Ciclovia da CPTM será fechada por 8 domingos

Atualização dia 30 de março de 2012: Apesar do cartaz informar que a Ciclovia seria fechada as segundas, não houve necessidade e ela só continuará fechada aos domingos.

Hoje recebi essa notícia que devido a obras que estão sendo realizadas na linha esmeralda da CPTM (aquela da Marginal Pinheiros), toda a operação da linha esmeralda será interrompida aos domingos. O problema é que para o trânsito de caminhões pesados, a Ciclovia da Marginal Pinheiros será fechada durante todo o domingo.

As consequências

Depois da inauguração do acesso a ciclovia junto a ponte da Cidade Universitária, principalmente aos domingos, ocorreu um boom de ciclistas dentro da Ciclovia, de 2 mil por domingo ela passou a receber mais de 10 mil.

A alegação para o fechamento é a segurança dos ciclistas, já que a pista será usada por máquinas para ir e vir.

A pista já é utilizada por carros de serviços, inclusive caminhões e realmente não vejo problemas no compartilhamento que já ocorre. A pergunta é porque tomar uma decisão tão extrema e não tentar um esquema estimulando a convivência?

Não haverá deslocamentos constantes de caminhões, podemos até ter grandes máquinas usando a pista em alguns momentos, mas elas ficarão maior parte do tempo paradas realizando as obras.

Acho um tremendo erro simplesmente fechar a Ciclovia, no mínimo a CPTM deveria pensar numa alternativa de compartilhar o espaço, algo que já vem ocorrendo e no caso de se realmente se constatar que esse compartilhamento causaria algum problema, , aí sim opte pelo fechamento que deveria ser sempre a última opção.

Espero que a CPTM reavalie esse seu posicionamento, até para não criar esse mal estar desnecessário com os ciclistas.

André Pasqualini

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Desafio bicicletas ao mar

Basta alguns quilômetros vencidos por quem acabou de entrar no mundo dos pedais para criarmos nossos desafios. Comecei a pedalar de verdade em 1993 e com menos de duas semanas de pedal surgiu o meu primeiro sonho, chegar ao litoral pedalando.

Para os leitores que não conhecem a cidade de São Paulo, estamos no Planalto Paulista, numa altitude média de 750 metros, a cerca de 100 quilômetros do litoral, portanto para atingirmos a praia temos que descer a Serra do Mar.

Minha primeira tentativa de chegar ao mar foi em 1994, vencemos a serra mas a viagem foi abortada a uns 30 quilômetros do Litoral, na cidade de Cubatão. Os motivos eu narro no meu primeiro livro. Dois anos da frustrada tentativa, finalmente cheguei ao litoral em janeiro de 1996. Depois que realizei esse sonho, parecia não existir mais limites para mim. Basta ver o que minha vida virou depois dessa viagem.

Apesar de todos os desafios que já superei, sempre tive vontade de saber quanto tempo eu levaria num pedal de São Paulo até o Litoral, com o único objetivo de percorrer o trajeto no menor tempo possível.

Por isso no dia 23 de fevereiro de 2012, pedalei até a estação Jabaquara do Metrô. No canteiro central da avenida tirei uma foto de um relógio que marcava 7h37. Depois disso subi na bike e soquei a bota.

Imigrantes, Estrada de Manutenção, Cubatão… Entrei na cidade de Santos e pedalei rumo à balsa que realiza a travessia entre Santos e Guarujá. Durante o trajeto coloquei os pés no chão, uma vez na Imigrantes (porque meu boné voou) e outras duas vezes em Santos devido aos semáforos. Ao chegar na entrada da balsa havia um relógio que marcava 10h37.

Foram 80 quilômetros pedalados (clique aqui para ver detalhes da rota) e foi bom superar as expectativas, pois esperava percorrer o trajeto em 4 horas. (Nas fotos, a hora é a da máquina digital)

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Aventura sim, mas com prudência já que estava sozinho e no caso de um acidente, provavelmente não teria nem como acionar alguém. Por isso percorri o trecho de serra com muita cautela, em compensação, soquei a bota no trecho de Planalto e na baixada.

Mas e você que esta iniciando no pedal, qual o seu desafio pessoal? Que tal um desafio até o mar também?

O objetivo desse post não é me gabar, até porque esse tempo pode ser (e será) batido facilmente. Meu objetivo é jogar lenha na fogueira, deixar a galera com água na boca e motivá-los a buscar a realização dos seus sonhos.

Você também tem um sonho de chegar pedalando no litoral? Então se prepare, pois no dia 15 de abril de 2012 pretendo levar uma turma de ciclistas iniciantes pedalando de Sampa até a Praia. Da mesma forma que ocorreu comigo, esse também pode ser seu grande desafio.

Do dia da publicação desse post, restava um mês para o pedal. Se você esta a fim de encarar, a principal pergunta que você precisa se fazer é – “Consigo pedalar num domingo uma distância de 40 a 50 quilômetros sem grandes dificuldades?” – se a reposta é sim, com certeza você conseguirá chegar ao mar.

