pouco mais de um mês depois lá estava ela, não para ser protagonista de nada, mas para somar com tantos outros que sempre lutaram contra essa injustiça que é imposta a todos (não apenas aos ciclistas) por essa “carrocracia” que nos domina. O vídeo dessa maravilhosa aventura está aqui embaixo, se ainda não viu, pare a leitura, assiste e retorne.
Apenas 3 dias após essa descida, nossa amiga Márcia Prado foi mais uma vítima dessa carrocracia que tanto me enoja e sua morte foi uma paulada em todos que tanto se doaram nessa luta. Apesar de convivermos com o risco de forma eminente, sua morte foi prova cabal que o inimigo é sim cruel e que lutará com as suas armas para poder continuar exercendo o seu poder, sem medo de nos tirar nosso maior bem, nossa vida. Pior, tudo isso “de consciência tranquila”.
O ano de 2009 foi marcado pela mudança de direção desse movimento que nasceu entre os ciclistas. Eu e muitos outros sentimos a necessidade de uma organização, pois em diversos momentos sentimos falta de uma representatividade para realizarmos ações mais contundentes. Não bastava apenas reclamar, mas tínhamos que não apenas apresentar soluções, mas provarmos que eram factíveis.
Então passei a participar de reuniões com outros ciclistas a fim de criarmos uma entidade que nos representasse. Ocorre que meses se passaram e nada acontecia, enquanto isso minha impaciência me consumia. Desde aquela descida em Janeiro de 2009 eu mantinha o sonho de realizar uma descida organizada, um evento com mais de mil ciclistas, pois sabia que isso nos daria força para conversarmos com aqueles que podem resolver nossos problemas em definitivo. Claro que a Bicicletada Interplanetária teve seu papel importante, mas para avançarmos mais deveríamos evoluir em nossa forma de atuação.
Meses se passaram e eu vi que a tão sonhada Ong dos ciclistas de São Paulo levaria anos para acontecer, então mandei um email a quarenta ciclistas e disse que queria transformar o CicloBR, até então meu site pessoal, numa associação. Dos quarenta, vinte ciclistas responderam e apoiaram a ideia. Assim no dia 8 de Agosto de 2009 nasceu o Instituto CicloBR de Fomento a Mobilidade Sustentável.
Uma das maiores motivações para a criação da ong era justamente poder articular um evento para descermos até a praia em dezembro do mesmo ano, sem a necessidade de tentar uma outra descida de forma subversiva como a ocorrida no ano anterior. Nem bem registramos a Ong em cartório e lá estava eu percorrendo o caminho das pedras e tentando descobrir uma forma de realizar esse evento em dezembro do mesmo ano.
Primeiro passo foi conversar com o pessoal da Secretaria de Transportes Metropolitano de São Paulo, contato que já tinha estreitado graças ao meu trabalho voluntário de consultoria em vários projetos com bicicleta na secretaria, inclusive para a instalação de Bicicletários e os Paraciclos nas estações do Metro e da CPTM. Mostrei a importância de ter a participação oficial deles no evento, pois isso poderia abrir portas dentro do próprio governo, formando uma frente de apoio a criação da Rota, fazendo um contraponto a Policia Rodoviária Estadual e a Ecovias que desde i início se colocaram contra a ideia.
Também aproveitei meus canais que já possuía e consegui o apoio tanto da Secretaria Estadual de Transportes e a Secretaria do Meio Ambiente, responsável pela Estrada de Manutenção da Imigrantes, assim fomos formando uma frente para tornar o evento da Rota Cicloturística Márcia Prado algo realmente oficial.
Primeiro foi a luta para registrarmos o Instituto CicloBR em cartório, receita federal, etc. Depois caiu no meu colo (graças a indicação de uma amiga) uma campanha de divulgação do evento “Tô no clima” evento esse onde usei o pessoal do CicloBR pessoas que realizaram esse trabalho de graça, e com isso conseguimos 5 mil reais, dinheiro que acabou sendo usado para a rota (confecção de placas, camisetas, etc).
Detalhe é que as plaquinhas que sobraram desse evento acabaram sendo recicladas e viraram as placas utilizadas para sinalizar a primeira Rota Márcia Prado.
Feito isso realizamos o anúncio da Rota, criamos uma página no site do CicloBR e depois disso não havia como voltar atrás. Eu mesmo nunca havia realizado algo tão grande, só sabia que seriam inúmeras dificuldades e que precisava contar com a ajuda de amigos. Fiz várias reuniões, Ecovias, CPTM, Parque da Serra do Mar, manda email daqui, liga pra ali, fazia a assessoria de imprensa e de repente surge uma chamada para a Rota Márcia Prado na Home da Uol. E o CicloBR, que tinha cerca de 1000 acessos por dia bateu 50 mil e 4 horas. Pela quantidade de emails percebemos o tamanho da responsabilidade.
