Serra do Rio do Rastro dia 21 de Junho – Última chamada

foto06

Ainda restam 10 vagas para essa viagem por uma das estradas mais incríveis do mundo, vai perder? A Serra do Rio do Rastro é uma das serras que está sendo descoberta aos poucos por esse pessoal que vive mais ao norte do Brasil, mas no sul ela já é ponto turístico obrigatório. Com ou sem bicicleta, a Serra do Rio do Rastro é um local que todos devem conhecer, mas chegar ao seu cume de bicicleta é algo simplesmente surreal. Algo difícil mas longe de ser impossível, qualquer ciclista que já venceu o Desafio Bicicletas ao Mar pode vencer a Serra do Rio do Rastro. E já adianto, depois de vencer a Serra, nunca mais outra subida irá te intimidar.

Sairemos de São Paulo na noite do dia 21 de junho (sexta feira) e serão muitas horas de estrada até chegarmos próximo a Lauro Miller já em Santa Catarina, por volta das 10h00 do dia 22 de junho, sábado. Nosso ônibus irá parar na base da serra e os ciclistas começarão a pedalar, serão cerca de 15 quilômetros até o topo num desnível de aproximadamente 1300 metros.

foto07

Os ciclistas terão muito tempo para contemplar o visual, cada um no seu ritmo, com direito a diversas paradas para fotos de todos os ângulos da subida, sendo que ao final, quando chegarem ao mirante terão como prêmio uma visão espetacular. Teremos um carro de apoio estacionado no topo da Serra a disposição dos ciclistas que desistirem, mas duvido que ele será acionado.

foto09

Quem chegar ao topo da Serra mais rapidamente poderá visitar o Parque Eólico e os demais Canions do alto da serra, contemplando um visual de tirar o fôlego.

foto10

Depois de curtir o visual no mirante da serra, os ciclistas ainda terão 10 quilômetros até Bom Jardim da Serra, um trajeto bem tranquilo onde maior parte é em descida.

No dia seguinte, depois de um maravilhoso café da manhã na pousada, seguiremos de volta ao topo da Serra do Rio do Rastro, para então curtirmos uma descida alucinante, aquele pedal que levou horas no dia anterior será percorrido em poucos minutos.

Chegando lá em baixo colocaremos nossas bicicletas no bagageiro do ônibus e começamos o retorno a São Paulo, devendo chegar em São Paulo no final da noite de domingo. Veja mais fotos da Serra do Rio do Rastro na Fanpage do Bicicreteiro.

Custos e o que está incluso na Expedição Serra do Rio do Rastro

Trajeto São Paulo – Bom Jardim, ida e volta em ônibus LD (Leito Turismo) e transporte da bicicleta

Hospedagem em Bom Jardim da Serra de sábado para domingo duplos, triplos e coletivos, com café da manhã. Bom Jardim é uma cidade pequena com poucas hospedarias e fecharemos uma hospedaria inteira só para nosso grupo, uma pousada bem simpática e aconchegante.

Carro de apoio durante a subida e descida da Serra do Rio do Rastro

Valor: R$740,00 em 3 vezes no cheque ou cartão

Valor com desconto para pagamento a vista: R$670,00

Atenção: Há a possibilidade de levar um acompanhante que não pedale, escreva no campo de observações que discutiremos a melhor forma de levarmos sua companhia.

Dúvidas podem ser tiradas no campo observações do formulário, o pagamento pode ser feito pela “Bicicretaria” clicando aqui. São poucas vagas, não perca tempo e garanta logo seu lugar nessa aventura.

O Desafio dos Desafios (DBMs)

foto01

Quando disse a aquela linda garota “Marque uma data com um mês de antecedência que eu a treino e você chegará a praia”, juro que não tinha a menor noção do tamanho que isso iria ficar. Estou falando d o Desafio Bicicletas ao Mar, ou DBM, apelido dado pelos próprios participantes a esse evento que só tende a crescer. Se você entrou agora no Blog e não tem a menor noção do que vem a ser o DBM, primeiro leia esse texto sobre sua história e depois volte aqui para continuar a leitura.

No dia 19 de maio de 2013, organizei o que deveria ser o pedal final do 3º DBM, viagem essa que deveria ter sido realizada no dia 24 de março de 2013, mas que não aconteceu por causa da interdição da Estrada de Manutenção da Rodovia dos Imigrantes depois de uma série de desmoronamentos que ocorreram em meados de fevereiro bloqueando por completo a estrada. Devido a esse contratempo tivemos que mudar o trajeto da descida para Ubatuba e resolvi organizar uma descida extra pela RMP quando ela fosse reaberta.

Como não tinha mais dinheiro para custear os carros de apoio e a ambulância para a descida, resolvemos criar um “Certificado de conclusão do DBM” e vendê-los por 10 reais a fim de disponibilizar uma lembrança aos ciclistas e arrecadar uma grana para custear esse apoio. Vendemos previamente cerca de 50 certificados, mesmo assim resolvi imprimir o restante dos certificados e entregá-los aos ciclistas que chegassem a Santos.

Se você pagou, mas não retirou seu certificado, fique tranquilo que irei mandá-lo pelo correio no endereço cadastrado na loja virtual. Agora se você que venceu o Desafio quiser um certificado, compre agora na loja virtual por 10 reais que eu envio pelo correio no endereço solicitado, abaixo um modelo de como ficou o Certificado.

certificado3DBM

Posso garantir que esse foi o DBM em que eu mais me estressei, por isso quero pedir desculpa a todos que tiveram que conviver com minha rabugice durante todo o DBM, tentei criar um formato que tivesse o máximo de qualidade, atingisse um número maior de ciclista e que tivesse um índice menor de desistências, mas o que eu criei foi algo muito complicado e com várias brechas para ter dores de cabeça.