Já estou com a autorização para passarmos pelo Parque da Serra do Mar e criei esse evento no Facebook para saber o nome da galera que realmente vai, pois vou precisar preencher um formulário com o nome e assinatura de todos.

Pretendo também organizar uns pedais dentro da área urbana de São Paulo. Também irei organizar uns encontros onde darei dicas de como deixar sua bike no esquema para a viagem, além dos cuidados necessários para realizar sua primeira cicloviagem sem maiores problemas.

O pedal será no domingo, dia 15 de abril. O ponto de encontro será as 7h00 da manhã na Ciclovia da Marginal Pinheiros, junto ao acesso da Estação Vila Olímpia.

Faremos o trajeto da Rota Márcia Prado (veja o trajeto) e espero um grupo de 100 ciclistas. O final da viagem é na Praia de Santos em frente ao Canal 1, com previsão de chegada as 16h00 do mesmo dia. A distância, para quem sair da Vila Olimpia é de 100 kms, já do Grajaú é 80.

A volta será por conta de cada um, mas a maioria voltará de ônibus até o terminal Jabaquara, como provavelmente também farei.

Dicas

Quanto melhor seu condicionamento, mais tranquila será sua viagem. Se de hoje até o dia 15 de abril, você pedalar um mínimo de 3 vezes por semana, somando um total de 100 quilômetros por semana, conseguirá fazer o pedal com um pé nas costas.

No domingo que antecede a viagem (8 de abril) irei realizar um longo pedal por São Paulo, levarei a galera para pedalar pelas Ciclovias e Ciclofaixas de lazer da cidade, um trajeto urbano que irá beirar os 100 quilômetros. Quem realizar todo o pedal, sem a necessidade de desistir no meio do caminho voltando de Metrô, conseguirá chegar à praia.

Tire suas dúvidas nos comentários do blog e no evento do facebook.

Quanto?

O pedal é gratuito, no máximo que irá acontecer é que com certeza irei serrar umas cervejas e uns camarões da galera nos quiosques na praia. Estou pensando em fazer umas camisetas do passeio, como provavelmente teremos outras pessoas fazendo o mesmo trajeto, será mais fácil identificar quem está no nosso grupo ou não. Se rolar as camisetas vou orçá-las e ratear os valores. Aceito sugestões e voluntários para cuidarem da arte para as camisetas.

Eu irei fechando o grupo e terei a ajuda de alguns ciclistas experientes pois não será fácil ser babá de uns 100 ciclistas.

O primeiro passo foi dado, agora é só ir até o Facebook e confirmar sua presença. Se não tem “feice”, mande um email para bicicreteiro@gmail.com que eu te coloco na lista. E acompanhe o que rola aqui no blog e no evento do facebook para saber novidades do passeio.

André Pasqualini

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Hoje é dia de WNBR (ou Pedalada Pelada) em Sampa

Hoje, dia 10 de março de 2012, a partir das 19h00 na Praça do Ciclista teremos a quinta edição do World Naked Bike Ride em São Paulo, ou a Pedalada Pelada. Não sabe ou porque de pedalar pelado? Assista o vídeo que a Renata Falzoni produziu sobre a primeira grande pedalada, em junho de 2008 e entenda a razão da manifestação.

Parte 1

Parte 2

 

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Bicicletas na Paulista, qual a solução?

Essa é a grande pergunta, garanto que a cidade de São Paulo esta infinitamente melhor para se pedalar do que a alguns anos, mas como ela é uma cidade que foi mal planejada, onde toda a preferência gira em torno do deslocamento dos carros particulares, há diversos “pontos negros” na cidade onde o ciclista não tem alternativa a não ser se arriscar. Podemos dizer que além das pontes e viadutos de São Paulo, a Avenida Paulista é outro ponto muito complicado.

Não adianta melhorar a convivência entre ciclistas e motoristas, pois na Paulista, se nada for alterado, outras mortes irão ocorrer, isso é inevitável. Depois do (não foi) acidente que ocorreu com nossa amiga Julie, o debate voltou a tona, conversei com vários técnicos e resolvi compilar diversas sugestões de mudanças que, ao menos minimizarão os riscos. Ouvi várias sugestões, fiz minha classificação e criei um índice de “plausibilidade”.

Toda a classificação não passa de uma opinião minha, com base na minha experiência no estudo da mobilidade humana (chega desse termo cicloativista que passei a odiar). Pretendo com esse post iniciar um debate para chegarmos a uma solução definitiva. Vamos às opções:

Retirar os ciclistas da Paulista

Nota: 0

Essa sugestão foi aventada por muitas pessoas (a maioria não anda de bicicleta) em comentários nas matérias sobre o tema nos últimos dias. Nem dá para discutir essa hipótese, proibir vai de encontro a essa luta que esta tomando conta da sociedade (não apenas dos ciclistas) na busca de uma cidade mais justa, sem ser refém do carro. O ciclista opta pela Paulista justamente porque as alternativas paralelas (São Carlos do Pinhal e Alameda Santos) tem relevo acidentado e não podemos dizer que são mais seguras do que a Paulista, pois não tem um tratamento visando reduzir a velocidade dos carros.