Muitas foram as correrias até que finalmente consegui um apoio da Artesp que autorizou a rota aos 45 minutos do segundo tempo. Para complicar na sexta feira, as 18h00 (nos descontos do segundo tempo da prorrogação), um dia antes da Rota, lá estava eu no meio da Serra do Mar pintando e sinalizando a estrada, quando recebo uma ligação de uma pessoa da Fundação Florestal (responsável pelo Parque da Serra do Mar) dizendo que não poderíamos realizar a descida no dia seguinte.
Imaginem o meu desespero e torna eu ligar para todo mundo. Liguei desesperado para uma amiga que na época trabalhava na Secretaria do Meio Ambiente e que no exato momento estava num jantar de confraternização “da firma” em frente ao Secretário. Depois de um enorme trabalho de bastidores em várias frentes (a essa altura nem mais pedindo ajuda e sim implorando), choveram ofícios na Secretaria do Meio Ambiente e conseguimos resolver mais esse problema. Claro que sozinho jamais seria responsável pela realização da rota, mas tenho certeza se não fosse pelos meus amigos de verdade e pela minha força de persuasão (melhor seria de pentelhação) tenho minhas dúvidas se o evento teria acontecido.
Bem, já eram duas horas da manhã de sábado, dia 18 de dezembro de 2009, enquanto a maioria dos mil ciclistas que percorreriam a rota logo cedo estavam dormindo, lá estavam eu, meu amigo Willian Cruz do blog Vá de Bike, o Felipe Aragonez que hoje é o atual Diretor Geral do CicloBR e o Aleba (que não percorreu a rota mas foi o responsável pelo silk das placas) no Canal 1 em Santos, colocando a última placa da Rota Márcia Prado.
Sei que tem muitos ciclistas que me odeiam e sinceramente alguns nem sei porque, pode ser porque acham que eu faço tudo isso só para aparecer, mas vou dizer o que realmente me move.
Quando estava eu lá na rota, fazendo a segunda palestra, antes do pessoal despencar ladeira abaixo, observava o olhar atento daqueles ciclistas que prestavam atenção em cada palavra que eu dizia. Assim que terminava minha palestra e os deixava seguir em frente, quase sempre eles abriam um sorriso e diziam.
“Obrigado André, graças a você eu estou realizando um sonho…”
Dinheiro? Poder? A merda tudo isso, só quem nunca sentiu na pele um trabalho árduo ser compensado com palavras como essas, só pessoas mesquinhas e materialistas é que acham que o que me move é outra coisa senão isso. Só mesmo sendo muito estúpido para pensar assim.
Mesmo assim, ficava envergonhado, pois lembrava de tantos outros que se doaram para que isso ocorresse e uma coisa que eu prezo é a lealdade, jamais esqueço daqueles que fizeram algo por mim na confiança, ou mesmo por uma causa, sem esperar nada em troca. Desde os ciclistas que ficaram entregando folhetos do “Tô no clima” durante uma semana na hora do Rush em São Paulo, ou daqueles que nunca pedalaram mas mesmo assim contribuíram de forma efetiva para que a Rota acontecesse, até mesmo da querida Márcia que mesmo sem sua presença física acabou sendo vital para tudo aquilo, então eu respondia:
“Por favor, não agradeça a mim, mas sim a todos que você encontrar de camiseta branca orientando os ciclistas. Eles no mínimo representam cada um que de alguma forma foram fundamentais para vocês estarem vivendo esse momento”
Posso ter tido um papel mais central, isso é natural, sempre alguém tem que colocar a cara para bater, alguém tinha que assumir a bronca caso alguma coisa desse errado e esse alguém era eu, que inclusive responderia legalmente caso acontecesse alguma merda.
A partir daquele dia, ao menos o Passeio Cicloturístico da Rota Márcia Prado deixou de ser um sonho e virou um direito adquirido. O caminho das pedras já havia sido percorrido e detalhado, portanto com as portas abertas, qualquer pessoa poderia seguir os passos e continuar realizando o evento, mas como sempre, nunca me contentei com esmola e lá fui eu novamente para a linha de frente colocar a cara a tapa.
Essa foi apenas mais uma batalha vencida, assim como foi a primeira Interplanetária. Devíamos continuar caminhando em busca da solução que agora nem era mais a realização do passeio, mas sim da obra para que qualquer pessoa pudesse percorrê-la a qualquer tempo, e não apenas uma vez por ano.