Infelizmente tenho que deixar de ser bonzinho e por causa de uma minoria tomarei algumas precauções que eu considero chatas mas que me darão proteção contra pessoas má intencionadas e que só conseguem enxergar o DBM como uma mera relação de consumo. A maioria dos participantes compreendeu bem, não apenas o espírito, mas principalmente as regras do DBM e usaram muito bem as possibilidades que criamos para vencerem seus Desafios pessoais. Até para dar uma maior tranquilidade para essas pessoas, no próximo será tudo preto no branco, teremos o retorno dos brevês e o foco principal nos Desafiantes, aqueles que realmente precisam do DBM a principal razão para tanto esforço nosso.

O lado bom é que já testamos 3 fórmulas diferentes em cada DBM, foram vários testes, algumas coisas funcionaram muito bem, outras deram um trabalho imenso e não foram eficazes, mas no geral os DBMs foram úteis para a maioria dos ciclistas que se propuseram a participar. Com base nessas experiências, teremos mudanças significativas no próximo DBM que terá como principal objetivo reduzir ao máximo a quantidade de desistências e também fortalecer o espírito de grupo e solidariedade que já faz parte da nossa essência.

Algo que aprendi nesse DBM (e no segundo) é que naturalmente se formam grupos com ciclistas que andam no mesmo ritmo, mas isso não significava que todos esses ciclistas eram experientes, todos careciam de algum tipo de informação.

A sinalização também foi útil, o problema era o trabalho para sinalizar, sem falar dos  riscos de depredações, as vezes até institucionais como ocorreu em Ribeirão Pires quando a própria prefeitura da cidade arrancou nossas placas, por isso desisti de investir em sinalização nos próximos DBMs.

Vou adiantar aqui algumas mudanças que teremos, a começar pela quantidade de inscrições, serão apenas 100 ciclistas. Não teremos mais as categorias Masters e Praieiros, teremos apenas os Desafiantes e criaremos uma nova categoria, o Super Desafiante, com o objetivo de atender aquele ciclista que já tem melhor condição física e que precisa apenas aprender um pouco mais de técnica para aumentar seu desempenho no pedal, consequentemente ele terá um Desafio a altura da sua condição física.

A outra novidade é que antes de iniciarmos o Desafio, faremos uma avaliação individualizada com todos os ciclistas e com base nessa avaliação distribuiremos os ciclistas em cinco grupos mais homogêneos, sendo que os dois primeiros grupos serão os dos Super Desafiantes.

Essa divisão fará com que cada grupo possa pedalar no mesmo ritmo e dessa forma realizarmos um trabalho mais individualizado. Além disso cada grupo terá um “Tutor” que será responsável por passar os treinos que criarei ao seu grupo e esse tutor terá a ajuda de 5 guias. O mais interessante é que tanto os tutores como os guias, em sua maioria são ex-desafiantes, como já ocorreu entre com os Guias (Os vermelhinhos) do 3ºDBM, em sua maioria participantes das edições passadas. Mais uma forma de motivar os participantes a vencerem o Desafio, já que eles terão como tutores alguém que é prova viva de que com força de vontade e dedicação, qualquer um chegará lá.

Também irei estimular uma espécie de competição entre os grupos, mas não a competição de quem chega primeiro, mas sim o grupo que consegue chegar no último dia do Desafio com menor número de desistências. Já eu terei um papel mais didático do que prático, nesse formato poderei flutuar entre os grupos passando alguns ensinamentos mais específicos.

Já falei demais e vamos deixar o resto como surpresa para quando lançar de vez o próximo Desafio, algo que deve ocorrer ainda em maio. Sinceramente não sei se essa é a fórmula ideal mas garanto que sua busca será permanente. Ainda tenho o sonho de realizar um grande DBM, para mais de dois mil ciclistas e de graça. Estou trabalhando nesse projeto megalomaníaco e como todas as loucuras que já tirei do papel, acredito que essa será mais uma que fará parte da história da bicicleta em nossa cidade.

Pra finalizar um recadinho, sobraram algumas camisetas do DBM, camisetas normais e de ciclistas, as normais estou vendendo por 40 reais e as de ciclista por 60 e com frete incluso. Quem quiser comprar pode fazer isso na minha lojinha, conto com vocês para esvaziar essas caixas aqui em casa e partir logo para o próximo DBM.

André Pasqualini

Clique aqui para ver as fotos do pedal final do 3º DBM.

Conheça o Denis, o motorista de ônibus que pedala

Denis1

Como muitos já devem saber, estou produzindo um treinamento para os motoristas de ônibus, treinamento esse que se chamará “Ciclista Convivendo com o Motorista” e ao seu término será doado à prefeitura de São Paulo para que ele seja um treinamento obrigatório a todos os motoristas de ônibus da cidade.

É bom lembrar que esse treinamento não é novidade, em 2009 já havia produzido um treinamento nesses mesmos moldes e graças a uma parceria com a SPTrans, órgão da prefeitura de São Paulo responsável por organizar e regular todo o sistema de transporte de ônibus da nossa cidade, esse curso foi repassado a mais de 30 mil motoristas de ligados ao órgão. Os resultados não poderiam ser melhores, os índices de acidentes fatais envolvendo ciclistas em colisões com ônibus reduziram 70% em dois anos.