Sem falar que a própria avenida é destino de muitos ciclistas, seja como destino de trabalho ou mesmo para os entregadores que realizam muitas viagens na avenida, de certa forma reduzindo o número de motos nas ruas.

Plausibilidade: 0

Se os ciclistas já colocaram mais de 500 ciclistas em poucas horas depois do acidente e mais de mil com poucos dias de articulação, já dá para imaginar o tamanho da revolta que isso causaria. Proibir o tráfego de ciclistas na Paulista por puro medo de retirar espaço dos carros seria a gota d’água que nenhum ciclista iria engolir. Até porque seria um retrocesso dentro do corpo técnico da Prefeitura que vem se colocando a favor de medidas que incluam e não excluam os ciclistas das ruas.

Criar um corredor exclusivo de ônibus nas paralelas da Paulista e uma Ciclofaixa (permanente) na Paulista

Nota: 4

É algo a se estudar, um corredor exclusivo faria com que o usuário de ônibus tenha que andar uma quadra para chegar à Paulista, em compensação resolveria o problema do congestionamento causado pelos carros que atrapalha os usuários de Transporte Público. Mas não seria apenas uma faixa preferencial, mas exclusiva, como ocorre em vias como a Cardeal Arco Verde e Teodoro Sampaio.

Já para o ciclista, a Ciclofaixa poderia até ser mais larga dando a possibilidade do uso também como lazer aos finais de semana. Será necessária ainda uma redução da velocidade máxima da via para os carros (tem que ser inferior a 50 km/h) e um tratamento nas esquinas para evitar com que os motoristas façam as conversões sem dar prioridade ao ciclista. Uma ótima oportunidade da CET implantar os Bike Box, o que desestimularia o ciclista a atravessar o farol vermelho, algo que hoje ele faz para justamente evitar esse conflito com o motorista que pretende fazer conversões após a abertura dos semáforos.

Plausibilidade: 8

Essa é uma opção bastante plausível pois não traz tantos custos de implantação e envolve poucos órgãos. Apenas CET e SPTrans, ambas sob a mesma secretaria (de Transportes). Apenas com sinalização de solo seria possível resolver a situação.

Com um pouco mais de investimento, para punir os péssimos motoristas que tentarão invadir a pista exclusiva de ônibus para fugir do congestionamento, podemos nos inspirar no exemplo Carioca. Onde instalaram faixas como essa há radares fotográficos em todas as quadras. Caso o mesmo carro seja fotografado em duas quadras, significa que ele usou a faixa não para acessar um prédio ou realizar uma conversão e sim para fugir do trânsito.

Faixa exclusiva a direita da Paulista para ônibus e ciclistas


Nota: 5

É um modelo interessante que pode ser utilizado na Paulista sim, mas para isso seria necessária uma redução da velocidade dos carros para 40 km/h e dos ônibus para 30 km/h. Cada via da Paulista tem 12 metros com 4 faixas, sendo 3 faixas para os carros e uma preferencial para os ônibus. Cada faixa tem 3 metros de largura, inclusive a dos ônibus.

Se deixarmos cada faixa da Paulista com 2,50 (largura das faixas da 23 de maio por exemplo), poderíamos ter uma faixa de ônibus com 4,5 metros. Os ônibus têm uma largura média de 2,5 metros, com isso teríamos espaço de 2 metros para os ciclistas circularem, como ocorre em diversas cidades onde o compartilhamento entre ônibus e ciclistas é algo natural.

Plausibilidade: 6

Essa é uma opção que eu particularmente gosto, claro que os motoristas de ônibus passariam por um treinamento especial para aprender a dividir espaço com os ciclistas e tendo uma via exclusiva para eles, mesmo com a velocidade de 30 km/h, como não haveria mais a presença dos carros atrapalhando, teriam o mesmo ganho de tempo caso a velocidade fosse de 60 km/h.

Sem falar que essa situação já ocorre constantemente na Paulista, segundo a Contagem Fotográfica realizada pela Ciclocidade na Paulista, 57% dos ciclistas que circulam na Paulista compartilham a faixa da direita com os motoristas de ônibus.

Uma solução que só depende de uma única secretaria, o problema é que a região da Paulista tem muitos ônibus circulando e isso pode trazer alguns transtornos, pois só eles já causarão congestionamento nos corredores. Fica difícil também acreditar que a prefeitura terá coragem de colocar nesse momento ônibus com ciclistas. Isso um dia vai ocorrer, mas falta confiança da prefeitura para fazer essa aposta nesse momento, por isso ela trabalha em sempre evitar o conflito entre ônibus e bicicletas.

