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Felicidade vicia. Ontem foi um dia que fiquei em estado de felicidade. Dinheiro não traz felicidade (muito menos manda buscar). Dinheiro pode trazer a tranquilidade necessária para a nossa busca pela felicidade. Já muito dinheiro pode é trazer neurose, nos afastar dos amigos verdadeiros, trazer falsos amigos…

A felicidade podemos encontrar em coisas bem mais simples do que imaginamos, como poder tirar alguém de um perrengue, por exemplo.

Há 16 anos atrás, estava em São Miguel Arcanjo e fui pedalar com meu primo para o Taquaral, uma região com rios e cachoeiras a 25 kms da cidade. No caminho, quase chegando no local, levei um tombasso a mais de 60 km/h, fiquei com queimaduras no corpo inteiro, conseguia até ver a rótula do meu joelho.

Começamos a pedir ajuda aos motoristas e ninguém parava mesmo me vendo ensanguentado. Um amigo do meu primo que estava indo sentido Taquaral, disse que iria “fazer algo” e se ainda estivesse na volta me daria carona. Fiquei 2 horas ali e nada, parei um caminhoneiro e disse que “pagava” para ele me levar até o hospital. Ele disse que iria descarregar o caminhão e que me levava na volta.

Logo depois apareceu aquele amigo do meu primo. Ele não acreditava que eu fiquei todo aquele tempo esperando ajuda e me levou. No caminho percebi um certo remorso pois na verdade ele estava indo se banhar no Taquaral (e os cabelos molhados entregaram) me largou lá certo que alguém de boa alma iria parar o que não aconteceu. Meu primo ficou e voltou com o caminhoneiro trazendo as bicicletas (que pagamos obviamente).

Nunca mais deixo uma pessoa passando perrengue, já perdi a conta de quantas vezes larguei tudo para ajudar alguém. Certa vez com a Lu e o Marcos, de carro no Rodoanel, demos carona a um estradeiro (ciclista com bicicleta de velocidade) que com pneu furado, estava na carona da bicicleta do amigo, no cano da bike, enquanto o outro levava sua bike empurrando pelo guidão.

Uma vez pedalando na marginal pinheiros, em São Paulo, debaixo de muita chuva, vi um motorista empurrando seu carro sem gasolina. O ajudei e fui de bicicleta comprar combustível a mais de 1 km dali. O motorista, que ficou com a mulher grávida no carro, não sabia como agradecer. Queria até me dar dinheiro, mas só a satisfação de ter tirado ele de um perrengue me trouxe uma felicidade que dinheiro nenhum no mundo pode comprar.

Ontem aconteceu algo parecido, estava já a 10 kms de Paracatu e encontrei o Wilton, ele estava descalço, com as sapatilhas no suporte das garrafinhas, empurrando a bicicleta com o pneu furado. Parei na hora, remendamos o pneu da sua bicicleta e ele pode voltar pedalando até Paracatu. Fiquei feliz e ainda bravo comigo pois se não tivesse enrolado para sair, ele não precisaria ter encarado 20 kms naquela situação.

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Mas enrolei para sair pois já estava em estado pleno de felicidade, primeiro porque estava saindo da casa da Marina. Marina é a mãe do Kico, um dos ciclistas do Nova Origem. Quem já acompanha o blog sabe que os conheci em Cuiabá quando saí do Pantanal. Eles estavam de passagem pela cidade, rumo a Bolívia, para uma volta ao mundo.

Passei dois dias mágicos na cidade, na companhia da Marina e do Humberto (seu marido) e dos seus amigos, pessoas maravilhosas que me ensinaram muito sobre a importância de ser feliz.

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Mais feliz ainda estava pois o meu primeiro grande objetivo seria alcançado nesse dia. Chegaria em Patos de Minas, onde atualmente moram aqueles que eu considero ser a minha segunda família.

Aqui moram seu Moacir e a “Tia Cidinha”, eles me conhecem desde meus 10 anos, sou amigo de infância dos filhos deles, crescemos juntos, fisicamente e como pessoa, muito dos valores que carrego devo a eles.

Sempre que eu precisei de um ombro, de ajuda, de carinho eles nunca me negaram, pelo contrário, lá estavam sempre dispostos a me ajudar e puxar minha orelha se necessário, eles e toda a família. Sei que com eles posso contar sempre, seja aqui na terra ou no céu.

Depois de 3 meses pedalando sozinho, mesmo conhecendo pessoas maravilhosas pelo caminho, precisava muito encontrar pessoas queridas, pessoas que eu pudesse abraçar com fervor. Como é bom abraçar as pessoas que amamos, um simples abraço que tanto clamei em diversos momentos dessa viagem, abraço que nenhum dinheiro no mundo poderia comprar, abraço que não seriam 200 quilômetros que iriam me impedir de conquistar, nem o fato de ter que pedalar a noite, encarar uma serra nos 20 kms finais, o que me fez chegar as 22h00 na cidade.

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Para muitos esse foi um encontro com Deus, para mim também. Qual Deus? O Deus da felicidade, o Deus da conquista, da sabedoria, da auto-estima, da superação. Estou feliz, chegar em Patos de Minas tinha o significado de que eu atingiria o meu objetivo, de superar todas as dores que tive nesses últimos meses e de que ainda é possível ser feliz.

Estou feliz e pronto. Pronto para chegar em São Paulo, pronto para rever meus amigos, abraçar minha família e pronto para voltar para meu filho, que precisa de mim tanto quanto eu preciso dele. E pronto para encarar essa nova fase da minha nova vida, que nada mais será do que consequência de tudo que vivi e aprendi nesses últimos 36 anos.

Hora de colher os frutos e semear novas sementes pois quando eu chegar não será o fim dessa caminhada e sim o início de um longo ciclo que terá como eixo central a manutenção dessa felicidade. E como estou feliz!