Aquele curso foi algo muito pioneiro, foram poucas as referências que encontrei, não apenas no Brasil, mas em todo o mundo e devido ao seu pioneirismo ele precisava de uma boa atualização, até porque eu tinha como objetivo fazer uma nova versão num formato mais nacional, já que muitas foram as cidades que entraram em contato comigo pedindo para que eu levasse esse curso até elas.

Denis

Anos se passaram e agora com apoio do Movimento Conviva da Bradesco Seguros estou tendo condições de montar um novo curso e como fio condutor usarei um vídeo mais que original, pois os “atores” serão motoristas de ônibus que tem algo em comum conosco, eles também pedalam. Ninguém melhor do que alguém que conhece como poucos as duas realidades para mostrar a outros motoristas como evitar um acidente com um ciclista.

Abaixo um vídeo com um pequeno teaser que dará uma ideia de como será esse treinamento que está em plena produção. Até meados de maio devo finalizar a primeira parte dele, mas no vídeo principal vocês não verão apenas o Denis, motorista de ônibus de São Paulo que usa a bicicleta como seu meio de transporte. Viajarei o Brasil e mostrarei outros motoristas de ônibus que também pedalam. Serão diferentes realidades, mas todos com algo em comum receberemos uma aula, não apenas de respeito ao ciclista, mas principalmente de respeito à vida.

Se você quiser que eu leve esse treinamento a prefeitura da sua cidade, mande um email para bicicreteiro@gmail.com, pois assim que o treinamento estiver finalizado terei o maior prazer em compartilhá-lo com todas as prefeituras que se interessarem.

André Pasqualini

Como foi o 3º Desafio Bicicletas ao Mar

foto01

Pretendo escrever algo que sirva tanto para as centenas de pessoas que já participaram dos DBMs (Desafio Bicicleta ao Mar), como para alguém curioso para saber um pouco mais de como funciona essa coisa maluca que é o Desafio Bicicletas ao Mar. Chegou até aqui porque viu um monte de ciclistas verdinhos passando por você? Quer fazer parte também dessa maluquice? Então continue a leitura.

No dia 24 de março de 2013 aconteceu o encerramento do 3º Desafio Bicicletas ao Mar, para saber um pouco da história do Desafio, entre nesse link aqui ou clique na página do Desafio no alto do blog. De forma resumida, o Desafio nasceu de uma tentativa de conquista amorosa que deu certo e acabou carregando como padrinhos centenas de ciclistas que sequer se imaginavam fazendo percursos maiores do que da sua casa até a padaria, mas em pouco mais de um mês eles chegaram pedalando a praia.

Lancei o 3º DBM em janeiro de 2013 e seguindo a linha evolutiva na busca de um evento perfeito, abrimos apenas 300 inscrições para 3 categorias distintas (100 para cada), os Praieiros, ciclistas experientes que desejavam apenas percorrer o trajeto do dia do Desafio, os Masters, ciclistas experientes que já participaram de outros Desafios, mas que queriam participar de todos os treinos e os Desafiantes, ciclistas iniciantes que desejavam ganhar condicionamento e experiência para poder chegar a praia, consequentemente entrar em definitivo para esse nosso mundo da bike.

Ah, vale lembrar que o objetivo principal do Desafio é fazer com que os ciclistas Desafiantes adquiram uma melhor condição física e principalmente psicológica  para que eles consigam percorrer a Rota Márcia Prado, uma rota Cicloturística de 100 quilômetros que liga as cidades de São Paulo e Santos, ciclistas Masters ou mesmo os Praieiros são apenas pessoas que querem participar da festa. Apesar das inscrições serem abertas em janeiro, os treinos só começaram em 19 de fevereiro e todo esse tempo serviu para os ciclistas Desafiantes se programassem para poder se dedicar exclusivamente ao Desafio, consequentemente aumentando as chances de êxito.

Seriam 15 treinos num espaço de 35 dias, sendo dois treinos noturnos por semana (terças e quintas), mais uma simulação de cicloviagem a cada domingo. Praticamente o mesmo formato dos Desafios anteriores, a diferença estava nos treinos de domingo, além de toda a rota ser sinalizada, eu teria a disposição dois carros de apoio mais uma ambulância. Claro que tudo isso tem um altíssimo custo, por isso resolvemos cobrar uma taxa de inscrição de 150 reais para os Desafiantes, 120 para a categoria Master e 70 reais para os Praieiros, esses não teriam o direito de participar dos treinos noturnos nem dos de domingo, apenas do Desafio.

foto02

Desde o primeiro desafio eu incluí os praieiros, pois muitos ciclistas me procuravam querendo apenas descer a Rota Márcia Prado, vários são de outras cidades e não poderiam participar dos treinos, sem falar nos próprios ciclistas de São Paulo que só querem mesmo percorrer a Rota Márcia Prado. Como tenho uma enorme dificuldade em dizer não, acabei tentando fazer algo que agradasse a todos. O maior problema que sempre vi nessa categoria, pois nem todos os praieiros conseguiriam entender o verdadeiro espírito do Desafio, que é o do grupo trabalhar para que todos cheguem, todos vençam o Desafio e que de alguma forma a bicicleta mude a vida dessas pessoas para melhor. Alguns praieiros que acompanham de perto o Desafio até conseguem perceber esse espírito, mas infelizmente essa categoria acaba atraindo ciclistas que só encaram o Desafio como mais um Ciclo-passeio para poder contar com a logística e fazer seu pedal e ai que está o problema.