Apesar de termos vencido uma batalha, a guerra estava longe de ser vencida pois o inimigo ainda continuará lutando contra nós. Tanto é que meses depois fiquei sabendo que a Ecovias entrou na justiça, dias antes da realização da Rota, numa tentativa de barrá-la e me responsabilizar caso alguma coisa desse errado. Graças a lucidez de uma juíza a Ecovias, literalmente quebrou a cara, dando até um tiro no pé, pois em tese essa decisão aponta que temos mais direitos do que imaginamos. O número do processo é o 583.00.2009.227088-8/000001-000. Para ver os andamentos clique aqui e digite no campo “Ano” de processo 2009 e no campo “Número” 227088.
Realizada o primeiro passeio oficial qual o próximo passo para torná-la definitiva? Nada melhor do que usar a força de mil ciclistas! Depois da rota consegui diversas reuniões na Artesp, realizamos algumas vistorias na Imigrantes com membros de diversos órgãos envolvidos, prefeitura de São Paulo, Artesp, Parque da Serra do Mar e até Ecovias. Mas não bastaria apenas reuniões e boas intenções, até porque sei muito bem como a coisa funciona, pois os agentes contrários a rota usariam a tática da “engabelação”.
O famoso “Estamos estudando”, mesmo que esse “estudo” dure 100 anos. Não adianta mandar quem está contra algo fazer o trabalho. Um belo exemplo foi o que ocorreu na Ciclovia da Marginal Pinheiros, tanto é que a Emae já gastou milhões com dinheiro público encomendando projetos maravilhosos de ciclovias a beira do Rio Pinheiros e depois os projetos eram abandonados por inviabilidade. Foi necessário conseguir o apoio da CPTM para abrir a Ciclovia com os únicos acessos existentes para então vermos projetos de novos acessos e ampliações.
Comecei o ano de 2010 com as diversas reuniões onde elaboramos algumas propostas para estudo. Mais tarde fiquei sabendo que técnicos da própria Artesp, os mesmos que me acompanharam nas visitas técnicas, prepararam um parecer inviabilizando a obra. Seria necessário muitas manobras e dedicação para encontrar novos caminhos para fazer as coisas andarem.
Ocorre que, como é de conhecimento de todos que me acompanham aqui no blog, na metade de 2010 passei por um doloroso processo de separação e enquanto estava no meio do furacão emocional não encontrava forças para nada, muito menos para me envolver nas ações do CicloBR.
Então decidi realizar a viagem do Projeto Biomas e jogar a “bomba” da realização do Evento da Rota Márcia Prado nas mãos do pessoal do CicloBR. Mas mesmo de longe (enquanto a rota de 2010 estava sendo realizada eu cruzava o Pantanal), além de participar de toda articulação inicial e mostrar o caminho das pedras para a direção do Instituto, eu continuava ajudando o pessoal da maneira que podia, até porque ainda respondia legalmente pelo Instituto CicloBR e pelas prováveis cagadas dos seus membros, pois ainda era o seu Diretor Geral.
Aos trancos e barrancos a Rota aconteceu, cerca de 700 ciclistas conseguiram chegar a praia. Eu esperava um número bem maior e o próprio pessoal do CicloBR alegou que esse número não chegou aos 2000 esperados porque eu estava longe e não pude ajudar na divulgação.
Mas também durante minha viagem tive diversos atritos com algumas pessoas que fazem parte do Conselho e Direção do CicloBR. Já era de meu conhecimento que algumas dessas pessoas (poucos, não enchem uma mão) eram desafetos declarados meus, um deles inclusive disse numa Assembléia do Instituto que estava no CicloBR não pela causa, mas para ser a “mosca na sopa”, com claro objetivo de ir contra tudo que eu quisesse fazer dentro do Instituto.
Até para evitar um desgaste desnecessário, primeiro porque não quero estar num grupo onde claramente há pessoas lutando contra mim e consequentemente prejudicando o Instituto, até porque eu não precisava do CicloBR para meus projetos, resolvi renunciar do meu cargo de Diretor Geral do Instituto. A princípio queria me desligar totalmente, mas a pedidos de alguns membros do Conselho e Diretoria, aceitei um cargo de Diretor de Relações Públicas, até para que eu pudesse continuar falando em nome do Instituto e ajudando a Ong. Meu papel principal seria justamente na articulação com o poder público, no fomento de novos projetos e parcerias para a Ong.