Ciclovia no canteiro central da Paulista

Nota: 7

Pensando como ciclista que constantemente pedala na Paulista, não vejo a ciclovia como algo de todo ruim. Mesmo sendo no canteiro central, como boa parte dos ciclistas que passam por lá vem de bairros afastados, serão muitos os que irão acessar a ciclovia e pedalar por ela até seu destino. Mas não irá acabar com o trafego de ciclistas nos bordos, principalmente os ciclistas que realizam entregas, nem sempre irá compensar atravessar um semáforo na Paulista para andar uma quadra e ter que sair novamente.

O canteiro central da Paulista tem 3 metros e uma ciclovia bidirecional tem que ter no mínimo 2,5 metros. No caso da Paulista que é uma via que terá um grande fluxo de ciclistas, o ideal é que sua largura seja de 3 metros. Nesse caso será totalmente necessário retirar espaço do viário hoje destinado aos carros.

Ao reduzir a largura das 3 faixas de rolamento para 2,50 metros e mantendo a de ônibus com 3 metros, a ciclovia ganharia mais 1,5 metros de cada lado deixando a via central com 6 metros, o que caberá os postes de sinalização e a Ciclovia com uma área de segurança.

Plausibilidade: 4

Obras! Sempre que há uma obra envolve outras secretarias, subprefeituras, inclusive a ciclovia seria a divisa de duas subs, quem seria o responsável por ela? Até licitarem o projeto básico, aprovar orçamento, autorizar a obra, tudo isso levará um tempo e em menos de um ano, mesmo com toda boa vontade política, dificilmente sairá do papel.

O lado bom é que se caso optem por essa solução, a prefeitura pode aproveitar para levar a Ciclovia até o Metro São Judas, aí sim ela seria não apenas uma efetiva alternativa como transporte como poderá integrar com a Ciclofaixa de Lazer e ser também uma ótima opção de passeio a noite e nos finais de semana.

Outro fator negativo, resolve o problema do ciclista mas não dos ônibus que continuarão sofrendo com os congestionamentos.

Corredor de Ônibus no Canteiro central da Paulista e ciclofaixa a direita

Nota: 9

Essa é uma opção quase perfeita pois além de resolver o problema dos congestionamentos de ônibus na Paulista, cria uma pista exclusiva para veículos de emergência, um sério problema da Paulista. Visto que as ambulâncias sofrem não devido a manifestações mas por causa do congestionamento diário causado pelos carros. Repare que a maioria dos ônibus que circulam pela Paulista tem portas dos dois lados, portanto não seria tão complicado incluí-los no corredor.

Mas seria necessário de obras, nesse caso é possível deixar o canteiro central com 6 metros no mínimo, deixando uma faixa “exclusiva” para ônibus, duas para carros e uma ciclofaixa de 2 metros à direita para os ciclistas. Seria necessário também reduzir a velocidade da via que também deve ser inferior a 50 km/h.

Plausibilidade: 4

Mais uma obra, além de ser necessário vencer a resistência de parcela da sociedade que é contra os corredores de ônibus. Em 2009 quando as calçadas da Paulista foram reformadas, o Presidente da Associação Viva Paulista colocou a culpa dos congestionamentos nos ônibus e não nos carros (não sei se essa é ainda a posição da associação). Confesso que há sim uma bagunça, realmente há muitos ônibus circulando na Paulista e nos horários de pico, devido ao volume de passageiros que embarcam, há mais demora que o normal, mas culpar os ônibus pelo congestionamento na Paulista é piada.

Se a sugestão de jogar os ônibus para as paralelas fosse adotada, os congestionamentos na Paulista iriam continuar. Por acaso os congestionamentos na Marginal Tietê sumiram depois das obras? Por acaso os congestionamentos na Avenida dos Bandeirantes sumiram com a retirada dos caminhões?

Nesse caso tem que haver uma clara vontade política e a necessidade de rebater qualquer contra-argumentação das pessoas contra a retirada de espaços dos carros. Transporte Público tem que ser prioridade SEMPRE. O próprio site da associação mostra que no momento mais carregado circulam 4.200 carros por hora. Vamos supor que o volume seja sempre esse (o que não é). Em 24 horas teríamos 100.800 carros passando pela Paulista. Como a média e paulistana é de 1.2 pessoas por carro, na pior das hipóteses teríamos 120 mil pessoas se deslocando de carro diariamente.

Olha que conta ridícula, 100 mil carros (número superestimado) transportam 120 mil pessoas. Já os 184 ônibus que passam pela Paulista diariamente transportam 313 mil pessoas. Não seria mais fácil melhorar o deslocamento dos ônibus e colocar essas 50 mil pessoas que passam de carro na via nos ônibus? Bastaria usar esse argumento para calar qualquer pessoa que seja contra a retirada de espaços dos carros na Paulista para dar preferência ao transporte público.