1ª Etapa: O início dos treinos

Voltando ao Desafio, no dia 19 de março, data do primeiro treino, quando o relógio marcou 20h00, haviam mais de 100 ciclistas com camisetas verdes (Desafiantes) e amarelas (Masters) prontos para pedalar no nosso ponto de encontro no Parque do Ibirapuera. Também lá estavam vários ciclistas de camisetas vermelhas, os Guias que em sua maioria basicamente são ciclistas mais experientes, que tirando o Gallo, todos já haviam sido desafiantes nos desafios anteriores, sendo que o primeiro ocorreu em abril de 2012. Apesar da imensa ajuda que eles e alguns Masters me deram, de cara vi o quanto seria complicado administrar esse Desafio.

foto03

Logo no primeiro pedal eu percebi que em vários Desafiantes sobrava disposição e que se encaixariam perfeitamente na condição de Master, se fosse só pela condição física. Vi também alguns Masters que deveriam ter se inscritos como Desafiantes e já vi que um dos equívocos foi deixar que cada ciclista se categorizasse, algo que irei corrigir no próximo DBM. Apesar de sempre andar no fundão, nos treinos de domingo eu costumo a guiar a massa e levar 100 ciclistas para treinar (e não passear) por São Paulo foi bem complicado. Por causa disso eu dividi o grupo com duas saídas, uma as 20h00 e outra as 21h00.

Apesar de alguns contratempos foi a melhor solução, mas percebi que enquanto teria facilidade com alguns, outros precisariam de uma atenção maior, algo que infelizmente não consegui dar da forma que gostaria. Isso me deixou clara a necessidade de criar grupos mais homogêneos, algo que já estou pensando em criar no próximo DBM, de qualquer forma os treinos foram bem concorridos e não tivemos que repetir nenhum trajeto.

2ª Etapa: O primeiro treino de domingo, Ciclovias e Ciclofaixas

foto04

No 2º DBM tivemos 22 treinos sendo 5 treinos de domingo, mas nesse, devido a uma dificuldade de calendário, fui obrigado a reduzir para 4 treinos antes do Desafio, sendo que o primeiro treino realizamos um pedal com cerca de 73 quilômetros pelas Ciclovias e Ciclofaixas de São Paulo.

O trajeto foi praticamente plano, sem muitas dificuldades para os ciclistas, mas tinha como objetivo mostrar aos Desafiantes que não é difícil passarmos da barreira dos 70 kms pedalados num único dia, mesmo assim senti falta de um treino mais curto antes desse. Alguns desafiantes acabaram desistindo depois desse treino, foram poucos, acho que uns 4 de um universo de mais de 100, garanto que se eles insistissem teriam avançado como alguns em condições até piores assim fizeram, mas esse é outro desafio, não apenas melhorar a condição física dos Desafiantes, mas fazer com que eles continuem acreditando que é possível.

3ª Etapa: Treino para Paranapiacaba

foto05

Esse treino só decidi fazer na sexta feira, dois dias antes do treino em si. Nosso destino seria o Solo Sagrado da Guarapiranga, ocorre que eu acabei marcando o treino justamente no dia do culto mensal da igreja, quando eles chegam a receber vinte mil pessoas num único dia. Por causa disso fui obrigado a arrumar outro trajeto e optei por Paranapiacaba, partindo da estação Mauá da CPTM.

Em Mauá os ciclistas conheceram o maior bicicletário das Américas com mais de duas mil vagas. Conheceram também o Adilson, idealizador do bicicletário, ouviram sua história e aprenderam na prática um dos significados dessa palavra “Cicloativismo”.

O trajeto de Paranapiacaba era mais curto que o primeiro treino, cerca de 47 kms, mas a diferença é que os ciclistas começaram a pedalar em trechos de terra e encararam várias subidas, tudo isso era para, além de condicionar, dar mais perícia aos ciclistas. Nesse dia ocorreu dois acidentes e ainda bem que dessa vez tínhamos ambulância que estava de prontidão para dar o socorro as vítimas. Nada tão grave, mas infelizmente os acidentes causaram mais algumas baixas entre os Desafiantes.

foto06

Tombos sempre irão ocorrer na prática do ciclismo, mas outra tarefa do Desafio é preparar os ciclistas para evitarem os acidentes e mesmo se eles ocorreram, que o ciclista tenha a perícia para minimizar os danos. Apesar dos inúmeros contratempos, o treino foi válido para a maioria dos ciclistas.

4ª Etapa: O desastre na estrada de Manutenção e reviravolta nos rumos do Desafio

No final de fevereiro, logo após as enormes chuvas e deslizamentos que ocorreram na Serra do Mar, que inclusive matou uma motorista na pista de subida da Imigrantes, assim que vi o vídeo com o estado da rodovia, já previ que o pior teria acontecido com a Estrada de Manutenção da Imigrantes, pista que utilizamos para percorrer a Rota Márcia Prado, o que seria o evento final do Desafio. Não demorou e surgiram fotos mostrando a precariedade da pista, mesmo assim ficamos num limbo por quase duas semanas sem saber se faríamos ou não a descida pela RMP, até que resolvi, numa quinta feira, realizar essa descida e ver com meus próprios olhos a situação da pista.