Aceitei pois teria minhas responsabilidades reduzidas, consequentemente mais tempo para recomeçar a minha vida pessoal e profissional que, naquele momento, era vital para que eu até pudesse ser novamente útil, tanto ao Instituto como para toda causa que nos move.
Achava que toda minha história dentro do Instituto e até mesmo nessa luta que muitos chamam de “cicloativismo”, seria suficiente para que houvesse algum respeito por mim. Como fui tolo. Não demorou e começou ocorrer diversos boicotes, sendo que recebi a proposta totalmente indecorosa por parte da direção do Instituto de fechar a Ong (com a ajuda deles), que me devolveriam alguns projetos, como o Desafio Intermodal por exemplo, mas que “eles” criariam uma nova ong e ficariam apenas com a ação do SOS Bike na Ciclofaixa e com a Rota Márcia Prado. Nem vou entrar em maiores detalhes, até porque isso tudo será material para meu próximo livro que começarei a escrever logo após finalizar o da viagem do Projeto Biomas.
Bem, hoje sou apenas mais um dos associados do CicloBR e embora tenha minha participação no Instituto literalmente boicotada, sei que independente do Instituto, ainda posso fazer muito pela Bicicleta e inclusive pela Rota Márcia Prado. Deixei claro que queria participar da organização da RMP 2011, tanto é que já havia conseguido uma reunião com a nova Diretora da Artesp (não como CicloBR e sim como André Pasqualini) onde iria apresentar uma nova proposta de acesso ao parque, muito mais factível que os outros estudos realizados.
Obviamente comuniquei a atual direção do Instituto dessa minha reunião, reafirmei minha vontade de participar da organização da RMP de 2011 e que poderia até aproveitar essa reunião (que ocorreu mais de um mês antes da Rota) para começar a discutir apoio a Rota. Tenho até um email do atual Diretor Geral da Ong garantindo que eu iria participar da organização, dizendo que logo que fosse marcada uma reunião da diretoria para discutir o assunto eu seria convidado.
Queria mesmo muito ter participado da RMP, até fiz uma pesquisa na net e constatei que a muitos ciclistas preferiam que ela fosse no Domingo, o que eu particularmente achava ótimo, pois poderíamos contar tanto com o apoio da CPTM como do Metro, até mesmo da Ciclofaixa de Lazer onde o CicloBR participa fazendo o SOS Bike.
Dei até uma sugestão para eles me deixarem cuidando da parte burocrática (ofícios, apoios institucionais, autorizações) e o resto do pessoal cuidaria apenas da operação, o que por si só já dá um imenso trabalho. Queria muito participar até para solucionar vários erros que cometemos nas demais edições além de trazer novidades.
Tinha uma solução para evitar os comboios, algo que prejudicava o trabalho de conta-gotas no início da descida, necessário para a segurança dos ciclistas. Os ciclistas acessariam a pista da Imigrantes na contramão e seguiriam pelo acostamento protegidos por cones e iriam pedalando até a entrada do parque. Queria apresentar e testar soluções, conseguir algum apoio fora da rota para os ciclistas com dificuldades físicas, ou seja, algo da grandeza que o Instituto CicloBR se propôs um dia a ser.
Mas as promessas de que eu participaria da organização não passarem de mentiras. De repente vi que anunciaram a rota para o sábado dia 10 de dezembro e sequer me comunicaram que eu não iria participar da organização da Rota.
Dias depois da definição da data, lá estava eu em uma reunião com a diretora da Artesp apresentando uma proposta de acesso ao parque da Serra do Mar (para ver mais detalhes clique na imagem abaixo). Como não tinha autorização do Instituto nada pude fazer pela Rota, me concentrei apenas no que eu havia ido fazer lá, conseguir apoio para fazermos um projeto básico dessa proposta. Com os valores eu poderia correr atrás do dinheiro, que poderiam vir de outro órgão do estado ou até mesmo da iniciativa privada.
No sábado fiquei em casa me comunicando com algumas pessoas que lá estavam participando da Rota, acompanhando as notícias via twitter e facebook, morrendo de vontade de estar na festa e ao mesmo tempo me sentindo impedido de participar. Um amigo a quem eu lamentava disse “É como dar uma festa de aniversário e não chamar o aniversariante”
Não penso assim, mas faço um paralelo a um filho, que você sabe que não pertence a você e sim ao mundo. Mas você sempre irá querer o melhor ao filho, quer educá-lo, ficar perto dele, passar seus valores, mostrar os melhores caminhos. Mas a impotência de não poder mais educá-lo, influenciá-lo, mostrar seus erros, apontar outras soluções, tudo isso me consumia. Como toda criança rebelde que busca trilhar seu próprio caminho mas quase sempre acaba seguindo orientações de pessoas que claramente não querem seu bem, mas sim se aproveitam dele para tirar proveitos pessoais, com clara vontade de levá-lo a sua destruição. Até parece mesmo um filho que chateado porque eu o abandonei, resolveu se revoltar contra mim.