Esse também é o caso de, caso seja necessário licitar uma obra, que estenda esse corredor exclusivo até o Metro São Judas pelo corredor Paulista, Vergueiro, Domingos de Moraes e Jabaquara.

Instalação de um VLT no canteiro central ligando a estação Consolação a São Judas do Metro

Nota: 10

O VLT (Veículo leve sobre trilhos) é na verdade um bonde moderno. Fácil de ser instalado pois usará as pistas já existentes, um pouco caro pois tem uma capacidade de transporte passageiros/hora maior que um ônibus e menor que o Metro. Serviria inclusive de apoio ao Metrô que já tem problemas de superlotação na linha verde que passa pela Paulista. O cidadão que esta na Paulista e que tem como destino as estações Paraíso e São Judas, com certeza irá optar pelo VLT. A velocidade do VLT pode até ser menor que de um carro do Metro, mas o passageiro não perderá tempo realizando a baldeação entre as linhas verde e azul, além de não ter a necessidade de descer escadas até o subsolo.

Nesse caso considero que a melhor solução seria a Prefeitura e o Metrô de São Paulo trabalharem em conjunto. A Prefeitura pode repassar o dinheiro e o Metrô faria a gestão, tanto da obra como do sistema, integrando tudo com o bilhete único. E a pista do VLT possivelmente poderá ser utilizada pelos veículos de emergência.

Plausibilidade: 3

Quanto mais órgãos envolvemos, mais complicado vai ficando, é de interesse do Metro criar alguma solução para desafogar o fluxo de pessoas na linha verde, as linhas não concorrem, se somam. Com um VLT realizando esse trajeto, aí sim pode se reduzir a quantidade de ônibus na região, tirando eles de vez da Paulista e se necessário, levando poucas linhas para as paralelas.

Mas em ano de eleição, nem sempre a vontade da população é levada em conta. Um VLT poderia integrar na Estação São Judas, tanto com a linha azul como com o Monotrilho da linha Ouro que vai passar no Aeroporto e depois vai até a estação Vila Sônia da linha amarela passando pelo estádio do Morumbi. Uma obra cara, mas com um resultado final bem melhor, sem falar que um VLT é bem mais confortável que um ônibus e melhor, é um veículo limpo.

Em 2010 a Associação Ciclocidade realizou uma contagem de ciclistas na Paulista e mesmo com essas condições inóspitas, em 14 horas contou 733 ciclistas uma média de 52 por hora, quase um por minuto. Se optarem tanto pelo corredor de ônibus, ou pelo VLT e não reservarem dois metros de cada lado para os ciclistas, aí fica claro que querem nos tirar do mapa.

Conclusões:

A minha preferência já deixei claro nas notas. Para definir os índices de “plausibilidade” me baseio única e exclusivamente em minha experiência e no conhecimento de como funciona a máquina pública. É possível também integrar duas soluções, como por exemplo, jogar os ônibus para as paralelas enquanto não sai do papel a Ciclovia no canteiro central, ou mesmo o Corredor de ônibus ou o VLT.

São duas alternativas que não dá para aceitar. Uma é proibir os ciclistas na Paulista, seria um retrocesso e até mesmo uma grande incoerência depois de todo esse movimento que a Prefeitura de São Paulo vem fazendo para melhorar nossas condições. A outra alternativa inaceitável é manter como está, pois se nada for feito, em breve teremos mais mortes na Paulista. Algo tem que ser feito para reduzir as situações de risco.

Qual a importância de uma solução na Paulista e porque não em outros pontos da cidade primeiro? Se conseguirmos reduzir os espaços dos carros na Avenida Paulista, será um marco tão grande que abrirá muitas portas para realizarmos o mesmo no resto da cidade.

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Quem será o último mártir?

Por favor, não quero mais participar de nenhuma manifestação em memória a mais algum amigo que perdeu a sua vida no trânsito, sempre que vejo um corpo no chão, vítima da carrocracia, algo morre dentro de mim. Sexta passada, tomando para mim a mensagem da bicicleta de um amigo, foi um dia “que eu morri também”.

Mas não morri apenas ao ver o corpo da Julie coberto por um papel alumínio na Paulista, mas morri várias vezes ao ver inúmeros comentários em matérias sobre o tema. Aquele mesmo descrédito pelo ser humano que tomou conta de mim pouco antes da viagem do Projeto Biomas, retornou e com muita força.

Ela era muito estúpida em pedalar na Paulista, tinha mesmo que morrer!

Essa é só uma várias mensagens na mesma linha que consegui ler sem vomitar. Me coloco no lugar da Julie e da sua família, fico imaginando se sou eu o presenteado pelo cobertor de alumínio. Já estou vendo alguns dos meus “odiadores” despejando suas opiniões, dizendo que eu merecia morrer mesmo. Agora imaginem meu filho, depois de perder o pai, ainda ter que ler uma mensagem dessa. Não dá para dizer que todos são assim, mas definitivamente há uma parcela considerável de pessoas que pensam dessa maneira.

