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Já cansamos de ver matérias na TV falando sobre queimadas, que elas contribuem para o aquecimento global, que o governo esta lutando para combater, que ela diminuiu ou aumentou, etc.

Nunca consegui entender como e porque elas se formam, só ficou claro agora na viagem. Acho que a maioria das pessoas também não compreendem os motivos, portanto vou usar esse post para explicar.

Aqui no Mato Grosso funciona assim. Originalmente as terras de Floresta Amazônica eram do Estado e para povoar e trazer riquezas para a região, o Estado (quando falo Estado entenda governo estadual e prefeituras) vende a preços baixos suas terras, quando não as doa para quem quiser explorar.

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Há 30 anos o Estado vem incentivando o agronegócio no Mato Grosso. Grande parte do estado tem vegetação de Cerrado e de Amazônia. Ocorre que principalmente na Amazônia legal, os limites para desmatamento sempre variaram entre 80 a 50%.

Isto dificulta a vida dos novos exploradores (que em sua maioria nem são daqui), principalmente quem quer criar gado pois precisa de grandes áreas para pastagens. Desmatar é algo complicado, ainda mais na Amazônia, precisa de autorização do Ibama (orgão federal) e tem um custo alto. Já a queimada não, basta tacar fogo e deixar a natureza se consumir.

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A queimada é um fenômeno natural que ocorre com facilidade em regiões de cerrado, algumas vezes sem a ingerência do homem. Clima seco, muito calor acabam transformando uma pequena fagulha em grandes queimadas.

Desde Sorriso venho observando muitas áreas onde ocorreram queimadas, mas as que ocorrem no Mato Grosso não são naturais. Aqui não passa de uma técnica fácil e barata de destruir a Floresta Amazônica e criar rapidamente áreas de pastagens.

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Como coibir? Bastaria uma intervenção do estado, principalmente nos níveis municipal e estadual, algo que não ocorre. O único orgão que tenta fazer algo é o Ibama, mas difícil combater algo que governo e municípios apoiam, pois pra eles, quanto mais pasto, mais agronegócio e mais dinheiro para a região.

Outra opção seria incentivar o manejo sustentável, mas o governo deveria ajudar facilitando as autorizações, ou deixando o trâmite menos burocrático. Como isso não ocorre, o povo vai pela via mais fácil.

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Já percorri mais de 1500 quilômetros pelo Mato Grosso e de todas as regiões que passei, aqui foi onde eu consegui observar mais claramente os resultado das queimadas.

Saí de Santo Antônio do Xingu bem tarde e fiz um caminho mais curto, mais bonito e também mais difícil, pois tinha muita areia. Nada comparado com o areião “impedalável” do Pantanal, mas com certeza dificulta o ritmo.

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O lado bom é que passei por áreas de floresta ainda preservadas, o que tornou o pedal bem mais agradável.

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Vi muitas pegadas de onça, a todo o momento suas batidas entravam e saiam da mata e comparando com meu pé, da pra perceber que o bicho é grande.

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Para a minha surpresa, vi uma anta nadando num lago de uma fazenda. A primeira vez que ví esse bicho vivo na viagem. O bicho era grande, lembrou um hipopótamo quando avistei, pena que ela não saiu da água.

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São 165 kms de Sto Antonio até Confresa, daria para percorrer o trajeto com tranquilidade se eu saísse cedo, mas saíndo meio dia era certeza de que iria pedalar de noite.

Vamos quebrar tudo!

Ontem foi o dia da quebradeira, primeiro as braçadeiras do meu bagageiro dianteiro se quebraram e ele foi perigosamente ao chão. A sorte é que não estava rápido e consegui frear a tempo.

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O bagageiro entortou em alguns lugares, tinha apenas mais duas braçadeiras e acabei usando um elástico para prender. Agora não cai mais e ele vai assim até São Paulo.

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Depois dei uma parada num bar que tem ao lado de um rio, onde a galera costuma nadar. Sempre sou parado e quase sempre o pessoal vem com suas máquinas pra tirar foto comigo, faço isso com muito prazer. Em retribuição eu tiro uma foto deles com a bike e depois publico no meu Facebook.

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Essas garotas tiraram foto comigo e de praxe tirei uma delas. Mas a primeira da esquerda se empolgou um pouco mais e quis subir na bike que estava escorada com os pezinhos. Resultado? Quebrou os dois pezinhos.

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Como não tenho mais dinheiro e dificilmente acharei outros, vou ver se consigo me inspirar no Kico do Nova Origem e fazer um pezinho parecido com o dele, usando cabo de vassoura, assim posso continuar tirando fotos da bike durante a viagem.

Escureceu e faltavam ainda 50 kms até Confresa. Enquanto havia sol o pedal rendia pois a estrada estava ótima, mas foi só a luz natural ir embora pra entrar no pior terreno. Muito buraco e lama, como minha luz é fraca sofri barbaridade, sorte que consegui andar uns 10 kms na frente de um caminhão chupinhando sua luz.

Cheguei em Confresa as 23h00, cansado e com vários problemas para resolver, resolvi passar o dia na cidade, pois além do bagageiro e dos pezinhos, tive dois raios quebrados.

Amanhã mais um dia de pedal longo, tem uns 100 kms até Vila Rica, mais 30 até a divisa com o Pará e uns 50 até a vila mais próxima onde pretendo passar a noite. Além disso a Record daqui da cidade vai fazer uma entrevista comigo na saída. Tomara que vá para todo o Brasil, mas se não for eles jogam no youtube e me passam o link.

Então até amanhã, já no Pará. E pra me despedir, dessa vez não vai um por do sol, mas sim uma foto que tirei para o outro lado, pois meu destino agora deixou de ser o norte, agora vou pro leste!

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