Naquele sábado chorei muito, para a alegria daqueles que tanto fizeram para me afastar do CicloBR. Essas pessoas tem claros motivos para comemorarem, a essas pessoas só deixo que o tempo as mostrem quem realmente são. Apesar da minha sensação ser de impotência, o melhor maneira que vejo de ajudá-lo, infelizmente é deixá-lo a própria sorte. Pior que a vida tem que continuar, maravilhosas possibilidades estão se abrindo. Com muita tristeza vejo que não posso mais colocar o CicloBR nessas oportunidades até porque eu sei que se isso acontecesse, algumas pessoas não economizariam energia enquanto não conseguissem inviabilizar esses projetos que beneficiariam milhares de pessoas, só pelo prazer de me ver fracassando em algo.
Hoje estou trilhando meu caminho e muito em breve (pra ser mais exato amanhã) o mundo da bike irá conhecer mais outra conquista na qual o Instituto poderia fazer (mas não fará) parte. Meu consolo é que existem outras pessoas maravilhosas no mundo com quem poderei contar e juntos poder fazer muito pela bicicleta. Lealdade é uma palavra que me move, podem me acusar de tudo mas nunca de desleal e é assim que sigo nessa luta, apenas me juntando a pessoas que tenho a certeza que serão leais sempre.
Poderia até tentar voltar ao CicloBR em 2013 quando acabar essa atual gestão, mas não posso garantir se ainda existirá essa motivação, até porque em dois anos muitas coisas podem acontecer. Aquele tão amado filho pode sucumbir ou nossas vidas tomarem um rumo onde algumas pessoas do passado não terão mais espaço. Uma pena, pois a morte do CicloBR, algo que até pouco tempo considerava impossível, hoje percebo que é algo factível, até porque é o claro desejo de algumas pessoas com muita importância dentro do Instituto, que em tese, deveriam lutar por ele.
Que sigamos a vida, eu ainda irei trabalhar muito para que tenhamos um trajeto definitivo da Rota Márcia Prado, até porque não dependo do CicloBR para isso. Irei continuar trabalhando muito pela bicicleta, além de continuar doando boa parte da minha vida para criarmos modelos de cidades humanas. Mas agora é o momento de me livrar das “moscas” e me juntar a quem realmente eu posso confiar. E bora colocar mais gente pedalando nas ruas, pois são milhares de pessoas clamando por isso.
Canso de ouvir que em São Paulo não dá para andar de bicicleta. Quando me dizem isso me questiono se sou uma pessoa comum ou um super-heroi.
Canso de ouvir que é impossível ficar sem carro em São Paulo e principalmente que aqui não é a Holanda com suas milhares de ciclovias e trânsito harmonioso. Quando me dizem que aqui não é a Holanda, eu respondia que anos atrás, a situação da Holanda não era muito diferente da nossa, mas poucos acreditavam, até porque era complicado comprovar.
Foi quando assisti no blog do Vá de Bike essa maravilha, um documentário produzido e narrado pelo Joni Hoppen, da Holland Alumni Network, explicando com detalhes a história do surgimento das Ciclovias Holandesas. Impossível assistir o vídeo e não fazer um paralelo com a situação que vivemos.
Se mesmo após assistir esse vídeo, você continuar é achando impossível minimizar o papel dos carros em nossa sociedade, aí vou ter que achar que você tem um poço de petróleo na Bacia de Campos, só pode ser.
Faz dois anos que publiquei em uma coluna que tinha todas as terças no Destak sobre as críticas de pessoas hipócritas, que simplesmente generalizam todos que se manifestam como vagabundo. Mas o tema está tão atual que resolvi reproduzi-la novamente no meu blog. Segue a coluna.
Alguém mandou essa mensagem pelo Twitter: “três coisas chatas pra car#@%: ateu empolgado, emo sofredor e ciclista militante”.
Na minha opinião, “chato” é todo mundo que tenta impor uma doutrina ou estilo de vida a alguém, mas não considero chato quem defenda seu estilo de vida, não importa com que intensidade o faça.
