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Informação importante acrescentada em 09 de fevereiro de 2012:

Dia 10 de fevereiro será inaugurada o trecho entre as Estações Vila Olímpia e Cidade Universitária da Ciclovia da Marginal Pinheiros. Para saber informações mais atualizadas, acesse o post “Ciclovia da Marginal Pinheiros – Fase 2“, publicado nesse mesmo dia.

No final tem a explicação do por que coloquei o nome de “Ciclovia da CPTM” no título do post.

Na semana passada percorri a ciclovia com os técnicos da CPTM, conferi as novidades e claro, deixei as minhas sugestões. Outro texto longo cheio de detalhes, onde primeiro irei falar sobre as obras que estão sendo tocadas, depois as sugestões e finalizarei com minhas considerações. Um texto para acabar com todas as dúvidas sobre a maior obra cicloviária da cidade de São Paulo.

Iluminação

Quem passar próximo a estação Jurubatuba verá um poste de luz movido à energia eólica e solar. É um poste de iluminação com tecnologia Led, onde na sua base encontra-se uma bateria, onde toda a energia eólica e solar é carregada. Isso dá uma autonomia de 22 dias de iluminação, mesmo sem sol ou vento.

Fui um dia de noite até a estação Jurubatuba ver a potencia do poste mas achei a luz muito fraca. Estava a cerca de 30 metros de onde estava o poste, pretendo voltar na ciclovia a noite para verificar sua real potência e entrar em contato com essa empresa que instalou esse poste como teste, para saber maiores detalhes do projeto.

Segundo a CPTM ainda estão estudando como será a iluminação, segundo desse modelo eólico, seria necessário a compra de mais de 700 postes como esses. Não há um prazo para a resolução do problema da iluminação.

Novos acessos e bases de apoios

Há previsão de 5 novos acessos e 4 novas bases de apoio. Tirando o acesso da Cidade Jardim, a previsão é que tudo seja entregue até dezembro de 2011. Confira abaixo detalhamento de cada obra que está sendo tocada pela CPTM

Acesso junto à estação Santo Amaro

Visualmente, é a obra em estágio mais avançado. A primeira vez que pedalei com o Sergio Avelleda pela ciclovia (na época presidente da CPTM e atualmente presidente do Metro), mostrei para ele não só a importância de um acesso ali, bem como sua facilidade, já que diferente das demais estações, os bloqueios dessa estação se encontram sobre a plataforma e não antes da passarela, do outro lado da Marginal Pinheiros.

Como passo constantemente por essa estação, venho acompanhando seu progresso. A estrutura de ferro chegou primeiro e foram montando como um quebra-cabeça, agora ela já está na fase de acabamento.

Outro detalhe dessa obra, o ciclista irá passar pela cancela do trem (sem pagar) e acessar a passarela. Farei meu comentário sobre essa quebra de paradigma mais frente. Pelo andar da carruagem, essa deve ser a primeira obra finalizada, mas só deve ser entregue junto com as demais em Dezembro.

Base de apoio em Santo Amaro

Havia uma base temporária, com bebedouros e banheiros químicos (ainda há alguma estrutura no local), mas está sendo construída uma nova base, onde o ciclista terá banheiros e até uma infraestrutura para mecânica de bicicleta. Essa base está em estágio bastante avançado, já em acabamento.

Acesso junto a estação Morumbi

O acesso se complementará a atual infraestrutura da estação, uma passarela de estrutura metálica que é fabricada em separado e montada no local. Essa passarela da estação Morumbi já está em fase adiantada de fabricação e deve ser montada em breve. Depois de montada é feito o acabamento com piso, guarda corpo, pintura, como está ocorrendo atualmente com a passarela da Estação Santo Amaro.

Nessa estação o ciclista também irá passar pelo bloqueio, sem pagar passagem e acessar a Ciclovia. A diferença dessa estação com a de Santo Amaro, é que os bloqueios na Morumbi se encontram junto ao acesso na Marginal Pinheiros, antes da passarela.

Expansão da Ciclovia entre as estações Vila Olímpia e Villa Lobos

Quem utiliza a linha Esmeralda da CPTM entre as estações Villa Lobos e Vila Olimpia já deve ter percebido a movimentação no local. Havia um asfalto em condições precárias até a estação Pinheiros. Esse asfalto está sendo totalmente refeito.

