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Estive na inauguração do trecho dois da Ciclovia da Marginal Pinheiros em São Paulo no dia 10 de fevereiro de 2012. A Ciclovia ganhou mais 5 quilômetros e um novo acesso junto a cidade universitária. Vou então complementar a minha matéria, pois durante a inauguração recebi algumas informações importantes. Vou complementar esse texto com as novas informações, portanto vale a pena conferir as novidades.

Em setembro de 2011 publiquei nesse blog que essa segunda fase seria entregue em dezembro de 2011, teria mais acessos e iria até a Estação Jaguaré, com um acesso junto ao Parque do Povo. Ocorreram algumas mudanças, tanto em competências do projeto como nos prazos e vamos a elas.

Participação da Prefeitura de São Paulo na Ciclovia da Marginal Pinheiros.

Hoje a ciclovia tem dois pais, não apenas a CPTM como a Prefeitura de São Paulo também é responsável pela Ciclovia. Isso porque, devido a lei municipal do Polo Gerador de Tráfego, foi imposta a WTorre, que atualmente tem uma grande obra ao lado do Parque do Povo, o asfaltamento da ciclovia a partir da estação Hebraica até o Jaguaré e a construção de um novo acesso, ligando o Parque do Povo a Ciclovia.

O prazo total para execução do asfalto é de 3 meses, sendo que 30 dias era apenas o trecho até a Ponte Cidade Universitária, algo já finalizado desde o dia 01 de fevereiro. Isso nos leva a crer que até o final de abril, o asfalto até a estação Jaguaré também será entregue.

Já o acesso a ciclovia, junto ao Parque Villa Lobos ainda esta em fase de projetos e aprovações junto a prefeitura de São Paulo. Como o projeto final do acesso ainda não foi definido por questões burocráticas, a WTorre não pode apresentar imagens dele, tão pouco estipular um prazo, mas assim que tiver novidades atualizo o texto aqui.

Novos acessos

Nessa segunda fase da expansão da Ciclovia foi previsto cinco novos acessos, Santo Amaro, Morumbi, Parque do Povo, Cidade Universitária e Parque Villa Lobos. Dos cinco apenas dois estão finalizados, Santo Amaro, que já foi entregue no começo de janeiro e Cidade Universitária, que será entregue no dia 10 de fevereiro.

O acesso do Parque do Povo, responsabilidade da WTorre, como já disse acima, esta ainda em fases de autorizações e projetos, já o acesso junto a estação Morumbi da CPTM e o que ligará o Parque Villa Lobos a Ciclovia, ambos tiveram atrasos no projeto mas já estão sendo fabricados.

Toda a estrutura dos dois acessos são fabricadas fora e montada no local. Não me precisaram nenhum prazo, mas se nenhum problema novo ocorrer, tudo indica que até o final do primeiro semestre os novos acessos sejam implementados.

Informação nova: Na foto acima temos a Renata Falzoni conversando com o Walter Torre da WTorre. Ele nos disse que propôs a prefeitura, entre as diversas propostas, construir acessos a Ciclovia junto com TODAS as pontes do Rio Pinheiros, mas que essas propostas foram rejeitadas pelos técnicos da CET.

Desde que comecei a lutar por essa ciclovia, sempre pedimos para usarem as estações da CPTM e as pontes como forma de acesso a Ciclovia. Esse uso pode inclusive resolver o grave problema que os ciclistas e pedestres encontram para atravessar as pontes de São Paulo. A WTorre, apesar da obra que eles estão realizando ser uma compensação da Lei do Polo Gerador de tráfego, , ele havia proposto construir rampas em todas as pontes por conta, sem que fosse uma compensação.

Também reclamou pelo tratamento diferenciado que seu empreendimento está recebendo. Ele apontou 3 prédios ao lado do dele que não vão precisar fazer compensação nenhuma e que pela lei. Não reclama em fazer a compensação, mas reclama de ser o único empreendimento da região obrigado a fazer, o que eu também considero um absurdo.

Bases de Apoio

Seriam 4 novas bases, em Santo Amaro, Cidade Jardim, Cidade Universitária e Villa Lobos. A única que ainda não está pronta é a do Parque Villa Lobos que deve ser entregue quando o asfalto chegar ao final da Ciclovia.

Estou conversando com a CPTM sobre uma maneira de ceder as bases de apoio para Ongs que tenham algum envolvimento com bicicleta. Com isso elas poderão explorar as bases, não apenas prestar serviços aos ciclistas, como oferecer, alimentação, bebidas, para quem usa a Ciclovia. Isso é algo visto com bons olhos por parte da CPTM e estão estudando as questões legais para sua viabilidade.

Asfalto

Uma das maiores reclamações dos ciclistas era em relação a aderência do asfalto em dias chuvosos, pois a pintura usada na primeira fase da Ciclovia não é a mais adequada para ciclovias. Já nessa nova fase, usaram uma tinta certificada pela CET com antiderrapante.

Quando realizamos a última vistoria no início do mês, observamos a pintura e o técnico responsável mostrou inclusive um resíduo brilhante que era o antiderrapante. Eu não testei na chuva, mas um amigo ciclista disse que acessou a ciclovia logo após uma forte chuva e que o piso se mostrou bem mais aderente que o antigo.

Atualmente a CPTM esta a procura de patrocinadores que possam pintar o asfalto do trecho antigo com essa tinta certificada.

Iluminação

Esse é o ponto mais complicado, sei que a CPTM já possui um orçamento (ainda não sei o valor) para a instalação de cerca de 700 postes de iluminação, como aquele que foi colocado em fase de teste na estação Jurubatuba, movidos a energia eólica e solar.