A criação do termo “ecochato” foi um pouco inspirada no “vagabundo” usado pela ditadura para reprimir qualquer tentativa de questionamento ou manifestação. Era uma máxima: “continue trabalhando e deixe que cuidemos dos vagabundos [na porrada se necessário] que insistem em atrapalhar a vida daqueles que trabalham para o país crescer.” O reflexo disso se vê até hoje. Repare que ao saber de uma manifestação são poucas as pessoas que dão valor aos motivos, a maioria (em muitas situações, até a imprensa) está mais preocupada em falar sobre o transtorno ao trânsito que a manifestação pode causar.
Infelizmente, muitas pessoas acham que nosso papel de cidadão vale só na hora do voto e olhe lá. Não. Temos o dever de participar de todas as decisões públicas, assim como todos os políticos são obrigados a prestar contas à sociedade e não apenas à categoria que o elegeu.
Como essa prestação de contas ocorre? Com as pessoas participando das decisões e, se necessário, com manifestações públicas de descontentamento, como aconteceu com as obras da Nova Marginal. Não fossem as fotos e vídeos das árvores cortadas, ações na Justiça, cruzes, manifestações, não haveria nem debates sobre o tema.
Um amigo que mora em Hamburgo disse que o governo planeja construir uma linha de trem em 2014 e desde já faz consultas públicas para escolher até o banco do trem. Em São Paulo, só nos chamam para uma audiência pública quando o projeto já está pronto. Isso, quando chamam. A audiência da Nova Marginal saiu no Diário Oficial e numa notinha num jornal, que nunca encontrei.
Eu não ligo para os ecochatos, veganoschatos, ciclochatos, motorchatos e zilhões de chatos que temos por aí. Mas incomoda demais os “passivoschatos” que se escoram na desqualificação e ironia para esconder a falta de argumentos. Já passou da hora de o brasileiro exercer a cidadania na plenitude da palavra, e, se os passivoschatos não querem fazê-lo, tudo bem, mas, por favor, não atrapalhem os que querem. Olha que somos muitos.
Como muitos já devem saber, estou escrevendo um livro sobre a viagem do Projeto Biomas. Já passei de 70% do livro, mas confesso que está difícil de finalizá-lo. Depois do texto que publiquei no post anterior, sobre os livros e as cicloviagens dos quatro grandes cicloturistas, impossível não tentar fazer um paralelo da aventura deles com a minha. Não que uma seja melhor do que a outra, uma avaliação impossível de ser feita (até quando me perguntam o melhor lugar que passei não consigo responder), mas uma diferença fundamental é que as viagens de todos eles foram realizadas sem uma carga emocional tão intensa quanto a minha.
Os quatro eram jovens, menos de 30 anos, solteiros e deixaram apenas os laços familiares para trás (pais, irmãos, etc). Não que nossas famílias não tenham importância, mas todos que já tiveram filhos sabem o que quero dizer. Mudamos por completo a nossa forma de ver o mundo depois que nossos filhos nascem. Até então eu achava que não havia algo nessa vida que me vinculasse a alguém ou a um local, mas o nascimento do meu filho foi um chacoalhão em tudo, valores, referências, sentimentos, absolutamente tudo passou a ter outro sentido.
Enquanto a viagem deles foi motivada mais pela aventura e vontade de desbravar o desconhecido, algo comum a maioria dos jovens (quem nunca pensou em colocar um mochilão nas costas e sair sem rumo?), a minha foi uma busca de algo, de uma luz, de uma perspectiva, pois realmente eu passava por um momento difícil. Uma crise dos 30 com bastante atraso, somada a grandes perdas, afastamentos, depressões. De todas as viagens que citei no post anterior, a que mais se aproximava da minha realidade foi a do Olinto que literalmente estava na dúvida entre casar ou comprar uma bicicleta. Coitada da noiva dele…
Todos sem exceção disseram que ao escrever o livro eles viajaram novamente. Comigo não está sendo diferente, além de viajar eu resgato todas as fortes emoções que senti, com isso fico variando entre momentos de euforia e depressão, tudo que me dominou durante a viagem.
Estranho rever aquele André que tanto mudou em tão pouco tempo. Estou relendo os textos que publiquei no blog, revendo as fotos e relembrando tudo que passou comigo. Ocorre que muito dos meus sentimentos mudaram de forma drástica em muito pouco tempo. Complicado relembrar os sentimentos que você escreveu sobre uma pessoa e confrontar com sua atual realidade. Como deixar o texto fiel ao que você sentia e deixar claro que no momento que você escreve o livro, aquele sentimento mudou?
