Tempo ao tempo, e não ao preconceito

Hoje quero resumir um texto da Renata Falzoni, em resposta a uma coluna da Barbara Gancia, na Folha de S.Paulo, que citava a Medalha José de Anchieta que ela irá receber por sua luta por melhores condições para a bicicleta em São Paulo. É uma lição a todos.

Compartilhe sem preconceitos - Foto: Alexandre Cappi/brstock
Compartilhe sem preconceitos – Foto: Alexandre Cappi/brstock

“Reduzir-me a ‘medíocre’ não me atinge, pois essa é uma alcunha, dirigida a todos os visionários que nascem antes de seu tempo. Sempre fui e sou criticada por não ser homossexual. Sou julgada pelo meu ‘jeitão’. Evito essa tecla. Não vim ao mundo para discutir opção sexual, mas sim para praticar – e não discutir – o não preconceito.

O não preconceito a tudo, a opção sexual, a raças, a condição social e, em especial, ao modo como eu escolhi para me locomover nas cidades. Eu não somente falo do transporte em bicicleta, eu pratico. Assim busco um mínimo de sustentabilidade e praticar a tolerância.

E, todos os dias da minha vida, dou uma revisada na forma como interpreto as coisas ao meu redor, para identificar onde está o meu preconceito sobre qualquer assunto e cair fora dessa perigosa armadilha: A opinião pré-concebida sem filtros. Não professo religião, mas posso dizer que praticar o não preconceito é uma escolha espiritual.

Sofro pela minha opção sexual heterossexual; por ser uma videorrepórter e não uma repórter ao lado de um cameraman; pela minha preferência de locomoção não condizer com a minha posição social. Imagine o que é chegar a um restaurante “chique” de bicicleta! Preconceito à parte, ir de bicicleta é um direito constitucional. Assim como ir a pé, de trem, de ônibus e até de carro.

Quem pedala sabe que ir de bicicleta é viável – tanto que São Paulo tem 380 mil viagens de bicicleta por dia. Todos os ciclistas com um denominador comum: o bom senso.

Todas as grandes cidades do mundo caminham para retirar os carros das ruas e combinar soluções que somam transporte público à bicicleta. Por que São Paulo será diferente? Aqueles que não acreditam na bicicleta como parte da solução terão suas bocas caladas com o tempo.

Tempo ao tempo, e não ao preconceito. E dia 3 de setembro vamos buscar a Medalha José de Anchieta em homenagem a nossa causa”.

Todas as terças escrevo para o Jornal Destak de São Paulo, na coluna “Seu Destak”.Clique e veja a coluna no site do Jornal.

Almoçando com a Falzoni

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E dando risada sobre a repercussão da coluna da Barbara Gancia.

Aguardem que a resposta virá a altura, só que num nivel altissimo.

Atualizando, segue o link da resposta da Renata.

Re, orgulho de ser sua amiga!

PS: Como alguns amigos trabalham em empresas anti-bikes que não deixam acessar o conteúdo do blog da Falzoni, vou colar aqui o texto da resposta, mas assim que possivel, entrem no blog dela e deixem seus comentários.

Tempo ao tempo e não ao preconceito

Esse texto segue em resposta a coluna de Barbara Gancia, publicada na revista de Folha no domingo, 8 de agosto de 2010, intitulada “Cicloativíssima”. Leia antes o texto aqui.

Reduzir-me a “medíocre” não me atinge pois essa é uma alcunha, lugar comum, dirigida a todos os visionários que nascem antes de seu tempo.

Sempre fui e sou criticada por não ser homossexual. Sou julgada pelo meu “jeitão” e eu de fato evito essa perigosa tecla, pois não vim a esse mundo para discutir a liberdade da opção sexual, mas sim para praticar – e não discutir – o não preconceito.

O não preconceito a tudo, a opção sexual, a raças, a condição social e, em especial, ao modo como eu escolhi para me locomover nas cidades de todo o mundo.