O problema é que até onde sei, a CPTM está a procura de patrocinadores para a instalação dessa iluminação. Penso que se conseguirem patrocinadores, maravilha. Agora se não conseguirem, o governo tem que bancar a instalação dessa iluminação, pois isso trará um imenso ganho para a cidade, pois a Ciclovia poderá ser utilizada como lazer nos períodos noturnos e terá seu caráter de transporte consolidado em definitivo.

Segurança

Recentemente houve casos de assaltos dentro da Ciclovia e ocorreram num único ponto onde há uma falha na proteção, não apenas da Ciclovia como do sistema de trens. Junto a ponte Interlagos há uma forma das pessoas acessarem a linha do trem chegando muito próximo da Ciclovia. Alguns bandidos se aproveitaram da situação e realizaram dois assaltos e o foco deles eram bicicletas de estrada de alto valor. Uma das bicicletas roubadas custava 8 mil reais.

Os bandidos aguardaram a ronda passar e sabendo que levaria um bom tempo para ela percorrer a Ciclovia e voltar, assaltaram o primeiro ciclista que passou depois da ronda. Nem invadiram a ciclovia, pela grade, apontaram uma arma ao ciclista e fizeram ele jogar a bicicleta por cima da cerca.

Dias depois a Polícia Ferroviária colocou um policial a paisana que ao ser abordado agiu e prendeu dois de três bandidos, ocorreu inclusive troca de tiros. Hoje a Policia Ferroviária tem um esquema de segurança permanente no local para evitar novas ações de bandidos, enquanto não é realizada uma ação mais efetiva.

A solução a meu ver é criar uma equipe de segurança para cuidar exclusivamente da Ciclovia, pois hoje eles dividem suas tarefas com as estações de trem, dando prioridade quando há alguma ocorrência dentro do sistema. A criação de equipes diferentes que trabalhem em conjunto e a instalação de equipamentos de monitoria com câmeras dará muito mais segurança aos ciclistas que utilizam a ciclovia.

Novos acessos

Desde quando a Ciclovia da Marginal Pinheiros era apenas um sonho, a principal sugestão era o uso das estações da CPTM como uma forma de fazer o ciclista acessar a Ciclovia e sempre encontramos resistências quanto a essa possibilidade.

Ocorre que muito em breve teremos o primeiro teste de verdade. Atualmente na estação Santo Amaro, o ciclista precisa passar pelos bloqueios para chegar ao acesso da Ciclovia. Mas uma diferença fundamental é que em Santo Amaro os bloqueios estão na estação, sobre a plataforma. Já nas demais os bloqueios ficam na marginal, antes da passarela. Isso abre margem para um ciclista, agindo de má fé, tentar acessar o sistema da CPTM sem pagar.

Mas visando realizar um teste e apostar que a maioria de pessoas do bem não podem ser prejudicadas por má ações da minoria, em breve será testado um acesso junto a estação Morumbi da CPTM e caso não ocorra nenhum problema, o mesmo poderá ser repetido nas demais estações da CPTM, como Socorro, Granja Julieta e Hebraica.

Estamos também tentando aproveitar a estrutura existente da antiga estação Pinheiros da CPTM para que seja feito um acesso a Ciclovia. Atualmente os planos daquela estação são de ampliar a nova estação e demolir a antiga. Se conseguirmos mudar o projeto, muito em breve poderemos ter mais um acesso junto a essa estação.

Há ainda a possibilidade de mais um acesso junto a Ponte João Dias que foi proposto durante os estudos do Projeto Básico da Ciclovia do Capão Redondo, pela proposta o acesso seria mais ou menos como na ilustração abaixo.

A importância da Ciclovia da Marginal Pinheiros

Meu sonho é que a cidade inteira de São Paulo tenha um abrangente sistema cicloviário e apesar de termos muitos acidentes geográficos na cidade, quem pedala sabe que, além de subida não ser um grande problema. São Paulo é cortada por centenas de rios e áreas de várzeas, que poderia formar um grande sistema cicloviário principal que serviria de base para criação de outros sistemas secundários se interligando ao principal.

Nossas marginais são importantes eixos viários e se são bons para o transporte motorizado, porque não seriam para as bicicletas? Quando anos atrás lutei para que a Ciclovia da Marginal Pinheiros fosse entregue para a população apenas com os dois acessos existentes (Vila Olímpia e Miguel Yunes) era porque o mais importante no momento seria conquistar o espaço, pois a evolução seria a luta mais fácil.

Quando nos entregaram aquela ciclovia eu já sonhava com a construção de novos acessos e sua chegada até o Parque Villa Lobos. Hoje já sonho em ver essa ciclovia avançando sobre o Rio Tietê e se conectando com a Ciclovia do Parque do Rio Tietê que começa próximo ao Parque Ecológico do Tietê e segue por 25 quilômetros até Itaquaquecetuba. Sendo que essa Ciclovia tem projeto de chegar até a cidade de Salesópolis, onde nasce o Rio Tietê.

Também já consigo ver essa ciclovia em breve se interligando com o projeto da Ciclovia da Eliseu de Almeida e da Ciclovia do Capão Redondo, ambas que já tem seus projetos básicos prontos, só restando a abertura da licitação para as obras.

Essa Ciclovia não apenas é importante para os ciclistas, mas para toda a cidade, pois já provamos que a bicicleta pode não apenas ser parte da solução de mobilidade, bem como para uma mudança da cultura carrocrata que nos domina a tantos anos.

Nossa população esta mudando, a cultura do paulista em relação a cidade está mudando e muito se deve a esse movimento amplo de valorização da cidade capitaneado pelos ciclistas, onde a Ciclovia da Marginal Pinheiros é mais uma ferramenta para trazermos ainda mais pessoas para esse nosso mundo, por isso que mais uma vez estou feliz com essa conquista.

André Pasqualini