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Entre meus vários objetivos nessa viagem, um deles é o de ser mais disciplinado, principalmente com horários. Minha intenção era acordar as 5 da manhã, fazer minha mala e partir as 6.

O celular tocou as 5 mas levantei as 10 e saí só as 13h00. O motivo foi basicamente o mesmo que me levou a fazer a viagem, no dia anterior recordei os momentos tristes que passei nesses meses e bateu uma grande depre que me deixou sem vontade de sair da cama.

De certo modo foi bom, pois tenho que aprender a lidar com minha nova realidade, saber que o passado não volta mais e me concentrar nessa viagem para voltar bem e disposto a encarar uma nova vida.

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Tralhas colocadas na bike, saí as 13h00 de Barra Bonita cruzando a bela ponte Campos Sales, com espaço para pedestres e ciclistas, construída em 1915.

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Ao cruzar a ponte já senti um forte vento lateral, no sentido que pretendia seguir, o que deixava claro que o dia não seria fácil.

Foram cerca de 20 kms até Macatuba, numa estrada sem acostamento, vento contra no peito e um mar de cana para todos os lados. O limite da via é 60 km/h, mas incrível como ninguém respeita.

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Simples, respeitando os limites todos chegam, sem respeitar, sempre ficam alguns pela estrada.

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Cheguei em Macatuba onde parei para almoçar e pegar dicas para evitar a estrada principal até Pederneiras. Então descobri uma rota passando pela Usina São José, bem mais tranquila.

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Sim, mais tranquila, menos carros, mas com muito vento contra e um sol…

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Avistei a usina ao longe, vendo apenas a fumaça que deve ser da queima do bagaço. Não consigo ver “progresso” em toda essa destruição, nem as margens do Tietê são poupadas, é cana pra todos os lados. Tenho até medo de chupar uma cana com tanto agrotóxico que é colocado nela. Produtos esses que vão todos para o rio.

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Se tudo isso fosse para as pessoas comerem, até vai, mas para fazer carro andar… Já considero que irei passar em 6 e não em 5 biomas. Pois inspirado na savana, em São Paulo temos a saCANA, pois parece que é a única planta possível de se cultivar aqui.

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Saí do mar de cana e pedalei até a BR 369 e de lá segui até Bauru. Para a minha sorte, o Labão venho ao meu encontro na estrada. Conheço o Labão a mais de 10 anos mas só virtualmente, através de uma lista de bicicleta. E sempre é prazeroso ver uma amizade que começou no virtual passar para o real.

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O Labão me escoltou até a loja do EdBike em Bauru, que acabou sendo minha pousada. Aqui estendi minha rede e passei uma noite tranquila.

Ah, claro que estando em Bauru, não poderia deixar de comer o tradicional lanche da cidade que nem aqui foi inventado.

Para quem não conhece a história, na década de 30, havia um estudante da São Francisco em São Paulo que tinha apelido de Bauru, sua cidade natal. Ele sempre pedia no Ponto Chic do Largo do Paissandu um lanche com pão frances sem miolo, queijo derretido, rosbife e tomate.

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Daí o pessoal pedia “me vê um desse igual do Bauru!” e pronto, o resto da história é possível imaginar.