Quando cheguei lá encontrei um cenário de guerra, simplesmente todos os pequenos veios de água que escorrem pela serra trouxeram tudo abaixo, sejam árvores e enormes rochas. A pista estava bloqueada em dezenas de pontos, vários com quase um metro de lama e quanto mais eu descia, maior a catástrofe. Levei  quatro horas para chegar ao final da Manutenção, sendo que num dia normal, o trajeto é feito em 40 minutos, sem pressa.

foto07

Voltei e contei a todos o estado da Manutenção, pensei em tentar a Estrada Velha de Santos mas a mesma também estava interditada pelo mesmo motivo e isso deu uma desanimada no pessoal que estava completamente pilhado. Então passei a procurar alternativas e lembrei que em 2008, eu e um grupo com cerca de 30 ciclistas saímos pedalando de São Paulo, seguimos em um dia até Taubaté para no dia seguinte pedalarmos para Ubatuba.

foto08

A maior das coincidências é que desse grupo fazia parte a saudosa Márcia Prado. Resolvi então adiar a descida da RMP para quando ela fosse reaberta e para encerrar o Desafio, quem quisesse poderia repetir esse pedal que fizemos em 2008 para Ubatuba. Cerca de 120 ciclistas toparam fazer esse pedal, então comecei a preparar uma verdadeira operação de guerra para levar essa galera até a praia.

5ª Etapa: Aumento da dificuldade, começo dos treinos de subida

Até esse dia, nossos treinos estavam evitando grandes subidas, apenas trechos mais planos e suaves, nada de fortes subidas, mas como o pessoal estava entrando na terceira semana de treinos, chegou a hora de exigir mais dessa galera, foi quando comecei a introduzir os treinos noturnos de subida.

Um treino que já é um clássico é o de fazer um sobe e desce constante na região da Paulista, saímos do Ibirapuera e subimos a Abílio Soares, depois descemos a 13 de Maio até a Rua Avanhandava e subimos novamente pela Herculano de Freitas e Peixoto Gomide. Descemos novamente e dessa vez subimos a Itapeva a partir do Bexiga, quando o pessoal achou que bastava, descemos até a Tutoia e subimos a Manoel da Nóbrega. Mas não havia acabado, para terminar seguimos todos para a montanha fora de categoria “HC”, a Ministro Rocha de Azevedo.

Os treinos de subida visavam trazer ganho muscular aos ciclistas que já estavam com suas pernas adaptadas ao pedal, nos dias seguintes ainda fomos desbravar as pirambas do Morumbi, já que os treinos a partir de então teriam muitas subidas no trajeto.

6ª Etapa: Cicloviagem pela Estrada dos Romeiros até Itu

foto09

No nosso terceiro treino dominical, o destino foi Itu via a belíssima Estrada dos Romeiros. Nesse treino, os primeiros 25 quilômetros são bem planos, seguimos por uma rota que pega só um trecho pequeno de Marginal Tietê e depois segue beirando o Rio Tietê até Barueri, quando cruzamos o rio e seguimos rumo a Estrada dos Romeiros, quando começaram os Desafios.

Passamos por Santana de Parnaíba e Pirapora, sendo que para chegar nessa cidade são pelo menos 3 subidas muito longas, com desníveis maiores de 100 metros, perfeitas para as dificuldades que queria impor aos Desafiantes. Na saída de Pirapora ainda mais subidas, até reencontrarmos novamente o Rio Tietê quando tivemos um alívio já que a estrada segue por um longo trecho beirando o Rio que vai descendo rumo a Itu.

foto10

Algumas poucas subidas e chegamos a Cabreúva, a partir dali o trajeto fica mais tranquilo, apenas com uma forte subida e logo estávamos em Itu. Eu sempre lá no fundão, mas os verdinhos turbinados seguiram a toda, sendo que o primeiro pelotão chegou as 14h00 em Itu e o ponto final foi lá no Restaurante do Alemão, famoso pela tradicional a parmegiana.

7ª Etapa: Ciclistas a prova d’água

foto11

O último treino dominical do Desafio Bicicletas ao Mar era por uma rota recém mapeada, inédita no DBM e para a maioria dos ciclistas de São Paulo, batizada como Rota do Vinho, começa em frente a Usp em São Paulo, passa por Taboão da Serra, Embu das Artes e de lá segue por estradas de terra até a Estrada do Vinho já em São Roque, uma rota com muita dificuldade mas com a particularidade de não pegar quase nenhuma rodovia.

Para valorizar ainda mais a conquista dos ciclistas, percorremos boa parte da rota debaixo de muita chuva, principalmente no trecho de estrada de terra, o que testou ao limite a perícia dos Desafiantes que apesar de algumas quedas, não houve necessidade do uso da ambulância mais uma vez, um roteiro que deve figurar em todos os próximos DBMs.

8ª Etapa: Rumo à praia

foto12

Como não poderíamos descer a Estrada de Manutenção, montamos umas operação de guerra para levar os ciclistas até Ubatuba. Havia 3 formas de se chegar a praia, a primeira seria pedalando desde São Paulo, num trajeto de 140 quilômetros (a contar da Praça da Sé) até a cidade de Taubaté. Dos 300 inscritos, a maioria resolveu esperar a Estrada de Manutenção ser reaberta, mas 120 toparam o Desafio de chegar a praia e pelo menos 60 saíram pedalando desde São Paulo, chegando a Taubaté entre 10h00 e 21h00 do sábado, dia 23 de março.

foto13

Um ônibus com cerca de 28 ciclistas saiu de São Paulo no mesmo sábado, somou-se aos que saíram pedalando e quase 100 ciclistas se hospedaram no Hotel San Michel em Taubaté, praticamente dominamos todo o hotel.

Mas o Desafio começou no domingo, dia 24 de março as 5 da manhã para um grupo de 28 ciclistas que saíram num segundo ônibus de São Paulo e venho se juntar a nossa massa que as 8h00 estava pronta para seguir rumo a Ubatuba e entre esses ciclistas do ônibus de domingo dois grandes guerreiros em suas Handbikes, o Fábio Costa e o Alessandro Martinato, que participaram de alguns treinos e estavam lá prontos para motivar a galera e chegar a praia.

foto14

Partimos para um pedal mais que épico, entre os 90 quilômetros que separam as cidades de Taubaté a Ubatuba há enormes montanha que somam um ganho de altitude de 2160 metros, pior que teve alguns ciclistas que acharam que seria só descida.