Essas sim são pessoas perigosas, que nutrem um ódio irracional pelos ciclistas, pelo simples fato de estarmos em evidência. É claro que percebo que de uns anos para cá o comportamento da maioria dos motoristas mudou para melhor, mas também aumentou a quantidade de motoristas que não concordam com as leis, não acham correto dividir espaço conosco e muitas vezes motivados por matérias toscas e tendenciosas como essa (na integra para assinantes aqui), podem se sentir encorajados a tentar fazer (in)justiça com suas próprias mãos, nesse caso, com seu próprio volante.

Nem preciso ir muito longe, tem um tal de Silvio Pereira que enche meu saco desde que fui preso durante o WNBR de 2008. O cara não pode me ver dando uma entrevista na mídia para tentar me massacrar, chegando ao cúmulo de me acusar de querer tirar proveito da morte da Julie. Infelizmente não conheço pessoalmente essa figura que sonha em me “desmascarar”, como se fosse eu quem está se escondendo na internet. Mas ainda bem que as palavras deles são ditas sob a proteção do computador, pois ditas pessoalmente poderia significar uma tragédia.

Mas a estupidez humana não acaba aí, lembram daquele professor de Santos que estava fazendo um trabalho para provar que a bicicleta não é um meio de transporte? Pois bem, bastou saber da morte da Julie que voltou a atacar me mandando uma mensagem reforçando sua tese. Segundo ele, como a bicicleta não tem controle por parte do estado, não deve dividir espaços com motoristas. Já o ciclista que assim o faz deve ser responsabilizado por qualquer acidente.

Segundo ele, cidades como Londres, Paris, Dinamarca, apesar de não terem nenhum controle sobre as bicicletas, lá a bicicleta pode ser considerada um meio de transporte. O motivo não entendi direito, só porque eles tem uma melhor infraestrutura de mobilidade pública? Vai ver é porque eles são mais loiros e tem olhos mais azuis que nós, mas aqui no Brasil, onde tem mais gente andando de bicicleta do que de carro, não pode porque ele “acha” que não pode.

Segundo a tese dele, a Juliana tem que ser responsabilizada pela sua morte, pois ela estava errada em dividir a pista com os demais. Triste essa sordidez humana, para justificar uma tese absurda, que inclusive contraria as leis brasileiras, o indivíduo usa uma tragédia para se promover. O que ele quer? Retirar todos os ciclistas do Brasil das suas bicicletas para que eles passem a pagar para se locomover, seja usando o transporte público ou usando nossos poluidores carros de passeios.

Como estupidez pouca é bobagem, apesar de muitos não acreditarem, hoje temos pessoas de alto escalão na prefeitura fazendo o máximo que eles podem pelos ciclistas. Não darei os nomes das pessoas para preservá-los, até porque isso foi um papo pessoal, mas não é que essa pessoa recebeu uma ligação de outra importante autoridade do poder público dizendo o seguinte:

Essa menina morreu por culpa sua, graças sua história de tentar incentivar essa molecada a pedalar!

Estou péssimo, triste saber que vivo no mesmo planeta com pessoas tão desumanas. Como será que essas pessoas reagiriam caso uma tragédia como essa ocorresse em suas famílias? Como eles receberiam os comentários estúpidos dizendo que seus filhos ou filhas mereceram morrer? Pra que apostar na máxima de que “Coisas ruins só ocorrem na família dos outros”, torço para que continue assim para eles, pois não desejo essa dor ao meu maior inimigo.

Depois de tantas manifestações estúpidas, resolvi deixar aqui minha mensagem. Apesar do meu blog ser lido basicamente por ciclistas, gostaria mesmo é que essa mensagem chegasse a todos aqueles que lutam para erradicar as bicicletas das ruas como se elas fossem pragas:

Se você “acha” que eu não devo pedalar, que lute para mudar as leis do país que você vive e não use o seu achismo para justificar o uso do seu veículo como arma para cima de mim. Eu não acho correto as pessoas dirigirem veículos que poluem, não acho correto dirigir veículos motorizados barulhentos e em velocidades altas que atentam a vida humana, mas nem por isso eu tento impedir as pessoas de usufruírem do seu direito de dirigir um carro.

No máximo peço para que o façam com prudência, como manda a lei. Não consigo entender como alguém pode se incomodar em dividir espaço com outro ser não motorizado na rua, entendam de uma vez por todas, a rua é de todos e IPVA significa imposto sobre propriedade de veículo e não de PROPRIEDADE DA RUA!