Eu não somente falo do transporte em bicicleta, eu pratico o transporte em bicicleta. Assim busco um mínimo de sustentabilidade e praticar a tolerância. De fato vou de bicicleta, ou seja eu busco ser verdadeira nas minhas atitudes.

E, todos os dias da minha vida, dou uma revisada na forma como interpreto as coisas ao meu redor, para identificar onde está o meu preconceito sobre qualquer assunto, para analizá-lo e cair fora dessa perigosa armadilha: A opinião pré-concebida sem filtros.

Não professo religião, mas posso dizer que praticar o não preconceito é a minha escolha espiritual.

Todos nós convivemos com esse problema, sofremos o preconceito ao mesmo tempo que o praticamos.

No meu caso eu sofro pela minha opção sexual heterossexual não bater como meu “jeitão”; por ser uma videorreporter e não uma repórter ao lado de um camera man; pela minha preferência de locomoção não condizer com a minha posição social, imagine o que é chegar a um restaurante “chique” de bicicleta!

Escrito assim tudo isso é ridículo. Isso mesmo a idéia pré concebida é ridícula quando identificada e assumida.

Preconceito a parte, ir de bicicleta é um direito constitucional. Assim como ir a pé, de trem, de ônibus e até de carro.

O Brasil vive uma guerra civil, onde 70 mil vidas são diretamente perdidas por ano, nos acidentes de trânsito, sem contar os que morrem por contra da poluição. Destes 70 mil, a esmagadora maioria são pedestres e ciclistas.

Desta forma é necessário entender quais os interesses por trás de quem advoga contra quem defende os direitos de pedestres e ciclistas.

Cada um tire as suas conclusões. Prefiro imaginar que pouca informação e muito preconceito é o caso de minha amiga Bárbara.

Já rodei por 21 países em minha bicicleta. Se falarem que São Paulo é grande, apresento Tokio ou Pequim como exemplos. Se falarem que São Paulo tem subidas, puxo da manga São Francisco como contra argumentação. Fria e chuvosa, apresento Copenhaguem, Perigosa, tiro até o Rio de Janeiro e por aí vai.

Quem pedala, sabe que ir de bicicleta é viável tanto que São Paulo tem 380 mil viagens de bicicleta por dia, (dados antigos do metrô) que inclui uma população inserida em todas as classes sociais. Todos ciclistas com um denominador comum: O bonsenso.

Todas as grandes cidades do mundo caminham para retirar os carros das ruas e combinar soluções que somam transporte público a bicicleta, porque São Paulo será diferente?

A cidade que temos é a cidade que queremos. Aqueles que não acreditam na bicicleta como parte da solução de uma cidade mais justa e de melhor qualidade de vida terão suas bocas caladas com o tempo.

Tempo ao tempo e não ao preconceito.

Pedalar mantém o corpo e a alma jovens. Assim continuo a caminhar nas montanhas, nas trilhas, e dessa forma reciclo minhas idéias. Sou um ser em eterna reciclagem. Pelo menos enquanto eu pedalar estarei reciclando minhas idéias, minhas atitudes e procurando sempre identificar onde reside o perigoso preconceito.

Dou tempo ao meu tempo. Assim me renovo.

Acho que eu, como amiga da Bárbara, vou dar-lhe uma bike de presente, e fazê-la pedalar e assim reciclar suas idéias, pois quem se assume “pequena e mesquinha”, coisa que eu discordo mesmo depois desse texto, somente um bom pedal para sarar!

Pedalar faz bem a auto estima também.

Agradeço aos que saíram em minha defesa e convido todos a levar a Bárbara a pedalar.

E dia 3 de setembro vamos buscar a Medalha José de Anchieta em homenagem a nossa causa.

Desconhecimento de causa e da “amiga”

Li a triste coluna da Barbara Gancia que tenta ser independente, inteligente, mas no final só se preza a falar merda. Quem quiser, leia a coluna dela clicando aqui, ou aqui para assinantes da folha.

