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Ontem, estava na avenida Cruzeiro do Sul, acessando a Ataliba Leonel. Eram duas faixas no acesso e uma faixa de pedestres com algumas pessoas tentando atravessar. Ouvi o barulho de motor acelerando, já sabia ser um ônibus. Olhei para trás e, apesar da segunda faixa não ter nenhum veículo, o motorista do carro 2-2263 acelerou e passou a centímetros de mim.

Carro do assassino em potencial

O motorista insano, além de não parar para os pedestres passarem, quase me matou. Obviamente, alcancei-o no ponto de ônibus e perguntei por que ele passou tão perto de mim. O motorista me olhou como se fosse uma barata que ele tentou esmagar, mas infelizmente não conseguiu. Qual seria sua reação, cara a cara com alguém que usou uma máquina de oito toneladas para assustá-lo, como se sua vida não valesse nada? O pior é que não precisaria ser assim.

Em junho de 2009, realizamos a palestra “Motoristas convivendo com as bicicletas”. No processo de construção da palestra, conversei com vários motoristas de ônibus e fiquei impressionado. Descobri que a maioria sempre sonhou e estudou muito para ser motorista. São pessoas realizadas, mas que sentem um grande desconforto, pois são pouco valorizadas. O curso não foi dado diretamente aos motoristas, e sim a multiplicadores de cada garagem. Ficou muito claro que algumas garagens fizeram um trabalho magnífico, já outras, principalmente a maioria das cooperativas, não mudaram nada.

Na palestra, eu mostrei vídeos de Londres, onde há faixas exclusivas para ônibus e ciclistas, convivendo pacificamente. Sabem qual a diferença entre um motorista de São Paulo e um londrino? Nenhuma, nem o salário, pois devido ao custo de vida de lá, o salário londrino acaba equivalendo ao paulistano.

Nossos motoristas de ônibus podem ser melhores, basta valorizá-los e educá-los, educação esta que estão dispostos a receber. Pena que a SPTrans não acredita em educação. Pelo acertado com a empresa, após três meses do curso, deveríamos ter feito uma reavaliação e o trabalho de educação deveria ser constante. A reavaliação nunca ocorreu, e há mais de um ano tento com que o processo seja retomado.

Uma pena, pois enquanto esse evento serviu para que eu acreditasse ainda mais no ser humano, parece que, para a prefeitura, só serviu para mostrar para a Globo o prefeito pedalando no meio de um monte de motoristas. Enquanto isso, eu e vários outros ciclistas quase viramos lombada.

Todas as terças escrevo para o Jornal Destak de São Paulo, na coluna “Seu Destak”. Clique e veja a coluna no site do Jornal.