Eu pedalo porque eu quero, porque me faz bem e principalmente PORQUE É MEU DIREITO! Pedalar me faz muito bem mesmo, graças à bicicleta consigo sair de casa mesmo sem dinheiro. Graças à bicicleta, sequer tenho plano de saúde. Graças à bicicleta já me livrei há anos do sofrimento que é pagar o IPVA. Graças à bicicleta tenho praticamente o mesmo corpo que eu tinha com 20 anos. E graças à bicicleta não tenho problemas de impotência como o que ocorre com alguns amigos da mesma idade que não pedalam e levam uma vida sedentária (o carro com certeza ajuda nesse padrão de vida que eles escolheram).

E o mais importante, graças a bicicleta eu acabo ajudando outras pessoas a pedalarem, a vivenciar a mesma experiência de liberdade que sinto diariamente. É bom saber também que de alguma forma acabo ajudando a diminuir o número de carros as ruas. Uma diminuição que ajuda a reduzir o número de mortes causadas pela poluição, acidentes e até mesmo pelo stress e sedentarismo que o uso do carro proporciona.

Isso sem falar na transformação que ocorre na maioria dos motoristas que passam pela experiência de se ver sobre uma bicicleta. Quem daqui não passou a agir de forma mais prudente, ao guiar seu carro, após a experiência de um dia de pedal na Ciclofaixa, numa cicloviagem? Não tem melhor maneira de tirarmos o manto da invisibilidade dos ciclistas do que colocando motoristas sobre uma bicicleta.

Mas e quando perdemos alguém importante? Sempre que um ciclista morre eu fico destruído, mas se existe algo para me confortar é saber que enquanto em 2005 tivemos 93 ciclistas mortos no trânsito, no ano passado esse número foi de 49, em tese mais de 40 famílias deixaram de chorar porque hoje está mais seguro para se pedalar.

Estamos longe do ideal, mas inegável dizer que não melhorou de uns anos para cá, por isso que vemos tantas pessoas pedalando hoje em dia e não apenas a classe média, mas principalmente o povão que esta descobrindo uma excelente alternativa ao busão caro e cheio. Vivemos um momento de transição e esses momentos sempre serão tensos e difíceis, até porque há um número substancial de pessoas que não querem perder a falsa sensação de poder que o carro lhes proporciona.

Fico feliz em ver que nossa cidade hoje está mil vezes melhor para se pedalar, fico feliz em ver uma galera da prefeitura se desdobrando para (na velocidade deles) fazer algo pela bike na cidade, fico feliz em ver uns mil ciclistas se reunindo com poucas horas de mobilização, para homenagear a Juliana, fico feliz em ver uns 500 ciclistas pelo menos encarando a pé aquela tempestade que caiu sobre nós. A mesma tempestade que nos visitou três anos antes, quando estávamos a 200 metros do local, chorando a perda da querida Márcia Prado.

A única coisa que irei concordar com esses intolerantes é que há riscos em se pedalar. Mas haver riscos em pedalar não significa que pedalar é perigoso, que a bicicleta é perigosa. O Ciclista é FRÁGIL, como o pedestre também é frágil. Dirigir de forma imprudente é perigoso, já pedalar não.

Por isso vou continuar pedalando, vou continuar lutando para uma cidade mais justa, não apenas com o ciclista, mas com todo mundo que não se desloca de carro, até porque para os motoristas essa cidade já é boa até demais.

Mas não quero mais mártires, não quero mais ver nenhum ciclista (conhecido ou não) perder sua vida nesse trânsito que já foi muito mais assassino do que é hoje, mas sou realista e sei que isso poderá ocorrer durante esse período de transição. Mas o que podemos fazer?

Quero ver essa cidade continuar mudando para melhor, de preferência sem mais mortes estúpidas, por isso o apelo a todos, inclusive àqueles que não querem que a gente pedale. Deixem a gente pedalar, nos deixem exercer nosso direito com segurança, até porque a maioria das mortes de ciclistas podem ser evitadas pelos veículos maiores.

E ciclistas, não vamos deixar de pedalar, sabemos que com menos ciclistas nas ruas elas ficam mais perigosas para nós e não dêem voz a aqueles que alegam existir uma guerra entre ciclistas e motoristas, sabemos que isso não existe. Você que acha que a maioria dos motoristas não nos respeitam, passe a prestar atenção, comece a contar quantos motoristas tomam atitudes protecionistas e relação a nós, vai se surpreender com o resultado.

Os bons são maioria, pessoas de bem querem viver em paz, vamos nos unir àqueles que querem conviver pacificamente conosco no trânsito. Todos têm o direito de escolherem sua forma de se deslocar. Se a pessoa quer dirigir, problema dele, pois se o fizer com prudência qual o problema?

Vamos continuar nos espelhando nos bons exemplos e continuar lutando para trazer “os que querem pedalar” para o nosso mundo, não vamos gastar energia com quem não quer pedalar. Como minha avó já dizia, “Pra que gastar vela com defunto ruim?”

Vamos também dar o exemplo, sei que as vezes é difícil conter nossa agressividade e revolta, mas vamos agir com a inteligência que falta a esses intolerantes, até porque somos nós os que mais tem a perder se entrarmos nesse clima de guerra que alguns querem criar.