Foram muitas subidas, uma mais forte que a outra, além de várias baixas, principalmente por problemas mecânicos, teve até uma bicicleta que teve seu aro da roda aberto. Com grande esforço os Desafiantes, cerca de 50 de um universo de 100, foram vencendo cada montanha e conforme nos aproximávamos do topo da serra, para valorizar ainda mais nossa conquista tivemos que encarar uma névoa que deixava nossa visibilidade menor de 100 metros e ainda uma fina garoa.

foto15

E para complicar ainda mais, tivemos mais uma “ajuda” da Polícia Rodoviária Estadual (que já havia dado suas caras quando entramos na Rodovia dos Trabalhadores) que tentou impedir a passagem dos ciclistas no alto da serra de Ubatuba. Como sempre aquele papinho furado de evento não autorizado, desconhecimento do Código de Trânsito Brasileiro, que para a nossa segurança eles poderiam nos proibir de descer a Serra, de que levariam todos os ciclistas para a delegacia e por aí vai.

Falei que estávamos com 2 carros de apoio e uma ambulância inclusive, daí o PM disse – “Quer dizer que você já está prevendo que vai ocorrer um acidente?” – então respondi – “Ué? Não ocorrem acidentes com carros na rodovia? Se algum carro sofre um acidente vocês proíbem todos de circular? Estou sim com ambulância, mas se caso algum ciclista se acidente vocês irão nos socorrer? – o PM respondeu – “Claro que não!” – e finalizei – “Já que sei que não poderei contar com o estado, eu vim precavido, por isso a ambulância“.

foto16

Nem vou discutir mais sobre o assunto, no Brasil vai demorar um pouco mais para o ciclista ser tratado realmente com respeito que teríamos em qualquer país civilizado do mundo, mas como sempre reforço, vivemos uma era de transição e trabalhos como o DBM servirão para formarmos essa massa de ciclistas que ensinará o estado como trabalhar para todos os cidadãos e não apenas para poucos como ocorre hoje em dia. O lado bom de tudo isso é que vivemos um momento de mudança e momentos como esses são bem dinâmicos, diferente das épocas de estabilidade que chegam até a serem chatas. É muito bom saber que fazemos parte dessa mudança.

Mesmo com a chuva, neblina, polícia, a força da natureza, tentativas de boicote, nada nos impediu de chegarmos a Praia e encerrarmos mais um Desafio Bicicletas ao Mar, não teve momento mais emocionante do que nossa chegada em Ubatuba com dezenas de ciclistas gritando a cada luzinha piscando que surgia na Ciclovia, ver a galera cumprimentando o Fábio e o Alessandro em Ubatuba foi surreal, ali sabia que todo meu trabalho fez sentido, valeu a pena cada noite mal dormida depois de tantas dificuldades que encarei para viabilizar esse DBM.

foto17

Começando o encerramento, quero parabenizar nossos dois Handbikes, o Fábio e o Alessandro que foram grandes guerreiros, chegaram a praia e deram uma verdadeira lição de superação a todos que acompanharam suas sagas desde o início do Desafio e espero vê-los novamente nos próximos.

Agradeço a Livia, o Eudes, o Luisão, a Thelminha e a Helevi que tiveram suas fotos gentilmente “roubadas” para poder ilustrar esse post.

Agradecer a todos os Guias que trabalharam no DBM, sem citar nomes, mas os participantes do DBM sabem como foi importante a participação de cada vermelhinho no Desafio, sem dúvida alguma de nada adiantaria meu esforço se não tivesse a cooperação deles. Não posso esquecer de vários Masters (amarelinhos) que se portaram como verdadeiros tutores dessa galera.

Depois do Desafio sentei para fazer um rescaldo, ver quanto arrecadei e quanto gastei e depois de fechar as contas eu percebi que ganhei muita, (mas muita mesmo) “experiência” nesse DBM, por sorte não tive que colocar do meu bolso (hehe). Mas o DBM é muito mais que uma simples forma de ganhar dinheiro, é um evento que está em constante evolução e na busca do formato que me dê uma remuneração justa, mas principalmente que de todo o suporte necessário ao ciclista para que ele vença o Desafio e que tenhamos o mínimo de desistências no decorrer da caminhada, quem sabe lá pelo décimo DBM nós não encontremos essa fórmula.

Agora saio para umas curtas férias, estou seguindo rumo ao Parque do Jalapão, vou mapear outro circuito para que vocês possam ter a disposição mais um roteiro para a prática do Cicloturismo. Infelizmente não vou conseguir postar nada de lá durante a viagem, no máximo poucas fotos quando os celulares derem algum sinal de vida, mas quando voltar farei um verdadeiro guia e deixarei a disposição de todos que quiserem um dia conhecer um dos lugares mais espetaculares do planeta.

Durante essas férias também vou pensar no melhor formato para o 4º DBM que pretendo iniciá-lo no começo de maio, será um DBM mais compacto, com uma nova fórmula que deve agradar também os ciclistas mais experientes, pois a letra “M” do DBM terá dois significados, a mais óbvia que é Mar, mas nessa edição seu encerramento não será na praia e sim numa “Montanha”, aguardem que logo que voltar lançarei detalhes desse novo Desafio.