Foram menos de quatro meses de viagem, mas minha aventura no teclado já dura mais de oito meses. Estou numa luta interna para tentar finalizar o livro, sinto que essa é mais uma página que preciso virar e a finalização do livro marcará o encerramento de um ciclo que literalmente “foi bom enquanto durou” e o início de um novo ciclo, de uma nova era, a saída do limbo e a entrada no caminho que quero trilhar.
Na mesma linha do que muitos acompanharam durante minha viagem, meu livro esta indo muito além dos relatos das aventuras e das paisagens exuberantes. Meu livro está repleto de momentos de reflexão, um livro literalmente aberto, aliás como minha vida sempre foi.
As vezes penso a quem interessa alguns detalhes, muitas vezes tão íntimos? Detalhes do meu sofrimento, das minhas reflexões? A resposta vem nos comentários, tenho certeza que muitos são os que se identificam com minhas situações e sinto que eu os ajudo a colocar para fora um sentimento comum. A relação que eu tenho com muitos internautas que me acompanham é muito parecida com meus encontros durante a viagem. Bastava dizer que estava viajando devido a uma separação, a uma busca de um sentido para a vida, para as pessoas abrirem seus corações e contarem suas experiências.
Creio que muitas das histórias que ouvi, seus autores sequer haviam contado a alguém. Histórias de uma intimidade profunda, sendo que muitas delas estão narradas em meu livro. O que faz uma pessoa abrir seu coração a um estranho que nunca viu na vida e mal sabe se um dia o verá novamente? Aí vem a motivação de continuar sendo eu, de abrir minhas experiências, meus sentimentos, pois não sou apenas eu quem está encontrando sentido para a vida com tudo isso, mas centenas de pessoas que por diversos motivos, guardaram suas angustias e encontram nesse blog e futuramente em meu livro, uma forma de compartilhar sua dor e aprender junto comigo.
Quanta complexidade, não era mais fácil simplesmente escrever com a cabeça? rs
Mas estou escrevendo com o coração, não tenho pretensão de fazer um livro comercial, que venda milhões de exemplares, quero apenas fazer algo fiel a tudo que eu vivi e senti, por isso tanta demora, pois a cabeça do fulano aqui não é nada simples.
Continuo caminhando, apesar das dificuldades vou vencendo batalhas (perdendo algumas mas faz parte). Fiel a máxima que viver não é fácil, mas pior é fugir da batalha e entregar os pontos. Vamos ver se em dezembro começo o mês com novidades, prometo que vou tentar, embora ciente de que a cabeça do ciclista aqui é muuuuuuito complicada…
Bora escrever então!
André Pasqualini
Ps: Eu já tenho um livro que escrevi em 2003 e disponibilizei em pdf para quem quiser baixar. Para acessar o livro clique aqui.
Fui convidado a participar do 10º Encontro Nacional de Cicloturismo que ocorreu entre os dias 12 e 15 de novembro de 2011, em Santa Maria Madalena-RJ. Além de ir para prestigiar o encontro que nunca pude ir por problemas de minha agenda, fui para participar de um debate sobre Cicloturismo e Mobilidade Urbana, além de conhecer e rever a nata dos Cicloturistas brasileiros. Fui (de carro) com meu amigo Leandro Valverdes, que iria participar do mesmo debate.
Bem, só nossa aventura para chegar à cidade já daria uma bela palestra, mas posso dizer que os 600 quilômetros que nos separavam se tornaram quase 800, com direito a pista interditada por causa do tombamento de um caminhão de gás, pedágio de dois reais numa estrada de terra em Areal, por ser “propriedade do Dr. Sinval” e mesmo saindo as 8h00 de São Paulo, chegamos só as 23h00 em Santa Maria Madalena. Acabamos perdendo a chance de participar do debate que ocorreu na terra da Dercy Gonçalves.
Sobre o encontro nem falarei muito até porque só curti um dia, mas quero me concentrar em alguns livros que todos os cicloturistas (ou simpatizantes) deveriam ler. Vou confessar que não li nenhum deles ainda e só irei ler depois que terminar o meu livro, do Projeto Biomas. Porque não li? Não sei, pode ser para não perder o foco, pois tenho certeza que quando ler qualquer um desses livros irei mergulhar em cada aventura. Já conhecia pessoalmente (ou sua história) três dos quatro Cicloturistas que citarei logo abaixo, apenas o Arthur conheci apenas no dia da sua palestra. Mas vou deixar claro que não é uma avaliação dos livros, apenas conterei um pouco das expectativas que os autores me deixaram e com base nelas, tenho certeza que cada leitura será válida.