Os guarda-corpos amarelos, que já existem no trecho aberto, estão sendo colocados. Na primeira fase, a maior parte era de hastes de ferro com cordas, apenas nos trechos onde a margem estava próxima da via é que haviam esses guarda-corpos de ferro.

Nessa segunda-fase optaram por colocar o guarda-corpo de ferro em todo o trajeto, já que os de corda deram muitos problemas, pois as cordas se desgastavam, alguns ciclistas se apoiavam nelas o que as afrouxava, chegando até a rompê-las. Quando isso ocorria, todo o trecho da corda ficava desprotegido. Já os de ferro são mais resistentes e fáceis de serem removidos, caso os técnicos da Emae precisem realizar algum trabalho no rio.

Base de apoio Cidade Jardim

Está bem avançada, quase na fase de acabamento e deve ficar pronta em breve. O detalhe é a proximidade dela com a da Vila Olímpia, menos de um quilômetro as separam.

Acesso junto à ponte Cidade Jardim

Esse é um acesso sem prazo, pois será construído pela Construtora WTorre como compensação pela lei do Polo Gerador de Tráfego, devido a grande obra que ela está promovendo, entre a Daslu e o Parque do Povo.

Ela ainda está em fase de projetos e não tive acesso aos croquis, mas segundo o Renato, o ciclista deve sair nesse local da foto acima, próximo a estação Cidade Jardim. Não vejo também necessidade de urgência, pois já há o acesso da estação Vila Olímpia bem próximo dali.

Acesso junto a ponte Cidade Universitária e base de apoio

Bem abaixo da ponte da Cidade Universitária está sendo construída uma outra base de apoio ao ciclista e uma passarela, junto a ponte. A obra da base não está tão adiantada como as demais e a passarela, apenas as fundações foram feitas.

O diferencial desse acesso é que está sendo aproveitada a estrutura da atual ponte. Toda a base de sustentação dessa passarela será independente da estrutura da ponte.

Acesso junto ao Parque Villa Lobos e base de apoio

A base de apoio ainda está nas fundações, já a passarela em fase de projeto. Como na estação Morumbi, ela será construída em partes pequenas e montada no local, só então será dado o acabamento, como pintura, piso, etc.

Junto a entrada do parque Villa Lobos, há uma guarita e o início da passarela que leva até a estação de trem. De lá sairá a passarela para a Ciclovia, passando sobre as faixas de rolamento das marginais e as linhas de trem, saindo diretamente junto a base de apoio, conforme imagem do projeto acima.

As considerações sobre as obras da segunda fase

Finalmente a Ciclovia terá um caráter de transportes e será uma excelente opção de lazer. Enquanto não resolvermos a questão da iluminação, teremos muitos ciclistas correndo para acessarem antes das 18h15, já que com os novos acessos, o número de ciclistas deve aumentar de forma considerável. Fica a sugestão, a CPTM pode realizar alguns testes, permitindo que ciclistas com iluminação própria possam acessar a Ciclovia num horário ampliado até umas 22h00. Já existe no mercado bons equipamentos de iluminação para o ciclista, que nos dá autonomia até para pedalarmos em estradas, portanto vale a pena realizar o teste.

Quando a iluminação for instalada, a idéia é que a Ciclovia seja aberta ao público durante o horário de operação da CPTM (4h40 as 0h00), com isso terá seu caráter de transporte, totalmente consolidado.

Ainda haverá uma grande carência de acessos, principalmente entre a estação Vila Olimpia e Cidade Universitária. Nas sugestões que descrevi logo abaixo, irei mostrar que essas carências são de fácil solução. Agora numa avaliação geral sobre a nova fase, todas as obras são providenciais e super pontuais, nenhuma obra é equivocada. Também mostra que aqueles que lutaram pela abertura da Ciclovia mesmo com poucos acessos acertaram, pois a evolução acabou sendo inevitável.

Sugestões para melhorarmos a Ciclovia

Em minha visita, fui acompanhado pelo Rodrigo Assis (Analista de Comunicação), do Renato Masini (Assessor Técnico Executivo da Engenharia e Obras), os dois de bicicleta, além da Maria Luiza Marra (Chefe de Estações) e a responsável pela operação da Ciclovia, todos funcionários da CPTM. Durante todo o trajeto, não foi eu quem apenas fez perguntas, eles também fizeram vários questionamentos e muitas das considerações que escrevi abaixo, as fiz pessoalmente. Portanto vamos a elas.