A dica para quem não quer ficar muito tempo parado é fazer parte de uma das Cicloexpedições que organizo, a próxima será no dia 12 de Abril quando desceremos a Serra da Graciosa, a viagem já está garantida pois temos o número mínimo de pessoas para realizá-la, mas ainda há vagas. Apesar de eu estar de férias, deixei uma pessoa para responder as mensagens e tirar as dúvidas do pessoal, só não deixem para a última hora, pois se todos que disseram que vão resolverem realmente ir, terei que alugar dois ônibus, aí já viu…

Finalizando mesmo, obrigado a todos, parabéns aos Desafiantes que chegaram a praia, foi muito bom fazer parte dessa conquista, mas agora que venham os próximos Desafios, pois uma vida sem desafios é muito mais chata, não é?

André Pasqualini

Expedição Cicloturística Estrada da Graciosa

foto01

Primeiro vamos ao serviço

Data: de 12 a 14 de abril
Valor: R$475,00 em 3 vezes no cheque ou cartão
R$430,00 para pagamento a vista

O que está incluso?

  • Translado São Paulo-Curitiba em ônibus LD(Leito Turismo) com transporte das bicicletas
  • Café da manhã na chegada em 4 Barras no sábado, antes do pedal
  • Hospedagem em Curitiba de sábado para domingo, com café da manhã
  • Subida da Serra do Mar pelo trem turístico de Morretes até Curitiba
  • Carro de apoio durante a descida da Graciosa

Aceitaremos a presença de passageiros sem bicicleta pelos mesmos valores, a diferença é que os passageiros sem bicicleta, além de ter direito a tudo que está descrito acima, farão o deslocamento de Curitiba a Morretes pelo Trem Turístico.

A programação

A saída de São Paulo irá ocorrer no dia 12 de abril, por volta das 22h00, o ponto de partida será, provavelmente, algum local próximo a estação Butantã da linha amarela do Metro, perto de um estacionamento onde os passageiros poderão deixar seus carros, o custo deve ficar por volta de 40 reais todo o final de semana.

foto01

Passaremos a noite na estrada e chegaremos a Quatro Barras (região metropolitana de Curitiba) por volta das 6h00 da manhã. Lá será servido um café aos ciclistas (incluso no pacote), enquanto os passageiros sem bicicleta se deslocam até Curitiba para pegar o trem rumo a Morretes.

A partir de Quatro Barras os ciclistas seguirão pedalando por cerca de 50 quilômetros até Morretes, sendo que no caminho ele descerá a linda Estrada da Graciosa, famosa por seus paralelepípedos. São vários os mirantes, pontos de paradas, pequenas cachoeiras, o ciclista terá muito tempo para curtir todo o trajeto.

foto03

Em Morretes os ciclistas estarão livres para passear pela cidade e a dica aqui é não deixar de comer o famoso “Barreado”, prato típico dos tropeiros da região.

foto04

As 15h00 todos os ciclistas deverão se dirigir até a estação de trem da cidade para dar início ao retorno a Curitiba. A subida de trem tem um visual simplesmente deslumbrante, cortando uma área bem preservada da imponente Serra do Mar. A noite em Curitiba será livre, os ciclistas poderão se organizar para fazer um tour pela cidade de bicicleta.

foto02

Na manhã de domingo, após o café da manhã, faremos um passeio pela cidade visitando alguns pontos conhecidos da capital paranaense, como o Museu do Olho, o Jardim Botânico, encerrando nosso pedal almoçando em alguma churrascaria. Após o almoço os ciclistas retornam ao Hotel, faremos os check-outs, embarcaremos no ônibus e retornamos a São Paulo, com previsão de chegada por volta das 22h00, no mesmo ponto de partida.

foto04

Para garantir sua vaga, preencha o formulário abaixo, lembrando que em junho organizaremos outra Cicloexpedição, dessa vez com destino a Serra do Rio do Rastro e há uma condição super especial para quem quiser fazer as duas viagens.

Vale lembrar que essa Cicloexpedição é indicada para qualquer tipo de ciclista, mesmo aqueles sem muita experiência no pedal, se você consegue pedalar uns 30 quilômetros na Ciclofaixa de Lazer de São Paulo, conseguirá participar dessa cicloexpedição tranquilamente. Garanta logo sua vaga preenchendo o formulário abaixo.

Lançamento do livro A Vida Em Ciclos

foto01

Primeiro ao serviço:

Data: 21 de março de 2013 (quinta)
Hora: 20h00
Local: Restaurante Piraquara
R Antonio Macedo Soares, 1.150, Campo Belo (veja o mapa)

Não posso dizer que foi um “parto” conseguir lançar o meu livro, pois um parto só dura 9 meses, enquanto a saga para publicar esse livro levou quase dois anos. Foram 106 dias viajando pelo Brasil e mais de um ano viajando nas palavras, uma verdadeira saga escrever um livro com tamanha carga emocional, contar detalhes dos momentos onde mais passei por sofrimentos em toda minha vida.

Já imaginou o que é pedalar com depressão? Foi exatamente assim que estava quando saí de São Paulo e encarei essa aventura batizada como Projeto Biomas e que deu origem ao Livro A Vida em Ciclos. Posso garantir que muito do que sou hoje se deve a esse conflito constante entre felicidade e tristeza que vivi nesses dias. Lembro de algumas situações, quando mais jovem, achava ridículo ver alguém sofrendo por amor, quando alguém cometia o suicídio então… Que absurdo, como uma pessoa pode ser tão fraca!