No Guidão da Liberdade: Antônio Olinto
Lembro do Olinto quando, em 97, depois da minha primeira Cicloviagem pelo Tietê. No mesmo ano, meu parceiro dessa viagem conheceu o Olinto em uma feira e comprou seu livro. Preciso até achar essa foto, pois estamos falando de uma época em que máquina digital era coisa do século 21. Agora imaginem o que é pegar uma bicicleta em 1992, quando não havia internet e que a única forma de manter correspondência com sua raízes era através de cartas que levavam 4 meses para chegar no destino. Orientação com bussolas, mapas mal feitos, pouco acesso a informações sobre um país ou região.
A leitura do seu livro mostrará que se o cara conseguiu dar uma volta ao mundo de bike naquela época, nenhuma das suas desculpas para não cair na estrada irão colar novamente. Todas as dificuldades só valorizam ainda mais sua aventura. Apesar de começarmos no Cicloturismo praticamente juntos (ele em 92 e eu em 94), de saber muito bem um do outro pelos boatos e histórias do mundo da bike, apenas durante o Encontro de Cicloturismo de 2011 nos conhecemos pessoalmente e foi uma experiência muito bacana.
Olinto vive apenas do material que ele produz, em seu site você encontra não apenas o livro “No Guidão da Liberdade”, mas também outros livros, guias e DVDs sobre rotas cicloturisticas. Portanto para cada centavo que você gastar comprando algum produto dele, indiretamente estará contribuindo para termos mais cicloturistas pedalando pelo Brasil.
Site:www.olinto.com.br Livro:No Guidão da Liberdade – R$38,90 Onde Comprar? Direto no site do Olinto, ele mesmo irá responder os emails e indicar a forma de pagamento.
Caminhos: Argus Caruso
Não lembro a data nem a forma exata, mas entrei em contato com o Argus pouco antes de ele sair pedalando para sua volta ao mundo em 2001. Ele havia mandado um email, provavelmente para alguma das listas que eu participava solicitando apoio para manter seu site atualizado durante a sua viagem. Mandei um email me colocando a disposição e trocamos algumas idéias, até pessoalmente. Lembro de ter recebido um email do seu pai agradecendo o apoio que nem precisei dar ao seu filho, pois parece que ele encontrou uma agência de internet para fazer a parceria.
Argus realizou o projeto Pedalando e Educando e ao final escreveu um livro de fotos, com algumas pílulas com experiências que ele viveu em sua viagem. Hoje Argus continua trabalhando normalmente na sua profissão de arquiteto, mas sem abandonar sua paixão pela bicicleta.
Agora sua nova piração é uma bicicleta a vela. Recentemente ele realizou uma viagem pelo nordeste brasileiro com essa bicicleta e seu novo projeto é criar uma bike anfíbia, um veículo híbrido, onde ele possa pedalar e navegar.
Arthur é um dos 3 cicloturistas que deram uma volta ao mundo de bicicleta e que participaram de um super bate papo no segundo dia do encontro. Uma terceira geração, podemos considerar o Olinto da primeira que mal tinha mapas, equipamentos ou dinheiro, conseguindo dar uma volta ao mundo com apenas 10 mil dólares no bolso. Já o Argus seria da segunda geração, assim que voltou da viagem disse: “Google Maps, que fantástico! Porque não inventaram isso antes de eu viajar!”. Já o Arthur é da geração online, conseguiu manter um diário durante toda a viagem, levou notebook, GPS e tinha muitas referências a disposição antes de embarcar nessa sua volta ao mundo.
A palestra do Arthur é bem divertida e seus textos, pelo pouco que percebi não são nada polidos, contando detalhes e principalmente suas impressões sobre cada país que ele passou. Vale a pena conferir a história das bruxas australianas que ele narra em seu livro.
Thiago, natural de Ourinhos, interior de São Paulo e sempre sonhou em percorrer o continente Sul americano de bicicleta. Planejou sua viagem, treinou e partiu. No segundo dia ele teve uma queda, fraturou o braço e teve que retornar para sua casa para alegria de sua mãe.
Mas esse contratempo só o fez adiar sua viagem, o início que era para ser no dia 07 de setembro (Dia da Independência), passou para o dia 02 de novembro (dia de finados). Ironias a parte, é com muito humor que é marcada a palestra desse grande aventureiro.
Já assisti duas palestras do Thiago e se o livro tiver a mesma energia, no mínimo o leitor dará muitas gargalhadas. Li alguns trechos e percebi que é de leitura leve e divertida. Já as imagens são um show a parte, a que mais me marcou foi o céu estrelado do Atacama. Vale a pena ler alguns relatos dos diários que ele escreveu em seu blog durante a viagem.