O texto começa em tom elogioso, como alguém que fala de uma amiga de infância que trocou até roupinhas de bonecas, mas não demora a descambar para a futilidade e para o vácuo comum que infelizmente toma conta de muitos “monstroristas” dessa cidade. Aqueles mesmo que consideram as ruas um privilégio dos poucos que tem carros e tudo que tenta invadir o “seu” espaço é algo que só serve para atrapalhá-los.

Primeiro Barbara, sua amiga que diz tanto conhecer, não defende a bicicleta como a “solução” ou a “melhor saída”. Ela defende uma cidade justa, onde tanto um ciclista como um pedestre, ou qualquer pessoa que queira se livrar da dependência e tirania dessa Sociedade do Automóvel tenha os mesmos direitos e dignidade que hoje só é concedida aos “bem-aventurados” possuidores de um bólido motorizado.

Sobre os “mauricinhos” que atravancam o farol de vez em quando, esses incomodam muito menos que os 6 milhões de carros que atravancam a cidade o ano inteiro, que trazem bilhões de prejuízos a cidade, que impõe seus congestionamentos a àqueles que estão dentro dos ônibus, que matam 20 pessoas por dia por causa da sua fumaça (maioria crianças e idosos), matam 1500 pessoas por ano em acidentes de trânsito (mais que na guerra do Iraque), mas isso você não deve considerar nenhum absurdo não? Pior mesmo são os transtornos dos “Mauricinhos” que fluem (e não congestionam) uma vez por mês nessa cidade. Que legal isso, ontem eu era um “chineleiro” agora sou mauricinho…

E sobre esse “nazista” que citou os dias contados dos cigarros e das bebidas, primeiro eu não fumo e dane-se quem fuma desde que não jogue sua fumaça em cima do meu prato. Até porque eu tomo sim meu vinho e minha cervejinha e nem por isso fico mijando na cabeça dos outros. Mas esse nazista está no mesmo patamar de uns “nazistas” que, dentro de suas burcas, me mandam andar no parque ou na calçada, quando não tentam me dar uma “lição” só porque acham que não tenho o direito de andar na rua. Ou seja, gente estúpida tem em tudo que é lugar, tanto dentro de um carro com película (algo que o seu não deve ter) como sobre uma bicicleta.

Não quer pedalar, o problema é seu, tanto eu como a Renata estamos poucos se lixando para aqueles que querem se fundir com seus carros, mas saiba que 90% população é a favor de ciclovias. Isso não significa que ciclovia é a solução, mas significa que milhões de pessoas, ou querem ter o direito de pedalar sem medo, ou querem que seus parentes queridos possam sair pedalando de casa na certeza que irão retornar com vida.

É por essas pessoas que lutamos, pois sabemos que o dia que essa cidade for boa para o ciclista, por tabela traremos benefícios aos pedestres, aos usuários de transporte público, às pessoas com mobilidade reduzida, ou seja, todo mundo que vive fora do carro e que tem o prazer de ver a cidade com uma amplitude muito maior que a limitada visão do pára-brisa.

Pra finalizar, a única operação de guerra necessária nessa cidade é para colocar na cabeça de pessoas como você que aquele espaço público que chamamos de rua não é só dos carros, mas sim da população e todos devem ter acesso a ele. E o “ônus” da prefeitura é ridículo, perto do que ela já gasta para tentar manter a ordem no caos criado pelos carros. E por último, acho melhor você tentar conhecer seus amigos, pois eu conheço a Falzoni e ela não tem nada a ver com esse bicho bizarro pintado por você. Com amigos como você quem precisa de inimigos?

E para fechar, segue um vídeo com uma música do Plá, ouça pois com essa simples música, você aprenderá sobre a bicicleta e nela tem a exata mensagem que gostaria de passar para você nesse momento.