Mas bastou eu viver uma intensa dor que machuca muito mais que as dores físicas para conseguir compreender o que se passa pela cabeça de pessoas deprimidas e até entender o que leva muitas delas a desistirem da vida. Recentemente perdemos um grande artista, o Chorão e impossível não fazer uma analogia, acredito que só não tive o mesmo fim graças ao meu filho, pois sempre que era atormentado por desejos de dar um fim a minha dor da maneira mais fácil, bastava me lembrar do meu filho, lembrava do meu último encontro antes da viagem (narradas no prólogo do livro) que as forças voltavam e o desafio de chegar vivo em casa preponderava.

Que pedal, sem querer plagiar o rei, mas foram tantas emoções distintas, dor e alegria caminharam ao meu lado durante toda a viagem, inclusive dor física pois desafios não faltaram. Me deslumbrava com as paisagens impressionantes do nosso interior do Brasil que a cada dia surgia de forma diferente, a vida abundante no Pantanal, a imponência da Floresta Amazônica, e o que falar do Parque do Jalapão!

32_dsc00845

E as pessoas? Cada história maravilhosa e como foi bom receber tanto carinho, seja das pessoas que eu encontrava na estrada, ou das pessoas que me acompanhavam a quilômetros de distância, mas que estavam diariamente ao meu lado graças a esse blog.

Tentei durante esses quase dois anos colocar o máximo de emoções que vivi nesse livro, por diversos momentos tive dúvidas sobre se respeitaria meu sentimento na época dos fatos ou aquilo que estava sentindo após meses da viagem. Na dúvida sempre optei por deixar meu coração falar. Não tenho a pretensão de ensinar nada a ninguém, mas desejo muito, como diz o Milton Jung na aba do meu livro, fazer vocês pensarem. Ninguém tem a verdade absoluta, mas cada um tem a sua e nem todos conseguiram descobrir ainda qual é a sua verdade. Eu ainda não descobri, vou morrer tentando descobri-la, mas tenho certeza que avancei muito nesse processo.

07_fotos1853

E que honra ter na aba do meu livro um texto do Milton Jung, jornalista da Rádio CBN e ancora do CBN Brasil que fala com os ouvintes do Brasil inteiro todas as manhãs. Falta ainda o texto da minha querida enrolada Renata Falzoni, que vai ilustrar a contra-capa do meu livro. Aliás ela foi a primeira pessoa a receber um exemplar, com a missão de ler e escrever esse texto. Como fiz uma impressão digital, provavelmente a próxima edição já terá o texto dela.

Bem, finalmente irei lançar meu livro, não é exatamente como queria, minha intenção era fazer um livro com muitas fotos, ter um bom revisor e editor do meu livro… Mas meus amigos mais próximos sabem o quanto tudo é mais difícil para mim, e porque  seria diferente com o livro? Ao menos o tirei (melhor, coloquei) no papel, um livro 100% independente das grandes corporações, do mercado, do capital, mas muito dependente dos amigos e como é bom ter tantos amigos para contar. A arte da capa e diagramação foi feita pela minha amiga Rosana Grimaldi, uma linda capa usando como base uma foto que tirei na viagem, foto essa que o meu outro amigo Willian Cruz profetou que seria a capa do livro.

A revisão foi feita por outras três amigas, a Gi, a Andreia e a Edna e o restante por mim, editei, revisei, adaptei a versão com fotos para essa sem fotos, finalizei a arte, fechei o arquivo e mandei para a gráfica. Aliás se no meio do texto eu fizer referencia a alguma foto que não está no livro, me desculpe, pois eu retirei as fotos mas não tive tempo de revisar o texto de todo o livro. Mas como tudo que criei até hoje acabou tendo vida própria e deixa de ser meu rapidamente, sei que poderei contar com a ajuda dos meus amigos leitores que encontrarão os erros e me apontarão para fazer os ajustes, o corrigindo a cada tiragem.

A primeira foi com 50 exemplares e de 50 em 50 vou espalhando meu livro por aí. O objetivo será o de guardar uma grana para poder fazer uma tiragem maior e uma versão com fotos, o que trará muito mais energia e informações para esse livro.

03_sam_0447

Aliás estou entrando com um projeto cultural no Ministério da Cultura para tentar a aprovação numa lei de incentivo. Se conseguir aprovar farei uma tiragem de 3 mil livros e uma nova viagem pelo Brasil, passando pelas principais cidade que percorri durante a minha viagem, fazendo palestras em escolas e doando TODOS os 3 mil livros para jovens de escolas públicas do Brasil.

Falando sério, quem me conhece sabe muito bem que se dependesse de mim eu jamais venderia um livro, daria de graça, pois não tem nada mais gratificante do que alguém vir até você comentar sobre um livro que você escreveu, não tem preço que pague isso. Mas infelizmente vivemos num mundo capitalista e além de caro é muito complicado imprimir um livro. Justamente por esse motivo é que manterei a versão digital de graça “forever”, mesmo se um dia ele for comprado por uma editora, essa será minha condição eterna.

E quem quiser comprar, vou vendê-lo por R$55,00 (R$50,00 para quem pagar em dinheiro, na hora ou fizer deposito bancário), ele já está disponível em minha lojinha, só começarei a entregá-lo após o lançamento, mas se você for pessoalmente no lançamento do meu livro com o comprovante de deposito, poderá levar seu exemplar na hora.

Pra encerrar, vou ficar muito feliz em rever meus amigos nesse dia, antes do lançamento oficial do livro eu farei uma pequena palestra sobre a viagem contando algumas histórias interessantes, só mesmo para aguçar a curiosidade de vocês, mas o que vai valer mesmo será a presença de todos meus amigos, reais ou virtuais e espero que o espaço fique pequeno para tanta gente.

André Pasqualini

fotoLojinha

Página 1 de 4612345...102030...Última »