Deixemos a raiva longe da bicicleta, vamos continuar pedalando com sorriso no rosto, pois é esse sorriso vai contagiar os potenciais ciclistas. Vamos levar a eles a coragem que os faltam para realizarem a mesma escolha que fizemos um dia e que hoje nos faz tão bem.

André Pasqualini

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Vamos celebrar a estupidez humana…

Hoje, dia 02 de março de 2012, mais uma celebração da estupidez humana. Da estupidez de um motorista que se achou no direito de “discutir“ com uma perigosa ciclista que cometia o sacrilégio de dividir o espaço da rua com ele. Durante a discussão, jogou seu carro contra ela, a fez se desequilibrar e cair, sendo atropelada em seguida por um outro ônibus que nada tinha a ver com a situação.

Esse outro motorista infelizmente ninguém sabe quem é ainda, pois o corajoso motorista fugiu. Para que esse não seja apenas mais um caso de um corpo que atrapalhou a fluidez motorizada, fica o convite para celebrarmos a estupidez humana, estupidez das pessoas que insistem em usar seus veículos de toneladas como armas, que insistem em achar que tem mais direitos do que aqueles que estão fora do seu veículo, que insistem e desvalorizar a vida alheia.

Hoje a partir das 19h00, concentração na Praça do Ciclista (mais detalhes nesse evento do Facebook), apareça e venha celebrar a estupidez humana também.

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Ciclofaixas e ciclovias em São Paulo

Durante o Carnaval, enquanto a maioria estava “pulando” eu fiquei terminando de editar meu livro e recebi uma proposta para escrever um artigo para o Jornal da Tarde que acabou sendo publicado no domingo, dia 26 de fevereiro. Abaixo segue o artigo como publicado (cliquem na imagem para ampliar) e a transcrição do que enviei para o jornal. Essa é a minha opinião, mas gostaria de saber a de vocês também.

Não gosto dessa contabilidade de quilômetros de ciclovias para classificar uma cidade boa ou não para se pedalar. O lado bom de ser cicloturista é que tenho a oportunidade de pedalar em várias cidades. Nos últimos 20 anos pedalei por umas 300 cidades brasileiras, sendo 8 capitais e posso garantir que São Paulo é uma das melhores cidades para se pedalar.

Mas como? Rio tem mais de 200 quilômetros de ciclovias, Curitiba 150, Santos uns 40, porque São Paulo é melhor? Primeiro porque nenhuma cidade dessas tem mais do que 1% das vias com ciclovias, portanto o compartilhamento com os carros será inevitável. Sempre que isso ocorreu nessas cidades, senti uma tensão é enorme. Já em São Paulo, como não temos ciclovias, nossos motoristas estão aprendendo a compartilhar o espaço, tanto é que ao menos no centro expandido, os índices de fatalidades com ciclistas não ficam muito atrás dos índices Europeus.

Toda cidade considerada segura para o ciclista, tem sim investimentos em infraestrutura cicloviária, mas ela é baseada na premissa de que SEMPRE o motorista vai proteger o mais fraco, não por medo de punição, mas porque ele dirige visando proteger a vida fora do carro. Do que adianta uma Ciclofaixa se o motorista a invade ou estaciona sobre ela?

O processo de construção de ciclovias é lento, complicado e não garante a segurança do ciclista, até porque a maioria dos acidentes ocorrem em cruzamentos ou em conversões. Por isso elas são comumente instaladas em orlas ou na beira dos rios. Ciclovias são como vias expressas para carros, geralmente são construídas para o ciclista ganhar tempo num deslocamento maior.

Em áreas urbanas (Moema, por exemplo), quando o fluxo de carros grande, a Ciclofaixa pode ser uma boa alternativa, mas ela não passa de uma forma de organizar os espaços no viário. A faixa para a bicicleta é menor até porque, diferente do carro, ela não precisa de muito espaço para ter fluidez.

Apesar de vermos poucas obras sendo feitas para o ciclista de São Paulo, confesso que estou otimista, pois em tudo que acompanhei ser projetado, estava seguindo a premissa de que a infraestrutura será feita para proteger e incentivar o uso da bicicleta e não para fazer com que a bicicleta não atrapalhe a fluidez motorizada, como ocorre em Santos, por exemplo, com ciclovias estreitas (muitas vezes perigosas), em canteiros centrais e nem sempre levando a lógica de como nós nos deslocamos.

Dentro do planejamento de rede cicloviária, em algum momento o gestor terá que optar pela segurança do ciclista ou pela fluidez motorizada. Nos projetos cicloviários atualmente em andamento, quando essa dúvida surgir, tudo me leva a crer que São Paulo dará a preferência a vida, torço para quem essa minha sensação se confirme.

André Pasqualini – Ciclista especializado em mobilidade humana

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