Pintura

Apesar de ser bonito ver aquela longa pista vermelha ao lado da marginal, não há a necessidade de pintar a pista inteira. Uma simples faixa vermelha nas bordas (como ocorre na sinalização da Ciclofaixa de Lazer) já resolveria o problema, sem falar no fato da pintura se desgastar rapidamente, devido ao tráfego de carros.

Fácil notar que a pista onde os carros tem que circular (a que beira o rio) possue um desgaste muito maior que a pista das bicicletas. Basta comparar também com o trecho da Ciclovia que contorna a Usina da Traição, como ali não passam carros, a pintura está praticamente intacta.

Outro ponto negativo é quando a pista fica molhada. A aplicação da tinta tampa os poros do asfalto, com a chuva a pista fica mais lisa e os tombos bem mais freqüentes. Principalmente ciclistas velocistas ou mesmo aqueles que usam pneus de largura menor que 1,25. Eu mesmo já sofri um tombo pedalando em linha reta e bem devagar. A impressão que eu tive é que alguém me passou uma “rasteira”.

Sinalização

Hoje a sinalização de solo indica que os carros devem trafegar na pista junto a margem do rio e as bicicletas a junto a linha do trem. Na realidade, apenas os carros seguem a risca essa regra, até porque hoje são poucos os veículos que lá trafegam, pois só veículos a trabalho podem usar a pista. Mesmo assim já presenciei algumas confusões quando há carros nos dois sentidos e vários ciclistas na pista, é comum os motoristas não saberem bem como proceder.

O correto seria manter a lógica natural do trânsito, carros e ciclistas no mesmo sentido, da mesma maneira que estamos acostumados nas ruas da cidade. O motorista tem que usar a mesma pista do ciclista e ultrapassá-lo quando sentir-se seguro para tal, de forma natural. No caso de um carros nos dois sentidos, com ciclistas na pista, os carros só fariam a ultrapassagem quando sentirem segurança para tal.

Aliás a maioria dos ciclistas ignoram essa sinalização, até porque acabam pedalando de forma instintiva, como já fazem nas ruas da cidade. Portanto o melhor a fazer é levar para a Ciclovia a mesma lógica que já ocorre no trânsito, fora dela.

Lombadas

O objetivo das lombadas é controlar a velocidade dos carros (e não dos ciclistas), mas ela atrapalha demais os ciclistas, até causando quedas. A velocidade máxima para os carros dentro da Ciclovia é de 30 km/h e raramente presenciei motoristas (depois da inauguração da Ciclovia) acima desse limite, até porque os próprios ciclistas já funcionam como um “redutor de velocidade”.

Sugeri que nem colocassem lombadas no novo trecho e se possível que retirassem as lombadas do trecho antigo. Muitas delas já existiam antes da pista se tornar uma ciclovia, até porque antigamente aquilo era “uma terra sem lei”. Eram muitos os veículos que usavam a pista para fugir dos congestionamentos das Marginais, praticando velocidades absurdas.

Já ocorreram colisões frontais e até veículos dentro do rio, isso sem falar das capivaras que eram dizimadas. Eu pedalei algumas vezes de forma clandestina naquela pista antes dela ser aberta ao público. Na época era raro encontrar as capivaras e sempre via carcaças de filhotes atropelados. Com o maior controle dos veículos que usam a via, essa realidade não existe mais, por isso não vejo mais a necessidade de lombadas.

Novos acessos

Foi quebrado um grande paradigma, há anos defendíamos o uso das estruturas das estações da CPTM como forma de acesso, mas sempre houve a negativa devido a alegação de que o ciclista seria obrigado a passar pelos bloqueios sem pagar a passagem. Ocorre que esse paradigma já foi quebrado quando fizeram um acesso junto à estação Jurubatuba. Lá o ciclista é obrigado a passar pelo bloqueio e até mesmo andar por dentro da plataforma. Isso daria a oportunidade para alguns ciclistas, agindo de má-fé, acessar as composições sem pagar a tarifa.

Mas pelo visto isso não foi problema e fiquei feliz em ver que a CPTM preferiu correr o risco a ter problemas com alguns poucos, mas facilitar a vida da maioria, ou seja, os bons. Graças a experiência na estação Jurubatuba, em mais duas estações será aproveitado a infraestrutura existente, a de Santo Amaro e a do Morumbi, sem que o fato do ciclista ter que passar pelo bloqueio seja considerado um problema.

Isso abre um grande precedente, pois a partir dessa experiência, será possível usar praticamente todas as estações da linha esmeralda para acesso a ciclovia. Em dezembro teremos uma ciclovia de 22 quilômetros (14 atualmente), com 7 acessos. Não contei aqui o acesso que será feito pela WTorre na Cidade Jardim, pois esse ainda está em projeto.

Há também um outro acesso junto a Ponte Estaiada que seria construído pela Rede Globo. O projeto já existe, foi contratado o mesmo arquiteto que projetou a Ponte Estaiada e cheguei até a ver esse projeto. Não sei os motivos que fizeram o projeto não caminhar, mas tomara que essa iniciativa da CPTM acabe inspirando a Rede Globo a retomá-lo.

Depois de Dezembro a Ciclovia receberá um aumento considerável de ciclistas a utilizando como transporte, isso apenas devido aos dois novos acessos, junto a estação Santo Amaro e Morumbi. Por isso, com base na solução utilizada na estação Morumbi, fica a dica para que façam o mesmo nas estações Granja Julieta e Hebraica-Rebouças. Esse segundo acesso pode diminuir a grande distância entre as estações Vila Olimpia e Cidade Universitária se acessos.

O acesso que será construído pela WTorre junto a Cidade Jardim será ótimo pois além de ligar o parque com a Ciclovia, será um acesso em rampa, uma ótima opção as escadas da passarela da Vila Olimpia. Mas não devemos considerar que esse acesso substitua o da Vila Olimpia, pois enquanto o da Cidade Jardim irá atender os trabalhadores do Itaim e Jardins, o da Vila Olimpia atende os trabalhadores da região da Funchal, sem falar que essa estação já possui um bom bicicletário.

Outros dois acessos que podem entrar imediatamente em estudo é um junto a ponte João Dias e outro junto a estação Pinheiros. São acessos fáceis e baratos de serem construídos, pois poderá ser utilizado as estruturas existentes, conforme detalho logo abaixo.

Acesso junto à ponte João Dias

Primeiro sobre a importância desse acesso, numa contagem fotográfica realizada em outubro de 2009, registrei mais de 200 ciclistas em duas horas sobre a Ponte João Dias, sendo que a maioria seguiu pela Marginal Pinheiros sentido Castelo. Fica claro que um acesso nessa ponte daria imenso volume a Ciclovia.

Além do fato de que está para ser licitado o projeto de uma Ciclovia junto a avenida Carlos Caldeira Filho, ligando a Estação Capão Redondo da linha Lilás com a Ponte João Dias. Se tudo correr bem, é possível que essa ciclovia comece a ser construída já no ano que vem.

Montei uma espécie de “projeto funcional”, mostrando como seria esse acesso. Seriam necessários algumas sinalizações, faixas de travessia e pequenas obras de alvenaria para levar o ciclista até sobre a ponte antiga da João Dias. De lá bastaria construir uma pequena rampa ou mesmo uma espécie de elevador manual. Para maiores detalhes dessa sugestão, vejam o pdf que eu montei com várias fotos mostrando como seria esse acesso.

Estação Pinheiros

Outro ponto onde será relativamente fácil construir um acesso é junto a Estação Pinheiros da CPTM. Para a integração com a linha amarela, a plataforma da estação foi ampliada e construída uma nova passarela, facilitando a integração entre o passageiro do Trem que segue para o Metro.

Já a antiga passarela foi desativada, destruíram as escadas fixas e pelo jeito, parece que a antiga passagem deve ser demolida, mas espero que isso jamais ocorra. Devemos aproveitar essa estrutura e construir um novo acesso para a Ciclovia que seria totalmente independente da estrutura que hoje é usada pelos usuários da CPTM.

Como atualmente o acesso dos usuários da CPTM é feito a partir da nova estação, essa parte da antiga estação nem é mais utilizada pelos passageiros. Até onde sei, parece que o espaço hoje é utilizado pela Sabesp para uma exposição. Portanto além do uso desse espaço para acesso a Ciclovia, é possível aproveitá-lo espaço para alguma outra infraestrutura que auxilie o ciclista. Lá do alto poderia partir uma passarela para o ciclista acessar tranquilamente a ciclovia.

Pontos de apoio

Hoje existem dois pontos de apoios ao ciclista (Vila Olímpia e Miguel Yunes) e um improvisado junto a estação Santo Amaro. Quando todas as obras forem entregues, teremos um total de 6 pontos de apoio, um definitivo em Santo Amaro e mais três sendo um na Cidade Jardim, Cidade Universitária e no final, junto ao Parque Villa Lobos. Pontos de apoio com banheiros e uma estrutura que pode ser usada como oficina para dar apoio ao ciclista.

Vários são os ciclistas que reclamam que não é possível comer ou beber nada (que não seja água) dentro da Ciclovia. Porque não permitir associações que realizem trabalhos junto aos ciclistas, explorem esses pontos comercialmente?

A CPTM faria uma espécie de licitação onde apenas associações sem fins lucrativos poderiam participar. Elas poderiam comercializar alimentos, bebidas e até mesmo pequenas peças para reparos nas bicicletas, cobrando uma contrapartida de algum tipo de apoio ao ciclista.

Fica mais essa sugestão, essas bases poderiam servir como mais um atrativo, outra forma de entretenimento para trazer mais pessoas a Ciclovia. Além dessas bases prestarem um serviço aos usuários, serviriam como uma fonte de renda para que essas Associações realizem seus projetos sociais.

Considerações finais

Quando escrevi no título “Ciclovia da CPTM” é porque, apesar da área ser de responsabilidade da Emae e da Secretaria do Meio Ambiente Estadual ter tentado por diversas vezes abrir aquele espaço para os ciclistas, apenas quando a CPTM entrou na jogada é que a Ciclovia saiu do papel. Ela comprou essa briga, mesmo com resistência interna e até mesmo de parte de alguns ciclistas, que reclamavam do fato dela não ter vocação para transportes, sem falar naqueles que achavam que era só uma ação midiática com fins eleitorais.

Eu fui um dos principais defensores da abertura da Ciclovia com os acessos existentes. Sabia da importância de “tomarmos” o território e depois de conquistado, seria bem mais fácil lutar por novos acessos e que sua evolução seria questão de tempo.

A Ciclovia foi inaugurada, o tempo passou e hoje além de motivo de orgulho é uma bandeira da empresa. No começo, apesar de perceber que o alto escalão da CPTM estava super empenhado na evolução da Ciclovia, sempre notei uma relativa resistência e desconfiança entre os funcionários já que o “negócio” deles não era bicicleta, mas sim trem.

Minha sensação mudou, desde a sua inauguração em Fevereiro de 2010, cada vez mais percebo o empenho e o carinho dos seus funcionários, não só com a Ciclovia, bem como com os demais ciclistas que usam o sistema, ou acessam seus bicicletários. Podemos dizer que a bicicleta é sua segunda especialidade dessa empresa, pois  além dos seus Bicicletários estarem praticamente todos lotados, não podemos esquecer que junto a Estação Mauá existe o maior Bicicletário da América Latina, com duas mil vagas para bicicletas, com um movimento diário em torno de 1200 ciclistas.

Isso me deixa feliz, já que esse é um exemplo de mudança cultural que é lenta mas consistente. Quando vemos toda uma empresa (principalmente seus funcionários) empenhada numa causa, significa que mesmo com uma troca de gestão, será difícil acabar com a cultura. Nem vou citar a enorme evolução que ocorreu nessa empresa de 2004 até os dias de hoje, alguém que luta tanto pela mobilidade sustentável como eu só consegue ficar feliz com o que vem ocorrendo.

Parcerias “morais e ideológicas” como essas que existem entre a CPTM e os ciclistas podem contaminar outras empresas a seguirem esse exemplo.

Para finalizar, minha última consideração. Como tudo é mais fácil quando juntamos a vontade política, competência e principalmente a coragem de desafiar o novo. Eu só tenho a agradecer o pessoal da Secretaria de Transportes Metropolitanos da outra gestão por ter assumido esse desafio e principalmente a atual, que manteve todos os projetos anteriores. Duvido que essa evolução pare por aí e em dezembro estarei mais uma vez presente na inauguração dessa nova fase, curtindo mais essa vitória.

André Pasqualini